Pesquisar este blog

Total de visualizações de página

Perfil

Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

Translate

Seguidores

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O novo anti-semitismo (Umberto Eco)

Terra magazine, em 28/02/2009

O novo anti-semitismo


Umberto Eco

Do The New York Times


No mês passado, em resposta à guerra em Gaza entre Israel e o Hamas, o pianista Daniel Barenboim pediu que intelectuais ao redor do mundo assinassem um manifesto divulgando uma nova iniciativa para resolver o conflito (publicado recentemente pelo The New York Review of Books). A princípio, a intenção é quase ridiculamente óbvia: O objetivo principal é juntar todos os recursos possíveis para propor uma mediação vigorosa. Mas o mais significativo é que um grande artista israelense é o responsável pela iniciativa.


É um sinal de que as mentes mais lúcidas e os pensadores mais profundos de Israel estão pedindo que as pessoas parem de se perguntar que lado é o certo ou o errado e trabalhem para a coexistência dos dois povos. Sendo assim, os protestos contra o governo israelense são compreensíveis, não fosse pelo fato de que estes protestos possuem normalmente um tom anti-semita.


Se os protestantes não demonstram uma postura anti-semita explícita, a imprensa o está fazendo nos dias de hoje. Já vi artigos que mencionam - como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - "protestos anti-semitas em Amsterdam" e coisas do gênero. É algo que já ficou tão banalizado que o anormal agora é pensar que seja algo anormal. Mas vamos refletir se seria correto definir um protesto contra a administração Markel na Alemanha como antiariano, ou um protesto contra Berlusconi na Itália como antilatino.


Neste curto espaço é impossível resumir os problemas centenários do anti-semitismo, suas ressurgências ocasionais, suas várias raízes. Quando uma postura sobrevive por 2.000 anos, já está impregnada de fé religiosa - de crenças fundamentalistas. O anti-semitismo pode ser definido como uma das muitas formas de fanatismo que envenenaram o mundo através dos tempos. Se muitas pessoas acreditam na existência de um diabo que conspira para nos levar à ruína, por que não poderiam acreditar também numa conspiração judaica para dominar o mundo?


O anti-semitismo, como qualquer atitude irracional orientada pela fé cega, é cheio de contradições; seus adeptos não as percebem, mas as repetem sem qualquer constrangimento. Por exemplo, nas ocorrências clássicas do anti-semitismo no século XIX, dois lugares comuns eram utilizados sempre que a ocasião assim pedisse. Um era que os judeus, que viviam em lugares apertados e escuros, eram mais suscetíveis do que os cristãos a infecções e doenças (e, portanto, eram perigosos). Por razões misteriosas, o segundo argumento era justamente que os judeus eram mais resistentes a pragas e epidemias, além de serem sensuais e assustadoramente fecundos, o que fazia deles invasores em potencial do mundo cristão.


Outro lugar comum foi amplamente utilizado tanto pela esquerda quando pela direita, e para exemplificar, eu cito um clássico do anti-semitismo socialista (Alphonse Toussenel, "Les Juifs, Rois de l'Epoque," 1847) e um clássico do anti-semitismo católico legitimista (Henri Gougenot des Mousseaux, "Le Juif, le Judaisme et la Judaisation des Peoples Chretiens," 1869). As duas obras sustentam o argumento de que os judeus não praticavam a agricultura e, portanto, eram distantes da vida produtiva dos países em que residiam. Por outro lado, eles eram também completamente dedicados às finanças, ou seja, a posse do ouro. Portanto, sendo nômades por natureza, e impulsionados por suas esperanças messiânicas, eles poderiam prontamente abandonar os estados que os acolheram e facilmente levar toda a riqueza com eles. Não vou comentar o fato de que outra ocorrência anti-semita daquele período, incluindo o notório "Os Protocolos dos Sábios de Sião", acusava os judeus de tentar se apoderar de propriedades para tomar seus campos. Como já foi dito, o anti-semitismo é cheio de contradições.


Uma característica proeminente dos israelenses é que eles utilizaram métodos ultramodernos para cultivar a terra, criando fazendas modelo e afins. Então, se eles lutassem, seria precisamente para defender o território em que eles se estabeleceram de forma estável. Este, acima de todos os argumentos, é o que os árabes anti-semitas usam contra eles, sendo que na realidade o objetivo principal deste tipo de árabe é destruir o Estado de Israel.


Em suma, os anti-semitas não gostam quando os judeus vivem em um país que não seja Israel. Mas, se um judeu decide morar em Israel, os anti-semitas também não gostam. Claro, eu sei muito bem da objeção de que o território onde hoje é Israel foi um dia palestino. Mesmo assim, ele não foi conquistado com violência aviltante ou com nativos dizimados, como no caso da América do Norte, ou mesmo pela destruição de estados governados por seus monarcas de direito, como na América do Sul, mas através migrações graduais e assentamentos que foram inicialmente aceitos.


De qualquer forma, enquanto algumas pessoas ficam irritadas quando aqueles que criticam as políticas de Israel são chamados de anti-semitas, aqueles que traduzem imediatamente qualquer criticismo às políticas israelenses com termos anti-semitas me deixam ainda mais preocupado.


Umberto Eco é filósofo e escritor. É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate.



Leia:

G1 (28/02/2009)


Aurora (28/02/2009)



Veja mais:

28/02/2009

27/02/2009

Élie Barnavi: classe política israelita é medíocre

El Pais (28/02/2009)


Euronews

  • 27/02/2009: Williamson vai ter de retractar-se claramente (vídeo e texto): O Vaticano considerou o pedido de desculpas do bispo britânico que negou o Holocausto insuficiente para ser readmitido pela Santa Sé. (...)Um vez no espaço da União Europeia onde a legislação contra o racismo e anti-semitismo faz rigor em alguns estados membros coube a Jacques Barrot Comissário Europeu da Justiça e Assuntos Internos advertir Williamson de que deve tomar cuidado porque as teses negacionistas constituem um delito em vários países da União Europeia.
  • 09/02/2009: Élie Barnavi: classe política israelita é medíocre (vídeo e texto): Élie Barnavi é um historiador e politólogo israelita. Actualmente vive em Bruxelas, onde desempenha a função de conselheiro científico do Museu da Europa. No passado ocupou o posto de embaixador de Israel em França. No currículo conta com várias obras e uma carreira no ensino. Foi membro do movimento “Paz Agora” e acedeu analisar o momento político israelita para a euronews. Um momento grave devido à mediocridade da classe política actual, refere.


CJL (27/02/2009)


AJN (27/02/2009)


Veja mais:

28/02/2009

27/02/2009


Anti-Semitismo: o racismo que muda e persiste

Israel através das canções


Estadão


FSP (28/02/2009)


FSP online


Deutsche Welle (27/02/2009)


Clube Judaico de Belmonte


Veja mais:

27/02/2009

60 ans d'Israël en chansons

60 ans d'Israël en chansons

Tous les liens "Youtube" des 60 chansons Israéliennes classés par décennie. (Voir source en bas).


1948-1958: Les premières années



1959-68: Si je t'oublie Jérusalem



1969-78: D'une guerre à l'autre


1979-88: Un temps pour la paix



1989-98 : Shalom H'aver



1999-2008 : Les doutes et l'espérance


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Intolerância: uma perspectiva histórica


CONIB (27/02/2009)

  • CONIB REPUDIA ATAQUE A SINAGOGA NA VENEZUELA:Em comunicado, entidade pede medidas para garantir segurança da comunidade judaica venezuelana e alerta para riscos à democracia no continente. LEIA MAIS...


Em Cima da Hora (27/02/2009)


FSP online (26/02/2009)


G1


El País (27/02/2009)


La Vanguardia (27/02/2009)


El Universal (Venezuela)


La Nacion (27/02/2009)


Veja mais:

27/02/2009

26/02/2009


O Mito do Complô Judaico-Comunista no Brasil: Gênese, difusão e desdobramentos (1907-1954)


O Mito do Complô Judaico-Comunista no Brasil: Gênese, difusão e desdobramentos (1907-1954)

Autora: Taciana Wiazovski

Editora: Humanitas: FAPESP (São Paulo, SP)

Sinopse: O texto de Taciana Wiazovski, bem como a pesquisa em que ele se baseia, convertem esse livro em um trabalho de interesse não apenas para os especialistas, mas para todos aqueles que têm sua atenção voltada para a política moderna, as identidades coletivas, os Estados-nação, o anti-semitismo e sua influência cultural e política, e uma variedade de temas correlatos.


Estudos Judaicos: Nazismo - Neonazismo - Holocausto - Anti-semitismo - Preconceito


Veja mais:

27/02/2009

26/02/2009

25/02/2009

24/02/2009

23/02/2009

22/02/2009