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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Jerusalém: a cidade mais importante da história

A revista “Super interessante” (edição 249 – fev/2008) que está nas bancas publica, como reportagem principal (capa), o tema “Jerusalém: a cidade mais importante da história”.


JN/TV Globo - Polêmica no carnaval / Carro alegórico vira caso de Justiça

Polêmica no carnaval / Carro alegórico vira caso de Justiça
Jornal Nacional / TV Globo, 31/01/2008

RJTV -2a.ed./TV Globo: Viradouro muda carro do holocausto

Justiça proíbe carro do holocausto
RJTV - 2a.ed. / Globo - 31/01/2008

A Justiça proibiu a Viradouro de levar para o Sambódromo um carro com esculturas que representam judeus mortos na Segunda Guerra Mundial.

A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro pediu a liminar ao descobrir, no site da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que a alegoria faria ainda outra referência ao nazismo.

No barracão da Viradouro, o carro é o único que permanece coberto por um plástico preto. A Fierj havia sugerido que o carnavalesco da escola, Paulo Barros, colocasse uma faixa educativa na alegoria. Mas, quando soube que, além das diversas esculturas de cadáveres, haveria um destaque representando o líder nazista Adolf Hitler, decidiu entrar na Justiça.

“É impossível que alguém diga que vai tratar o assunto com respeito e coloque Hitler em cima de figuras que representem judeus mortos. Isso não é respeito. Isso é escárnio”, criticou o presidente da Fierj, Sérgio Niskier. No início da semana, Paulo Barros tinha afirmado que a intenção não era ofender, mas fazer um alerta para que a perseguição aos judeus nunca se repita.

Segundo a liminar desta quinta-feira, se a Viradouro desfilar com componentes fantasiados de Hitler, será multada em R$ 50 mil. E em mais R$ 200 mil se insistir em mostrar os cadáveres empilhados na alegoria. Em 1989, a Beija-Flor teve que cobrir a imagem do Cristo Redentor vestido de mendigo para atender a uma ordem judicial, a pedido da Igreja.

Viradouro muda carro do holocausto

Sai lembrança do nazismo e entra protesto, anuncia presidente da escola.

Ele afirma que acatou a proibição judicial e não vai recorrer.


Renata Granchi
Do G1, no Rio - 20h01 - Atualizado em 31/01/2008 - 21h05

O carro alegórico de número 5 da escola de samba Viradouro, que mostraria o holocausto e traria uma imagem de Adolf Hitler, vai ser modificado para desfilar no Sambódromo, domingo (3 de fevereiro). O anúncio foi feito pelo presidente da agremiação, Marco Antônio Lira de Almeida, na tarde desta quinta-feira (31), em coletiva na Cidade do Samba, na zona central do Rio. Ele não quis adiantar que tipo de protesto fará: "'É segredo, vocês vão ver na hora".

A decisão de mudar o carro da polêmica foi tomada depois que a Justiça estadual concedeu um liminar proibindo o desfile, a pedido da Federação Israelita fluminense. Apesar de o presidente da Viradouro afirmar que houve cerceamento de liberadade, ele não considera que a Federação tenha praticado um ato de censura.

A decisão da justiça provocou tristeza no barracão da escola.

Segundo Lira de Almeida, o carro tinha a intenção de mostrar um Adolf Hitler arrependido e de cabeça baixa com vergonha do que realizou. “Era para causar arrepio. Não há nada desrespeitoso no carro. O nosso objetivo era mostrar o que aconteceu. Aquilo arrepiou o mundo. Muita gente desconhece isso”, explicou.

Lira de Almeida disse ainda que não pretende entrar com recurso para derrubar a liminar e que agirá dentro da lei, com a obediência à decisão do judiciário e aos critériosda Liesa, a liga das escolas de samba do Rio.

Sobre o passista que viria vestido de Hitler, o presidente guardou segredo. “Será uma grande surpresa. Aguardem!”

Para pesquisador, Viradouro está sendo vítima de censura

Para pesquisador, Viradouro está sendo vítima de censura


Hiram Araújo lembra que Beija-Flor e Unidos da Tijuca tiveram alegorias vetadas pela Igreja.
Somente os orixás da umbanda e do candomblé têm passagem livre na avenida.


Alba Valéria Mendonça
G1, 31/01/2008 - 18h32

A mistura de símbolos religiosos e samba, até agora, só renderam grandes polêmicas. Segundo o diretor cultural da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), o pesquisador Hiram Araújo, a liminar que impede que o carro da Viradouro sobre o holocausto, é um ato de censura à arte. Ele lembra que outras escolas, como Beija-Flor e Unidos da Tijuca, já tiveram que usar de muita criatividade para driblar o que chamou de “patrulha religiosa”.

“O que me deixa indignado é que no cinema e no teatro são permitidas imagens de santos e pode-se falar do holocausto. Mas no carnaval, não. O carnavalesco não está inventando nada. Ao contrário, está reproduzindo um fato histórico, o horror que não pode ser esquecido para não ser revivido. Mais do que uma festa profana, o desfile das escolas de samba é uma das muitas formas de manifestação cultural e artística do nosso povo”, destacou o pesquisador de carnaval.

Cristo coberto e santa apreendida
Araújo lembra que a imagem que mais marcou o carnaval de 1989 foi justamente a da alegoria censurada a pedido da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ou seja, a escultura do Cristo Redentor, coberto por plástico preto, com uma faixa na qual se lia “Mesmo censurado, olhai por nós!”, foi um dos pontos altos da Beija-Flor, com o enredo “Ratos e urubus larguem a minha fantasia”.

Em 2000, um painel com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, que seria utilizado numa das alegorias da Unidos da Tijuca, no enredo “Terra dos papagaios... navegar foi preciso”, virou caso de polícia. Agentes da Polícia Civil apreenderam o painel dentro do barracão da escola. Para não ser indiciado pelo crime de vilipêndio a culto religioso, o carnavalesco Chico Spinoza se comprometeu a não usar o material no desfile. Até a transferência para a Cidade do Samba, a imagem que nunca foi para a avenida, decorava a entrada do barracão da Unidos da Tijuca.

“Felizmente para as escolas de samba os orixás da umbanda e do candomblé nunca foram impedidos de ir para a avenida. Ainda bem, pois a cultura negra é riquíssima e merece ser cantada no carnaval. Através das escolas de samba se aprende muita coisa da nossa cultura”, disse Hiram Araújo.


Saiba mais

Proibição do carro do holocausto entristece Viradouro

Liminar proíbe Viradouro de desfilar com carro do holocausto

Viradouro não comenta mais sobre carro do holocausto

Carro da Viradouro sobre o holocausto vai para a avenida

Carro do Holocausto

Viradouro não pode levar passista vestido de Hitler


A Unidos do Viradouro, tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, está proibida de levar para a avenida o carro alegórico que faz referência às vítimas do Holocausto. Nenhum passista poderá estar caracterizado de Adolf Hitler. A multa será de R$ 200 mil se a escola insistir em levar o carro e de R$ 50 mil se houver algum passista vestido de Hitler. A Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) conseguiu liminar para impedir o desfile do carro.

A juíza Juliana Kalichsztein, do plantão noturno do Fórum do Rio de Janeiro, aceitou o argumento de que “a monstruosidade do Holocausto, definitivamente, não combina com o espírito excessivamente festivo do carnaval, festa mundialmente conhecida pela alegria, humor, descontração e erotismo”, apresentado pelo advogado da entidade, Ricardo Brajterman.

“Um evento de tal magnitude não deve ser utilizado como ferramenta de culto ao ódio, qualquer forma de racismo, além da clara banalização dos eventos bárbaros e injustificados praticados contra as minorias e liderados por figura execrável chamada Adolf Hitler”, diz a juíza na liminar.

A polêmica entre a comunidade israelita e a Viradouro começou em novembro, quando o carnavalesco da escola, Paulo Barros, procurou a Fierj para falar da idéia do carro sobre o Holocausto. O presidente da Federação Israelita, Sérgio Niskier, considerou a idéia “inadequada” e tentou dissuadir a escola de incluir o carro no desfile.

Na noite de quarta-feira (30/1), o caso foi parar na Justiça, depois que a Fierj descobriu que, além do carro mostrando uma pilha de corpos — referência aos judeus mortos nos campos de extermínio na 2ª Guerra Mundial —, um destaque fantasiado de Hitler apareceria no topo do carro.

Processo: 70010217354
Revista Consultor Jurídico

Defesa de Dissertação de Mestrado: O Essenismo como paradigma de identidade judaica

Defesa de Dissertação de Mestrado

Alexandre Bermúdez Bagniewski, O Essenismo como paradigma de identidade judaica, Dissertação de Mestrado, Ciências da Religião, UMESP, 14/02/2008, 10 horas, com Paulo Nogueira (orientador) , Pedro Paulo Funari e Archibald M. Woodruff.

Proibição do carro do holocausto entristece Viradouro

A escola ainda não sabe se muda ou retira o carro do desfile, diz escultora.
Diretor de bateria lamenta o dinheiro gasto na alegoria.


Leia mais:
G1, em 31/01/2008

31/01/2008 - 17h35 - Atualizado em 31/01/2008 - 17h47



Liminar proíbe Viradouro de desfilar com carro do holocausto

Federação Israelita entrou com ação ao saber que destaque representaria Hitler.

Antes de entrar na Justiça, entidade queria colocação de faixa educativa na alegoria.

Alba Valéria Mendonça
G1, no Rio, em 31/01/2008 - 13h50

Uma liminar, concedida pela juíza de plantão da Justiça Estadual, Juliana Kalichsztein, por volta do meio-dia desta quinta-feira (31), impede o desfile do carro alegórico da escola de samba Viradouro, que representa o holocausto. O documento também proíbe o desfile de qualquer componente da escola com fantasias que caracterizem o ditador alemão Hitler. Contra essa liminar cabem recursos.

De acordo com o advogado Ricardo Brajterman, a Federação Israelita do Rio entrou com o pedido de liminar, na madrugada desta quinta-feira, no plantão judiciário, depois de ler a sinopse do desfile da Viradouro, no site da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), na noite de quarta-feira (30). Os representantes da federação ficaram indignados quando constataram que um destaque representando Hitler viria num carro com esculturas de pessoas mortas, nuas, empilhadas.

“A federação soube do carro pela imprensa e tentava uma solução educativa com a escola, como a colocação de uma faixa ou uma placa com os dizeres “Holocausto nunca mais” para contextualizar o carro, para que não ficasse gratuito no meio do desfile. Mas ao saber que teria um sambista representando Hitler, a federação considerou isso um vilipêndio, uma falta de respeito não só com os judeus, mas também homossexuais, ciganos e todos os outros segmentos da sociedade que foram perseguidos pelos nazistas”, explicou Brajterman.

Na liminar, a juíza determina ainda que a escola seja multada em R$ 200 mil, caso insista em desfilar com a alegoria com as esculturas dos corpos empilhados, e de R$ 50 mil para cada componente com fantasias que façam alusão ao ditador nazista. Brajterman explica que a Viradouro poderá se apresentar com as esculturas cobertas.

No documento, segundo o advogado, a juíza diz que o desfile de escola de samba não pode ser ferramenta de culto ao ódio, ao racismo e nem exibir elementos bárbaros, como corpos nus amontoados, liderados por uma figura como Hitler. O advogado complementa dizendo que o carnaval, que tem transmissão internacional, e que é um ambiente de alegria, sensualidade e erotismo, não é um foro adequado para discutir um evento tão bárbaro e agressivo.

Brajterman acredita que a entidade e a Viradouro buscarão um entendimento para que o desfile não seja prejudicado. A liminar pede a substituição das fantasias e reparos na alegoria.

O G1 está tentando contato com a assessoria da Viradouro.

Saiba mais:
Viradouro não comenta mais sobre carro do holocausto

Carro da Viradouro sobre o holocausto vai para a avenida


FIERJ impede afronta aos judeus no carnaval (2)

Liminar proíbe carro do Holocausto
e Hitler na avenida

FIERJ Digital
(em, 31/01/2008 -
edição 330)

CARNAVAL 20008 - NOTA OFICIAL 3

(Continuação)
A liminar para conhecimento público.

FIERJ


FIERJ impede afronta aos judeus no carnaval (1)

FIERJ Digital
(em, 31/01/2008 - edição 330)

CARNAVAL 20008 - NOTA OFICIAL 3

FIERJ IMPEDE AFRONTA AOS JUDEUS NO CARNAVAL

A Presidência da FIERJ tomou a decisão, como já informado anteriormente, de agir com rigor no sentido de coibir a exibição do carro sobre o Holocausto, onde haveria a presença de um figurante fantasiado de Hitler. Diante desta situação absurda, o Departamento Jurídico dirigido pelo Dr. Jackhson Grossman, através do escritório do Dr. Sergio Bermudes, e sob a direção do advogado Ricardo Brajterman e auxiliado pelo advogado Renato Beneduzzi, conseguiram a liminar que proíbe a exibição de fantasias de Hitler e de corpos representando vitimas do Holocausto. Mais uma vez, a FIERJ age em defesa de nossa comunidade, não permitindo que haja a banalização do Holocausto, e o desrespeito à memória de todas as vitimas desta barbárie, aqui incluindo os heróis brasileiros mortos nos campos da Itália.

Viradouro não comenta mais sobre carro do holocausto

Assessoria da escola não confirma se haverá personagem interpretando Hitler na Avenida.

Decisão de não mais falar sobre o assunto partiu da diretoria da agremiação.

Veja mais em:
G1, em 31/01/2008.

Amos Oz to be named 'cultural ambassador'?

Foreign Ministry mulls granting leading Israeli artists 'cultural ambassador' status, in bid to improve Israel's image in world, contribute to artists' careers

Itamar Eichner

The Foreign Ministry is considering granting prominent Israeli artists, musicians, dancers and authors the honorary title of "cultural ambassadors" as part of efforts to improve Israel's image in the world.

Ministry officials believe that the title could also help open doors for Israeli artists and promote them abroad.

The proposal, which originated in Foreign Minister Tzipi Livni's office, calls for the appointment of an independent ministerial committee that would set the criteria for cultural ambassadors and decide who to grant the title to.

Although no decisions have been made yet, the names of some leading local figures have already been raised in this regard, including authors Amos Oz and David Grossman, the Israeli Philharmonic, Batsheva dance company, singers Achinoam Nini, Tzvika Pick, David D'Or and Chava Alberstein and sculptor Danny Caravan.

A senior ministry official said that the purpose of the new initiative was "to officially acknowledge leading, world-renowned artists as Israel's cultural ambassadors. This could help both the State and the artists."

The official also stressed that this state recognition would not grant the new "ambassadors" any special privileges, and that this would be merely an honorary title.

Extraído de:
Yediot Aharonot
(em, 30/01/2008)

Rio: al carnevale un carro sull'Olocausto

Il carro contestato (Ap)

L'iniziativa sta scatenando molte polemiche

Rio: al carnevale un carro sull'Olocausto


Per riguardo ai parenti delle vittime, non è prevista l'esibizione di ballerine succinte


RIO DE JANEIRO - Costumi, musica ad alto volume, alcol e tanti corpi nudi: il famosissimo carnevale di Rio è per lo più un gigantesco spettacolo colorato. Tuttavia, una scuola di samba intende sfilare nei prossimi giorni ricordando le vittime dell'Olocausto. I responsabili delle comunità ebraiche sono sconcertati. «Shockers» (Pelle d'oca) è il tema centrale per gli otto carri della scuola di Viradouro, tra i quali «shock della nascita», «shock dell'horror» e «shock del freddo». Uno dei carri intende però scioccare mostrando la strage nazista di ebrei, omosessuali, disabili, avversari politici e tanti altri sterminati con un centinaio di sagome immobili e scheletriche ammucchiate una sull'altra.

AMMONIMENTO - «È un carro di tutto rispetto e vuole essere una sorta di ammonimento affinché l'Olocausto non si ripeta mai più, non vuole offendere nessuno», si è difeso il creatore dell'opera, Paulo Barros. Sul carro, per riguardo ai parenti delle vittime, non è prevista l'esibizione di ballerine succinte, assicura l'organizzazione. A ogni modo sembra che la scelta si stata di cattivo gusto per le comunità ebraiche brasiliane. E la vicenda in questi giorni ha avuto una grande eco anche fuori dai confini nazionali.

«NON ADATTO» - Per il momento non è ancora stato dato il via libera definitivo a sfilare. Il presidente della Federazione ebraica dello Stato di Rio de Janeiro, Sergio Niskier, ha definito il carro senza mezzi termini «per nulla adatto a tale manifestazione e già tre mesi fa si era opposto quando la scuola di samba aveva chiesto il suo parere. Non è il caso ricordare i sei milioni di persone morte nei lager nazisti tra il 1938 e il 1945 in mezzo a una calca di centinaia di migliaia di turisti e brasiliani festanti». Nell'ipotesi che il carro dovesse comunque sfilare, Sergio Niskier non esclude di ricorrere a un tribunale. Ma per il presidente di Viradouro, Marco Antônio Lira de Almeida, «un ritiro significherebbe anche la perdita di punti» nella gara tra le scuole di samba. Negli anni scorsi diversi carri allegorici sono stati al centro di vivaci polemiche, spesso da parte dei rappresentanti della Chiesa. Molti sono stati «ritoccati» all'ultimo minuto. La due giorni di sfilate a Rio, il 3 e 4 febbraio, viene seguita nel Sambodromo e in televisione da milioni di brasiliani.

Elmar Burchia
30 gennaio 2008


Extraído de:

Corriere della Sera
(em, 30/01/2008)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O carro alegórico da Viradouro sobre o Holocausto

O carro alegórico da Viradouro sobre o Holocausto

Respeito x "liberou geral"

Respeito x "liberou geral"

Sander Fridman, psiquiatra

O desfile de Carnaval na avenida é uma modalidade autônoma de expressão artística. Como tal é natural que seus artistas ambicionem conquistar a capacidade de recriar o mundo e posicionar-se frente a ele, nos limites e possibildades que sua arte lhes proporciona. É do interesse da comunidade judaica brasileira e mundial que o Holocausto seja apropriado, com o devido respeito e reverência, por toda a humanidade, como um compromisso de cada cidadão do mundo de relembrá-lo e de orientar suas atitudes apropriadamente em torno daqueles fatos inomináveis - mas talvez representáveis. Guardar o respeito e motivar à memória, ao mesmo tempo, não se coadunam nem com a censura cabal das manifestações do gênero, nem com o "liberou geral".


"Guardar o respeito e motivar à memória, não
se coadunam nem com a censura cabal das
manifestações do gênero, nem com o "liberou geral"

Propõem-se que as boas intenções, como a da Viradouro-2008, sejam estimuladas mas, principalmente, instrumentalizadas, orientadas, por meio de uma avaliação da propriedade e da adequação da mensagem pretendida sobre o Holocausto, por meio de uma comissão de alto nível, com nossos melhores semiólogos, analistas de propaganda e marketing, filósofos, diretores de artes dramáticas - no sentido de anteciparmos o impacto de determinada estratégia de expressão artística carnavalesca e, principalmente, de modo a contribuirmos com as melhores sugestões possíveis e, até mesmo, com recursos, quando viáveis e convenientes, para que a ação seja o mais possível em consonância com nosso projeto/dever de cooptar o mundo para a memória do Holocausto, e para os compromissos decorrentes desta memória.

Extraído de:
Jornal Alef, edição 1.129
(em, 30/01/2008).

O samba e o Holocausto

Ao decidir abordar o tema Holocausto no Carnaval, através de um carro alegórico com uma pilha de corpos de judeus vitimados nos campos nazistas, a Escola de Samba Viradouro suscitou polêmica sobre a liberdade de criação artística. A celeuma foi amplificada com o artigo do jornalista Adriano Silva, publicado esta semana na revista Época, que assim se manifestou: "Quem tem de decidir se o Holocausto é ou não é um tema afeito ao Carnaval são as escolas e os carnavalescos – não a Federação Israelita ou qualquer outra instituição. Os judeus não são os donos do Holocausto".

O assunto mereceu imediata e veemente reação de Sergio Niskier, presidente da FIERJ: "Não tem nenhum sentido tratar desse assunto com baterias e mulatas, quando ainda existem sobreviventes daquele horror que trazem na pele a marca dessa tragédia". (...) na sexta-feira (dia 04 de fevereiro de 2008), a partir do meio-dia, o programa "Vibração", veiculado na Rádio Haroldo de Andrade (1060 AM), levará ao ar entrevistas com o carnavalesco Paulo Barros, da Viradouro, e com o presidente da FIERJ, Sérgio Niskier, a respeito deste episódio. Para ouvir pela Internet, basta clicar aqui no horário marcado.

Extraído de:
Jornal Alef, edição 1.129
(em, 30/01/2008).

Ciberracismo: entre el odio y la militancia

Veja mais sobre Adriana Dias:
Ciberracismo: entre el odio y la militancia
Adriana Dias

III Congreso on-line – Observatório para la CiberSociedad
(em 20/11/2006 a 03/12/2006).

Abstract: Este trabajo discute la articulación entre la formación de la identidad, en sites racistas, revisionistas y neonazi de Internet, a través de consideraciones y comparaciones de dos grupos discursivos: el primero, definido por la “nueva genética” (“genómica”), y en el otro, el sujeto es construido en la relación con un ideal mítico. El texto también analiza la etnográfica del virtual, del punto de vista de la construcción de temporalidades y del punto de vista metodológico. Finalmente, el artículo sitúa estos discursos desde el enfoque de poder, de acuerdo con los conceptos desarrollados por Pierre Bourdieu.

E ainda:
Uma etnografia do neonazismo na Internet
Intolerância virtual - crescimento de links neonazistas
Diante da dor dos judeus
Links de Ódio – o racismo, o revisionismo e o neonazismo na internet


Links de Ódio – o racismo, o revisionismo e o neonazismo na internet

Links de Ódio – o racismo, o revisionismo e o neonazismo na internet
Os Urbanistas - Revista de Antropologia Urbana
ISSN 1806-0528 - Ano 3 – Volume 3 – Número 4 – Julho de 2006.

Há mais de oito mil sites racistas, neonazistas, e revisionistas na Internet, cerca de quinhentos em domínio brasileiro. Alguns atingem a marca de dois milhões de visitas mensais para cento e quarenta e cinco mil endereços de IP distintos. Em vários deles há mais de cento e cinqüenta links para outras URLs de discurso semelhante, tecendo uma verdadeira rede, na qual se inserem: narrativas pessoais em blogs; exaltações a símbolos específicos em fóruns; discussões; material de divulgação dos movimentos - para ser "esquecido" dentro de livros em bibliotecas públicas (NLNS, TV); cartoons; músicas; imagens; textos que objetivam "formar líderes arianos" (NA, ANS, RC, NLNS, AARG) ; livros para colorir a fim de permitir o "encantamento das crianças arianas com a história e a força" (NA) de sua raça; listas de discussões para ensinar as "mulheres arianas" a não se comportarem como "um bando de judias briguentas" (WAU).

À medida em que, nos últimos quatro anos, fui me aproximando deste universo singular esta teia foi se revelando um arcabouço de representações, valores e crenças, expresso nos sites por um léxico específico que coordena relações de "inclusão e exclusão, distância e proximidade e associação e dissociação" . Estas relações, ora articuladas a referências que se pretendem científicas por se valerem de uma gramática biologista associada a “verdades absolutas” ora cifradas em códigos simbólicos demarcados numa atmosfera profundamente mítica, estabelecem condições para que seu léxico se pretenda irrefutável. Nos sites analisados, o discurso racista regula, seleciona, organiza, redistribui e articula poderes e perigos: a supremacia racial branca está no epicentro das discussões acerca dos poderes e a ameaça de sua extinção, em particular pela possibilidade de casamentos inter-raciais ou por adoção de crianças negras, emoldura as discussões a respeito dos perigos. Há um direito de falar privilegiado ou exclusivo, exercido apenas pelos responsáveis dos sites, geralmente líderes de movimentos “que lutam pelos ideais da supremacia ariana” (EM, NA, V88), ou por militantes destes movimentos, freqüentemente para narrar como se descobriram portadores do “precioso sangue” (3W) e como esta descoberta transformou sua vida, afastando-os dos perigos que envolvimentos afetivos com judeus ou negros apresentariam. Os sites delimitam tabus: qualquer tentativa de se tecer um mínimo elogio a negros e judeus, em fóruns ou listas de discussão, provoca reações fortíssimas; muitas vezes expulsões. Nos relatos, exemplos peculiares de narrativas rituais, o processo de “se descobrir ariano (HLOBO)” ganha status de iluminação, e a vida, a partir desta descoberta, um “real sentido” (JNS). Outro interdito aparece nas linhas, por vezes nas entrelinhas: é preciso cuidar para que “a liberdade de expressão não seja castigada pelo poder público” (NLNS, AARG).

No presente texto, em que situo o discurso racista no campo digital, credito aos sites escolhidos o lugar de “bons para pensar”, porque leio a radicalização discursiva de suas apresentações hipertextuais, inserida intencionalmente por seus agentes no atual contexto de discussão acerca de diferenças. Este contexto ultrapassa os limites dos sites racistas, e pulveriza a discussão acerca de identidades raciais no campo digital, conduzindo-a para lugares não habituais para discussão do tema, como por exemplo, comunidades do Orkut formadas com outros interesses, blogs pessoais de pessoas não ligadas aos movimentos racistas ou anti-racistas, páginas de notícias, piadas, cartoons, listas de discussão diversas, fóruns que versam a respeito dos mais diversos assuntos, como, por exemplo telenovelas e jogos de futebol.

E ainda:
Uma etnografia do neonazismo na Internet
Intolerância virtual - crescimento de links neonazistas
Diante da dor dos judeus

Sobre a dissertação:
Jornal da UNICAMP
Edição 380 - 12 a 25 de novembro de 2007

Antropóloga promove análise etnográfica das práticas e das representações de ativistas racistas. Pesquisa mapeia discurso neonazista na rede.

Safernet Brasil
O perigo da propaganda nazista na internet
Grupos que atacam negros, judeus, nordestinos e imigrantes divulgam os ideais de Adolf Hitler. Dois sites nacionais foram fechados. Material com referências Nazistas foi encontrado em Brasília, mas há grupos no Sudeste e, principalmente, no Sul.

Diante da dor dos judeus

Diante da dor dos judeus

Adriana Dias
30/01/2008

O enredo deste ano da escola de samba Viradouro, do Rio de Janeiro, cujo título "É de Arrepiar", pretende recordar, como descreve em sua poética, "dissabores, infelicidades, vidas perdidas nesse mundo de maldade". Quer desfilar, ainda dentro deste discurso, um carro alegórico representando o Holocausto, o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas. Procurada, anteriormente, pelo carnavalesco e o presidente da Unidos do Viradouro, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro se posicionou desfavorável à maneira como aquela escola trataria um tema tão delicado, que evoca dores e marcas muitos profundas nos judeus, e outros mortos nos campos nazistas, em todo o mundo. Alguns formadores de opinião advogam o "direito dos carnavalescos de decidirem acerca do que desfilam" no Sambódromo.

Neste momento me recordo das dezenas de sobreviventes do Holocausto que conheci: a percepção de tão hedionda violência nos preenche de terror. A violência do holocausto não marcou apenas seus corpos, as cicatrizes da alma são ainda mais profundas: como escreveu Jorge Semprun, ninguém sai exatamente vivo de um campo de concentração.

A Unidos do Viradouro tem, ao que tudo indica, uma boa intenção: quer, como escreveu a FIERJ em nota oficial, “usar a arte como denúncia de fatos que marcaram de forma terrível a História”. A questão é que na mesma nota a Federação Israelita considera “totalmente inadequado e mesmo desrespeitoso à memória de dezenas de milhões de mortos, incluindo aí os 6 milhões de judeus”.

A maior das questões reside em que tipo de memória se deseja envolver as marcas do genocídio nazista. Como escreveu Susan Sontag, em Diante das dor dos outros, "a compreensão da guerra entre pessoas que não vivenciaram uma guerra é, agora, sobretudo um produto do impacto dessas imagens." Das imagens criadas para esta guerra, das diversas formas possíveis. Diante da dor dos judeus é preciso repensar o proposto pela Viradouro.

Não é uma questão de propriedade, no sentido emprestado a ela por um jornalista que defendendo a "liberdade artística da Viradouro", afirmou: "os judeus não são donos do Holocausto". Frase infeliz. Os judeus arcam com as dores do Holocausto, nas peles, nas almas, nas vidas. Por isso a dor é deles, e isto, quem não viveu não pode entender.

Quero concluir com mais de Susan Sontag: ""Nós" – esse "nós" é qualquer um que nunca passou por nada parecido com o que eles sofreram – não compreendemos. Nós não percebemos. Não podemos na verdade, imaginar como é isso. Não podemos imaginar como é pavorosa, como é aterradora a guerra; e como ela se torna normal. Não podemos compreender, não podemos imaginar. É isso o que todo soldado, todo jornalista, todo socorrista e todo observador independente que passou algum tempo sob o fogo da guerra e teve a sorte de driblar a morte que abatia outros, à sua volta, sente de forma obstinada. E eles têm razão."


Veja mais sobre Adriana Dias:

Uma etnografia do neonazismo na Internet
Intolerância virtual - crescimento de links neonazistas


UNICAMP/IFCH
Mestrado em Antropologia Social
Os
Anacronautas do Teutonismo Virtual: Uma etnografia do neonazismo na Internet.
Autora:
Adriana Abreu Magalhães Dias.
Data da defesa: 06 de novembro de 2007.

Sobre a dissertação:
Jornal da UNICAMP
Edição 380 - 12 a 25 de novembro de 2007

Antropóloga promove análise etnográfica das práticas e das representações de ativistas racistas. Pesquisa mapeia discurso neonazista na rede.

Safernet Brasil
O perigo da propaganda nazista na internet
Grupos que atacam negros, judeus, nordestinos e imigrantes divulgam os ideais de Adolf Hitler. Dois sites nacionais foram fechados. Material com referências Nazistas foi encontrado em Brasília, mas há grupos no Sudeste e, principalmente, no Sul.

La nueva derecha judía

CONVERSACION CON EL RABINO DANIEL GOLDMAN
La nueva derecha judía

Por Jorge Halperín

“Quieren formar parte de una clase social que jamás va a admitir al judío como parte de ella”, asegura el rabino Daniel Goldman al comentar el surgimiento de una corriente de judíos intelectuales, y no tanto, volcados hacia la derecha. Quiénes la conforman, qué objetivos tienen y qué desafíos le plantean al resto de la comunidad.

Cuando el país se derrumbó, en diciembre de 2001, se abrió la caja de Pandora y, entre las dramáticas novedades, se supo que uno de cada cuatro judíos –una comunidad que siempre se vio como integrando la clase media argentina– estaba sumergido bajo la línea de pobreza. Las instituciones judías se movieron con rapidez para proveer redes de contención pero, según el rabino Daniel Goldman, algo del orden de la sensibilidad social ya se había quebrado: los “paisanos” que necesitaban ayuda ahora eran vistos como “beneficiarios”. Según Goldman, que es rabino de la comunidad Bet El y que se reconoce heredero del rabino Marshall Meyer, a quien describe como un “teólogo de la liberación”, el menemismo fracturó profundamente a la sociedad argentina y también a los judíos. Así emergió una corriente de esa colectividad que aún conserva el estilo menemista, caracterizado por un cerrado individualismo, por las actitudes exhibicionistas y por la “triste e inútil” aspiración de ser aceptados por las clases tradicionales que, en verdad, los rechazan.

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Pagina 12 (Argentina), 27/01/2008

Viradouro levará para a avenida carro sobre o Holocausto

Às vésperas do Carnaval surge uma polêmica envolvendo um carro da Viradouro. A Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) quer que o carnavalesco Paulo Barros reavalie a decisão de colocar na avenida uma alegoria sobre o Holocausto, episódio histórico em que seis milhões de judeus foram assassinados em campos de concentração durante a 2ª Guerra Mundial.

Há três meses, Sérgio Niskier, presidente da Fierj, se reuniu com representantes da escola para conversar. "Nós percebemos claramente que não há preconceito. Mas colocar um carro dizendo ser a representação do Holocausto ao lado de passistas, ainda que no carro não tenha ninguém sambando, é inadequado”, explica Niskier. Mas ele esclarece que não vai vetar a alegoria. "Nunca houve isso", afirmou.

Marco Antônio Lira de Almeida, presidente da escola, declarou que não cogitou a possibilidade de tirar o carro do desfile. A falta da alegoria poderia significar perda de pontos para a Viradouro.

"A intenção do carro do Holocausto é mostrar um acontecimento histórico e fazer um alerta. É um carro muito sério. Não é nenhum desrespeito. Faz parte do Carnaval levar a informação", afirmou o carnavalesco Paulo Barros.


Pano preto

A ordem da direção da Viradouro é não permitir fotos da alegoria até o Carnaval. O carro permanecerá coberto por um pano preto até o dia do desfile, no próximo domingo. Essa não é a primeira vez que um carro alegórico provoca polêmica.

Em 1989, o carnavalesco Joãozinho Trinta foi obrigado pela justiça a cobrir com uma capa preta a imagem do Cristo Redentor vestido de mendigo em um desfile da Beija-Flor. A decisão atendia ao pedido do arcebispo Dom Eugênio Sales.

Em 2004, foi o cardeal Dom Eusébio Scheid que exigiu a retirada de imagens de atos sexuais da Grande Rio, criadas também por Joãozinho Trinta. As informações são do G1.

Extraído de:
A Tribuna on-line

Litoral Paulista, Quarta-Feira, 30 de Janeiro de 2008.

Cemitério judaico trasladado em 2008

O espólio do cemitério judaico no Funchal, em ruínas e instalado numa falésia instável, vai ser trasladado ainda este ano pela embaixada de Israel em Portugal para impedir que as campas continuem a cair para o mar.

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Diário de Notícias (Portugal)

(em 30/01/2008)

Ascensão de Hitler, há 75 anos, marcou fim da República de Weimar

Há 75 anos, Hitler assumia o poder e dava fim à República de Weimar. A experiência democrática alemã entre 1919 e 1933 teve verdadeiramente uma chance? O autor e historiador americano Eric Weitz responde.

Em 30 de janeiro de 1933, Hitler assumia o poder na Alemanha, dando fim à República de Weimar – o experimento democrático alemão entre 1919 e 1933. O período foi batizado por historiadores como "República de Weimar" em homenagem à cidade de Weimar, onde se reuniu a Assembléia Nacional que escreveu e adotou a nova Constituição para o Império Alemão após a derrota na Primeira Guerra Mundial.

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Deutsche Welle

(em 29/01/2008)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Comunidade judaica quer vetar carro do Holocausto no Carnaval

O Globo on-line, Plantão | Publicada em 28/01/2008 às 17h36m

Reuters/Brasil Online
Por Pedro Fonseca

Obs: o grifo em azul é meu.

RIO DE JANEIRO (Reuters) - No meio da festa de cores do Carnaval, um carro alegórico preto e marrom com esculturas de dezenas de cadáveres já cria polêmica antes de entrar na avenida. A alegoria da Viradouro representando o Holocausto promete ser a grande sensação da Sapucaí, mas a sociedade judaica quer vetar seu desfile.

A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) decidiu enviar uma carta à escola de samba pedindo que o carro seja vetado, por considerar que ele poderia "banalizar" o Holocausto.

"Vamos enviar uma carta à escola hoje e pedir que de fato não saiam com o carro, que eles façam uma reflexão sobre o assunto", disse à Reuters o presidente da Fierj, Sérgio Niskier, nesta segunda-feira, um dia depois da data mundial em que se lembra a execução em massa de judeus.

"De fato, não tem nenhum sentido tratar desse assunto com baterias e mulatas, quando ainda existem sobreviventes daquele horror e muitos dos seus descendentes, que trazem na pele a marca dessa tragédia", acrescentou Niskier.

O carro do Holocausto faz parte do enredo "É de Arrepiar", sob comando do carnavalesco Paulo Barros. A escola vai abordar em seu desfile as diversas formas de arrepio, segundo o carnavalesco, desde o arrepio do cabelo até o arrepio causado por uma execução.

A alegoria está dependendo apenas dos retoques finais. Os corpos esqueléticos aparecem amontoados, referindo-se à morte de milhões de pessoas vítimas da política de extermínio de Adolf Hitler durante a 2a Guerra Mundial.

A despeito da carta, que a escola afirmou não ter recebido até o início da tarde desta segunda, Barros garante que o tema foi abordado em uma reunião há três meses com Niskier, e que à época não houve qualquer tipo de reclamação. Niskier confirma o encontro, mas diz que fez um pedido de reflexão "sobre a conveniência de ter o carro no enredo".

"O carro é extremamente respeitoso, é um alerta, é um arrepio que a gente não quer que aconteça mais", afirmou Barros à Reuters em entrevista no barracão da escola.

"Nós estamos em um país democrático, onde não existe censura, então acho que o carro tem que ser visto principalmente como um alerta e como uma lembrança para que isso fique bem vivo na memória das pessoas."

O carnavalesco, que no ano passado levou a Viradouro ao quinto lugar do Carnaval carioca, disse que terá que avaliar com o presidente da escola, Marco Antônio Lira, o eventual pedido da federação.

De qualquer forma, "acho que politicamente o carro é muito feliz, socialmente também, é um acontecimento histórico".

Barros disse ainda que o carro alegórico do Holocausto passará pela avenida sem nenhum componente.

"Se tivesse alguém sambando em cima dos mortos aí sim seria um desrespeito", completou.

Alemanha expõe história do nazismo em memória ao aniversário do Holocausto

No G1, portal de notícias da Globo, em 29 de janeiro de 2008, o ministro da Cultura da Alemanha diz que o país vai construir monumentos em homenagem a ciganos e gays mortos. Nesta quarta (30) relembra-se o 75º aniversário da tomada do poder de Hitler.

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Juiz americano autoriza uso de bótons da 'juventude de Hitler'

QG de Hitler possuía discos de compositores judeus

Depoimento de sobreviventes do Holocausto

Na Folha OnLine, do dia 27 de janeiro de 2008, as entrevistas efetuadas com o jornalista e escritor Ben Abraham, presidente da Sherit Hapleitá do Brasil, e Henrietta `Rita`Braun. Vale a pena ler. Ambos têm efetuado palestras nas escolas no âmbito do Concurso sobre Holocausto promovido pela B´nai B´rith do Brasil para a Rede Municipal de Ensino em São Paulo, que abrange também as escolas municipais do Rio de Janeiro e em 2008 será realizado pela primeira vez em Curitiba. A iniciativa é fruto de parceria entre a B`nai B´rith, Secretarias Municipais da Educação e Sherit Hapelitá, com o LEER – Laboratório de Estudos da Etnidade e Racismo da Universidade de São Paulo.

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A carnavalização do Holocausto

A CARNAVALIZAÇÃO DO HOLOCAUSTO

© Prof. Dr. Luiz Nazario (UFMG)
E-mail:
luiz.nazario@ terra.com.br
Data: Mon, 28 Jan 2008 23:21:15

O jornalista Adriano Silva defendeu na revista Época [1] a liberdade da Viradouro de expressar sua fantasia sobre o Holocausto no Carnaval 2008. E censurou a Federação Israelita do Rio de Janeiro por expressar sua posição contrária a essa fantasia. O carnavalesco Paulo Borges, antes de montar o carro alegórico com uma pilha de corpos de judeus vitimados nos campos nazistas, procurou a Federação para saber sua opinião. A Federação expôs seu incômodo com a carnavalização do Holocausto, e a Escola, divergindo, manteve o tema na pauta do desfile, ainda que com alterações (sem samba na passagem do carro alegórico, agora prevista para decorrer em silêncio – ou suposto silêncio em meio à algazarra generalizada dos foliões). O jornalista considerou a expressão do pensamento da Federação como “interferência ideológica” e “censura prévia”. Já a expressão do pensamento do carnavalesco foi associada a “manifestação autônoma” e “criatividade artística”. Ou seja, a minoria judaica poderá ser livremente ofendida ou desconcertada pela maioria não-judaica no Sambódromo, mas nesta agressão nada entrará de autoritário, nem de ideológico. Para o jornalista, os judeus devem parar de se lamentar e só “olhar com alegria para frente”, mesmo quando ofendidos no que têm de mais sagrado. Se os judeus expressam seu pensamento, essa expressão é considerada repressiva, rancorosa. Mas se uma Escola de Samba expressa seu pensamento, essa expressão é considerada popular, criativa. Os judeus sequer podem opinar sobre seu próprio genocídio. Todos podem se expressar sobre o Holocausto, menos os judeus. E os sambistas podem fazê-lo com mais autoridade ainda: “Quem tem de decidir [se o Holocausto é ou não é um tema afeito ao Carnaval] são as escolas e os carnavalescos – não a Federação Israelita ou qualquer outra instituição [...]. Os judeus não são os donos do Holocausto”, escreveu o jornalista. E quase o vejo sambando ao escrever isso. Para o jornalista, os judeus não têm mais direito ou autoridade moral para se expressarem sobre como o Holocausto deve ser representado. Apenas os carnavalescos têm esse direito ou autoridade moral. No Brasil, o samba fala mais alto que a dignidade humana.


Nota

[1] SILVA, Adriano. Ninguém deve censurar o Carnaval. Época, nº 506, 26jan. 2008. Em: http://revistaepoca .globo.com/ Revista/Epoca/ 0,,EDG81315- 9555-506, 00.html, acesso em 28 jan. 2008.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Manchester JudaicaFest

Manchester JudaicaFest
July 20 - 25 2008

A "JudaicaFest", comprising end-on conferences of the British Association for Jewish Studies (on the theme "Normative Judaism"), The Jewish Law Association, and a colloquium on "Jewish Culture in the Age of Globalisation", including featured speakers, will be held in Manchester in the week commencing Sunday 20th July 2008.

The object of the combination of conferences is to explore the relationship between “classical” and “modern” Jewish Studies

The theme of the British Association for Jewish Studies (July 20-22) will be Normative Judaism; featured speakers to include Daniel Boyarin and David Novak. See Call for papers below.

A theme (optional) of the Jewish Law Association conference (July 22-24) will be Normativity and Authority in Jewish Law; featured speakers to include Daniel Boyarin. See Call for Papers below.

The conference on "Jewish Culture in the Age of Globalisation" will overlap (July 21-23).

The following speakers are currently scheduled: Bryan Cheyette (University of Reading), Jews in the UK and Beyond; Michael Galshinsky (Georgia State University), Jews and Multiculturalism; Cathy Gelbin (University of Manchester), Gender in Global Jewish Texts; Sander L. Gilman (Emory University), Can the Experience of Diaspora Judaism serve as a Model for Islam in Today's Multicultural Europe; Rosana Kohl Bines (Pontificia Universidade do Rio de Janeiro), Jews in Brazil; Jeffrey Peck (Georgetown University), The Russian Diaspora beyond Russia; Milton Shain (Cape Town University), Jews in and from South Africa; Ella Shohat (New York University), Sephardi Jews; Natan Sznaider (Academic College, Academic College, Tel Aviv-Jaffa), Holocaust and Globalization; Yifat Weiss (University of Haifa), Neo-colonialism and the Israeli Diaspora; Robert Wistrich (Hebrew University of Jerusalem), Globalization and Jewish Identity; Zhou Xun (UCL), Jews in Asia.

The week concludes with an invited workshop hosted by the Agunah Research Unit (July 24-25). Enquiries to bernard.jackson@manchester.ac.uk

A single registration form and fee covers the entire event.

Catering throughout will be kosher, under supervision.

Calls for Papers

British Association for Jewish Studies: The theme of this year's BAJS meeting is 'Normative Judaism'. Topics may pertain to any time period and geographical or cultural context in Jewish Studies. 'Normativity' and 'marginality' are terms that may be interpreted broadly, and the expectation is that both essentialist and non-essentialist approaches will be presented.

Proposals for papers (and panels) exploring the relationship between 'Judaism' and 'Jewishness' more generally, and/or investigating the impact of non-Jewish influences upon Jewish thought and practice, are especially welcome. Along with proposals please submit a brief list of major publications or cv of no more than one paragraph. Single paper proposals should be no longer than 250 words and panel proposals need not exceed one page. Please e-mail proposals to daniel.langton@manchester.ac.uk, with 'BAJS 2008' in the subject line. The deadline for paper abstracts and proposed panels is 15 February 2008.

Jewish Law Association: The Association welcomes historical, dogmatic, philosophical and comparative approaches to Jewish law. Papers may be offered on any topic/period of Jewish law, though preference may be given to those on the theme of Normativity and Authority in Jewish Law. Please submit an abstract (100 to 200 words) of your proposed paper by e-mail (the preferred method) to bernard.jackson@manchester.ac.uk or by regular mail to Prof. Bernard Jackson, Centre for Jewish Studies, University of Manchester, Samuel Alexander Building, Lime Grove, Oxford Road, Manchester M13 9PL, UK, at your earliest convenience, and in any event no later than February 15th, 2008. The Conference Organising Committee will decide which papers are accepted and how they are arranged in the programme, which if necessary will include a number of parallel sessions.

Click here for the registration form, which includes costs of accommodation and meals.

Centre for Jewish Studies, Department of Religions and Theology
University of Manchester, Oxford Road, Manchester, M13 9PL
Tel.: 0161-275 3614
Fax: 0161-275 3613
E-mail: cjs@man.ac.uk

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The Co-Directors of the Centre are:
Professor Philip Alexander, Professor of Post-Biblical Jewish Literature
Professor Bernard Jackson, Alliance Professor of Modern Jewish Studies

Discurso do presidente da República sobre o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

A partir das 22h deste domingo (27/01/2008), veja toda a cerimônia em nossa área do YouTube em youtube.com/fierj. Já está lá, em destaque, o vídeo que foi apresentado na solenidade desta sexta-feira.


Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

Palácio do Itamaraty - Rio de Janeiro (RJ), 25 de janeiro de 2008

Meus amigos, minhas amigas,

Eu acho que se nós tivéssemos encerrado este ato na fala do brigadeiro Ruy Moreira Lima, já estaria de bom tamanho o ato, porque é a testemunha viva do que aconteceu lá. Eu ainda não tinha nascido. Portanto, Deus o preserve por mais algumas décadas para contar essas histórias em outros dias 25 de janeiro.

Minhas amigas, meus amigos, jornalistas aqui presentes. Agradeço o honroso convite da comunidade judaica do Rio de Janeiro para participar deste ato. Meu reconhecimento à Conib por estabelecer este encontro como uma referência para a comunidade judaica brasileira. Dessa forma, agradeço as lideranças e os rabinos que se deslocaram de seus estados para prestigiar o evento. Finalmente, minha homenagem à ONU por instituir, com total apoio do Brasil, o dia 27 de janeiro, como a data para relembrar em todo mundo, a tragédia e as vítimas do Holocausto.

Senhoras e senhores,

Participo desta cerimônia pelo terceiro ano consecutivo. Faço-o por ter a dimensão do que significa rememorar o terror e as iniqüidades cometidas pelo aparato do estado nazista contra o povo judeu. Aparato voltado também contra socialistas, social-democratas, comunistas, homossexuais, negros, testemunhas de Jeová, ciganos e portadores de doenças físicas. Lembranças tristes e trágicas como a do Holocausto, não devem e não podem ser apagadas, como não podem ser esquecidas todas as formas de intolerância, especialmente aquelas alçadas à condição de política de Estado.

Temos a responsabilidade e o dever de transmitir para todas as gerações que o anti-semitismo, o racismo, o preconceito e a intolerância atentam contra a dignidade humana e todos os valores mais profundos e sagrados da nossa civilização.

Precisamos nos manter vigilantes pois, infelizmente, alguns seres humanos foram capazes, são capazes, e ainda hoje ousam cometer todas as formas de violência contra esses valores. Sabemos que, frente à violência, os limites do ser humano são testados: de um lado, o da insanidade, da perversidade e da crueldade; do outro, a solidariedade, o altruísmo, a entrega e a compaixão. Penso que só seremos capazes de rejeitar, combater e aplacar todo tipo de intolerância, se formos sábios o suficiente para semear nos corações e mentes a repulsa ao ódio, à violência e à desumanidade. Reiterar com vigor os valores democráticos, o respeito inarredável à vida, à dignidade, à diversidade e aos direitos humanos.

Minhas amigas e meus amigos,

Com a memória da dor, aprendemos que é necessário lembrar e eternizar os heróicos exemplos de resistência à barbárie. É preciso lembrar e extrair lições dos momentos em que a justiça se impôs à estupidez, pela ação destemida de pessoas de bem, resgatar os ideais dos que resistiram (inaudível) daquele tempo. É preciso recordar. Aqui e em todo o mundo, homens e mulheres têm que estar unidos para impossibilitar a conspiração do esquecimento. É importante fazer a sociedade se lembrar sempre que o esquecimento está cheio de uma memória sufocada.

Hoje é dia de reverenciar todas as pessoas de coragem, que arriscaram suas vidas. E, por estarmos no Itamaraty, homenageio, na figura do embaixador brasileiro na França ocupada, Luís Martins de Sousa Dantas, os diplomatas e servidores de representações brasileiras que ousaram desafiar o III Reich, e salvaram centenas de judeus. Mais do que reverenciar os heróis, é preciso incorporar à nossa atuação cotidiana as lições que eles nos legaram. Só assim será possível impedir que se repitam os horrores da 2ª Guerra Mundial.

Com felicidade, podemos registrar que o Brasil é, hoje, uma das poucas democracias do mundo em que não há prescrição e nem fiança para crimes de racismo. Essa conceituação revela o objetivo do Estado, em respeito aos valores do povo brasileiro, de não aceitar e, ao mesmo tempo, combater qualquer espécie de discriminação.

O meu governo se empenha em fazer avançar a garantia dos direitos humanos. Para isso, tem se comprometido com ações práticas, no plano interno e no externo. Aproveitando que em 2008 o mundo comemora os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Brasil levou às Nações Unidas a proposta, aprovada no final do ano passado, de construir consensos em torno de metas mundiais referentes ao tema dos direitos humanos, repetindo o êxito da iniciativa em torno das Metas do Milênio. Por minha determinação, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, comandada pelo meu companheiro, ministro Paulo Vannuchi, aqui presente, realizará em 2008 um grande mutirão de debates por todo o País, visando atualizar nosso Programa Nacional dos Direitos Humanos. Um dos propósitos do governo no campo dos direitos humanos é, precisamente, atrair para esse grande mutirão nacional a reflexão de toda a sociedade, contando com o envolvimento de três importantes setores da vida brasileira: a universidade, o Poder Judiciário e a mídia. As propostas que serão pactuadas terão, e espero que tenham, grande repercussão e efetividade, contando também, é claro, com as organizações da sociedade civil, entre elas, as da comunidade judaica.

Somos um país de índole pacífica e tolerante, e o caminho na luta contra todas as violências passa por reconhecer o problema e atacá-lo pela raiz. Reconhecer que a educação, com o seu papel emancipatório, pode criar o ambiente ideal para que a paz floresça num longo prazo, mudando a história, avançando na direção de um mundo mais justo, humano e solidário.

Para concluir, quero reafirmar que exemplos como este são profundamente educativos. Eles nos chamam a atenção para os grandes erros do passado, nos apontam alternativas possíveis e nos indicam que um futuro diferente é possível, desde que sejamos capazes de sonhá-lo e construí-lo juntos. Sei que enquanto faço o meu discurso, minhas palavras vão sendo registradas pela imprensa e certamente repercutirão, de alguma forma, na sociedade. Se fosse possível, o presidente da República bateria na porta de cada lar brasileiro, de cada escola, para fazer um apelo: que todos sejamos tolerantes, que deixemos a violência de lado. É possível construir um país mais pacífico, com cada um contribuindo com pequenos gestos no dia-a-dia e acreditando na utopia da paz.

Muito obrigado.

Extraído de:
Fierj Digital (e-mail)
(em, 27-01-2008 - edição 326)

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