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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado IV - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 23 de novembro de 2008

Anne Frank, o musical

Celebrando a passagem do 80º aniversário de Anne Frank, a Wizo-Rio vai promover a avant premiere da peça "Anne, o musical", no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), já encenado em diversas cidades dos EUA e Europa. Baseado na peça "Anne Frank - O diário de uma jovem", cujo livro já foi traduzido em 67 idiomas e é uma das obras mais vendidas da literatura contemporânea, a versão brasileira tem roteiro de Enid Futterman e músicas de Michael Cohen. A tradução foi feita por Karina Halfen e Amir Geiger.


A montagem carioca será apresentada pelo grupo de teatro amador "Amigos de Anne" em conjunto com os atores como Nety Szpilman e a soprano Tânia Apelbaum. A direção é de Isaac Bernat. A direção de movimento é de Márcia Rubin, os cenários de Joana Passie e o figurino de Franci Cytryn. A direção musical está a cargo de Mauro Perelman.


O espetáculo mostra a tragédia real de duas famílias judias escondidas e confinadas por dois anos em um porão durante a ocupação nazista na Holanda. A protagonista, uma jovem de 13 anos (Amanda Halfen e Diana Vaisman se revezam no papel), tem a sua vida e liberdade roubadas pelos acontecimentos e intolerância de sua época mas, mesmo assim, não perde a fé na humanidade.



sábado, 22 de novembro de 2008

Evidências genéticas negam existência de "raças humanas"


Evidências genéticas negam existência de "raças humanas"; ouça especialista

da Folha Online, e, 18/11/2008.


O conceito de raça, um produto da imaginação cultural, precisa desaparecer da sociedade. Não há nenhuma razão em mantê-lo, principalmente por ter sido usado no passado como motivação para exploração do homem pelo homem, tanto no tráfico de escravos quanto no Holocausto nazista, no qual 6 milhões de judeus e ciganos foram dizimados na Europa.


As informações são doutor em genética humana Sérgio D. J. Pena, professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Ele também é autor do livro "Humanidade Sem Raças?", da Publifolha.


Ouça outros podcasts da série "Livros".


Segundo Pena, existem várias linhas de evidências que demonstram que não existem raças humanas. "A primeira é que a espécie humana é jovem --só tem 200 mil anos-- e tem padrões migratórios amplos demais para permitir que houvesse a separação em raças diferentes", analisa.


O professor diz que, talvez, o indício genético mais forte contra a existência de raças é a demonstração de que mais de 90% da diversidade humana está dentro das populações, e não entre elas.


"Por exemplo, se houvesse um cataclisma nuclear e toda humanidade desaparecesse e ficasse apenas a América do Sul, nós teríamos aqui 93% da variabilidade genômica de todo o mundo. Se desse cataclisma ficasse apenas uma cidade, como Belo Horizonte, nós teríamos pelo menos 90% da variabilidade genômica humana", explica.


De acordo com o pesquisador, um brasileiro de pele branca é tão diferente de qualquer brasileiro como de um indivíduo nascido em Nairóbi, na África, ou de outro que vive em Beijing, na China.


O doutor acredita que o feriado do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, é uma data em que se deve refletir sobre o quanto de mal a noção de raça já criou anteriormente ao ser usada como justificativa para atos inumanos.


"Cada um de nós tem um genoma único. Por que não valorizar essa individualidade que vem da nossa história de vida e, ao invés de dividir em um punhado de raças, dividir a humanidade em 6 bilhões de pessoas?", questiona o professor.


"Humanidade Sem Raças?"

Autor: Sérgio D. J. Pena

Editora: Publifolha

Páginas: 72

Quanto: R$ 12,90

Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou no site da Publifolha


Vidas entrelaçadas

O Globo, Caderno Prosa e Verso, página 6, em 22/11/2008.


Vidas entrelaçadas

Em romance com toques autobiográficos, Élie Wiesel explora meandros da loucura


Josy Fischberg


Nobel da Paz, ex-prisioneiro nos campos de Auschwitz e Buchenwald durante o Holocausto, o escritor Élie Wiesel parece ter feito, em seu novo romance, um paralelo com sua vida. Assim como Wiesel, o protagonista de “Uma vontade louca de dançar” (Bertrand Brasil) é um judeu que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, saiu da Europa e se naturalizou norte-americano. Doriel é um homem que sofre por estar enlouquecendo, e também nisso existe uma correspondência entre a história e a biografia de Wiesel, nascido na Romênia.


— Quando ainda era estudante, trabalhei em um hospital para doentes mentais por muitos meses. Nunca deixei de me interessar pelo assunto — disse ele ao GLOBO, em entrevista por telefone de Nova York, onde mora. Wiesel afirma ter fascinação pela loucura. — É isso o que há de autobiográfico em meu livro — afirma. Não por acaso, a história de “Uma vontade louca de dançar” é contada através das sessões de psicanálise de Doriel, com uma narrativa dividida: ora é o paciente quem narra sua história, ora é a psicanalista quem dá a sua versão. Um jogo que, em certo momento, faz com que o leitor se confunda e não saiba mais quem é o louco de verdade.


Alma errante em busca de um ser frágil

O início do romance aparenta uma estrutura confusa. O próprio protagonista se encarrega de explicar: “não há qualquer preocupação com cronologia, uma vez que o tempo do louco nem sempre é o do homem dito normal”. Doriel é um homem de aproximadamente 60 anos, sem emprego fixo, celibatário, que tem um profundo conhecimento do judaísmo, militante de várias associações de ajuda a desfavorecidos, angustiado. Ao dar mais informações sobre si, ele diz, para espanto do leitor, que sua loucura não é clínica, mas sim mística.


— A loucura, para mim, tem seu próprio sistema, seu próprio mundo. E está sempre do outro lado da realidade, ou da interpretação. E ela pode, além de clínica, ser mística, claro — explica Wiesel. O bom psicanalista, aliás, na opinião de Wiesel, cura não só a mente, mas também a alma: — O personagem acredita nisso e eu também. A loucura, no caso de Doriel, é chamada de mística porque ele pensa estar possuído por um “dibuk”, uma alma errante que busca um ser frágil onde consiga entrar. Autor e personagem passaram pela Segunda Guerra Mundial, saíram da Europa e viraram cidadãos norte-americanos. No entanto, a história de Wiesel, que completou 80 anos em 2008, é diferente. Ele tinha apenas 15 quando foi deportado de sua cidade natal, na Romênia, para Auschwitz, onde sua mãe e sua irmã mais nova morreram. Perdeu seu pai em Buchenwald, o segundo campo de concentração para onde foi levado e de onde saiu aos 16 anos.


Depois da guerra, já na França, trabalhando como jornalista, nos anos 50, escreveu seu primeiro livro de memórias, “A noite” (Ediouro), relatando os horrores que presenciou nos campos de concentração. É chamado até hoje por alguns de “falsa testemunha”. Loucos parecem não faltar em seu caminho: no ano passado foi atacado num hotel em São Francisco, nos Estados Unidos, por um rapaz de 22 anos que exigia dele a declaração de que o Holocausto não passava de uma mentira.


— Fiquei em choque quando me vi naquela situação. Não entendia o que ele queria comigo, se queria me seqüestrar. Um rapaz que destruiu seu futuro por um ideal estúpido. Eu não me disponho a debater com essas pessoas que me chamam de “falsa testemunha”. Falta dignidade a essa gente — afirma Wiesel, que diz não ter medo de morrer. — Meu medo seria ficar doente, inválido.


Dificuldade para dormir ainda existe

Embora comece confusa, a narração de Doriel vai ficando mais clara ao longo do romance, à medida que suas sessões de psicanálise avançam. Ao mesmo tempo, as anotações de sua psicanalista, Thérése Goldschmidt, também judia, que no início da história são extremamente ordenadas, vão tomando o caminho contrário, tornando-se cada vez mais desconexas. “Se continuasse assim, acabaria acreditando na existência do ‘dibuk’: Doriel não teria se tornado o meu?”, indaga ela, em certo momento.


Wiesel, bem mais lúcido que seus personagens, é um homem que costuma acordar todos os dias por volta das 6h e tem como metas, para os próximos anos, “escrever mais e ter mais alunos” — ele é professor da Universidade de Boston.


A dificuldade para dormir, sobre a qual fala em “A noite”, conseqüência de sua experiência nos campos de concentração, e que parece ser mais uma de suas semelhanças com Doriel, ainda existe: — Ela persiste. Os pesadelos, ocasionalmente, também.


Obras no Brasil

HOMENS SÁBIOS E SUAS HISTÓRIAS (Companhia das Letras): As histórias de Sansão e do rabino Yehoshua ben Levi estão entra as reinterpretadas por Wiesel neste livro.


ALMAS EM FOGO (Perspectiva): Apanhado de contos dos mestres do hassidismo.


O GOLEM (Imago): O ser artificial mítico, associado à tradição mística do judaísmo, tem sua lenda recontada.


MEMÓRIA A DUAS VOZES (L&PM editores): Um longo depoimento de François Mitterrand ao escritor.

A NOITE (Ediouro) Após a agonia que viveu como prisioneiro de Hitler, o escritor narra sua experiência nos campos de concentração nazistas.


REI SALOMÃO E O SEU ANEL MAGICO (CosacNaify): Livro infantil com as histórias do Rei Salomão.

O TEMPO DOS DESENRAIZADOS


Documentários lembram vítimas do regime nazista

Dois filmes sobre o passado alemão durante o nazismo chegam aos cinemas. Enquanto um deles lembra a trajetória de uma sobrevivente do Holocausto, o outro retrata o projeto de um artista sobre a memória do período. >>> Leia mais em Deutsche Welle, em 21/11/2008.


Mais artigos sobre o tema em Deutsche Welle:

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Em defesa da herança de Auschwitz: releitura da história do holocausto por meio da escritura autobiográfica das vítimas.

Em defesa da herança de Auschwitz: releitura da história do holocausto por meio da escritura autobiográfica das vítimas.

Vera Silveira Regert

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras – Mestrado, Área de Concentração em Leitura e Cognição, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC.

Data da defesa: Santa Cruz do Sul, março de 2007.

Resumo: O Holocausto é tema relevante de estudos em diversas universidades da Europa e dos Estados Unidos, tema de inúmeras pesquisas e teses de doutoramento; é foco central de incontáveis publicações. Comparando com as instituições européias, no Brasil pouco se privilegiam esses estudos, porque considerados de insignificante proximidade para os brasileiros, tanto no tempo quanto na relação de espaço. Esta dissertação procura aproximar e ampliar o conhecimento do Holocausto, resgatando a reflexão que ele suscitou e continua provocando entre os mais diversos teóricos do conhecimento humano: retrata a visão de historiadores, sociólogos, psicanalistas, cientistas políticos sobre o assunto, demonstrando quão presentes estão o fato histórico e seus desdobramentos também no Brasil e no mundo. Além do acontecimento histórico, aborda-se as falas das vítimas do Holocausto, comparando-lhes as narrativas, intentando compreender o que significou a vivência da experiência e o resgate das memórias na escritura. Procurou-se refletir sobre as perdas e ganhos legados à humanidade pelo Holocausto, alertando para a necessidade de repensar os fatos no século XXI, considerando-se a materialização, cada vez mais evidente, das manifestações revisionistas e negacionistas no mundo e, inegavelmente, no Brasil, particularmente no Sul e Sudeste.

Palavras-chave: Holocausto. Literatura de Trauma e Testemunho. Narrativa das vítimas. A herança de Auschwitz. Revisionismo. Negacionismo.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1. O HOLOCAUSTO: PORÕES E SÓTÃOS

1.1 Como o Holocausto tece redes com a Modernidade: a genealogia da violência

Nazista

1.2 O sentimento anti-semita de cunho eliminacionista

1.3 O espetáculo da banalidade do mal

2. SER SOBRE-VIVENTE: É ISTO UM HOMEM?

2.1 Pensem se isto é um homem: trauma e identidade

2 2 Paisagens da vida na memória de papel

2.3 Ver a si mesmo no espelho da narração 3 A PALAVRA ÀS VÍTIMAS

3. A PALAVRA ÀS VÍTIMAS

3.1 O registro impossível do “invivível”

3.2 A noite ou o regresso sem fim

3.3 Pontos de contato e distanciamentos nas escrituras de homens e mulheres vítimas do Holocausto

3.4 Perdas e ganhos: o que resta de Auschwitz?

4. HOLOCAUSTO: MAIS DO QUE UM QUADRO NA PAREDE

4.1 A educação depois de Auschwitz

4.2 A herança de Auschwitz

CONCLUSÕES

REFERÊNCIAS

ANEXOS

Anexo 1 – Leis de Nüremberg

Anexo 2 – Cronologia do Holocausto

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

First Symposium on Judeo Latin American Literature and Culture

The University of Nebraska, Lincoln

Harris Center for Judaic Studies

Department of Modern Languages and Literatures announce First Call for Papers


April 19-20, 2009

“Returning to Babel: Jewish Latin American Experiences and Representations”


The Harris Center for Judaic studies and the Department of Modern Languages at the University of Nebraska in Lincoln invite researchers from different academic disciplines to participate in the First Symposium on Judeo Latin American Literature and Culture to be held in Lincoln, Nebraska on April 19-20 of 2009.


In the era of multidirectional universalism, hybridism and transnational linguistic and socio-cultural migrations, the question of Jewish presence in the history, cultures and societies of Latin America, with and without a hyphenated identity, and the concern with the exclusiveness and marginality of the Jewish communities of Latin America, should be reevaluated. Are notions such as otherness and exclusion still relevant with regard to discussing Latin-American Jews and/or Jewish Latin-Americans? Are there new representations of “Jewishness” within the Latin American context? And how do they pertain to other realities outside the Latin American and/or Jewish hemispheres? Which representations have acquired or require themes such as the Holocaust, identity and collective memory? This symposium proposes to reexamine some of the prevalent paradigms in the area of Latin American Jewish studies from an interdisciplinary standpoint, comprising literature, culture, history, cinematography and visual arts. We seek to explore the wider range of theoretical and disciplinary perspectives concerning Latin American Jewish experiences in its various fields, thereby offfering a framework to discuss new and old trends, and to elaborate on these concerns.


We invite colleagues and independent researchers to send us a title and 150-word abstract in English or Spanish, by November 30, to the following email address:

Judaicsymposium@unl.edu


Proposals should include the following information: name, academic affiliation, and contact details of participant. The final program will be published by February 2009.


We look forward to your valuable contribution and hope to see you in Lincoln in April. With best wishes for the new Jewish year,


Shana tova,


Dr. Jean Cahan

Harris Center for Judaic Studies


Dr. Amalia Ran

Department of Modern Languages