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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Pacto da Memória: Interpretação e Identidade na Fonte Bíblica (Cláudia Andréa Prata Ferreira)

FERREIRA, Cláudia Andréa Prata. O pacto da memória: interpretação e identidade na fonte bíblica. Revista Mirabilia - Revista Eletrônica de História Antiga e Medieval - ISSN 1676-5818. Revista Mirabilia 3 - dezembro de 2003 - Artigo 4 - 13 páginas.
Resumo: Interpretação das fontes bíblica e talmúdica na Tradição Judaica. Compreendemos os textos bíblico e talmúdico como sendo um projeto de construção da memória. Essa memória, construída literariamente a partir de uma tradição oral e escrita, evidencia uma relação singular entre o humano e o divino e procura legitimar em seu discurso a idéia de uma Religião e Tradição do Livro. Essa memória constitui, então, o elemento essencial no projeto de construção da identidade individual ou coletiva do Povo do Livro (em hebraico, Am Ha'Sefer). Estabelecemos a relação memória e religião tendo como elemento central a palavra hebraica zikaron "lembrança, memória". A originalidade do presente projeto é elencar um conjunto de elementos nos quais se articulam a construção e formação da identidade e memória no Judaísmo tendo como referencial as fontes judaicas, em particular, as produzidas em língua hebraica. Memória, Linguagem e discurso na narrativa, interpretando o caso específico da narrativa hebraica bíblica e a narrativa talmúdica: privilegiamos as fontes bíblica e talmúdica, pilares da fé judaica.

Tradição e transmissão: a questão da interpretação na tradição judaica (Cláudia Andréa Prata Ferreira)

FERREIRA, Cláudia Andréa Prata. “Tradição e transmissão: a questão da interpretação na tradição judaica”. Porto Alegre, RS: Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRGS), 20/10/2006.
Como entendemos a relação entre tradição e memória? Entendemos a Tradição como uma forma de memória coletiva transmitida de uma geração para outra (em hebraico ledor vador "de geração a geração"). A Tradição é a memória da experiência vivencial de cada geração com o que lhe foi transmitido em confronto com as especificidades de seu tempo e lugar.
Em hebraico, a palavra para Tradição é massoret, que significa, literalmente, transmissão. O vocábulo latino traditio significa "ato de transmitir", "transmissão de conhecimentos".>>> Leia mais, clique aqui.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O Institut for Historical Review e a Negação da História

Fernanda Teixeira Moreira
O Institut for Historical Review e a Negação da História

O Negacionismo é um movimento intelectual vinculado a extrema-direita que surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial, ainda na década de 1940. Autodenominando-se Revisionismo, os adeptos do negacionismo pretendem “revisar” a história, através da negação da existência de câmaras de gás e do assassinato em massa de judeus e outros grupos nos campos de concentração nazistas. Para fornecer autoridade institucional aos autores negacionistas, em 1979 foi criado o Institut for Historical Review (IHR), pelo o anti-semita norte-americano Willi Carto, tornando-se o principal centro articulador do negacionismo, principalmente através da realização de conferências e da publicação do Journal of Historical Review. Considerando que enquanto ideologia as idéias negacionistas são “a expressão particularmente assustadora da naturalidade com que convivemos com verbalismo vazio e a demagogia pseudo-científica” (Milman, 2000:116), neste trabalho procuro analisar a contribuição do IHR na difusão das idéias negacionistas e na negação da historiografia oficial sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto. Deter-me-ei na análise do negacionismo como uma construção ideológica de aparência historiográfica (Milman, 2000), que tem como objetivo principal a reabilitação dos projetos Nacional-socialistas.

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Negacionismo no Brasil: as obras de S.E. Castan

Elza Helena Lourenço Gomes dos Santos
Negacionismo no Brasil: as obras de S.E. Castan.

O termo ?Revisionismo Negacionista? refere-se a uma variante ?intelectual? de movimentos de extrema-direita do pós-guerra, cujo projeto incorpora a banalização, a justificação ou mesmo a negação da inexistência dos campos de extermínio e do Holocausto Nazista. Entre os objetivos que figuram no projeto de pesquisa do Prof. Dr. Luis Edmundo de Souza Moraes a respeito do Negacionismo, está em realizar um levantamento de informações e o estudo da recepção e construção da memória coletiva sobre o Holocausto no Brasil no pós-guerra. Ao verificar-se um processo de disputa pela memória coletiva sobre o nazismo de forma mais ampla e sobre o holocausto em particular, averiguamos que instituições e personalidades reproduzem o discurso bem como os procedimentos próprios do negacionismo no Brasil. Este trabalho, vinculado àquele projeto mais amplo, tem por objetivo analisar os métodos empregados na negação do Holocausto nos materiais tornados públicos pela Editora Revisão, voltada à produção e distribuição de textos negacionistas no Brasil, especificamente aqueles assinados pelo fundador da editora, Sigfried Ellwanger Castan. O olhar será sobre quais instrumentos argumentativos, bem como por quais processos de demonstração, são utilizados e inseridos nestes textos.

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Davar - Hebrew Dictionary

Davar - Hebrew Dictionary: DAVAR é um dicionário hebraico para Windows 95/98/NT/2000/XP. Útil para o estudo do hebraico do Antigo Testamento, assim como para o hebraico moderno.

FoundationStone: The Online Hebrew Tutorial

FoundationStone é um aplicativo gratuito, prático para o aprendizado do vocabulário hebraico. Um tutorial para o hebraico moderno e bíblico, The Online Hebrew Tutorial, faz parte do aplicativo e está disponível para download.

Veja mais:

THE ONLINE HEBREW TUTORIAL
Version 2.0

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This tutorial is available for download, as part of a free Java application to teach Hebrew.
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terça-feira, 29 de julho de 2008

Terror cria zona de risco e temor na Ásia

Jornal O Globo, O Mundo, página 28, em 29/07/2008.

Terror cria zona de risco e temor na Ásia

Numa faixa que vai da Turquia à Índia, grupos violentos, com diferentes motivos e métodos, provocam centenas de mortes

Fenômeno mundial, o terrorismo preocupa autoridades e atemoriza povos de quase todo o mundo. Mas nos últimos meses, um arco de fogo está se desenhando na Ásia, com um grande número de atentados sangrentos ocorrendo numa faixa que vai a Turquia, a oeste, até a Índia, a leste. Tendo em comum a violência contra civis inocentes, os métodos e os motivos dos grupos terroristas, porém, variam muito, apesar da proximidade geográfica dos países.

Na Turquia, onde ocorreu no fim de semana o maior atentado dos últimos anos, há várias correntes que adotam práticas terroristas: guerrilheiros curdos em busca de independência; ultranacionalistas contrários a intelectuais moderados e minorias étnicas; e radicais islâmicos.

Em Israel, dois recentes ataques com o uso de escavadeiras assustam a população e apavoram trabalhadores, que temem ser confundidos com terroristas só por estarem em seus veículos de trabalho. No Iraque, país com maior número de atentados do mundo, a violência da al-Qaeda e de disputas entre facções religiosas e étnicas agora também usa mulheres-bomba.

Na Índia, a rivalidade entre extremistas hindus e islâmicos provoca centenas de mortes por ano. No Afeganistão e no Paquistão, a milícia Talibã e grupos próximos aumentaram o número de ataques.

Ataques devastadores com mulheres-bomba
IRAQUE
BAGDÁ.
No momento em que a melhora nas condições de segurança do Iraque se tornam o principal tema da campanha do candidato à Presidência americana John McCain, o país viveu ontem um dos dias mais violentos dos últimos meses. Quatro explosões mataram 50 pessoas e feriram 242 na capital, Bagdá, e em Kirkuk, no norte do país.

Em vez de ser considerado como “mais do mesmo”, num país que ainda luta para superar a onda violência interna iniciada depois da invasão do país em março de 2003, os ataques de ontem descortinam uma nova, e cada vez mais comum, forma de ação: as três explosões ocorridas em Bagdá foram detonadas por mulheresbomba, e a polícia tem fortes suspeitas de que o atentado de Kirkuk também foi realizado por uma mulher.

Em Bagdá, 28 pessoas morreram num ataque coordenado das três mulheres-bomba, cujas identidades não foram descobertas.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo ataque, mas as suspeitas se voltam contra a al-Qaeda na Mesopotâmia.

O alvo foram peregrinos muçulmanos xiitas, que se dirigiam para a mesquita de Kadhamiya. A filial da al-Qaeda no país é um grupo muçulmano sunita que considera a corrente xiita do Islã uma heresia. Espera-se que um milhão de xiitas participem da peregrinação, que termina hoje.

Em Kirkuk, o alvo do ataque foi uma manifestação contra a lei eleitoral da cidade. Testemunhas afirmam que uma mulher detonou explosivos que carregava junto ao corpo, mas a polícia ainda busca mais provas.

Neste ataque, o número de suspeito é maior. Os manifestantes protestavam com a lei eleitoral de Kirkuk, uma cidade rica de petróleo de maioria curda, mas considerada multiétnica pelo governo. Desta forma, em vez de fazer administrativamente parte da região curda do norte do Iraque, ela é ligada diretamente ao governo central.

O uso de mulheres tem aumentado.

Em 2007, foram oito ataques suicidas realizados por mulheres. Este ano, já foram 22.

De acordo com autoridades iraquianas e militares americanos, todas as eram viúvas ou parentes próximas de militantes radicais que se mataram em ataques suicidas ou foram presos ou mortos pelas autoridades. No país, mulheres muitas vezes passam por postos de controle sem serem revistadas.

Instabilidade política, separatismo e radicalismo
TURQUIA
ISTAMBUL.
O atentado a bomba que matou 17 pessoas no domingo na parte européia de Istambul, a maior cidade da Turquia, pôs em dúvida o precário equilíbrio político do país. As violentas explosões, que também feriram 154 pessoas, ameaçam romper a frágil estabilidade turca a qualquer momento.

O fato de a responsabilidade pelo ataque de domingo não ter sido assumida por qualquer grupo aumentou ainda mais a crise.

O governo insinuou ontem que um grupo independentista curdo, o PKK, pode ter realizado o ataque, como resposta a um bombardeio aéreo de uma base dos guerrilheiros curdos no norte do Iraque, horas antes dos atentados de Istambul.

— Infelizmente, as repercussões são duras. O incidente de domingo à noite é uma delas — disse o premier Tayyip Erdogan, que esteve ontem, com o presidente Abdullah Gül, no bairro de classe média-baixa atacado.

Mas a situação política turca aponta também para outros suspeitos.

O ataque ocorreu num bairro no qual o partido de Erdogan e Gül, o islâmico moderado AKP, é muito popular. Ontem, como já estava marcado anteriormente, o Tribunal Constitucional começou a estudar a possível ilegalização da legenda. O AKP é acusado de agir de forma contrária à Carta do país, que prevê uma república secular.

Segundo a Procuradoria, o AKP viola a lei — o MP dá como exemplo a legislação defendida pelo partido permitindo a mulheres estudarem em universidades usando o véu islâmico. A medida foi, posteriormente, considerada inconstitucional e o véu, novamente banido. Um ataque a uma base do AKP poderia insuflar a população a se revoltar contra uma possível decisão judicial de ilegalizar o partido.

Os tribunais também têm realizado uma investigação sobre um grupo ultra-nacionalista que teria se infiltrado inclusive no poderoso e politicamente participativo Exército. Cerca de 80 pessoas já foram indiciadas por participar da rede Ergenekon.

O grupo tem como objetivo combater tanto o setor intelectual e moderado da sociedade — com o assassinato de jornalistas, professores universitários e líderes de minorias étnicas, como armênios e curdos — como dar um golpe de Estado e derrubar o governo islâmico.

Atrás apenas do Iraque em mortes por atentados
ÍNDIA
NOVA DÉLHI.
A fama de país pacífico esconde o fato de a Índia ser o segundo país do mundo em mortes por atentados, atrás apenas do Iraque. No mais recente ataque, na cidade de Ahmedabad no sábado, 17 explosões mataram 49 pessoas e feriram ao menos 200. Dados do Centro Nacional de Combate ao Terrorismo, em Washington, mostram que entre 2004 e 2007, 3.647 pessoas morreram em atentados terroristas no país e mais de 10 mil ficaram feridas.

A violência religiosa é o principal problema. Em 2002, um ataque de uma multidão de fanáticos a um trem que levava ativistas hindus causou a morte de 57 pessoas em Godhra, num dos piores episódios de violência dos últimos anos. A composição foi incendiada e as vítimas, em sua maioria mulheres e crianças, morreram queimadas. O crime foi cometido por extremistas muçulmanos. Em retaliação, lojas e ônibus foram incendiados em Ahmedabad e pelo menos mil pessoas ficaram feridas.

— Não sabemos o que está acontecendo no país. A população está com medo de sair de casa. Os jovens evitam grandes aglomerações pois o risco de explosões e ataques é muito grande — disse a estudante universitária Jyotsna Malhotra, de 21 anos, moradora de Ahmedabad.

Escavadeiras viram fobia em Jerusalém
ISRAEL
JERUSALÉM.
O medo de atentados terroristas faz parte da rotina dos israelenses. Mas, depois de dois ataques em menos um mês na parte ocidental de Jerusalém em que terroristas usaram escavadeiras — com três mortos e dezenas de feridos — criou-se no país uma “escavadeirofobia”. Palestinos e judeus que operam escavadeiras estão em pânico com a possibilidade de serem confundidos com terroristas.

— Virei a escavadeira em direção à calçada para iniciar um trabalho e vi dezenas de pessoas correndo. Quero mudar de profissão antes de levar um tiro de algum soldado ou policial — contou o operador palestino Anas, de 23 anos.

Há muitas escavadeiras em Jerusalém, participando de várias obras, inclusive do metrô de superfície. Muitos operadores das máquinas são palestinos de Jerusalém Oriental, autorizados a se deslocar na cidade e em Israel.

A polícia reforçou a vigilância em canteiros de obras, exigindo documentos dos operadores de escavadeiras.

E o medo dos israelenses de novos ataques deve continuar.

Ontem, o premier israelense, Ehud Olmert, disse que um acordo de paz com os palestinos não é possível este ano. Para ele, o status de Jerusalém ainda é o principal obstáculo.


domingo, 27 de julho de 2008

O Livro da Sabedoria Judaica (Ana Maria Shua)

Kibbutz, de utopia socialista a local de descanso

Kibbutz, de utopia socialista a local de descanso

Renata Malkes
Especial para O GLOBO, O Mundo, página 38, em 27/07/2008.

TEL AVIV. Além de aquecer a indústria hoteleira, o calor do verão no Oriente Médio tem refrescado os lucros de pelo menos 270 kibutz, as tradicionais comunidades coletivas que se transformaram no símbolo de Israel.

De norte a sul do país, o kibutz deixou para trás o sonho socialista para entrar com força no capitalismo moderno. Localizados normalmente em zonas rurais e cercados por verde e intermináveis hectares de áreas de lazer, muitos transformaram parte de suas instalações em confortáveis hotéis-butique que têm atraído milhares de turistas em busca de uma hospedagem barata e original, e até mesmo israelenses estressados querendo relaxar nos finais de semana.

Os voluntários que vinham de toda as partes do planeta para vivenciar a experiência socialista fazendo pequenos trabalhos deram lugar aos turistas. Além da hospedagem barata em casas reformadas com todos os mimos possíveis — de jacuzzi a cinemas equipados com TVs de alta definição e DVDs — o kibutz moderno oferece o contato com a natureza e com a cultura israelense, além de atrações até para os gostos mais sofisticados, com serviços de spa e esportes radicais.

Para a jornalista Yael Golan, não só os turistas em busca de um programa original aderiram ao kibutz: os israelenses compreenderam que férias relaxantes e divertidas não precisam ser fora do país.

— Israelenses adoram viajar para o exterior, mas, nos fins de semana, me hospedo num kibutz para descansar e sair do barulho da cidade grande. Reunimos os amigos e passamos excelentes momentos gastando menos. Hoje custa muito caro para uma família com três filhos, por exemplo, viajar nas férias de verão — diz ela.

Intolerância: uma perspectiva histórica

sábado, 26 de julho de 2008

Silêncio de Deus, silêncio dos homens: Babel e a sobrevivência do sagrado na literatura moderna

Silêncio de Deus, silêncio dos homens: Babel e a sobrevivência do sagrado na literatura moderna
Erick Felinto
Editora:
Sulina
Resumo: Neste livro de Erick Felinto alia erudição e simplicidade. O leitor encontra, ao mesmo tempo, um inventário das encarnações do sagrado na literatura moderna e uma reflexão sobre a questão da língua. Nomear é tudo. O poder máximo do demiurgo é o de dar nome. Cabe ao autor mostrar as imbricações de todos esses elementos. Cabe ao leitor simplesmente seguir o fio das idéias. Não é difícil alguém se deixar dominar pelo texto de Felinto, uma trama feita de sedução, maleabilidade, argumentação impecável e um senso do sagrado que, sem abdicar do primado da razão, eleva ao ponto máximo o mistério do pensamento.
Silêncio de Deus, silêncio dos homens é uma reflexão ambiciosa sobre modernidade cultural. Compõe um autêntico panorama histórico-filosófico, olhando a modernidade pelo avesso, definindo-a pelo viés do místico, do esotérico, do sagrado. Erick Felinto chegou à crítica da cultura pelo clássico caminho da crítica literária, a partir da combinação entre uma formação pós-graduada híbrida de Comunicação e Letras e uma espécie de auto-didatismo voraz que o fez incursionar pela Torah e pela Cabala, lembrando os marcos reflexivos de um Walter Benjamin. A resultante de tal combinatória se dá na clave do brilhantismo. O leitor e a leitora não se decepcionarão, se o que buscam é inteligência, aliada à erudição.

Ensaios sobre o anti-semitismo contemporâneo: dos mitos e da crítica aos tribunais (Luis Milman)

Ensaios sobre o anti-semitismo contemporâneo: dos mitos e da crítica aos tribunais
Luis Milman
Editora:
Sulina
Resumo:
O livro é uma incursão crítica no preconceito e na ignorância ativa que emula o anti-semitismo. No Brasil, este preconceito e sua difusão chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), levados por Siegfried Ellwanger — negacionista condenado por prática de racismo pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul — por força de um habeas corpus revelador da própria natureza dos artifícios dos quais se abastecem anti-semitas de todas as extrações, para que se auto-afirmem como anti-semitas dentro da legalidade. A análise da decisão do STF e de sua dimensão histórico-jurídica é parte central desta coletânea, assim como os ensaios sobre a multifacetada realidade do anti-semitismo contemporâneo, que em sua forma ideológica é objeto de escrutínio político, histórico e jurídico.
Com este livro, pretende-se atingir dois objetivos: primeiro, o de convidar à reflexão sobre formas de anti-semitismo contemporâneo, suas raízes e sua história; segundo, oferecer críticas não só de ordem política, conceitual e histórica, mas também de âmbito ético-jurídico, pois a demanda de Siegfried Ellwanger no STF, por exemplo, foi acolhida por três dos ministros do STF, com argumentos preocupantes. Enfim, trata-se de um trabalho informativo e reflexivo, que se propõe ao debate intelectual em todas as suas dimensões.

Veja ainda outro título do autor:
Neonazismo, Negacionismo e Extremismo Político

Blogs: Estudos Judaicos - Estudos Bíblicos - Língua Hebraica - História das Religiões e Religiosidades

Estudos Bíblicos
Espaço dedicado aos temas relacionados aos Estudos Bíblicos.
http://www.panoramabiblico.blogspot.com/

Estudos Judaicos
Espaço dedicado aos temas relacionados aos Estudos Judaicos.
http://www.estudosjudaicos.blogspot.com/

História das Religiões e Religiosidades
Estudo comparado e abordagem interdisciplinar da história das religiões, crenças, manifestações e idéias religiosas.
http://www.religioesereligiosidades.blogspot.com/

Língua Hebraica
Espaço dedicado aos estudos relacionados ao idioma hebraico.
http://www.linguahebraica.blogspot.com/

O Livro e a Leitura como Ritual Religioso (Cláudia Andréa Prata Ferreira)

O Livro e a Leitura como Ritual Religioso (Cláudia Andréa Prata Ferreira)
Resumo:
Estudo da construção e formação da identidade e memória no Judaísmo tendo como base o texto bíblico. O material bíblico é o referencial para refletirmos sobre a memória, Linguagem e discurso na narrativa. Essa memória, construída literariamente a partir de uma tradição oral e escrita, evidencia uma relação singular entre o humano e o divino e procura legitimar em seu discurso a idéia de uma Religião e Tradição do Livro.
Com um corpus textual definido pela canonização, a leitura pública do material bíblico e o seu trabalho de cópia e transmissão faz surgir uma nova etapa do Pacto da Memória, entrando em cena os rabinos, sábios, estudiosos da fonte bíblica que no intuito de continuar o dever da lembrança e procurando o sentido desse texto, geram um novo tipo de material denominado genericamente de fonte talmúdica, um vasto campo de literatura rabínica que se dedica a interpretar, à luz de sua época, o texto bíblico. Os tradutores e a difusão das religiões e transmissão dos valores culturais: um papel determinante na evolução das sociedades e na vida intelectual. O Livro / Bíblia e a leitura nas comunidades judaicas: o espaço sagrado e o espaço urbano. O estudo e a leitura como ritual religioso. Judaísmo: a palavra escrita e oral, da Antigüidade aos tempos modernos. >>> Leia mais, clique aqui.

Poesia-palavra e narrativa bíblica (Cláudia Andréa Prata Ferreira)

Poesia-palavra e narrativa bíblica (Cláudia Andréa Prata Ferreira)
Compreendemos a construção e formação da identidade e memória no Judaísmo tendo como base o texto bíblico. Para tal, realizamos um estudo da formação do texto bíblico. Cabe ressaltar que a Bíblia Hebraica, Tanach, constitui a pedra fundamental da cultura, do pensamento e da prática judaica, e toda a literatura judaica subseqüente consiste, em grande escala, em comentários a seu respeito.

Leia mais:

Paulo de Tarso e o Judaísmo no contexto dos estudos sobre o fenômeno do helenismo (Mônica Selvatici)

Paulo de Tarso e o Judaísmo no contexto dos estudos sobre o fenômeno do helenismo (Mônica Selvatici)
Um estudo formal sobre o fenômeno do ‘helenismo’ começa em meados do século XIX, quando o historiador alemão J. G. Droysen define, pela primeira vez, a época helenística em termos eruditos e cunha o próprio termo ‘Hellenismus’. Este passava, então, a significar a fusão de culturas que se seguiu às conquistas de Alexandre. Esta noção os antigos não reconheceriam em seu tempo embora o verbo hellenízein fosse já usado por Aristóteles para se referir ao domínio/mestria da língua grega e o próprio termo hellenismós (em sua forma nominal) dotado do mesmo sentido seja atribuído a Teofrastes, discípulo do filósofo (COLLINS & STERLING, 2001: 2). Além disso, o uso mais genérico do termo para se referir à cultura e costumes gregos ocorre pela primeira vez já no segundo livro dos Macabeus, onde é afirmado que a construção do ginásio em Jerusalém pelo sumo sacerdote Jasão levou a ‘um extremo de helenismo’ (acmé tis hellenismou). O uso do termo em 2Macabeus diz respeito especificamente à noção da cultura grega como algo estranho ao Judaísmo. Segundo J. J. Collins e G. E. Sterling, “este foi o significado da palavra ‘helenismo’ até o trabalho de Droysen” (2001: 2). >>> Leia mais em Hélade 3 (1), 2002: 34-44 - ISSN 1518-2541

Veja mais:
Os judeus helenistas e a primeira expansão cristã

Origens judaicas do povo brasileiro (Rachel Mizrahi)

Origens judaicas do povo brasileiro (Rachel Mizrahi)
Revista Morashá, edição número 61, julho de 2008.

Nenhum país das Américas tem história tão marcada pela presença do povo judeu como o Brasil.

Veja mais:

Clarice de corpo e alma: Fotobiografia contextualiza e ajuda a entender a personalidade da autora

O Globo, Caderno Prosa e Verso, página 5, em 26/07/2008.

Clarice de corpo e alma
Fotobiografia contextualiza e ajuda a entender a personalidade da autora

Marcello Rollemberg

Os olhos amendoados, quase oblíquos (mas nada dissimulados, que estes são de Capitu), as maçãs salientes do rosto, marca registrada eslava, cabelos claros e um ar altivo de eterno mistério. Clarice Lispector (1920-1977) nasceu para a escrita — e obras ímpares da literatura brasileira como “A hora da estrela”, “A paixão segundo G.H” e “A maçã no escuro” provam isso —, mas também nasceu para ser fotografada. Por mais que isso pareça uma contradição, como já foi apontado por alguns analistas, posto que Clarice era muito reservada e muitas vezes, fosse por meio de sua literatura, fosse através de entrevistas, havia dado a entender que não conseguia encontrar um posicionamento adequado no mundo. Isso não a impediu de posar para uma infinidade de fotos e deixar sua imagem registrada pelos inúmeros lugares pelos quais passou. Para muitos, Clarice Lispector era um quebra-cabeça interminável. A se pensar assim, as muitas fotos tiradas dela são peças que ajudam, se não a contar, pelo menos a compor um painel mais amplo da personalidade dessa escritora nascida ucraniana mas com alma e tônus brasileiros.

Muitas dessas peças que ajudam a ver e a compreender

Clarice por vários ângulos acabam de ser colocadas a público com o lançamento do livro “Clarice — Fotobiografia”, uma parceria da Edusp com a Imprensa Oficial de São Paulo.

É uma obra de tirar o fôlego. Ao longo de suas quase 700 páginas, o livro organizado pela professora de literatura da USP Nádia Battella Gotlib — uma das maiores especialistas em Clarice Lispector no país e que levou cerca de duas décadas arquitetando esse volume — apresenta 800 imagens que oferecem um amplo painel cronológico da vida e da obra da autora de “Água-Viva”. E o livro não se ocupa apenas com a fotos de sua biografada — o que já seria muita coisa —, mas apresenta também uma contextualização de época através de imagens históricas, que ajudam o leitor a compreender melhor o período em que cada ação está se desenrolando.

Por exemplo: ao falar dos primeiros momentos de vida de Clarice na Ucrânia, Nádia Gotlib vai buscar as fotos referentes à Revolução Russa, que engolfou também o país natal da escritora, para traçar um painel de época que torne mais compreensível — visual e textualmente — a história que se está contando.

Afinal, Clarice foi uma mulher de muitas paragens, de muitas viagens. E é isso que sua alentada fotobiografia mostra com extremo apuro.

Nascida em Tchechelnik, na Ucrânia, Clarice chegou ao Brasil com dois anos de idade, acompanhada dos pais e de suas duas irmãs, fugindo da guerra civil que estava destroçando seu país, um desdobramento da Revolução de Outubro de 1917. Sua família passou por Maceió e Recife, até se fixar no Rio de Janeiro.

Foi lá que Clarice conheceu e se casou com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem viveu entre 1943 e 1959. Nesse período, Clarice o acompanhou em várias missões — algumas ainda durante a Segunda Guerra Mundial — em cidades como Belém do Pará, Berna (Suíça), Nápoles, na Itália e Torquay, na Inglaterra.

Por todos esses lugares Clarice se deixou fotografar — e muitos desses registros estão agora no livro da Edusp, como aquele em que ela aparece como enfermeira voluntária em Nápoles, quando as bombas da guerra ainda espocavam pela Europa.

Talvez este seja uma dos principais atributos dessa “Fotobiografia”: ilustrar de forma clara o percurso de vida de uma mulher em busca de seu lugar no mundo.

Mais de uma vez, Clarice Lispector deu a entender em seus textos e em entrevistas que “não pertencia” a lugar algum.

Seu mundo era outro, sua linguagem, seus sentidos. O mundo podia até ser uma maçã no escuro, que ela tateava e procurava compreender. É essa relação muito peculiar com o mundo, esse correr riscos com a palavra e com a vida que faz da literatura de Clarice algo único, algo que já em seu primeiro romance — “Perto do coração selvagem” — chamava a atenção de críticos como Antonio Candido e Lúcio Cardoso. A escrita fragmentada de Clarice nesse primeiro trabalho, que vai se apresentar em outros, são as “pulsações” que reinventam seu lugar no tempo e no espaço, criando uma escrita que perturba, ao mesmo tempo em que atrai. E ela não era uma autora de fazer concessões. “Eu escrevo para nada e para ninguém.

Se alguém me ler será por conta própria e auto-risco”, escreveu ela, certa vez. Ela sabia do risco que era lê-la. Todos sabiam. E continuavam a ler, como se fosse um mantra, como se cada página virada fosse uma mandala arquitetada.

Esboços de texto, cartas, idéias anotadas em cheque
Essas peculiaridades da personalidade e da obra de Clarice transparecem por todas as 656 páginas de sua “Fotobiografia”.

São originais fora de ordem, são esboços de textos que um dia virariam livros, são cartas de vários tons e semitons, idéias anotadas em folhas de cheque. É Clarice de corpo inteiro. Mesmo quando ela se ocupa de preocupações pueris, como pedir, em uma carta, que o escritor mineiro Murilo Rubião parasse de publicar fotos dela quando estava “temporariamente gorda”.

“Mando-lhe fotografias (recentíssimas, do final do mês de dezembro) e em troca você me manda todos os negativos que você tem. Certo?”, escreveu ela em 9 de janeiro de 1974. “Afinal, o fato de escrever não me faz perder um pouco da vaidade, não sou homem.” O livro que Nádia Gotlib organizou é um registro importantíssimo.

E não é pelas centenas de fotos que o compõem. É, podese dizer, pelo “conjunto da obra”. As imagens detalhadamente escolhidas, o apuro técnico e editorial, e um alentado apêndice, com comentários sobre as imagens e uma cronologia das mais completas. É Clarice de alma e face fotografadas.

Imagens e dados que proporciona, como diz Nádia Gotlib, “encontros mágicos” para o leitor/ espectador dessa “Fotobiografia”.

Em se tratando de Clarice Lispector, não poderia mesmo ser diferente.

O diário de Helène Berr: um relato da ocupação nazista de Paris

Mais de sessenta anos depois de sua morte, a história da jovem parisiense que viveu os horrores da guerra chega às livrarias

Aclamado como a sensação do mercado editorial francês em 2008 pelo jornal Liberation e considerado pelo Figaro um “testemunho de raro poder”, o livro vendeu 26 mil exemplares em apenas três dias e foi direto para as listas dos mais vendidos, onde permaneceu por mais de três meses consecutivos.

“Mais de 60 anos depois da morte de sua autora, o diário de Hélène Berr reaparece, vivo, em nossos tempos ‘normais’; é hora de segurá-lo em nossas mãos.” Marcelo Coelho, Folha de S.Paulo

“Será que Hélène Berr tinha o presentimento de que num futuro muito distante seu diário seria lido? Ou temia que sua voz acabasse sufocada, como a de milhões de pessoas que foram massacradas sem deixar rastros? Ao penetrar neste livro, é preciso ficar em silêncio, ouvir a voz de Hélène e caminhar ao lado dela. Uma voz e uma presença que irão nos acompanhar pelo resto de nossas vidas.”do prefácio de O Diário de Hélène Berr, escrito por Patrick Mondiano, romancista francês.

Rica e culta, Hélène Berr estudava literatura inglesa na Sorbonne e costumava reunir-se com um grupo de amigos para tocar peças dos compositores Beethoven, Schubert e Bach ao violino. Aos 21 anos, em 8 de abril de 1942, começou a escrever o seu diário, que relatava tudo o que outras garotas da sua idade escreveriam: contava como era a vida em Paris, a rotina na universidade com seus amigos, inconfidências sobre seu romance com o futuro noivo, viagens de férias no campo. No entanto, aos poucos a realidade da ocupação nazista começa a impregnar sua felicidade. Em junho, sente pela primeira vez a incompatibilidade entre a harmonia e a alegria de sua vida e os terríveis acontecimentos que a ocupação nazista desencadeia.

Na segunda-feira, dia 8 de junho, é obrigada pelos alemães, pela primeira vez, a usar a estrela amarela: “Faz um tempo radiante, bastante fresco depois do temporal de ontem. Os pássaros piam, uma manhã como aquela de Paul Valéry. Primeiro dia em que vou também usar a estrela amarela. São os dois lados da vida neste momento: o frescor, a beleza, a juventude da vida, encarnada nessa manhã tão límpida; a barbárie e o mal, representados por esta estrela amarela”, relata a jovem.

Hélène Berr escreve nas páginas de seu diário como a ocupação nazista em Paris foi transformando a sua vida e a dos outros judeus franceses como ela — seu contundente testemunho vai aos poucos a tornando uma delicada escritora:

Meu Deus, eu não achava que seria tão difícil. Usei de muita energia o dia inteiro. Andei de cabeça erguida e olhei de frente para as pessoas, que desviavam os olhos. Mas é difícil. Aliás, a maioria das pessoas não olha. O mais doloroso é cruzar com outras pessoas que também usam. Nesta manhã, saí com mamãe. Dois garotos apontaram o dedo para nós dizendo: “Ei, você viu? Judeu.” Mas o resto correu normalmente. Na place de la Madeleine, encontramos o senhor Simon, que parou e desceu da bicicleta. Peguei o metrô sozinha até Étoile. Na Étoile, fui ao Artisanat retirar minha blusa, depois peguei o 92. Um rapaz e uma moça estavam esperando, vi que a moça me apontou para o companheiro. E depois falaram alguma coisa. Instintivamente, ergui a cabeça — em pleno sol —, e ouvi: “É repulsivo.” No ônibus, havia uma mulher, uma maid provavelmente, que já tinha dado um sorriso para mim antes de subir e que se voltou para mim várias vezes sorrindo; um senhor muito chique fixava os olhos em mim: não consegui interpretar o sentido do seu olhar, mas o encarei com altivez.

Terça-feira, 9 de junho de 1943
Por cinqüenta anos, o diário de Hélène Berr — deixado aos cuidados da empregada até o retorno de seu noivo da guerra — permaneceu como uma relíquia familiar, até ser doado, em 2002, ao Memorial da Shoah parisense. Com mais de 85 mil exemplares comercializados na França, os direitos do livro já foram vendidos para mais de 15 países.

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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Tu BeAv (Cláudia A.P.Ferreira, em julho de 2008)

Tu BeAv


Cláudia Andréa Prata Ferreira, em 25/07/2008.
FL/UFRJ e PPGHC/IFCS/UFRJ.


Tu BeAv marca o encerramento do verão em Israel e o fim de todas as festas do ano. Dentro de apenas algumas semanas, os judeus estarão esperando pelo reinício do ciclo das festas com a chegada de Rosh Hashaná. (WOOL, D. e YUDIN, Y. 2007:87).


Nossos Sábios dizem que o povo judeu é comparado à Lua. Nosso calendário é lunar e, por conseqüência, todas as festas do ano dependem da Lua. Assim como ela tem diversas fases, o povo judeu também passa por altos e baixos. Uma vez que nenhum mal provém de D´us, casa descida tem como finalidade uma subida. E quanto pior a descida, maior será a subida subseqüente. Dia 15 de Av, época de Lua cheia, simboliza a elevação suprema que vem após a descida máxima ocorrida em 9 de Av com a destruição dos Templos Sagrados. (STEINMETZ, A. 2005:85)


Período Bíblico: Tu BeAv era celebrado como o Feriado do Amor e do Afeto.


Talmud:

1) Mishná, Taanit 4:8: “não houve maiores dias festivos para Israel que TuBeAv e Iom Kipur”.
Comentário: O Talmud lista seis acontecimentos felizes ocorridos em 15 de Av para o povo judeu ao longo da História: 1) o dia em que acabaram-se os mortos do deserto; 2) os casamentos entre as tribos foram permitidos; 3) os casamentos entre o povo e a tribo de Benjamim foram permitidos; 4) o dia que foi permitida a subida à Jerusalém; 5) o dia em que terminavam de trazer lenha ao Templo; 6) os mortos de Betar foram enterrados.


2) Mishná Taanit 4:8: “pois nestes dias as moças solteiras de Jerusalém costumavam sair com vestidos brancos e dançar nos vinhedos. O que diziam? Jovens rapazes, abram seus olhos e vejam o que escolhem para si.”

Comentário: Além dos seis motivos relatados acima, o Talmud traz o principal motivo pelo qual Tu BeAv é o dia mais feliz do ano. Ensina a Mishná que o dia 15 de Av foi dedicado a firmar shiduchim (uniões matrimoniais). Na época do Templo, era nessa data que as filhas de Jerusalém iam dançar nos vinhedos e os moços solteiros iam lá para encontrar uma noiva. Todas as moças se vestiam de branco e se reuniam nos vinhedos para dançar. As moças cantavam um verso do Livro de Mishlei (Provérbios): “Shéker hachen vehével haiôfi” (“A graça é enganadora e a beleza é insignificante”). As roupas das moças tinham que ser emprestadas. Elas trocavam de roupas umas com as outras, para que os rapazes não soubessem quem realmente podia comprar vestidos caros e quem apenas os emprestava. O objetivo era evitar que houvesse diferença de qualidade entre as roupas. Desta forma, as jovens de famílias humildes estariam tão bem vestidas quanto às de famílias abastadas.


A data de Tu BeAv marcava o dia em que casamentos entre as diferentes tribos do povo judeu eram permitidos. Anteriormente, tais relacionamentos eram proibidos com o objetivo de conservar as terras pelas tribos originais. Com a lembrança da destruição dos Templos e outros eventos tristes para a história do povo judeu na data de Tishá BeAv, esta festa de Tu BeAv destaca um tema fundamental, que é a união.


Tu BeAv expressa a união e o amor como temas fundamentais. Rabi Chaim Vital (cabalista) com base na guemátria define o amor da seguinte forma: a palavra hebraica ahavá (amor) tem o valor numérico 13. O valor numérico do Nome de D’us é 26. Assim, quando duas pessoas amam-se mutuamente, a combinação de seu amor (13+13), faz com que o Todo-Poderoso (26) esteja cada vez mais presente entre eles.


O Código da Lei Judaica não determina observâncias e costumes para a data de 15 de Av, com exceção da orientação que, a partir de 15 de Av, deve-se aumentar o estudo de Torá, pois nesta época do ano as noites começam a alongar-se, e “a noite foi criada para o estudo”.




O Talmud considera o dia 15 de Av como a maior festa do ano, bem perto de Iom Kipur.


Dias atuais: Em Israel, tornou-se o feriado das flores, pois é costume presentear com flores a quem se ama.


Referências Bibliográficas

  • STEINMETZ, Avraham. O Guia. Fundamentos judaicos para iniciantes. 2.ed. São Paulo: Chabad, 2005.
  • WOOL, Danny e YUDIN, Yefim. O ano judaico ilustrado. São Paulo: Sefer, 2007.

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