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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado IV - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Jornada Interdisciplinar sobre o Ensino do Holocausto: A Borboleta de Terezin 1942 na USP

Roman Temple Uncovered In Ancient Jewish Capital Of Galilee

View of the monumental building on the north side of the decumanus with a pile of collapsed columns in the courtyard -- probably the result of an earthquake. (Credit: Gaby Laron)

ScienceDaily (Aug. 11, 2008) — Ruins of a Roman temple from the second century CE have recently been unearthed in the Zippori National Park. Above the temple are foundations of a church from the Byzantine period.

The excavations, which were undertaken by the Noam Shudofsky Zippori Expedition led by of Prof. Zeev Weiss of the Institute of Archaeology at the Hebrew University of Jerusalem, shed light on the multi-cultural society of ancient Zippori (also known as Sepphoris).


The discovery indicated that Zippori, the Jewish capital of the Galilee during the Roman period, had a significant pagan population which built a temple in the heart of the city center. The central location of the temple which is positioned within a walled courtyard and its architectural relation to the surrounding buildings enhance our knowledge regarding the planning of Zippori in the Roman era.


The building of the church on the foundation of the temple testifies to the preservation of the sacred section of the city over time. This new finding demonstrates not only the religious life, culture and society in Roman and Byzantine Zippori, but also that this was a city in which Jews, pagans and later Christians lived together and developed their hometown with various buildings.


The newly discovered temple is located south of the decumanus - colonnaded street - which ran from east to west and was the main thoroughfare in the city during the Roman through Byzantine period. The temple, measuring approximately 24 by 12 meters, was built with a decorated façade facing the street. The temple’s walls were plundered in ancient times and only its foundations remain.


No evidence has been found that reveals the nature of the temple’s rituals, but some coins dating from the time of Antoninus Pius, minted in Diocaesarea (Zippori), depict a temple to the Roman gods Zeus and Tyche. The temple ceased to function at an unknown date, and a large church, the remains of which were uncovered by the Hebrew University excavation team in previous seasons, was built over it in the Byzantine period.


North of the decumanus, opposite the temple, a monumental building was partially excavated this summer. Its role is still unclear, although its nature and size indicate that it was an important building. A courtyard with a well-preserved stone pavement of smooth rectangular slabs executed in high quality was uncovered in the center of the building, upon which were found a pile of collapsed columns and capitals - probably as a result of an earthquake. The decoration on these architectural elements was executed in stucco. Beyond a row of columns, an adjacent aisle and additional rooms were discovered. Two of them were decorated with colorful, geometrical mosaics.

Adapted from materials provided by Hebrew University of Jerusalem, via AlphaGalileo.

Veja mais:


Arqueologia: Descoberto na Galiléia templo romano do século II d.C.

Jornal Expresso - Jerusalém, 11 Agosto de 2008 (Lusa) - Arqueólogos descobriram em Zipori, na Baixa Galileia, um templo romano do século II d.C. que prova o carácter multicultural desta cidade.

Os restos do templo encontram-se sob as ruínas de uma igreja bizantina e, segundo os investigadores, demonstram que as comunidades judia, pagã e cristã conviviam em Zipori.

"É o único templo que encontrámos até agora em Zipori e foi uma surpresa porque, sendo esta uma cidade judia situada numa região judia, esperávamos encontrar sinagogas, mas ainda não encontrámos nenhuma dentro da cidade e sim este templo romano", explicou Zeev Weis, director da escavação e professor do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica.

Até agora, os arqueólogos tinham encontrado em Zipori alguns edifícios e casas romanas, mas a grande maioria pertencia à população judia, em maior número na cidade.

Este achado é surpreendente, segundo Weis, porque demonstra que a comunidade romana nesta cidade era muito forte.

"O templo e o seu pátio ocupam uma área muito grande no centro da cidade, é um espaço dominante", descreveu o investigador, que admitiu que a comunidade romana de Zipori pudesse ser maior do que se pensava até agora.

"Esperamos ter no futuro mais informação sobre o culto, encontrar alguma estátua ou algum vestígio que nos permitam averiguar que deuses veneravam aqui", acrescentou.

O templo recém-descoberto ocupava uma superfície de aproximadamente 24 metros por 12, tinha uma fachada decorada do lado da rua e encontrava-se ao sul do "decumanus", a rua com colunatas e principal via da cidade.

Nesta mesma expedição foram desenterradas, em anteriores escavações, moedas romanas da época de António Pio que mostram um templo aos deuses Júpiter e Fortuna (Zeus e Tiche na mitologia grega).

A cidade de Zipori situa-se num monte na Baixa Galileia, a metade do caminho entre o Mediterrâneo e o Mar da Galileia.

Fundada na era helenista, foi nomeada capital administrativa da Galileia pelo governador Gabínio, em meados do século I d.C., e, posteriormente, converteu-se no centro da vida religiosa judaica de Israel.

A cidade, um centro de estudo da Bíblia, foi destruída no ano 363 por um terramoto, mas, reconstruída pouco tempo depois, manteve-se durante séculos como centro social e espiritual da Galileia.

No período bizantino, a comunidade cristã de Zipori aumentou consideravelmente e no século VII d.C. a importância da cidade decaiu depois de ter sido conquistada pelos árabes.

Veja ainda:

Arqueólogos acham templo pagão romano sob igreja bizantina em Israel

Achado ocorreu em Zippori, capital judia da Galiléia durante o período romano. Local abrigava rituais de adoração a Zeus.

Da France Presse – Publicado no Portal G1, em 11/08/2008.

As ruínas de um templo pagão da época romana foram descobertas recentemente na Galiléia, indicou nesta segunda-feira (11) a universidade hebraica de Jerusalém, que supervisionou as buscas.

O templo foi descoberto no terreno de uma igreja bizantina muito importante cujos vestígios foram relembrados numa campanha anterior às escavações, no parque nacional de Zippori (norte), destacou a universidade em um comunicado.

"Esta descoberta mostra que em Zippori, capital judia da Galiléia durante o período romano, vivia uma população muito importante de pagãos", acrescentou o texto.

O templo em questão tem forma retangular, de 12m por 24m. A natureza dos rituais praticados neste lugar continua sendo uma incógnita, mas as peças encontradas na área evocam um lugar de culto dedicado a Zeus e a Tiche, divindade da prosperidade.

Esta campanha de escavações foi realizada sob a responsabilidade do professor Zeev Weiss, do Instituo da arqueologia da universidade hebraica.

Dia Kasher no MacDonald´s

domingo, 10 de agosto de 2008

Livraria Sifrei Kodesh - Artigos Judaicos

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Livro mostra busca de Isaac Newton por 'código da Bíblia' sobre o fim do mundo

Pai da física moderna realizou estudo detalhado do livro do profeta Daniel e do Apocalipse. Cientista relacionava profecias com história política e religiosa da Europa até sua época.

Reinaldo José Lopes
Do G1, em São Paulo, em 10/08/2008.

Um livro que acaba de chegar ao Brasil ajuda a revelar um lado surpreendente de Isaac Newton (1643-1727), pai da física moderna e responsável por formular a lei da gravidade, entre outras realizações científicas fundamentais. Nas horas vagas (ou, para ser mais exato, na maior parte do tempo durante sua maturidade), Newton se dedicava a um estudo detalhado, ponto por ponto, dos escritos atribuídos ao profeta Daniel e do Apocalipse, os dois livros bíblicos mais que mais versam sobre o fim do mundo. Para o cientista britânico, as duas obras eram guias precisos para a história do mundo até sua época e continham a chave para desvendar o que aconteceria no final dos tempos.

Os estudos apocalípticos de Newton estão na obra "As profecias do Apocalipse e o livro de Daniel" (Editora Pensamento), traduzida integralmente para o português pela primeira vez. As análises newtonianas coincidem apenas em parte com o que os modernos estudiosos da Bíblia consideram ser a interpretação mais provável das Escrituras. Mas não devem ser lidas como sinal de que o cientista tinha um lado "retrógrado" ou "obscurantista", alertam especialistas. Pelo contrário: é bastante possível que a fé religiosa de Newton, e seu interesse por assuntos esotéricos, tenham facilitado suas descobertas.

"A gente tem de inverter a relação. Não é apesar de suas crenças religiosas e místicas que o Newton consegue dar o pulo do gato nos trabalhos sobre a gravidade; é justamente devido a elas", afirma José Luiz Goldfarb, historiador da ciência e professor de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Os próprios estudos bíblicos de Newton já denotam uma sensibilidade mais crítica e moderna, uma tentativa de estudar as profecias de forma quase matemática, usando cronologias detalhadas."

Pistas históricas
"A gente costuma deixar ciência e religião bem separadas, mas o fato é que os manuscritos de Newton, que chegam a 4.000 páginas, abordam principalmente esses estudos místicos e esotéricos", conta Mauro Condé, professor de história e filosofia da ciência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Com a morte dele, a Universidade de Cambridge e a Royal Society [principal sociedade científica do Reino Unido, da qual ele fazia parte], que tinham um modelo para o que deveria ser o trabalho científico, privilegiaram parte da obra dele e deixaram o resto vir a público de forma meio aleatória", diz o pesquisador.

O livro em questão, publicado após a morte de Newton com base em suas anotações, é basicamente uma tentativa de desvendar o significado histórico das principais profecias do livro de Daniel (no Antigo Testamento) e do Apocalipse (livro do Novo Testamento que encerra a Bíblia cristã). Ambas as obras são caracterizadas pela riqueza de imagens simbólicas -- animais, estátuas, chifres, trombetas -- que funcionam como uma espécie de linguagem cifrada que o profeta propõe à sua audiência, e que às vezes é desvendada logo após a descrição das visões.

Newton, para quem Daniel "é um dos profetas mais claros para se interpretar", traça uma série de correspondências entre as imagens proféticas e eventos reais -- no seu esquema, por exemplo, menções a "dias" sempre se referem, na verdade, a anos, animais ferozes e poderosos correspondem a reis ou nobres, e assim por diante. Usando essa chave simbólica, o cientista se propõe a relacionar todas as grandes ocorrências da história mundial, do exílio judaico na Babilônia (a partir de 586 a.C.) à sua época, com as visões de Daniel e, em menor grau, com as de João, o autor do Apocalipse.

Romanos, bárbaros e papas
As duas principais visões do livro de Daniel se referem a uma estátua feita de vários tipos de metal precioso e não-precioso, e a uma sucessão de animais ferozes de aspecto sobrenatural. A interpretação tradicional (inclusive no interior do livro bíblico) é associar cada um dos metais e das feras a reinos que se sucederiam até o fim dos tempos, quando Deus salvaria seu povo e instauraria seu domínio sobre o mundo.

No caso da estátua, temos os metais ouro, prata, bronze, ferro e argila misturada com ferro; para Newton, a correspondência é com os impérios da Babilônia, da Pérsia, dos gregos de Alexandre Magno e de Roma; "ferro e argila" misturados significariam as nações européias oriundas do território fragmentado de Roma, fundadas a partir de reinos bárbaros. Um esquema semelhante é aplicado aos animais ferozes; Newton aproveita o fato de que um deles tem dez chifres para associá-lo aos dez reinos bárbaros europeus fundados após a queda de Roma.

Após esses dez chifres, surge mais um, "menor, e três dos primeiros foram arrancados para dar-lhe lugar. Este chifre tinha olhos idênticos aos olhos humanos e uma boca que proferia palavras arrogantes", diz o profeta. Newton afirma que esse chifre arrogante é a Igreja Católica, que havia se tornado um império ao adquirir vastas extensões de terra na Itália durante a Idade Média. O cientista traça a interpretação porque o livro de Daniel diz que o novo chifre "perseguia os santos".

Fortemente anticatólico, Newton associava a Igreja à promoção de práticas vistas por ele como demoníacas, como a adoração dos santos, bem como à perseguição dos verdadeiros cristãos. Para ele, a Igreja Católica também pode ser identificada com a Besta do Apocalipse, representada pelo número 666. Em seus cálculos, Newton dá a entender que o fim do mundo viria após a reconstrução do templo de Jerusalém, em torno do ano 2400 -- mas se abstém de apontar um ano específico.

Valeu a tentativa
Apesar do esforço interpretativo de Newton, poucos estudiosos atuais do texto bíblico vão concordar com sua análise. Para começar, enquanto o físico considerava que o livro de Daniel tinha sido escrito no século 6 a.C. pelo profeta do mesmo nome, o consenso moderno é que a obra é tardia, de meados do século 2 a.C. -- relatando, portanto, muitas coisas que já eram passado no tempo do profeta antes de se dedicar à profecia propriamente dita.

Assim, Roma e a época cristã nem seriam mencionadas em Daniel: o profeta estaria falando apenas dos reinos sucessores de Alexandre Magno que lutavam pelo controle da terra de Israel naquela época. "Seriam, portanto, profecias depois do fato", escreve Lawrence M. Wills, professor de estudos bíblicos da Episcopal Divinity School (Estados Unidos). De acordo com Wills, o chifre perseguidor dos "santos" representa, mais provavelmente, o rei sírio Antíoco Epífanes (morto em 164 a.C.), e não tem relação alguma com a Igreja Católica.

Tudo isso pode soar um bocado estranho para os que estão acostumados à separação moderna entre ciência e religião, mas José Luiz Goldfarb vê indícios dos interesses bíblicos de Newton na própria formulação da lei da gravidade. "No hebraico bíblico existe a palavra makom, que significa 'lugar'. Mas, com a evolução do pensamento rabiníco, ela passa a designar a própria divindade. O Newton cita essa palavra em seus escritos, e parece ter usado o conceito para explicar como a gravidade atuava à distância -- como a gravidade do Sol pode atrair a Terra, por exemplo. É como se entre o Sol e a Terra houvesse um makom, que é Deus, o qual está em todos os lugares", diz o pesquisador.

Goldfarb ressalta que Newton é só mais um exemplo de patrono da ciência que tinha suas idéias "fertilizadas" pelo pensamento místico de sua época. "Os dois campos se falavam e se influenciavam muito", diz. A crença monoteísta (num Deus único), se vista como um todo, também pode ter sido uma influência positiva nos primórdios da ciência e da filosofia, de acordo com Mauro Condé.

"O monoteísmo nos parece simples, mas já exige uma forma de pensamento mais sofisticada e abstrata", diz ele. "E a busca por essências da natureza, por leis ordenadas, é uma coisa que Newton compartilha com filósofos como Platão. Isso foi incorporado na teologia cristã desde o começo", afirma Condé.