Antigo bairro judaico de Berlim ocupado por galerias de arte
O centro do que era o bairro judaico de Berlim antes da Segunda Guerra está tomado hoje por galerias de arte e por ateliês de artistas.>>> Leia mais em Deutsche Welle, em 25/07/2008.
Ataque a indianos na Saxônia reacende debate sobre a extrema direita na Alemanha. Conselho dos Judeus defende inclusive a divulgação de áreas de risco no país. Índia pede esclarecimento rápido do caso.
Para o Conselho Central dos Judeus na Alemanha, trata-se de um caso de falência política, que torna necessária a denominação de áreas de alto risco, as chamadas "no-go areas"."É preciso advertir estrangeiros ou pessoas facilmente identificáveis como tais a não se estabelecer em determinadas regiões e cidades da ex-Alemanha Oriental", explica Stephan Kramer, secretário-geral da instituição. "Ontem não-brancos, hoje estrangeiros, amanhã gays e lésbicas ou talvez judeus", adverte.
Segundo ele, a divulgação das zonas de risco seria adequada "diante da similaridade dos casos e das reações sempre iguais dos políticos, sem que haja uma mudança perceptível de estratégia na luta contra a xenofobia".
No entanto, a busca por testemunhas em Mügeln prossegue com lentidão, já que, segundo a porta-voz da polícia da região, Ilka Peter, alguém que registre uma denúncia terá que continuar vivendo com essa pessoa na mesma cidade durante anos.
Redistribuição de poderes
Em Berlim, aumentam as críticas ao prefeito de Mügeln, que exclui qualquer motivação xenófoba das agressões. Para o ministro Wolfgang Tiefensee, cuja pasta detém a responsabilidade pelo programa Aufbau Ost, para a reconstrução dos estados do Leste, esse é exatamente o caminho errado. Seria necessário reunir os fatos, antes de se excluir qualquer possibilidade.
O Conselho Central dos Judeus argumenta que seria preciso redistribuir as responsabilidades no governo federal para poder combater de forma mais eficiente o extremismo de direita. Kramer sugere que a coordenação da luta contra a xenofobia seja transferida do Ministério da Família para o Ministério do Interior, pois este teria "a experiência e o conhecimento necessários para lidar com o tema". Para Kramer, "o Ministério da Família está sobrecarregado".
Xenofobia aumentou
Segundo Cornelia Habisch, da Central Estadual de Educação Política da Saxônia-Anhalt, a auto-confiança de organizações de extrema-direita vem crescendo. No último ano e meio, criou-se uma série de grupos de ação que visam principalmente o público jovem, com a iniciativa de organizar festas cujo caráter político é dissimulado.
De acordo com um estudo da Fundação Friedrich Ebert, ligada ao Partido Social Democrata (SPD), 35% dos entrevistados no Oeste do país acreditam que estrangeiros vêm à Alemanha apenas para tirar proveito do sistema social. No Leste, esse número sobe para 44%.
Segundo Habisch, uma das razões disso poderia estar relacionada à história da República Democrática Alemã (RDA). "No último ano, constatamos que existe uma grande conexão entre o enaltecimento da RDA e a exaltação de idéias autoritárias de direita", conta.
Segundo o secretário do Interior da Saxônia-Anhalt, Holger Hövelmann, "o extremismo de direita há tempos não é mais apenas um fenômeno marginal de nossa sociedade, mas um desafio central de todos nós. Ignoradas em grande parte pela opinião pública, foram criadas estruturas que colocam em jogo nossa liberdade democrática. Aos poucos, o extremismo de direita passa a se inserir em nosso dia-a-dia."
Xenofobia é mais difundida na Alemanha do que se pensa
Muitos israelenses consideram Berlim a metrópole mais atraente da Europa. Mas eles não vêm à capital alemã apenas como turistas e visitantes. Milhares deles encontraram aqui sua nova pátria.
Robert Schwersenzer cresceu
Berlim o faz recordar um pouco de Tel Aviv, por exemplo, no que se refere à vida noturna. "Por isso Berlim é mais atraente do que outras cidades."
Mal o cigarro se apaga e a fumaça se desfaz, sente-se no ar o cheirinho de café e de pratos orientais com temperos exóticos. No Café Fugger 20, há pratos tipicamente israelenses: falafel, homus e tahine. É um pouco da pátria para os israelenses em Berlim.
Não existem muitos restaurantes deste tipo na capital. E apenas poucos estabelecimentos oferecem produtos israelenses. Ninguém melhor do que Dan Metzger para saber disso, que veio a Berlim há mais de 40 anos, na juventude. No início, seus pais não queriam deixá-lo ir ao país que trouxe tanto sofrimento para o seu povo. Mas o jovem Metzger insistiu, ele queria a qualquer custo estudar arte dramática na Alemanha.
Depois de passar por outras cidades, foi parar mesmo
Bate-papo de israelenses
Para continuar em contato com seus compatriotas e para praticar seu hebraico, ele vai uma vez ao mês a um encontro de israelenses. Lá se encontram pessoas que ainda não falam alemão, que são novas na Alemanha e que ficam contentes ao encontrar outras pessoas da pátria, com as quais podem se comunicar na língua materna.
Quem organiza o bate-papo de israelenses é Ilan Weiss. Todos estão convidados, independente da idade, de serem estudantes, comerciantes ou aposentados.
É difícil dizer quantos israelenses moram
Em seu livro Israelis in Berlin (Israelenses em Berlim), Fania Oz-Salzberger diz que mais de 10 mil israelenses encontraram em Berlim uma nova pátria. Muitos vieram nos últimos anos, não apenas de férias.
"Eles querem viver aqui, estudar e trabalhar", explica Jael Botsch-Fitterling, da Sociedade de Cooperação Cristã-Judaica. Já nos anos 1960, os israelenses se sentiam atraídos por Berlim Ocidental. Foi nessa época que ela chegou à cidade dividida, que justamente por seu isolamento se tornava tão atraente aos israelenses.
Museu Judaico é atração
Michal Kümper confirma o interesse dos israelenses por Berlim. Ela guia grupos de israelenses pelo Museu Judaico. Em 2007, entre os visitantes, 22 mil eram israelenses que, depois de excursões vindas dos EUA, constituíram o segundo maior grupo. "Eles são bem mais vivos do que outros grupos, gostam de trocar idéias, porém não são muito disciplinados", conta ela.
Certa vez, quando ela levou um grupo de israelenses à assim chamada Torre do Holocausto (Holocaust-Turm) – uma construção de concreto alta e estreita, na qual nos sentimos pequenos e sufocados, os visitantes começaram surpreendentemente a cantar uma canção religiosa. "Uma coisa dessas nunca aconteceu aqui", diz Kümper.
Neste meio tempo, ficou mais calmo no Café Fugger 20, o grupo israelense aos poucos está se dissipando. Cada um segue novamente o seu caminho na capital alemã. Mas todos têm uma coisa em comum: sabem que podem retornar ao seu país – seu Israel – a qualquer momento.
Isabelle Müller (br)
Imagens
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DW-WORLD: A Alemanha e seus judeus hoje
Extraído de:
Deutsche Welle, em 06/05/2008.