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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 24 de julho de 2011

Descoberta de submarino alemão da Segunda Guerra afundado na costa de Santa Catarina inicia pesquisas sobre militares e embarcações do Reich no Brasil

O Globo online (23/07/2011): Descoberta de submarino alemão da Segunda Guerra afundado na costa de Santa Catarina inicia pesquisas sobre militares e embarcações do Reich no Brasil: À frente do submarino alemão U513, submerso no litoral catarinense durante a Segunda Guerra Mundial e encontrado na semana passada, estava uma personalidade peculiar. Uma pesquisa conduzida pelo velejador Vilfredo Schürmann, que liderou as buscas pela embarcação e fará um documentário sobre ela, trouxe novas revelações a respeito de Karl Friedrich Guggenberger. Após conversar com o piloto de um dos hidroaviões que bombardeou o submarino e de analisar registros sobre a operação, executada pelos EUA, Schürmann prepara-se para continuar o levantamento na Alemanha, onde quer entrevistar os filhos do militar nazista. O capitão-de-corveta Guggenberger é um exemplo de como muitos nazistas proeminentes escaparam relativamente impunes ao fim do regime. Foi preso, mas, anos depois, reingressou na Marinha alemã, já totalmente reformulada, e até ocupou um alto cargo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Na guerra, Guggenberger deu trabalho para os Aliados. Condecorado com a Cruz de Ferro, a maior honraria do Reich, o militar afundou 17 navios, levando 70 mil toneladas de carga para o mar. E tripudiou os americanos, facilitando a fuga de prisioneiros dos EUA para o México. >>> Leia mais, clique aqui.

sábado, 31 de maio de 2008

Nazismo tropical? O partido Nazista no Brasil (Ana Maria Dietrich)

Nazismo tropical? O partido Nazista no Brasil

Autora: Ana Maria Dietrich

Mestrado em História Social - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)/USP

Data da Defesa: 20/03/2007

Resumo: O partido nazista no Brasil (1928-1938) estava inserido em uma rede de filiais deste partido instaladas em 83 países do mundo e comandadas pela Organização do Partido Nazista no Exterior, cuja sede era em Berlim. O grupo instalado no Brasil teve a maior célula fora da Alemanha com 2900 integrantes sendo estruturado de acordo com regras e diretrizes do modelo organizacional do III Reich. A realidade brasileira interveio nesse processo causando o que chamamos de tropicalização do nazismo. A história do desenvolvimento da ação do partido no Brasil será analisada nos 17 estados brasileiros onde estava presente, tendo como contexto histórico a complexidade das relações Brasil e Alemanha durante o período da Era Vargas, a relação com o integralismo e eventuais conflitos raciais com a população brasileira e com judeus imigrados. Ênfase será dada ao papel do chefe do partido nazista no Brasil, Hans Henning von Cossel, considerado como Führer tupiniquim, tendo como fonte entrevistas com seus familiares. Contém extenso material iconográfico de documentos de época.


Leia mais:

Nazistas do Leblon: Espiões de Hitler subornavam funcionários do porto para obter rotas de navios


Leonardo Valente
O Globo, Ciência, página 42 (versão impressa – página inteira e com fotos), em 31/05/2008.

Quinze de março de 1942. Um grupo de policiais paulistas, numa missão altamente sigilosa, chega ao Rio de Janeiro e segue direto para uma casa no Leblon, na Rua Campos de Carvalho (atual General San Martin). Lá, após meses de investigação, descobriu-se que funcionava uma das mais importantes células de espionagem nazista no Brasil e que, por meio de rádios transmissores, eram enviadas informações periódicas para Berlim. Os policiais rapidamente invadiram o lugar e renderam todos, entre eles o engenheiro alemão Niels Christensen, espião experiente e líder do grupo. Mas, ao examinarem os papéis que encontraram no local, as autoridades entraram em pânico: coordenadas de viagem do navio Queen Mary, orgulho da frota britânica que deixara o porto do Rio, tinham acabado de ser transmitidas para o Reich.

O navio, que tinha oito mil soldados canadenses a bordo, seria alvejado em breve por submarinos alemães.

A história, digna de um roteiro de filme de espionagem, é apenas uma das muitas e pouco conhecidas passagens dos nazistas pelo Rio de Janeiro durante a Segunda Guerra Mundial. Boa parte delas está contada no livro “Crônica de uma guerra secreta”, de Sergio Corrêa da Costa (Ed. Record), mas outras obras que acabam de ser lançadas também dão informações sobre as atividades alemãs no Brasil do Estado Novo.

Então capital do país, o Rio atraiu a atenção da Alemanha de Adolf Hitler, especialmente depois de janeiro de 1942, quando o então presidente Getúlio Vargas rompeu relações diplomáticas com as potências do Eixo.

— Sabemos que a atividade de espionagem alemã no Brasil era grande. É fato que algumas representações oficiais do Reich no Rio, por exemplo, enviavam mensagens criptografadas para Berlim, e muitas delas jamais foram decifradas — afirma a pesquisadora Ana Maria Dietrich, doutora em História pela Universidade de São Paulo, professora da Universidade Federal de Viçosa e autora do livro “Caça às suásticas — O partido nazista em São Paulo sob a mira da polícia política”, que acaba de ser lançado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Queen Mary mudou de rota para evitar ataque
Os policiais paulistas foram os responsáveis pela prisão dos espiões nazistas no Rio por serem eles os responsáveis por uma minuciosa investigação, a partir da capital paulista, sobre as atividades de espiões do Reich no Brasil.

Aqui, descobriram que a equipe de Christensen recebia suporte de autoridades alemãs e que conseguiam, entre muitas outras informações, dados sobre todos os navios que chegavam e saíam do Porto do Rio de Janeiro. As informações eram obtidas por meio de um esquema de suborno de funcionários do porto, que forneciam as coordenadas de viagens das embarcações. As autoridades não conseguiram saber, no entanto, quantos navios teriam sido abordados ou atingidos no Atlântico Sul a partir de informações que chegaram a Berlim a partir do Brasil.

Christensen e os demais espiões foram levados para a Casa de Detenção em São Paulo. Durante os interrogatórios, entregaram outros endereços de espionagem no Rio de Janeiro, um deles no bairro de Santa Teresa, e disseram que entre o material apreendido no Leblon havia a chave de um cofre da agência do Banco Mercantil do Centro do Rio. Para evitar que agentes da Gestapo (a polícia secreta de Hitler) chegassem antes, policiais paulistas voltaram ao Rio, sem conhecimento da polícia carioca, e abriram o cofre. Nele, encontraram códigos de comunicações alemães e registros de mensagens enviadas do Brasil para Berlim, além de nomes de outros agentes no Brasil. Estava desfeita a rede do Reich no país.

— Depois de São Paulo e de Santa Catarina, o Rio era o lugar que mais concentrava simpatizantes do nazismo. E o fato de ter na época as principais representações diplomáticas no país despertava as atenções dos alemães — disse Ana Maria Dietrich.

Para salvar o Queen Mary, a polícia paulista avisou as autoridades do Rio sobre a ameaça, e estas entraram em contato logo em seguida com a Embaixada do Reino Unido. O navio estava próximo de Buenos Aires, na Argentina, quando seu comandante foi avisado para mudar imediatamente a rota de viagem. O orgulho da frota britânica dois dias depois foi dado como desaparecido por autoridades argentinas e a rádio Berlim chegou a comunicar seu afundamento. O navio, no entanto, conseguiu chegar a salvo na Austrália.

Partido Nazista atuou por dez anos no Brasil
A perseguição aos nazistas no Rio em 1942 não refletia a posição do governo brasileiro poucos anos antes. O Partido Nazista, por exemplo, atuou livremente no Brasil entre 1928 e 1938, quando foi proibido pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, que era simpatizante das potências do Eixo mas acabou se juntando aos Aliados. Durante dez anos, os nazistas organizaram festejos — muitos deles freqüentados por membros do governo Vargas —, mantiveram um jornal e abrigaram movimentos de mulheres, professores, além da juventude nazista.

Segundo o livro “Caça às suásticas — O partido nazista em São Paulo sob a mira da polícia política”, de Ana Maria Dietrich, ao contrário do que se imaginava, era São Paulo e não os estados do Sul o principal centro de atuação nazista no Brasil.

— São Paulo contava com o maior número de alemães natos, que emigraram para o Brasil depois da crise da República de Weimar (1919-1933). Isso contribuiu para que as atividades nazistas, e a conseqüente mobilização da polícia a partir de 1942 para desmobilizá-las, acontecesse de forma mais intensa naquele estado — disse Ana Maria Dietrich.

Segundo Ana, o partido chegou a atuar em 17 estados brasileiros e tinha 2.900 integrantes, um contingente só superado pelo partido na Alemanha.

Dos 83 países que tiveram uma “filial” do Partido Nazista, o Brasil ocupava o primeiro lugar, na frente da Áustria, país natal do Führer.

Leia mais:
As ambigüidades de uma repressão


sábado, 24 de maio de 2008

As ambigüidades de uma repressão

Em Caça às Suásticas, Ana Maria Dietrich investiga atuação da polícia política de Getúlio Vargas contra o partido nazista de SP

Francisco Quinteiro Pires

Movida por uma determinação bem pessoal, a historiadora Ana Maria Dietrich começou a vasculhar, no acervo do Departamento de Ordem Política e Social (Deops), do Arquivo do Estado de São Paulo, a presença do nazismo em São Paulo. A princípio, ela desejava desvendar mistérios da própria família. Seu avô lutou na 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e morou no Brasil. Desse desejo nasceu Caça às Suásticas - O Partido Nazista em São Paulo sob a Mira da Polícia Política, em que ela trata do combate do Estado varguista ao nazismo - com arbitrariedades e interpretações subjetivas da lei pelos policiais - entre os anos 1930 e 1940.

''A importância de estudar os regimes totalitários é que as pessoas podem se tornar mais adeptas da paz e se pode evitar o surgimento de movimentos extremistas no presente'', ela diz. O neonazismo tem uma raiz no desconhecimento histórico. Professora de história contemporânea na Universidade Federal de Viçosa, Ana Maria Dietrich diz que entre 1928 e 1938 o partido nazista no Brasil agiu livremente, com a conivência das autoridades. É conhecida a simpatia de Filinto Müller, chefe da polícia no Rio, pelo ideário hitlerista, além da aproximação do Brasil com a Alemanha, a partir ascensão de Hitler, em 1933, lembra a historiadora.

Segundo Dietrich, havia festividades nazistas nos estádios brasileiros com o desfile de suásticas (emblema oficial do 3º Reich). Essa liberdade de ação se deveu à posição dúbia do governo de Getúlio Vargas em relação à 2ª Guerra Mundial até a adesão militar aos Aliados se consumar em 1942. ''A neutralidade é ambígua, porque esconde interesses'', ela diz.

''Mas houve um ruído diplomático entre Brasil e Alemanha depois de 1938'', ela diz. Foi em 1938, um ano depois de instalado o Estado Novo, que houve a proibição de partidos políticos estrangeiros. O cerco aos nazistas aumentou - o partido caíra na clandestinidade -, mas ele não seria nada comparado ao de 1942 em diante, quando ''todo alemão é suspeito de nazismo''. Até as atividades culturais eram classificadas de nazistas e reprimidas. Segundo a autora de Caça às Suásticas (Imprensa Oficial, 385 págs., R$ 40), a polícia política varguista detinha os ''peixes pequenos'' e não os líderes do partido. ''Eles pegavam quem andava falando alemão na rua'', ela conta.

A ação policial adotava a lógica da desconfiança e se baseava na idéia da ''polícia do pensamento'', termo emprestado por Ana à filósofa alemã Hannah Arendt. O público e o privado perdem a distinção, nesse caso. Ao receber amplo poder do Estado, legitimidade conferida já na Lei de Segurança Nacional, de 1935, os policiais perderam a noção sobre a proposta original de atuação. A intervenção no imaginário social era uma das estratégias, como o estímulo à delação, dando a sensação de que o delator contribuía para a manutenção da ordem, ameaçada pelos nazistas. A margem de ação - e de arbitrariedades - da polícia encontrou terreno para se ampliar durante a guerra, quando se instalou um Estado especial: os alemães eram inimigos políticos e militares.

Segundo pesquisas de Ana Maria, no Brasil o partido nazista chegou a reunir 2,9 mil integrantes, dos quais 785 estavam em São Paulo. Eles se espalharam por 17 Estados. ''O partido nazista brasileiro era o segundo maior grupo fora da Alemanha.'' A comunidade alemã naquele período reunia cerca de 230 mil indivíduos. O partido nazista teve atuação em 83 países. ''Aqui não havia o objetivo de instalar o nazismo'', ela diz. Mas os documentos mostram que o partido hitlerista no País era organizado e recebia diretrizes diretamente de Berlim.

O maior agrupamento de nazistas era em São Paulo, porque no partido só se aceitavam alemães e não descendentes. O Estado paulista recebeu uma leva vinda com a crise da República de Weimar nos anos 1920. ''Por isso havia mais partidários em São Paulo do que na Região Sul, cujas comunidades estavam na terceira geração.''

Extraído de:
Estadão, Caderno 2, em 24/05/2008.

sábado, 19 de abril de 2008

O Anjo de Hamburgo

Aracy Guimarães Rosa, que faz 100 anos amanhã (20/04/2008), ajudou a salvar judeus na Segunda Guerra Mundial.

Jornal do Brasil, Caderno Idéias – página 1, em 19/04/2008.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Neonazismo no Brasil e na Internet: Defesas Possíveis

Boletim Eletrônico BB Press
B´nai B´rith do Brasil
14 de Adar 5768
/20 de Fevereiro de 2008

NEONAZISMO NO BRASIL E NA INTERNET: DEFESAS POSSÍVEIS
Mais de cem pessoas assistiram a palestra da profa. Adriana Dias, mestre em Antropologia Social da Unicamp ontem em São Paulo, abrindo o ciclo de palestras da Comissão Nacional de Direitos Humanos da B´nai B´rith do Brasil. O evento foi coordenado pela dra. Margarette` F.C. Barreto, delegada titular do DECRADI -Delegacia de Crimes Raciais e Delitos da Intolerância – de São Paulo. Na mesa que dirigiu os trabalhos, estavam presentes também Ben Abraham, presidente da Sherit Hapleitá e Alberto Liberman, diretor nacional de Direitos Humanos da BB Brasil. Prestigiaram o evento, entre outros, Etejane Hepner Coin, presidente da Wizo/SP, Adélia Tulman Cabílio, presidente da B´nai B´rith de São Paulo, Anita Pinkuss, do Centro de Cultura Judaica, Isaias Lerner, representando o presidente da Hebraica Peter Weiss; Sérgio Tomchinsky, pela Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria e Renato Akerman, do Projeto Paper Clips.

O tema `Neonazismo no Brasil: mapeando o perigo, as defesas possíveis`, foi abordado a partir das pesquisas para a defesa tese de mestrado da profa. Adriana, que por seis anos analisou 12,6 mil páginas da internet com temática neonazista, racista ou revisionista (que tenta negar ou minimizar a existência do Holocausto), em inglês, português e espanhol.

Seu objetivo é estudar como o neonazismo usa a Internet para se propagar fora dela, para buscar soluções, inclusive em termos de políticas públicas que possam combatê-lo.

Para Adriana, `os neonazistas constroem uma imagem do judeu e do negro que só existe na cabeça deles`. De acordo com o discurso usado por eles `os judeus seriam responsáveis pela pedofilia, disseminação do aborto, capitalismo e comunismo`. Os integrantes desses grupos não conseguem enfrentar a angústia da vida moderna e acabam aderindo a um delírio coletivo. `É uma visão maniqueísta do bem e do mal, que não aceita o diálogo. `Quem não tem sangue ariano não os entende, sendo inimigo que deve ser combatidos para que eles sobrevivam`, acreditam.

Este `delírio` se fortalece na medida em que é compartilhado. `São 500 mil pessoas nos EUA, mais de 200 mil na Europa e 150 mil no Brasil que lêem material revisionista, neonazista e racista, através da internet`, destacou.

Alguns sites mostrados pela antropóloga incitam claramente a eliminar negros e judeus. Sabe-se que estes grupos não ficam apenas no discurso `Em muitos casos há rituais, como por exemplo, para ingressar no grupo é preciso espancar um judeu. Isso acontece hoje`, ressalta a pesquisadora.


SITES NEONAZISTAS: `NÃO É COISA DE ADOLESCENTE`

De 2003 a 2006, sua pesquisa se concentrou nos sites, concluindo que são produzidos por pessoas entre 35 a 55 anos, com educação pré-superior ou superior. `Não é coisa de adolescente`. Usam ferramentas tecnológicas avançadas, dispõem de recursos financeiros e, em sua maioria são sites ativos, visam divulgar o neonazismo. `Há desde os que contam com 60 a 30 mil páginas`.

Outras formas de difusão pela Internet são os fóruns, com debate de temas e os blogs, com diários, alguns dos quais `monstruosos`.

Já os jovens preferem o formato `wiki`, considera a pesquisadora. Este foi criado pelo Wikipédia, um site sério de informações científicas, do tipo enciclopédia, onde os usuários podem adicionar dados. Este formato é usado, por exemplo, no Ziopédia, um site racista em formato `wiki`, de ódio aos judeus e a Israel. `Há milhares de pessoas produzindo esse tipo de material na Austrália`, informou.

EM QUE REGIÃO SE CONCENTRAM E COMO ATUAM
No Brasil, o discurso neonazista é contra a maçonaria e os judeus são culpados por todos os males do mundo. De acordo com sua pesquisa eles se concentram em ordem descrente em: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Distrito Federal. Possivelmente, há uma relação entre locais que devem ter abrigado oficiais nazistas e a expansão destes movimentos, destacou.

Outra revelação é a existência de um movimento feminino muito forte, onde as mães `educam seus filhos para serem guerreiros da raça ariana`.

A professora também identificou como eles estão organizados: há os solitários, há as células, grupos pequenos, que não conhecem as pessoas das demais células e outros como o `nacionalismo espiritualista`, que defende a criação de um partido político.

A AÇÃO DA DELEGACIA DE CRIMES RACIAIS EM SP
A delegada Margarette mostrou através de fotos um pouco da ação diária da Decradi - Delegacia de Crimes e Raciais e Delitos da Intolerância, na áreas de estratégia, prevenção, segurança em eventos, incluindo os da comunidade judaica, investigação e prisão. Citou casos de Ganges e de indivíduos, como o de um skinhead preso que não podia tomar banho sem camiseta senão seria linchado na prisão por suas tatuagens. Ao ser solto tatuou a palavra skinhead em ambas as mãos, de modo que não poderá escondê-las.

Falou também da atuação da Decradi na área do futebol, onde houve uma campanha da Federação Paulista de Futebol contra o Racismo; do combate à homofobia, dos ataques de neonazistas a homossexuais em São Paulo, da ação junto ao movimento negro e da atuação conjunta com a comunidade judaica. `Gostaria de agradecer a oportunidade de trabalhar com a comunidade judaica, por seu respeito por todos e pela vida humana sobre a face da terra`.

LEGISLAÇÃO E EDUCAÇÃO
Para a profa. Adriana dois fatores são fundamentais para combater o neonazismo: Legislação e Educação. `O crime de ódio raciail na Internet não está tipificado, o Brasil tem uma das piores legislações do mundo nessa área`, afirmou, ressaltando a importância do projeto de Lei para tornar crime a negação do Holocausto (revisionismo). A delegada Margarette complementou: `É preciso uma legislação específica para os crimes na Internet, isso se aplica também à pedofilia, homofobia e ao ódio racial, entre outros`, destacando o trabalho feito pela Delegacia de Crimes da Internet, ligada ao DEIC.

Embora a questão seja complexa, com a hospedagem de sites em outros países, o Brasil tem conseguido vitórias. A professora Adriana agradeceu ao procuradores Sergio Suiama, que tem sido um dos responsáveis pela retirada do ar de sites racistas, no que foi corroborada pela delegada Margarette.

A Educação é fator fundamental. `Os jovens são arregimentados porque não têm informações. É preciso educar para os Direitos Humanos no Brasil`, conclamou a profa. Adriana, antes de abrir os debates.

COMO PROCEDER?
O diretor nacional de Direitos Humanos da B´nai B´rith e Adriana Dias explicaram que não se deve entrar nos sites neonazistas e discutir. O melhor caminho é passar as informações para a B´nai B´rith, que como vem fazendo de longa data, encaminhará aos órgãos competentes, preparados para agir nestes casos.

Na área da Educação, a B´nai B´rith do Brasil está promovendo este ano, Concurso de Redação sobre o Holocausto, com palestras para professores e alunos, para a Rede Pública de Ensino de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, com Jornadas Interdisciplinares para docentes nas três cidades e uma Exposição sobre Anne Frank, com ciclo de conferências em Porto Alegre.

Edição: Lia Bergmann - Assessora de Direitos Humanos e Comunicações da B´nai B´rith do Brasil

E ainda:
1 Uma etnografia do neonazismo na Internet
2 Intolerância virtual - crescimento de links neonazistas
3 Diante da dor dos judeus

4 Links de Ódio – o racismo, o revisionismo e o neonazismo na internet


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Em defesa da herança de Auschwitz

Em defesa da herança de Auschwitz: releitura da história do Holocausto por meio da escritura autobiográfica das vítimas.
Autora:
Vera Silveira Regert.
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras – Mestrado.
Área de Concentração em Leitura e Cognição.
Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Letras.

Defesa: março de 2007.

www.unisc.br/cursos/pos_graduacao/mestrado/letras/dissertacoes/2007/vera_silveira_regert.pdf

Resumo: O Holocausto é tema relevante de estudos em diversas universidades da Europa e dos Estados Unidos, tema de inúmeras pesquisas e teses de doutoramento; é foco central de incontáveis publicações. Comparando com as instituições européias, no Brasil pouco se privilegiam esses estudos, porque considerados de insignificante proximidade para os brasileiros, tanto no tempo quanto na relação de espaço. Esta dissertação procura aproximar e ampliar o conhecimento do Holocausto, resgatando a reflexão que ele suscitou e continua provocando entre os mais diversos teóricos do conhecimento humano: retrata a visão de historiadores, sociólogos, psicanalistas, cientistas políticos sobre o assunto, demonstrando quão presentes estão o fato histórico e seus desdobramentos também no Brasil e no mundo. Além do acontecimento histórico, aborda-se as falas das vítimas do Holocausto, comparando-lhes as narrativas, intentando compreender o que significou a vivência da experiência e o resgate das memórias na escritura. Procurou-se refletir sobre as perdas e ganhos legados à humanidade pelo Holocausto, alertando para a necessidade de repensar os fatos no século XXI, considerando-se a materialização, cada vez mais evidente, das manifestações revisionistas e negacionistas no mundo e, inegavelmente, no Brasil, particularmente no Sul e Sudeste.

Palavras-chave: Holocausto. Literatura de Trauma e Testemunho. Narrativa das vítimas. A herança de Auschwitz. Revisionismo. Negacionismo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Entre a feijoada e o chucrute

Revista Pesquisa FAPESP
Edição Impressa 140 - Outubro 2007

Entre a feijoada e o chucrute
Carlos Haag

Criado conforme o modelo original, o partido nazista no Brasil foi “se amolecendo, se abrasileirando, se tropicalizando”, diz a pesquisadora Ana Maria Dietrich, em sua tese de doutorado intitulada “Nazismo tropical? O Partido Nazista no Brasil”, defendida na Universidade de São Paulo, em 20 de março de 2007.

Página 1: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3342&bd=1&pg=1&lg=
Página 2: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3342&bd=1&pg=2&lg=
Página 3: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3342&bd=1&pg=3&lg=
Página 4: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3342&bd=1&pg=4&lg=

Veja o link:
http://estudosjudaicos.blogspot.com/2008/01/nazismo-tropical-o-partido-nazista-no.html

Veja a tese em:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-10072007-113709/