IHU (06/10/2011): Judeu sem religião: Yoram Kaniuk publicou mais de 20 livros em sua premiada carreira, mas nunca ocupou tantas manchetes. O motivo foi a ação para apagar o judaísmo de sua carteira de identidade e ser registrado como "sem religião". Ele espera que a inédita vitória judicial seja um passo para acabar com o monopólio religioso em Israel. A depoimento foi dado a Marcelo Ninio e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 06-10-2011. Eis o depoimento. >>> Leia mais, clique aqui. Leia também: Vitória de escritor é vista como um passo histórico
Perfil
- Cláudia Andréa Prata Ferreira
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado IV - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Conflitos identitários do árabe israelense: Aravim Rokdim de Sayed Kashua
Conflitos identitários do árabe israelense: Aravim Rokdim de Sayed Kashua
- Juliana Portenoy Schlesinger
- Tese de doutorado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica (USP).
- Data de defesa: 30/03/2011.
Resumo: Este trabalho consiste na análise do romance Aravim Rokdim (Árabes Dançantes), do escritor árabe israelense muçulmano Sayed Kashua, e tem como foco central a questão identitária que envolve o árabe israelense conforme visto nessa obra. Publicado em 2002, o romance conta em hebraico, idioma que tem como leitor majoritário o judeu, a história de uma família de árabes israelenses. Este estudo é desenvolvido com base nas teorias provindas dos Estudos Culturais e Pós- Colonialistas, segundo as quais no ser humano coexistem múltiplas e antagônicas identidades. Esse fato é exponencialmente visto nesse árabe cidadão israelense apresentado no romance de Kashua, que convive com sentimentos de culpa devido à sua dupla-lealdade e conflitantes fidelidades: por um lado, ele aceita sua cidadania israelense; por outro, além de ser membro de um povo cujas muitas nações se opõem à existência do Estado de Israel, ele possui parentes nos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967) que não tiveram direito àquela cidadania. Esses sentimentos complexos e ambivalentes são intensificados devido ao contexto sociopolítico do romance: a Segunda Intifada (2000-2006). Nesse período da moderna história de Israel, a desconfiança do judeu e do Estado de Israel em relação à fidelidade do cidadão árabe israelense para com seu Estado foi exacerbada. Surge dessa combinação um romance político inusitado, que se utiliza do humor e da autoironia para contar ao seu leitor a história do árabe israelense que vive preso entre duas sociedades, que se sente um estrangeiro em seu próprio meio e, mesmo assim, não desiste de buscar um novo lugar identitário para si próprio.
Veja mais:
- Revista Vértices No 9 (2010): A Escrita de Sayed Kashua (Juliana Portenoy Schlesinger): O idioma tem um papel central em apontar em que contexto social, político e/ou econômico uma pessoa situa-se e quais as conseqüências que o uso desta língua causa naqueles que a ouvem ou a lêem. A língua hebraica, tratada particularmente neste trabalho de doutorado, adquire relevância significativa dentro do contexto do estabelecimento do Estado de Israel e do atual conflito israelense-palestino. Sayed Kashua é um jovem jornalista e escritor que nasceu na cidade árabe de Tira, em Israel, e que escreve sua obra em hebraico. Ele tem dois romances publicados e escreve semanalmente crônicas jornalísticas no jornal israelense Haaretz. Daqueles que são de origem islâmica, como é o caso de Kashua, é esperado que falem e escrevam primeiramente na língua árabe, levando-se em conta que o sistema educacional israelense é organizado por língua de instrução, isto é, judeus são lecionados nas diversas disciplinas do ensino fundamental na língua hebraica enquanto que aqueles de origem árabe são direcionados, durante este período, ao ensino na língua árabe. Contudo, Kashua é uma exceção por ter estudado numa escola destinada a alunos especiais, sem distinção entre etnias ou religião, cujo ensino é feito em hebraico. >>> Leia mais, clique aqui. >>> Baixar este arquivo PDF
sábado, 1 de outubro de 2011
Mêndele e o pequeno homenzinho
Mêndele e o pequeno homenzinho
- Genha Migdal
- Tese de doutorado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica (USP).
- Data de defesa: 02/03/2011.
Resumo: A presente tese aborda o primeiro livro escrito em ídiche por Mêndele Môikher1 Sfórim, Dos Kleine Mêntshele (O Pequeno Homenzinho) através de várias leituras do mesmo, em mais de uma versão, às quais sucedeu-se uma traduçãocuidadosa para o português. Faz considerações e referências sobre vida e obra do autor, cognominado jocosamente, por Shólem Aleikhem, de o avô da moderna literatura ídiche. Ele foi também um dos precursores do ressurgimento da língua hebraica. Shólem Yákov Abramovitsh, seu verdadeiro nome, foi um dos importantes intelectuais conscientes do momento histórico e do processo linguístico de seu povo, no final do século XIX, no leste europeu, ao qual propunha auto respeito, profissionalização e não renegação do judaísmo. A escolha de seu pseudônimo, Mêndele, o vendedor de livros, serve de pretexto para a sua participação como personagem das histórias, dada a importância e atuação de tal profissional na sociedade retratada. O texto ídiche é permeado de frases e citações em hebraico que foram trazidas para o português no mesmo padrão de linguagem do texto original.
Exílio entre o Shtetl e o crepúsculo: Joseph Roth e o judaísmo no fin-de-siècle austríaco
Exílio entre o Shtetl e o crepúsculo: Joseph Roth e o judaísmo no fin-de-siècle austríaco
- Luis Sergio Krausz
- Tese de doutorado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica (USP)
- Data da defesa: 06/03/2007.
Resumo: Este tese aborda a obra do escritor judeu austríaco Joseph Roth, buscando entender a crítica que ele faz à modernidade como resultante de um ponto de vista singular, determinado pelo encontro entre dois mundos: o mundo do tradicionalismo judaico no Leste europeu e o mundo da monarquia habsburga, em seus anos finais. Pretende-se demonstrar que é tomando como referência os parâmetros destes dois universos que Roth dirige um olhar cético para a modernidade e para o mundo pós-1ª. Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, pretende-se demonstrar como o conceito de exílio está inextricavelmente ligado a uma obra crítica com relação a seu tempo, embasada na memória de dois mundos em extinção. Trata-se, porém, de um exílio que se configura mais como a expulsão de um tempo do que como uma simples expulsão geográfica - o que o torna, de certa maneira, mais trágico. O exílio é também uma das categorias centrais da reflexão mística e filosófica judaica, e neste sentido busco apontar para as coincidências entre o tema do exílio em Roth e nas doutrinas desta tradição. Ao conceito de exílio corresponde, como seu duplo e seu oposto, o conceito de Heimat (terra-mãe), que em Roth se torna uma categoria abstrata, pertencente ao universo da metafísica e da memória, e ,como tal, objeto de culto e paradigma, à luz dos quais ele interpreta a realidade do universo europeu entre-guerras. Diante do que foi discutido sobre os temas acima, conclui-se que esta Heimat imaginária afigura-se como uma das suas obsessões literárias, em torno da qual ele construirá uma obra que é, sobretudo, a tentativa de restauração de uma paisagem humana desaparecida e um retrato profundamente nostálgico da memória de uma civilização, ancorada na Idade Média, e sepultada pelo tempo e pelas guerras.
O holocausto na obra de Imre Kertész: uma linguagem violentada
O holocausto na obra de Imre Kertész: uma linguagem violentada
- Flávia Coimbra Ferraz
- Dissertação de mestrado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica (USP)
- Data da defesa: 17/02/2011.
Resumo: Esta dissertação propõe uma interpretação da trilogia do escritor húngaro, judeu e sobrevivente dos campos de concentração e extermínio nazistas, Imre Kertész, composta por Sem destino, O fiasco e Kadish Por uma criança não nascida. A trilogia traça um movimento que vai da afirmação à negação da linguagem literária, deixando transparecer a impossibilidade de transmissão da experiência do horror do Holocausto. A trilogia de Kertész desenvolve-se no entrelaçamento dos discursos da literatura, da memória e da história e constitui um conjunto de obras que busca insistentemente um meio de expressão do horror e da opressão absoluta. Mas a resistência da linguagem frente à experiência, faz com que a primeira se volte contra si mesma e tenda à aniquilação, ao desnudar sua condição impossível. Ao analisar as obras em conjunto, este trabalho procura mostrar que a trilogia de Kertész é propositiva, uma vez que ela busca uma linguagem própria que visa não apenas representar o horror, mas também trazê-lo para dentro da narrativa e repensar, a partir da linguagem, a permanência ou não do pensamento que produziu a barbárie.