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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Intolerância religiosa é tema de encontro no Rio

TV Globo, Jornal Nacional, em 31/10/2008 - Representantes da maioria das religiões querem o cumprimento de uma lei que torna obrigatório o ensino de história da África e de cultura afro-brasileira e indígena nos colégios do país.


A intolerância religiosa foi tema de um encontro no Rio. Católicos, evangélicos, judeus, muçulmanos e umbandistas participaram da reunião.


Eles querem o cumprimento de uma lei federal que torna obrigatório o ensino de história da África e de cultura afro-brasileira e indígena nos colégios públicos e particulares do país. O pedido vai ser levado ao presidente Lula.


Veja o vídeo, clique aqui.

עידן יניב והקינדרלעך - שלום עליכם

עידן יניב והקינדרלעך - שלום עליכם

Clique aqui para ver o vídeo.



Bento XVI: diálogo entre culturas e religiões é «dever sagrado»

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 30 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- No complexo mundo atual, o diálogo entre as culturas e as religiões é um dever sagrado, declarou Bento XVI nesta quinta-feira, ao receber em audiência os membros de uma delegação do International Jewish Committee on Interreligious Consultations.


Recordando que há mais de 30 anos este Comitê e a Santa Sé mantiveram «contatos regulares e frutíferos, que contribuíram para uma maior compreensão e aceitação entre católicos e judeus», o Papa quis aproveitar esta ocasião para reafirmar «o compromisso da Igreja de levar a cabo os princípios expressados na histórica Declaração Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II». >>> Leia mais, clique aqui.

Fundação inter-religiosa pede que João XXIII seja declarado "justo entre as nações"

BUENOS AIRES, sexta-feira, 31 de outubro de 2008 (ZENIT.org). - O criador da Fundação Internacional Raoul Wallenberg, Baruj Tenembaum, pediu que João XXIII seja declarado «Justo entre as Nações». Este título é outorgado a quem salvou judeus durante o Holocausto por Yad Vashem, o Memorial do Holocausto de Israel. >>> Leia mais, clique aqui.

Kristallnacht na USP

70 anos de Kristallnacht

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Jerusalém

Veja mais:

40th Anniversary of the Reunification of Jerusalem

Ancient Maps of Jerusalem

City of David

Iom Ierushalaim

Jerusalem 3000

Jerusalem 40 Years Reunification

JerusaleMP3

Maquete de Jerusalém



Um projeto de canal pretende ressuscitar o mar Morto

Gaëlle Dupont

Em Ghor Haditheh (Jordânia) – Le Monde, em 28/10/2008.


A aldeia agrícola de Ghor Haditheh, situada no litoral do mar Morto, mais se parece com um campo de batalha depois de um bombardeio. Extensas rachaduras rasgam o solo. Dezenas de buracos profundos, de trinta metros de largura, parecem ter engolido os campos, as estradas, as casas. Em certos lugares o solo literalmente afunda sob os pés. Ainda assim, os camponeses continuam trabalhando, lavrando o que restou das suas terras, na espera da ajuda de Deus e da chegada do "Red-Dead" ("Vermelho-Morto"). A expressão designa um projeto colossal: a construção de um canal entre o mar Vermelho e o mar Morto, que permitiria salvar este último. Há décadas que eles esperam por ele. Agora, a sua construção está novamente na ordem do dia.


Com efeito, é a lenta asfixia do mar Morto que vem devastando suas margens. Desde os anos 1960, a extensão de água mais salgada do mundo perdeu um terço da sua superfície. O seu nível vem baixando de um metro por ano. Com isso, é a dinâmica da água como um todo em seu subsolo que acabou sendo alterada, um fenômeno que já provocou várias centenas de desmoronamentos de terreno por todos os seus arredores. A paisagem também mudou. Ao retirar-se, o mar deixa aparecer grandes praias de lama marrom, repleta de cristais de sal, nas quais os banhistas atolam até os joelhos até conseguirem alcançar a água salgada.


A causa desta asfixia é visível e pode ser conferida a algumas dezenas de quilômetros de lá, à beira do rio Jordão. O curso de água que separa a Jordânia de Israel era a principal fonte de abastecimento do mar Morto. Dele pouca coisa sobrou. No lugar onde se presume que o Cristo foi batizado - um dos raros acessíveis para o público, uma vez que o rio é uma área militar -, os visitantes descobrem um pequeno riacho lamacento, de um verde opaco. A água está praticamente estagnada.


A vazão do rio Jordão alcançava 1,3 bilhão de m3 por ano, ainda durante os anos 1950. Hoje, ela diminuiu para 200 milhões. Nós estamos numa das regiões mais secas do mundo. Israel, a Síria e a Jordânia captam toda e qualquer gota de chuva antes que ela possa alcançar o rio. Eles assim procedem para irrigarem as lavouras e abastecerem as cidades. O aquecimento climático também contribui para diminuir ainda mais a sua vazão. Só restam para o Jordão as águas usadas que são derramadas em seu leito. Sem que eles saibam disso, os visitantes que piamente tocam a água do rio bíblico estão mergulhando suas mãos dentro de um esgoto.


Se nada for feito, o mar Morto terá desaparecido dentro de trinta anos. Segundo os ecologistas da organização Friends of the Earth Middle East (Amigos da Terra no Oriente Médio), seria preciso deixar que a água volte a escorrer no rio Jordão. "Afinal, não dá para acreditar que um rio que reveste uma tão grande importância na história da humanidade não seja objeto de maiores cuidados", se insurge Abdel Rahman Sultan, falando em nome desta ONG.


Contudo, as autoridades jordanianas afastaram esta hipótese, preferindo apostar na construção do "Red-Dead canal". Este projeto acaba de passar por uma etapa importante: estudos de factibilidade técnica e de impacto ambiental foram deslanchados em maio, financiados pelo Banco Mundial. A sua duração prevista é de 18 meses.


O canal, que teria 180 km de extensão, seria construído inteiramente em território jordaniano, entre Ácaba e o mar Morto. Cerca de dois bilhões de m3 dele seriam retirados todo ano. Metade deste volume abasteceria o mar Morto. A outra parte seria dessalinizada, e alimentaria em água doce a Jordânia, numa proporção de dois terços, enquanto Israel e os territórios palestinos receberiam o terço restante. Uma vez que o mar Morto é uma bacia natural situada a 400 metros abaixo do nível do mar - sendo o ponto mais baixo do planeta -, o declive permitiria produzir hidroeletricidade, a qual forneceria a energia necessária para a dessalinização.


As autoridades jordanianas sublinham o interesse internacional que o canal representa. "O destino a ser reservado ao mar Morto não interessa apenas a nós", afirma Mousa Jamaa'ani, o diretor da autoridade que administra o vale do rio Jordão. "É um lugar único. As principais religiões nasceram nesta região". Os idealizadores do "Red-Dead canal" também salientam o seu benefício político potencial. "Este é um projeto essencial para reforçar a paz na região", prossegue Mousa Jamaa'ani.


Contudo, na Jordânia, onde a penúria de água alcança proporções dramáticas, ele simplesmente desponta como indispensável. "Nós não temos escolha", decide em última instância Raed Abu Saoud, o ministro da água e da irrigação. "É uma questão de sobrevivência". O ministro diz estar "absolutamente certo" de que o canal será construído. "Eu não vejo qual problema de força maior poderia detê-lo", afirma.


Entretanto, não são os obstáculos que faltam. Qual será o impacto do aporte maciço de água do mar sobre o ecossistema muito peculiar do mar Morto? E quais serão as conseqüências da extração de água no golfo de Ácaba, reputado pelos seus fundos submarinos? Na opinião de Abdel Rahman Sultan, da ONG Friends of the Earth, "antes de se aventurarem num terreno tão arriscado, eles precisam considerar o quadro no seu conjunto, ou seja, a administração dos recursos hídricos na região". A irrigação monopoliza 70% desses recursos.


Além do mais, Israel ainda não deu o seu acordo definitivo para a realização do projeto. O país já dispõe de um litoral importante, que lhe permite dessalinizar a água do mar. Portanto, para ele, a construção do canal não constitui uma meta emergencial. O presidente israelense Shimon Peres o apóia com entusiasmo, pois nele enxerga um símbolo da esperança de paz na região, mas muitas discussões ainda vêm sendo travadas a respeito no país.


Por fim, ainda existe um último obstáculo, que não é dos menores: o seu custo. As mais recentes estimativas davam conta de um investimento de 3,7 bilhões de euros (cerca de R$ 10,8 bilhões). A Jordânia não tem condições para arcar com o seu financiamento. Para viabilizá-lo, existem várias montagens possíveis. Um financiamento internacional não deve ser descartado, mas, mesmo em caso de sucesso, a construção estaria fadada a permanecer em compasso de espera por longos anos. Contudo, as autoridades jordanianas, que estão com pressa, estão estudando a possibilidade de uma parceria entre companhias públicas e privadas. Os promotores do empreendimento poderiam obter uma rentabilidade dos fundos investidos recebendo uma autorização para explorarem financeiramente o canal durante um determinado período, até retrocedê-lo para o governo. Resta saber a qual preço a água seria então vendida para as populações.



Tradução: Jean-Yves de Neufville

Arqueólogo data minas de cobre do rei Salomão

Monarca bíblico pode ter obtido metal na Jordânia


RICARDO BONALUME NETO

DA REPORTAGEM LOCAL - Folha de São Paulo, Ciência, em 28/10/2008.


Novas escavações em um complexo de mineração e fundição de cobre na Jordânia recuaram a data de utilização do local em mais dois séculos, com isso indicando que os reis israelitas David e Salomão poderiam ter obtido o metal ali no século 10 antes de Cristo.


O sítio de Khirbat en-Nahas fica na região conhecida na Bíblia como o reino de Edom. Ele foi primeiro escavado pelo arqueólogo americano Nelson Glueck na década de 1930. Glueck afirmou ter descoberto as "minas do Rei Salomão".


Esse tipo de interpretação era comum nesse "período de ouro" da arqueologia bíblica, quando as escavações eram feitas baseadas em interpretações literais do Velho Testamento.


"Arqueólogos como Glueck metaforicamente carregavam a colher de pedreiro em uma mão e a Bíblia na outra, procurando na paisagem arqueológica do sul do Levante a confirmação da narrativa bíblica, dos patriarcas até a monarquia unida de David e Salomão, até outros personagens, locais e eventos mencionados no texto sagrado", escreveram os autores do novo estudo. A pesquisa foi publicada hoje na revista científica "PNAS", da Academia de Ciências dos EUA, por uma equipe internacional de 11 pesquisadores liderada por Thomas Levy, da Universidade da Califórnia em San Diego.


Essas interpretações literais foram perdendo adeptos a partir da década de 1980. Muitos pesquisadores passaram a duvidar da existência histórica de personagens bíblicos que não tinham confirmação por outras fontes. Os eventos mais antigos teriam sido criação dos homens que editaram a forma final dos livros bíblicos, no século 5º a.C.


Sociedades complexas

Levy e colegas fizeram novas datações dos resíduos da fundição, especialmente do carvão usado nos fornos, e obtiveram datas dos séculos 10 a.C. e 9 a.C.


Para Levy, os dados coletados agora são "evidência de que sociedades complexas estavam de fato ativas nos séculos 10 a.C. e 9 a.C. e isso nos traz de volta o debate sobre a historicidade das narrativas da Bíblia relacionadas a este período".


Outra descoberta importante foram amuletos egípcios achados em Khirbat en-Nahas. Eles poderiam estar vinculados a uma invasão militar realizada após a morte de Salomão por Shoshenk 1º, primeiro faraó da 22ª dinastia egípcia -chamado de Sesac na Bíblia.


"Sesac, rei do Egito, marchou contra Jerusalém. Tomou os tesouros do templo de Javé (...); apoderou-se de tudo, até dos escudos de ouro que Salomão fizera", diz a Bíblia.


A incursão do faraó também está descrita em hieróglifos no Egito descrevendo as cidades que ele tomou na Palestina.


Os arqueólogos usaram ferramentas digitais para demarcar precisamente o sítio e fazer reconstruções tridimensionais. Há cerca de cem edifícios antigos em Khirbat en-Nahas, incluindo uma pequena fortaleza.


Leia mais:

Escavações podem confirmar existência histórica de 'minas do rei Salomão’ (G1, Arqueologia, em 28/10/2008).

Israel critica intenção da Igreja de beatificar papa Pio 12

Beatificação de Pio 12 causa indisposição entre o Vaticano e Israel, devido à controversa atuação do papa durante o Holocausto. >>> Leia mais em Deutsche Welle, em 27/10/2008.



Judeus no Brasil: estudos e notas (Nachman Falbel)

Judeus no Brasil: estudos e notas

Autor: Nachman Falbel

Editora: EDUSP

Sinopse: Em seu livro, Nachman Falbel percorre temas, problemas, figuras e eventos que começam a compor uma cartografia objetiva e crítica da presença dos judeus no território brasileiro, destacando o relevo que lhe imprimiram algumas de suas personagens e instituições.
O medievalista transita com igual familiaridade por diferentes épocas e, assim, arma um painel coeso e harmonioso.



domingo, 26 de outubro de 2008

Ética dos Pais - Pirkei Avót

Ele (Hilel) dizia: Mais carne, mais vermes; mais propriedades, mais cuidados; mais mulheres, mais feitiços; mais concubinas, mais impudor; mais empregados, mais roubo. Mais Torá, mais vida; mais estudo, mais sabedoria; mais indagação, mais discernimento; mais justiça, mais paz. Adquirir bom nome é adquirir um bem para si próprio; adquirir conhecimento da Torá é adquirir para si a vida no mundo vindouro.


Extraído de: BUNIM, Irving M. Ética do Sinai: Ensinamentos dos Sábios do Talmud. São Paulo: Sefer, 1998.



III Encontro de Letras Orientais e Eslavas: Oriente e Ocidente: Interações, Diálogos e Visões Recíprocas

Les Fleurs de l'Orient

This site contains the Genealogy of the Major Sephardi Families from the Ottoman Empire and beyond, a Message Board, a Forum & Documents as submitted by members of the Fleurs de l'Orient. The genealogy databases include all families that are related to them by marriage regardless of their country of origin & religion. Each additional branch is listed with their its own ancestors and descendants.

sábado, 25 de outubro de 2008

Tzipi Livni desiste de formar Governo e pede eleições em Israel

'Estou cansada de chantagens, veremos todos estes heróis em 90 dias'. Chefe de Estado, Shimon Peres, irá antecipar eleições gerais. >>> Leia mais em G1, em 25/10/2008.


Veja mais:

A chanceler israelense, Tzipi Livni, já afirmou que vai pedir ao chefe de Estado Shimon Peres para antecipar as eleições gerais

Rimas da vida e da morte (Amos Oz)

Rimas da vida e da morte

Amós Oz

Tradução: Paulo Geiger

Editora: Companhia das Letras

Lançamento: 12/09/2008.


Sinopse: Um romancista medianamente famoso se prepara para dar uma palestra e participar de um debate sobre sua obra num centro cultural de bairro, em Tel Aviv. Enquanto faz hora num café, passa a imaginar uma história para cada indivíduo que vê à sua volta. A atraente garçonete que o serve, por exemplo, vira ex-namorada do goleiro reserva do time de futebol Bnei Iehudá. Dois homens que conversam numa mesa próxima se convertem, na sua fantasia, em mafiosos discutindo a situação de um terceiro homem, um ricaço que agora definha na UTI de um hospital.

A compulsão ficcional do escritor prossegue durante e após a palestra, resultando numa teia de histórias imaginárias que começam a se embaralhar com a trajetória do protagonista, a ponto de não sabermos, por exemplo, se ele foi ou não para a cama com a moça solitária que leu para o público trechos de suas obras no evento do centro cultural.

Ficção e realidade se confundem nesta narrativa singular e envolvente, cujo próprio título, Rimas da vida e da morte, é tirado do livro fictício de um autor também inventado, o poeta Tsefania Beit-Halachmi, cujos versos o protagonista e outros personagens vivem citando.

Com discrição e astúcia, Amós Oz parece nos dizer que por trás de cada indivíduo anônimo existe um manancial de dramas e comédias possíveis. Na sua dicção calorosa, de conversa íntima com o leitor, o autor israelense reafirma sua crença na literatura de imaginação como meio de conhecimento e de superação da distância entre os homens.


Leia mais:

A caixa-preta de OZ


Veja mais:

CAIXA PRETA, A

CAIXA-PRETA, A (EDIÇÃO DE BOLSO)

CONHECER UMA MULHER

DE AMOR E TREVAS

DE REPENTE NAS PROFUNDEZAS DO BOSQUE

FIMA
MESMO MAR, O

MEU MICHEL

NÃO DIGA NOITE

PANTERA NO PORÃO

RIMAS DA VIDA E DA MORTE



sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Arqshoah será lançado no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro

Políticos alemães divididos em torno do anti-semitismo

O Parlamento alemão queria aprovar por unanimidade uma resolução contra o anti-semitismo para coincidir com o 70º aniversário da Noite dos Vidros Quebrados. Mas o esforço se tornou uma vítima de brigas políticas

Charles Hawley

Der Spiegel, em 24/10/2008.


Em 29 de setembro, foi a vez de Berlim. Apenas uma semana após o cemitério judeu no distrito central de Mitte da cidade ter sido reaberto após reformas, uma placa informativa foi manchada com slogans anti-semitas. Uma investigação teve início imediatamente para encontrar e punir os perpetradores, mas pouco progresso foi conseguido.


É a mesma história por todo o país. Em média, segundo estatísticas citadas por membros do Parlamento federal, um cemitério judeu por semana é vandalizado na Alemanha. Na semana passada em Potsdam, um pequeno monumento a uma família deportada durante o Holocausto foi pichada com suásticas. Duas semanas atrás na cidade alemã oriental de Jena, cantos anti-semitas foram cantados em uma partida de futebol. A lista prossegue.


Potencialmente mais danoso, entretanto, é o fato de que o anti-semitismo no país parece estar crescendo. Vários estudos nos últimos anos chegaram à conclusão de que o anti-semitismo não é apenas um problema marginal na Alemanha. Um estudo de setembro, divulgado pelo Centro Pew de Pesquisa em Washington, D.C., chegou à conclusão de que 25% dos alemães vêem os judeus de forma desfavorável. Apesar de ser bem menos do que os resultados de 46% na Espanha ou de 36% na Polônia, ele representa um aumento em comparação ao resultado de 20% encontrado na Alemanha em 2004.


Os políticos alemães estão atentos. De fato, desde o início do ano, um grupo de trabalho formado por todos os partidos no Parlamento alemão, o Bundestag, está ocupado formulando uma resolução condenando o anti-semitismo na Alemanha. A idéia era que estivesse pronta para o 70º aniversário do ataque nazista de 9 de novembro de 1938, conhecido como Noite dos Vidros Quebrados. Mas disputas políticas internas adiaram o projeto -e agora ameaçam torpedeá-lo totalmente.


'Um fiasco político'

"Eu ainda tenho esperança de que conseguiremos encontrar uma linguagem comum para a resolução, mas infelizmente só será após o 70º aniversário", disse Gert Weisskirchen, um parlamentar social-democrata que ajudou a iniciar o projeto, para a "Spiegel Online". "Este terrível desdobramento (do aumento do anti-semitismo) exige que o tratemos com a dignidade apropriada. Nós não podemos permitir que se transforme em um fiasco político."


Por ora, entretanto, todos os sinais apontam que é exatamente isso o que está acontecendo. A iniciativa começou no início deste ano, e Weisskirchen disse que até recentemente, os partidos envolvidos - o Partido Social-Democrata (SPD), a União Democrata Cristã (CDU) e seu par, a União Social Cristã (CSU, e conhecidos coletivamente como União), os Democratas Livres, o Partido Verde (PV) e o Partido de Esquerda - estavam todos falando a mesma língua.


Mas não mais. A União submeteu um texto para ser incluído na resolução se referindo ao anti-semitismo na Alemanha Oriental pré-reunificação. A passagem diz que "é preciso lembrar que Israel nunca foi reconhecido pela Alemanha Oriental, que empresários judeus tiveram seus bens tomados pelo governo alemão-oriental e tiveram que fugir, e que a Alemanha Oriental violou a lei internacional ao fornecer armas para a Síria anti-israelense em 1973.


O problema, entretanto, é que nem todos estão dispostos a aceitar essa passagem. Petra Pau, a vice-presidente do Bundestag pelo Partido de Esquerda de extrema esquerda, suspeita que o União esteja tentando pressionar seu partido a abandonar a resolução. "Nós não temos nenhum problema com uma formulação que fale do anti-semitismo na Alemanha Oriental após o término da Segunda Guerra Mundial", ela disse à "Spiegel Online". "Mas não na forma submetida pela CDU/CSU. É especialmente lamentável que, no final, o consenso do Bundestag contra o anti-semitismo tenha sido partido."


O partido de Pau é controverso no cenário político alemão. O antecessor do Partido de Esquerda, o Partido do Socialismo Democrático (PDS), foi o sucessor democrático do partido comunista da Alemanha Oriental, o SED. Pau foi membro do SED antes de se tornar uma alta funcionária do PDS.


Mas ela não é a única que considera problemática a passagem recém apresentada. Weisskirchen aponta que o texto faz parecer que as pessoas tiveram bens confiscados na Alemanha Oriental por serem judias, o que, segundo ele, não é verdade. Muitos na Alemanha Oriental perderam suas propriedades e não foi um fenômeno limitado às pessoas que seguiam o judaísmo. Além disso, ele mencionou, a Alemanha Oriental aprovou uma resolução no final de sua existência expressando arrependimento pelas inclinações anti-semitas do Estado, um fato completamente ignorado pelo texto da CDU/CSU.


Removendo os obstáculos

Um comunicado de imprensa da CDU/CSU divulgado na quarta-feira deixa claro que os conservadores mantêm sua posição - e que visam associar o Partido de Esquerda ao anti-semitismo alemão oriental. "É verdade que queremos uma resolução sem a participação do Partido de Esquerda", diz o comunicado. "Quando este partido, sob o nome de SED, controlava a Alemanha Oriental, ele negou a Israel o direito de existência e nunca reconheceu o Estado judeu. Nós achamos que é hipocrisia o Partido de Esquerda agora agir como se estivesse comandando a luta contra o anti-semitismo."


O debate em torno da resolução ameaça ofuscar o aniversário de uma data importante na história nazista na Alemanha que levou aos assassinatos em massa do Holocausto. A Noite dos Vidros Quebrados, que se estendeu até 10 de novembro de 1938, viu Hitler soltar seus criminosos nazistas contra a população judia do país. Milhares de lojas judias foram destruídas naquela noite e centenas de sinagogas foram incendiadas. Os nazistas também mataram centenas de judeus e outros milhares foram detidos e enviados para campos de concentração.


Weisskirchen permanece esperançoso de que uma resolução possa ser aprovada até o final do ano, e talvez até mesmo até o final de novembro, ele disse. "Em setembro, nossas posições eram muito próximas; nós estamos trabalhando neste texto desde o início do ano. Agora, estes obstáculos foram colocados em nosso caminho. Eu espero que possamos removê-los."


Tradução: George El Khouri Andolfato

Ultra-ortodoxos anunciam que não farão parte de coalizão em Israel

A direção do partido ultra-ortodoxo israelense Shas anunciou nesta sexta-feira que não aceita as condições impostas por Tzipi Livni para participar de seu governo, comprometendo assim a formação do novo governo de Israel. Eles divergiram sobre dois assuntos: o status de Jerusalém e benefícios sociais para os mais pobres. >>> Leia mais no Folha online, em 24/10/2008.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Convite para mesa-redonda sobre Samuel Rawet

Veja mais:

Lançamento do Livro "Samuel Rawet - fortuna crítica em jornais e revistas"

Samuel Rawet: Vida e escrita extremadas

2 Canção do exilado: pioneiro da ficção judaica no Brasil, Samuel Rawet ganha uma edição digna de sua estranha obra

Canção do exilado: pioneiro da ficção judaica no Brasil, Samuel Rawet ganha uma edição digna de sua estranha obra

Leia trechos do livro Ensaios Reunidos, de Samuel Rawet

Ética e literatura na obra de Samuel Rawet

Samuel Rawet: profeta da alteridade