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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os cristãos novos portugueses no tráfico de escravos para a América Espanhola (1580-1640)

Os cristãos novos portugueses no trafico de escravos para a America Espanhola (1580-1640)

Ana Hutz

Dissertação de mestrado em Economia (UNICAMP).

Data da defesa: 22-02-2008.

Resumo: O objetivo da dissertação é estudar o papel dos cristãos novos portugueses no tráfico de escravos para a América espanhola durante a União Ibérica, entre 1580- 1640. Os cristãos novos portugueses formaram redes comerciais que os permitiram estabelecer relações comerciais em todos os continentes conhecidos então. Muitos dos cristãos novos estudados foram financiadores reais. Esse fato, contudo, não diminuiu a perseguição sofrida por esse grupo por parte da Inquisição. No lugar disso, acirrou as contradições inerentes ao povo judeu e seus descendentes, como foram os cristãos novos portugueses.

sábado, 15 de novembro de 2008

O Livro das Confissões da Bahia e suas possibilidades de pesquisa: uma análise das narrativas dos cristãos-novos (1591-1592)

O Livro das Confissões da Bahia e suas possibilidades de pesquisa: uma análise das narrativas dos cristãos-novos (1591-1592)

Lucas Maximiliano Monteiro (UFRGS)

RESUMO: Esta pesquisa visa apresentar as narrativas das confissões dos cristãos-novos como uma das possibilidades de pesquisa com o Livro das Confissões da Bahia entre 1591 e 1592, e tem por objetivos definir as relações de desigualdade entre o confessante e o visitador e como isso interfere na dinâmica da narrativa; verificar e interpretar os recursos narrativos utilizados para legitimar o relato do confessante e, por fim, definir como se apresenta a estrutura narrativa nas confissões dos cristãos-novos. Um dos registros do primeiro trabalho inquisitorial realizado no Brasil, o Livro das Confissões mostra-se como uma fonte rica para o estudo da sociedade.

colonial nordestina no final do século XVI.

Palavras-chaves: Brasil Colônia – Inquisição – cristão-novo.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O paladino dos hereges: a defesa dos cristãos-novos e judeus pelo Padre Antônio Vieira

O paladino dos hereges: a defesa dos cristãos-novos e judeus pelo Padre Antônio Vieira
Autor:
Salomão Pontes Alves
Dissertação de mestrado em História (UFF)
Data da defesa:
24/08/2007.
Resumo: O presente trabalho é uma continuação e aprofundamento da minha monografia de final de curso, concluída sob o título de "Portugal, judeus e cristãos novos na vida do Padre Antônio Vieira", no ano de 2004, sob a orientação do professor Ronaldo Vainfas. Figura extremamente instigante e sedutora, Vieira foi objeto de estudo de intelectuais de diversas áreas das ciências humanas, sempre tendo aspectos inovadores sendo abordados. No que diz respeito ao presente trabalho, trabalharemos a defesa do insigne jesuíta aos cristãos-novos e judeus no reino de Portugal, característica por demais notada em todos os estudos a seu respeito. Entretanto, a maioria dos trabalhos que tratam desta característica da vida do padre valorizam muito o seu aspecto econômico em detrimento de outros. Desta maneira buscaremos relacionar esta defesa aos aspectos econômicos, os quais são inegáveis, mas também buscaremos mostrar que ela o extravasa, estando relacionada também ao seu pensamento profético-messiânico, que pregava um destino glorioso português, fazendo eco uma tradição que foi construída em Portugal ao longo dos séculos.

domingo, 16 de março de 2008

A presença oculta: o judeu em cada um de nós

A presença oculta

Paulo Valadares
Fundação Ana Lima 292 páginas

Edição Impressa 145 - Março 2008


O JUDEU EM CADA UM DE NÓS

Estudo revela presença da descendência dos cristãos-novos brasileiros

Léa Vinocur Freitag

Esta obra do historiador Paulo Valadares foi originalmente feita sob a orientação da professora Anita Novinsky, o que confere um aval respeitável em termos de trabalho acadêmico.

O autor realizou uma investigação paciente e fecunda, analisando documentos na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, Centro Cultural Vergueiro, PUCCamp, IFCH-Unicamp e FFLCH-USP (São Paulo), Real Gabinete Português de Leitura carioca, Arquivos Distritais portugueses, Biblioteca Pública Municipal do Porto e Bibliotecas Nacionais de Lisboa e Madri.

Valadares é um nome de destaque na linha de pesquisa histórica e genealógica, co-autor do Dicionário sefaradi de sobrenomes, ao lado de Guilherme Faiguenboim e Anna Rosa Bigazzi, premiado em 2003 como “o melhor livro de referência judaica”. Pertence a Sociedades Genealógicas Nacionais e Internacionais e vem publicando trabalhos em revistas especializadas, com temas instigantes, como “Os Mesquitas do Estadão vistos pela genealogia judaica”.

A presença oculta é o primeiro trabalho acadêmico que buscou responder a uma questão central na história da formação nacional: o que aconteceu aos descendentes dos cristãos-novos no país?

“Com o fim da Inquisição terminou a perseguição à cultura dos cristãos-novos no Brasil, mas continuou a existir o estigma que satanizou o judeu. Tanto que os poucos judeus que chegam no período a seguir não se identificam como tal: eram “hebreus”, “israelitas”, “russos”, “alemães”, “franceses” etc. O mesmo se deu com o nome das instituições judaicas, que preferiram denominar-se “israelitas”.

Nos anos 1930 e 40 o anti-semitismo difundiu-se no Brasil, inclusive pela influência do integralismo. Fernando Raja Gabaglia, diretor do respeitado Colégio Pedro II e descendente da cristã-nova Branca Dias, foi questionado pelo ministro Gustavo Capanema sobre a forte presença judaica na instituição – soube contornar o problema defendendo a liberdade religiosa e a integração dos seus alunos.

Um dos expoentes da diplomacia brasileira no pós-guerra foi Hugo Gouthier de Oliveira Gondim, falecido em 1992, da linha genealógica de Branca Dias. Chegou ao posto de embaixador brasileiro na Itália, comprou e restaurou o Palácio da Piazza Navona, em Roma, mantendo amizade com grandes personalidades internacionais, como Kennedy. Foi aposentado compulsoriamente em 1964 e teve os direitos políticos cassados.

Nomes ilustres da sociedade brasileira têm suas origens ligadas a cristãos-novos: “Antônio Henrique Cunha Bueno, neto materno de Maria Cursina de Leão, baiana de Macaúbas, foi deputado federal por São Paulo. Defendeu a comunidade judaica durante os seus mandatos legislativos e membros de sua família são voluntários em instituições judaicas”.

O historiador Sérgio Buarque de Holanda, autor de Raízes do Brasil, pai de Chico Buarque, chegou a ser inquirido pelo regime nazista, quando estudou na Alemanha. Aparece nas pesquisas genealógicas como descendente de Abraham Senior.

Outras personalidades dos meios econômicos e empresariais citados por Paulo Valadares são Luís Eulálio de Bueno Vidigal e Gastão Vidigal, este último presidente do Banco Mercantil.

Referindo-se aos “profetas hebreus que nos espiam das Gerais”, Valadares vê na cultura cristã-nova das serras mineiras uma opção pelos profetas judeus, mais do que pelos apóstolos cristãos. Em Congonhas do Campo os profetas estão fora da igreja e são imagens dessacralizadas – os católicos preferem cultuar sua fé dentro da igreja.

Nessa linha de idéias, o autor observa também uma aproximação dos carmelitas com os judeus, exemplificando com os fundadores da Ordem, santa Teresa d’Ávila e são João da Cruz, ambos de origem cristã-nova. Em Ouro Preto o profeta Elias é reverenciado na Igreja N.S. do Carmo, e é comum encontrar nas igrejas imagens de Abrão e Moisés.


Léa Vinocur Freitag é professora titular pela Escola de Comunicações e Artes (USP) e doutora em Ciências Sociais