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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 31 de maio de 2008

Nazismo tropical? O partido Nazista no Brasil (Ana Maria Dietrich)

Nazismo tropical? O partido Nazista no Brasil

Autora: Ana Maria Dietrich

Mestrado em História Social - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)/USP

Data da Defesa: 20/03/2007

Resumo: O partido nazista no Brasil (1928-1938) estava inserido em uma rede de filiais deste partido instaladas em 83 países do mundo e comandadas pela Organização do Partido Nazista no Exterior, cuja sede era em Berlim. O grupo instalado no Brasil teve a maior célula fora da Alemanha com 2900 integrantes sendo estruturado de acordo com regras e diretrizes do modelo organizacional do III Reich. A realidade brasileira interveio nesse processo causando o que chamamos de tropicalização do nazismo. A história do desenvolvimento da ação do partido no Brasil será analisada nos 17 estados brasileiros onde estava presente, tendo como contexto histórico a complexidade das relações Brasil e Alemanha durante o período da Era Vargas, a relação com o integralismo e eventuais conflitos raciais com a população brasileira e com judeus imigrados. Ênfase será dada ao papel do chefe do partido nazista no Brasil, Hans Henning von Cossel, considerado como Führer tupiniquim, tendo como fonte entrevistas com seus familiares. Contém extenso material iconográfico de documentos de época.


Leia mais:

"SBT Realidade" sobre Israel (Ana Paula Padrão – abril de 2007)

"SBT Realidade" sobre Israel (Ana Paula Padrão – abril de 2007):

Nazistas do Leblon: Espiões de Hitler subornavam funcionários do porto para obter rotas de navios


Leonardo Valente
O Globo, Ciência, página 42 (versão impressa – página inteira e com fotos), em 31/05/2008.

Quinze de março de 1942. Um grupo de policiais paulistas, numa missão altamente sigilosa, chega ao Rio de Janeiro e segue direto para uma casa no Leblon, na Rua Campos de Carvalho (atual General San Martin). Lá, após meses de investigação, descobriu-se que funcionava uma das mais importantes células de espionagem nazista no Brasil e que, por meio de rádios transmissores, eram enviadas informações periódicas para Berlim. Os policiais rapidamente invadiram o lugar e renderam todos, entre eles o engenheiro alemão Niels Christensen, espião experiente e líder do grupo. Mas, ao examinarem os papéis que encontraram no local, as autoridades entraram em pânico: coordenadas de viagem do navio Queen Mary, orgulho da frota britânica que deixara o porto do Rio, tinham acabado de ser transmitidas para o Reich.

O navio, que tinha oito mil soldados canadenses a bordo, seria alvejado em breve por submarinos alemães.

A história, digna de um roteiro de filme de espionagem, é apenas uma das muitas e pouco conhecidas passagens dos nazistas pelo Rio de Janeiro durante a Segunda Guerra Mundial. Boa parte delas está contada no livro “Crônica de uma guerra secreta”, de Sergio Corrêa da Costa (Ed. Record), mas outras obras que acabam de ser lançadas também dão informações sobre as atividades alemãs no Brasil do Estado Novo.

Então capital do país, o Rio atraiu a atenção da Alemanha de Adolf Hitler, especialmente depois de janeiro de 1942, quando o então presidente Getúlio Vargas rompeu relações diplomáticas com as potências do Eixo.

— Sabemos que a atividade de espionagem alemã no Brasil era grande. É fato que algumas representações oficiais do Reich no Rio, por exemplo, enviavam mensagens criptografadas para Berlim, e muitas delas jamais foram decifradas — afirma a pesquisadora Ana Maria Dietrich, doutora em História pela Universidade de São Paulo, professora da Universidade Federal de Viçosa e autora do livro “Caça às suásticas — O partido nazista em São Paulo sob a mira da polícia política”, que acaba de ser lançado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Queen Mary mudou de rota para evitar ataque
Os policiais paulistas foram os responsáveis pela prisão dos espiões nazistas no Rio por serem eles os responsáveis por uma minuciosa investigação, a partir da capital paulista, sobre as atividades de espiões do Reich no Brasil.

Aqui, descobriram que a equipe de Christensen recebia suporte de autoridades alemãs e que conseguiam, entre muitas outras informações, dados sobre todos os navios que chegavam e saíam do Porto do Rio de Janeiro. As informações eram obtidas por meio de um esquema de suborno de funcionários do porto, que forneciam as coordenadas de viagens das embarcações. As autoridades não conseguiram saber, no entanto, quantos navios teriam sido abordados ou atingidos no Atlântico Sul a partir de informações que chegaram a Berlim a partir do Brasil.

Christensen e os demais espiões foram levados para a Casa de Detenção em São Paulo. Durante os interrogatórios, entregaram outros endereços de espionagem no Rio de Janeiro, um deles no bairro de Santa Teresa, e disseram que entre o material apreendido no Leblon havia a chave de um cofre da agência do Banco Mercantil do Centro do Rio. Para evitar que agentes da Gestapo (a polícia secreta de Hitler) chegassem antes, policiais paulistas voltaram ao Rio, sem conhecimento da polícia carioca, e abriram o cofre. Nele, encontraram códigos de comunicações alemães e registros de mensagens enviadas do Brasil para Berlim, além de nomes de outros agentes no Brasil. Estava desfeita a rede do Reich no país.

— Depois de São Paulo e de Santa Catarina, o Rio era o lugar que mais concentrava simpatizantes do nazismo. E o fato de ter na época as principais representações diplomáticas no país despertava as atenções dos alemães — disse Ana Maria Dietrich.

Para salvar o Queen Mary, a polícia paulista avisou as autoridades do Rio sobre a ameaça, e estas entraram em contato logo em seguida com a Embaixada do Reino Unido. O navio estava próximo de Buenos Aires, na Argentina, quando seu comandante foi avisado para mudar imediatamente a rota de viagem. O orgulho da frota britânica dois dias depois foi dado como desaparecido por autoridades argentinas e a rádio Berlim chegou a comunicar seu afundamento. O navio, no entanto, conseguiu chegar a salvo na Austrália.

Partido Nazista atuou por dez anos no Brasil
A perseguição aos nazistas no Rio em 1942 não refletia a posição do governo brasileiro poucos anos antes. O Partido Nazista, por exemplo, atuou livremente no Brasil entre 1928 e 1938, quando foi proibido pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, que era simpatizante das potências do Eixo mas acabou se juntando aos Aliados. Durante dez anos, os nazistas organizaram festejos — muitos deles freqüentados por membros do governo Vargas —, mantiveram um jornal e abrigaram movimentos de mulheres, professores, além da juventude nazista.

Segundo o livro “Caça às suásticas — O partido nazista em São Paulo sob a mira da polícia política”, de Ana Maria Dietrich, ao contrário do que se imaginava, era São Paulo e não os estados do Sul o principal centro de atuação nazista no Brasil.

— São Paulo contava com o maior número de alemães natos, que emigraram para o Brasil depois da crise da República de Weimar (1919-1933). Isso contribuiu para que as atividades nazistas, e a conseqüente mobilização da polícia a partir de 1942 para desmobilizá-las, acontecesse de forma mais intensa naquele estado — disse Ana Maria Dietrich.

Segundo Ana, o partido chegou a atuar em 17 estados brasileiros e tinha 2.900 integrantes, um contingente só superado pelo partido na Alemanha.

Dos 83 países que tiveram uma “filial” do Partido Nazista, o Brasil ocupava o primeiro lugar, na frente da Áustria, país natal do Führer.

Leia mais:
As ambigüidades de uma repressão


Travelling in the World of the Bible

Bereshit: an easy-Hebrew newspaper for beginners. Jerusalém: Israel, Número 17, em 18/05/2008, página 13.

Judeus iranianos mantêm a cabeça baixa no país de Ahmadinejad

Anna Fifield, Financial Times, em 31/05/2008.

Preces judias cantadas ecoavam pelos ladrilhos azuis elaborados da sinagoga, enquanto os fiéis faziam reverências. O interior do templo poderia se passar por uma mesquita, não fossem as inscrições judias e a menorá.

Os homens, com seus quipás, enchiam os bancos em baixo, enquanto as mulheres no andar superior, com lenços coloridos, alternavam-se entre rezar e fofocar. Sua conversa ficava tão alta que o rabino teve que interromper o culto várias vezes para pedir silêncio.

Com o fim da cerimônia da noite de sexta-feira, todos saíram para as ruas cheias de folhas. "Shabbat Shalom", diziam, antes de entrar em conversas em persa.

Bem-vindo ao Irã judaico -uma comunidade de 25.000 pessoas em um país cujo presidente populista, Mahmoud Ahmadinejad, negou o Holocausto e pediu a destruição do Estado judeu.

Enquanto Israel celebrava seu 60º aniversário neste mês, Ahmadinejad declarou que Israel não era "nada além de um cadáver fedorento".

Tal ambiente não parece induzir uma coexistência entre judeus e muçulmanos. Entretanto, os judeus iranianos encontraram um equilíbrio relativamente feliz, diz Siamak Mer-Sedegh, diretor do hospital judeu no Sul de Teerã, que se tornou representante judeu no parlamento iraniano neste mês.

"Nossa nacionalidade é iraniana; nossa religião é judaica. Não é o caso de ser uma coisa ou outra", disse ele em seu escritório no hospital, com retratos do supremo líder da República Islâmica em uma parede e um retrato de Moisés segurando os Dez Mandamentos na outra.

"Falamos persa, pensamos em persa - apenas rezamos em hebraico", disse.

O Irã abriga a maior comunidade judia no Oriente Médio fora de Israel, com uma história de mais de 3.000 anos, desde o tempo de Cyrus, o grande. O templo de Esther e dois dos locais que seriam a tumba de Daniel estão no Irã.

Havia cerca de 80.000 judeus no Irã em 1979, na época da revolução islâmica, mas muitos rapidamente emigraram para EUA ou Israel. A situação gradualmente se estabilizou depois que o líder da revolução, aiatolá Ruhollah Khomeini, emitiu uma fatwa ordenando que os judeus fossem protegidos.

Metade dos judeus iranianos remanescentes mora em Teerã, que abriga 20 sinagogas, seis escolas judias, restaurantes e açougues kosher, uma biblioteca judaica com mais de 20.000 livros e um cemitério judeu. Contrário ao que pensam os estrangeiros, eles dizem que suas vidas não pioraram desde que Ahmadinejad assumiu a presidência.

"As pessoas imaginam que seria muito triste para nós aqui, mas temos nossa liberdade religiosa", disse Farangis Hassidim, mulher de meia-idade que estava na sinagoga. "Isso não quer dizer que não temos problemas. Temos escolas judaicas, mas os professores são muçulmanos e é difícil para nós conseguir empregos no governo."

Para os empregados nos ministérios ou em empresas estatais é praticamente impossível avançar, e a lei freqüentemente discrimina contra não muçulmanos.

Mer-Sedegh diz que sua principal prioridade como representante judeu será promover uma lei de herança do Irã, que estipula que se uma pessoa judia se converte ao islã todos os seus filhos também serão considerados convertidos.

No restaurante kosher Tapo, na rua Felestine, Yossef Shoomer diz que judeus iranianos tentam manter-se discretos -como deve toda minoria em um país religioso.

De fato, de fora não dá para notar nada de incomum no restaurante, com seus cartazes anunciando comidas típicas iranianas como arroz e kebab.

"Não precisamos anunciar o restaurante, porque a maior parte dos judeus nos conhece", disse Shoomer, cuja família dirige o restaurante a 25 anos.

"Muitos muçulmanos também sabem que somos kosher. Talvez os muçulmanos muito devotos não venham aqui, mas o resto come aqui com prazer."

Os judeus iranianos têm boa causa para exercer a discrição. Em 2000, 13 deles foram julgados por espionagem e aqueles que visitam Israel freqüentemente são submetidos a questionamentos vigorosos.

Uma das mulheres na sinagoga disse que visitou Israel muitas vezes, mas sempre tomou o cuidado de carimbar um papel separado na fronteira em vez de seu passaporte.

Quanto às declarações de Ahmadinejad inflamatórias contra Israel, muitos judeus iranianos as chamam de retóricas. "Simplesmente o ignoramos -assim como fazem muito muçulmanos", sussurrou um dos fiéis fora da sinagoga.

Mer-Sedegh diz que o presidente é anti-sionista e não anti-semita, e acrescenta que compartilha algumas das opiniões de Ahmadinejad.

"Faço oposição direta ao comportamento desumano do governo israelense", disse ele. "Muitas das coisas que Israel está fazendo -matando palestinos inocentes- não estão alinhadas com o ensinamento de Moisés."

Tradução: Deborah Weinberg

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Israel tem o maior crescimento econômico entre os países ocidentais

A economia progrediu 5,4% no primeiro trimestre, que só foi superado pelos 6% em 2007. Este ano são esperados 3 milhões de turistas, número sem precedentes que representa 43% a mais que no ano passado

Henrique Cymerman
Em Jerusalém – La Vanguardia, em 31/05/2008.

Israel registrou nos últimos meses o maior crescimento dos países ocidentais. Segundo transcendeu na reunião realizada em Jerusalém do chamado Grupo dos 30, que inclui importantes economistas, políticos e presidentes de bancos centrais de todo o mundo, no primeiro trimestre a economia israelense cresceu 5,4% e as exportações, 12,6%.

"Israel tem provavelmente a economia de maior êxito do mundo na atualidade", disse o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, em uma conversa com seu homólogo israelense, Stanley Fisher. Trichet acrescentou: "A economia de Israel colhe os frutos positivos da globalização sem ser prejudicada pela crise".

A verdade é que o crescimento de Israel em 2008 é inferior ao do ano anterior, que cruzou a barreira de 6%. No entanto, surpreendentemente, os últimos dados indicam que a economia israelense está longe da crise e que o país produz mais, exporta mais e se compra mais que nunca.

O boom econômico israelense se destaca ainda mais diante dos sintomas de recessão de alguns países ocidentais.

O economista israelense Gad Lior disse a "La Vanguardia" que "a potência da economia israelense se baseia na alta tecnologia, o que faz que alguns falem do Estado israelense como o novo tigre semita", e acrescentou que "além das estatísticas nota-se um aumento drástico na construção e na compra de carros, de geladeiras, lavadoras e ar-condicionado".

Talvez o dado mais significativo é que em três meses houve um aumento do consumo privado de 18,8%. As duas principais sombras da economia israelense são que um quinto da população (mais de um milhão de pessoas) vive abaixo do nível de pobreza e que a inflação aumentou 4% ao ano.

"O crescimento econômico superou a estabilidade de preços e é necessário voltar a reduzir a inflação para menos de 3%", afirma o renomado economista Sever Plotzker, do jornal "Yediot Ajronot".

O presidente de Israel, Shimon Peres, declarou que com esses resultados dos últimos anos "Israel demonstra solidez". Peres acrescenta que "é necessário também um desenvolvimento econômico paralelo da Autoridade Nacional Palestina, já que esta é uma das bases para a construção da paz".

O turismo também está voltando de forma maciça à região. Este ano o número de turistas previstos chega a quase 3 milhões, uma cifra sem precedentes. O aumento em relação a 2007 é de 43%. Muitos deles, especialmente os cristãos, prevêem visitar também a parte palestina, especialmente Belém. De fato, é muito difícil encontrar hospedagem até o fim do verão em um hotel de Tel Aviv, Jerusalém ou do litoral israelense.

Peres salienta que "basta um atentado suicida ou uma operação militar israelense para frear essa nova torre de babel de turistas de todo o mundo".

O advogado israelense David Oren reconhece que os israelenses não estão acostumados a tantas boas notícias em tão pouco tempo. "O primeiro-ministro, o ex-presidente e o ministro das Finanças estão sendo interrogados pela polícia por corrupção ou por abuso sexual, e, no entanto a atividade econômica continua crescendo como se nada acontecesse", afirmou.

A futura Palestina, "terra promissora"
Gigi Zaharan, um jovem economista de Nablus, diz que nunca viu tanta atividade econômica na cidade, a capital da rebelião palestina. "Pela primeira vez vejo dezenas de edifícios, centros comerciais e casas em construção, e os mercados estão cheios de gente. Pela primeira vez há segurança nas ruas, com a presença da polícia palestina, e não tenho medo de que meus filhos de 9 e 11 anos brinquem lá fora", diz.

Seu pai, o importante jornalista palestino Ziad Darwish, diz que é um fenômeno visível em toda a Cisjordânia. "As pessoas que tinham dinheiro escondido começam a acreditar no futuro da Palestina e o tiram para investir."

Há alguns dias se realizou em Belém uma reunião com investidores de todo o mundo. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, revelou que foram fechados investimentos no valor de US$ 1,4 bilhão (892 milhões de euros). "Nossos vizinhos israelenses dizem que vivem na terra prometida. Nós, o futuro Estado palestino, somos a terra promissora", acrescentou.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

יפה ירקוני - באב - אל - ואד - שנות השישים

Sobre Bab-el-wad citado no texto The Heroes who saved Jerusalem há uma música muito famosa – clique aqui para ouvir (dica de Judite Orensztajn, em 31/05/2008).

Veja mais:


Preparing in Jerusalem for the March of Flags

Bereshit: an easy-Hebrew newspaper for beginners. Jerusalém: Israel, Número 17, em 18/05/2008, página 5.

Veja mais:

The Heroes who saved Jerusalem

Bereshit: an easy-Hebrew newspaper for beginners. Jerusalém: Israel, Número 17, em 18/05/2008, página 5.


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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pássaro proibido da Bíblia é nomeado ave nacional de Israel


da Reuters, em Jerusalém
da Folha Online, em 29/05/2008.

Nesta quinta-feira, Israel nomeou a poupa (Upupa epops) sua ave nacional. O pássaro, conhecido mundialmente como hoopoe --ou duchifat em hebreu--, é descrito no Antigo Testamento (Levítico 11:19 e Deuteronômio 14:18) como alimento "sujo" e proibido para os judeus.

O presidente Shimon Peres declarou que a ave foi a campeã em um concurso que coincide com o aniversário de 60 anos do Estado de Israel, localizado na rota de aves migratórias entre a Europa e a África.

Cerca de 155 mil pessoas votaram. A poupa ganhou de outras espécies como o bulbul da mancha amarela (Pycnonotus goiavier) e o Cinnyris oseus, conhecido como palestine sunbird.

O Livro de Levítico lista a poupa no grupo de pássaros como a águia, o falcão e o pelicano, consideradas "abominações", indignas de servirem de alimento.

Os animais da espécie têm de 25 a 30 centímetros de comprimento, com envergadura que chega a quase 50 centímetro.

Progressos na Comissão Bilateral Santa Sé-Israel

Celebrou no Vaticano sua reunião plenária


CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 29 de maio de 2008 (ZENIT.org).- Com «conquistas importantes» se celebrou na quarta-feira, no Vaticano, a sessão plenária da Comissão de Trabalho Bilateral Permanente entre a Santa Sé e o Estado de Israel.


Um comunicado conjunto de ambas instâncias - difundido pela Sala de Imprensa da Santa Sé - dá conta da celebração desta reunião «para prosseguir as negociações relativas ao artigo 10, parágrafo 2 do Acordo Fundamental entre a Santa Sé e o Estado de Israel (30 de dezembro de 1993)».


A delegação da Santa Sé esteve presidida por Dom Pietro Parolin, subsecretário para as Relações com os Estados, e a do Estado de Israel por Aaron Abramovich, diretor geral do Ministério de Exteriores israelense.


«O trabalho dessa sessão plenária se desenvolveu em um clima de grande cordialidade e boa vontade, e realizou conquistas importantes em vista do objetivo comum, tanto em termos substantivos como na intenção de pôr em prática medidas para implementar a eficácia das negociações em curso», explica o comunicado conjunto.


Publicado igualmente pela Embaixada de Israel ante a Santa Sé, o comunicado se difundiu com o título: «‘Progressos significativos’ nas conversas de questões de financiamento».


A atividade desta comissão se vinha centrando na negociação com relação às propriedades eclesiásticas na Terra Santa e a questões fiscais. As reuniões já estão tendo periodicidade semestral.


A próxima reunião plenária acontecerá em Israel, na primeira quinzena de dezembro. Enquanto isso, a comissão continuará com suas atividades habituais.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Shavuot

Veja mais em:

Mini-Guia Sefirah e Shavuot (CJB 2008)

Veja mais em:
Chag Shavuot (5768, Shavuot 8-10 de junho de 2008)


Expo 360º - A Ótica Feminina da Cultura Sefaradi

O evento consiste em uma exposição de arte chamada: A Ótica Feminina da Cultura Sefaradi. O nome da mostra é Expo 360º, trazendo o conceito da diversidade de ângulos que estão sendo depositados sobre a Cultura Sefaradi. Na exposição, essa diretriz do judaísmo será manifestada sob diversas formas de arte: Fotografia, Literatura, Música e Gastronomia.

Está marcada para o dia 04/06/2008, na casa do Hillel. A entrada é franca e a exposição (fotos) terá a duração de 21 dias, aberta aos jovens para visitação. No dia da inauguração, o evento é aberto a todas as idades.

O evento contará com as seguintes atrações:

  • Exposição de fotografias – Caroline Valansi – artista plástica
  • Lançamento do livro ”A Chave de casa” – Tatiana Salem Levy - escritora
  • Gastronomia tipicamente Sefaradi – 100% kasher
  • Música Sefaradi ao vivo.
  • Lounge de Narguilas
  • Decoração especial

A exposição Sefaradi, abre as portas para que eventos dessa envergadura e importância aconteçam cada vez mais. Sentimos a necessidade de uma comunidade sem divisórias, aberta à participação de todos os judeus, de todas as idades. Compareça!

Chag Shavuot (5768, Shavuot 8-10 de junho de 2008)

O que significa o Omer?
"Omer" era uma antiga medida agrícola. No segundo dia de Pessach, costumava-se levar ao Templo uma oferenda de um Omer de cevada recém-colhida, em comemoração do início da colheita. Daí vem o nome Sefirat Omer, a contagem dos 49 dias entre Pessach e Shavuot.

Qual o significado religioso de Sefírat Ha'Omer?
Em Pessach, comemoramos a libertação do povo judeu do cativeiro no Egito. Porém a liberdade física não é um fim em si, mas sim um meio para um fim maior: a emancipação espiritual. E esta é associada à entrega da Torá ao Povo de Israel no Monte Sinai, em Shavuot. Em outras palavras, o Êxodo marcou o nascimento dos judeus como um povo, enquanto a Revelação no Sinai forneceu ao povo recém-nascido a substância moral e ética que o sustentaria através dos tempos.

Sefirat Ha'Omer, a contagem de sete semanas entre os dois feriados, nos lembra simbolicamente que de acordo com o pensamento judaico, o que importa não é libertar-se de alguma coisa, mas libertar-se para alguma coisa. A liberdade não tem sentido se não for acompanhada do compromisso para com um ideal. Se não há lei e disciplina, deveres e obrigações - a liberdade transforma-se em anarquia.

Este é o significado religioso do Omer: um período de preparo espiritual para assumir condignamente a liberdade conquistada.

O que se comemora em Shavuot?
De acordo com o Talmud, foi em Shavuot (6.° dia do mês de Sivan) que os filhos de Israel receberam os Dez Mandamentos no Monte Sinai. Por esta razão, o feriado é chamado Zman Matan Torateinu, o aniversário da entrega da Torá.

O nome bíblico do feriado, Shavuot, ou mais especificamente Chag Ha'Shavuot, significa "Festa das Semanas", o término da contagem de sete semanas (Sefirat Ha'Omer) que se inicia no segundo dia de Pessach.

Dois outros nomes usados na Bíblia em referência ao feriado ressaltam seu caráter agrícola: Chag Ha'Katzir, a Festa da Ceifa, e Yom Ha'Bikurim, o Dia dos Primeiros Frutos. Em comemoração ao início da colheita de trigo, levavam-se ao Templo dois pães feitos com a farinha do trigo recém-colhido e uma oferenda dos primeiros frutos da colheita.

Na terminologia talmúdica, Shavuot é também chamado de Atzeret, um nome que significa "convocação" e designa tradicionalmente o último dia de um feriado. A implicação, segundo os rabinos, é que Shavuot representa a conclusão do feriado de Pessach. Do ponto de vista agrícola, histórico e espiritual, ambos os feriados estão inextricavelmente ligados.

Por que é costume passar em claro a noite de Shavuot?
De acordo com o Midrash, na noite anterior à entrega da Torá no Monte Sinai, os israelitas adormeceram e tiveram que ser acordados por Moisés com trovões e relâmpagos. Para compensar o desrespeito, indiferença e insensibilidade dos nossos antepassados, para reparar aquela afronta a Deus, passamos a noite em claro, estudando, demonstrando assim que estamos plenamente conscientes da importância do evento e aguardamos com grande expectativa a Revelação. O costume tem o nome de tikun leil Shavuot, literalmente "o aprimoramento da noite de Shavuot". Os mais observantes passam a noite inteira estudando trechos dos livros sagrados - Bíblia, Mishná, Talmud, Zohar - lendo poemas litúrgicos e recitando orações. Nas comunidades mais liberais, realiza-se um Lernen de Shavuot, uma sessão de estudos ou uma discussão em grupo sobre um tema judaico de interesse geral.

Por que é costume enfeitar a sinagoga em Shavuot com ramos de árvores e folhagens?
Existem diversas explicações.

De acordo com a Mishná, Shavuot é o dia em que Deus julga as árvores e determina se o ano seguinte será de fartura ou escassez. Enfeitando a sinagoga com plantas, expressamos nosso desejo de que as árvores continuem produzindo bons frutos.

As plantas lembram também a infância do personagem central no episódio da entrega da Torá, Moisés, que foi escondido por sua mãe numa cesta entre os juncos à beira do Rio Nilo.

Em algumas comunidades, o chão da sinagoga é forrado de folhas, lembrando o Monte Sinai que se cobriu milagrosamente de grama antes da Revelação, em contraste à aridez de toda a região.

Alguns enfeitam a sinagoga com flores perfumadas, simbolizando o "aroma" dos ensinamentos da Torá.

Por que se lê o Livro de Ruth em Shavuot?
Existem diversas razões.

O Livro de Ruth descreve detalhadamente a beleza da época da colheita, que coincide com Shavuot.

De acordo com a tradição, o Rei David - que é descendente de Ruth e cujo nascimento é narrado no Livro de Ruth - nasceu e morreu em Shavuot.

A experiência de Ruth, uma mulher moabita que se converteu ao Judaísmo, se assemelha de certa forma à experiência dos israelitas, que se "converteram" plenamente à fé judaica ao receberem a Torá em Shavuot. Assim como a conversão de Ruth foi acompanhada de dificuldades e privações, assim também o conhecimento dos mandamentos só se adquire com dedicação e perseverança. A história comovente da lealdade, da devoção, do amor de Ruth ao seu povo é um exemplo e uma fonte de inspiração para todos nós na ocasião em que celebramos o aniversário da entrega da Torá.

Por que é costume comer derivados de leite e doces com mel em Shavuot?
Os rabinos oferecem várias interpretações para estes costumes.

Moisés passou 40 dias e 40 noites no Monte Sinai preparando-se para a entrega da Torá em Shavuot. O valor numérico da palavra hebraica "chalav", que significa "leite", é 40.

Nossos sábios dizem que os ensinamentos da Torá são "nutritivos como o leite e doces como o mel".

A cor branca do leite é um símbolo de pureza. Estudando os ensinamentos da Torá e cumprindo seus mandamentos, o homem se torna puro como o leite.

O leite é o alimento dos recém-nascidos. Comendo laticínios em Shavuot, demonstramos que estamos conscientes de quão pequenos somos diante da grandeza da Torá. E assim como o bebê aprende algo de novo a cada dia, estamos ávidos por captar cada vez um pouco mais dos ensinamentos divinos.

Além destas interpretações poéticas, existe também uma explicação de ordem prática. Somente quando receberam a Torá é que os judeus tomaram conhecimento das leis alimentares. Naquele dia não dava mais tempo de abater os animais segundo o ritual prescrito, nem de escaldar os utensílios para torná-los kasher. A primeira refeição após a Revelação, portanto, consistiu exclusivamente de leite e queijo.

Extraído de:
Os Porquês do Judaísmo - Capítulo 9: Shavuot (Rabino H.Sobel)
São Paulo, novembro de 1993.

Veja mais:

Imigração Judaica: Do Egito ao Brasil

Lançamento do livro
Noites de Verão com cheiro de jasmim
Autora: Joëlle Rouchou
FGV Editora

Data: 10 de junho, terça-feira, a partir das 19 horas
Local: Livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417 – Leblon Rio de Janeiro, RJ).

Sobre a autora
Joëlle Rouchou é jornalista graduada na PUC-Rio, com mestrado em comunicação e cultura pela ECO/UFRJ e doutorado em comunicação e cultura pela ECA/USP. Trabalhou nas redações do Jornal do Brasil e Veja. Atualmente é pesquisadora da Casa de Rui Barbosa. É co-autora, com Lúcia Blanc, de Memórias de Ipanema (SMC, 1995) e de Samuel: duas vozes de Wainer (UniverCidade, 2003).

Sinopse
Expulsos da terra que consideravam sua, os judeus do Egito aqui estudados vieram para o Brasil na década de 1950 e, surpreendentemente, poucas lembranças têm de seu país de origem. Em seus depoimentos, viajamos por Egitos diferentes, mas que nos remetem aos mesmos temas, sentimentos e imagens, em um caleidoscópio de visões e pertenciamentos. Pouco a pouco, a memória sensorial -- olfativa, gustativa, gestual e afetiva - começa a preencher as lacunas do depoimento racional sobre o sentimento de "estrangeridade".


Sumário

Capítulo 1 - Identidade e memória

  • Os entrevistados
  • Identidade
  • Identidade judaica
  • Identidade oculta
  • Memória
  • A entrevista na história oral e no jornalismo
  • Ouvir o outro
  • Caminhos da história oral


Capítulo 2 - História dos judeus do Egito

  • Período árabe
  • Independência do Egito
  • Partilha da Palestina


Capítulo 3 - Do Mediterrâneo ao Atlântico

  • O trauma: tempo de expulsão
  • Os bons tempos no Egito
  • A chegada aos trópicos: primeiras impressões do Rio de Janeiro
  • Exílio, trauma e silêncio
  • Um Egito perdido?
  • Memória afetiva - cores, sons e cheiros
  • O sabor do Egito
  • Transmissão
  • Tradições


Orelha
Nascida em Alexandria e criada no Rio de Janeiro, cidade na qual aportou aos três meses de idade, Joëlle Rouchou busca neste livro compreender a história de judeus expulsos do Egito no século XX, a partir da memória do grupo que veio se instalar no Brasil entre 1956 e 1957.
Por meio de entrevistas gravadas com grande rigor metodológico e muita sensibilidade, de acordo com um quadro de parâmetros teóricos precisos, embasados em bibliografia especializada, a autora traz sua contribuição ao debate em torno da relação entre memória, história e identidade cultural. Este trabalho pluridisciplinar, originalmente realizado como tese de doutorado na área de comunicação social (USP), contribui também para uma maior compreensão da articulação entre indivíduos e sociedade.
A complexidade do pertenciamento sociocultural do grupo estudado demanda de cada indivíduo "encontrar uma voz, um estilo" que harmonize as identidades vivenciadas. Os judeus do Egito vêm de um processo de múltiplas identificações, de viver entre duas línguas, de ter "como capital Paris para os francófonos, Londres para os anglófonos". No Egito, convivem com a cultura árabe e mantêm tradições judaicas. Hoje estão integrados à sociedade brasileira.