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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O Mito do Complô Judaico-Comunista no Brasil: Gênese, difusão e desdobramentos (1907-1954)


O Mito do Complô Judaico-Comunista no Brasil: Gênese, difusão e desdobramentos (1907-1954)

Autora: Taciana Wiazovski

Editora: Humanitas: FAPESP (São Paulo, SP)

Sinopse: O texto de Taciana Wiazovski, bem como a pesquisa em que ele se baseia, convertem esse livro em um trabalho de interesse não apenas para os especialistas, mas para todos aqueles que têm sua atenção voltada para a política moderna, as identidades coletivas, os Estados-nação, o anti-semitismo e sua influência cultural e política, e uma variedade de temas correlatos.


Estudos Judaicos: Nazismo - Neonazismo - Holocausto - Anti-semitismo - Preconceito


Veja mais:

27/02/2009

26/02/2009

25/02/2009

24/02/2009

23/02/2009

22/02/2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Religião: Manuais escolares devem ajudar a combater preconceito contra judeus

Notícias RTP (Portugal, em 26/02/2009)


Religião: Manuais escolares devem ajudar a combater preconceito contra judeus - Esther Mucznik


Viseu, 14 Fev (Lusa) -- A vice-presidente da Comunidade Israelita em Portugal, Esther Mucznik, defendeu hoje que os programas e os manuais escolares portugueses deviam ajudar a combater o preconceito que ainda existe contra os judeus.


Esther Mucznik considera que "a discriminação que por vezes existe é baseada em grande parte na ignorância", lembrando que "o que ficou na cabeça das pessoas é que judeu é algo de malvado", não sendo por acaso que ainda hoje se usam expressões como "és mesmo judeu" ou "não faças judiarias".


"Uma coisa são as leis que mudam, outra são as mentalidades. E as mentalidades demoram muito mais tempo", afirmou à Agência Lusa em Viseu, onde hoje participou no colóquio "História e Cultura Judaica".


Na sua opinião, os manuais escolares não combatem devidamente" esse preconceito, defendendo que deviam "dar mais espaço à história judaica e aos contributos positivos que a comunidade judaica deu à História de Portugal, para a economia, a ciência, a cultura, os descobrimentos, a medicina, para tudo".


Durante o colóquio, o arqueólogo João Inês Vaz referiu que uma das histórias que se contavam na sua infância era sobre um senhor judeu que tinha uma cauda.


Esther Mucznik explicou que tal se deve ao facto de na Idade Média o judeu ser "equiparado ao diabo, representado com uma cauda e um cheiro pestilento".


"Claro que, racionalmente, as pessoas sabem que o judeu não tem cauda, nem nenhum atributo especial, é um ser humano como outro qualquer. Só que o preconceito ainda se mantém", lamentou.


Deu exemplos de outros preconceitos, como a ideia que há de que "os judeus são muito bons nos negócios, gostam muito do dinheiro e são avarentos".


A investigadora contou à Lusa que, apesar de em Portugal, com a lei da liberdade religiosa, os judeus terem "do ponto de vista legal uma situação de liberdade e de igualdade plena", as mentalidades ainda lhes dificultam a vida.


Deu o exemplo de "um trabalhador judeu que não queira trabalhar ao sábado ou de um aluno que não possa fazer um exame ao sábado" - uma vez que se trata do dia sagrado do judaísmo -- são situações por vezes ainda não compreendidas.


Outro caso de "ignorância" relativamente à cultura judaica passou-se "num grande hospital de luxo" de Lisboa, onde a mulher do rabino teve bebé.


"Ela só come comida `kosher`, própria para consumo judaico. Foi lá o rabino com comida própria e não queriam deixá-lo entrar", lamentou, contando que teve que intervir enquanto membro da Comissão de Liberdade Religiosa para resolver a situação.


"Liberdade religiosa é dar lugar àquilo que é diverso do geral. As pessoas têm de cumprir a lei geral, mas a própria lei geral também tem de atender à realidade plural de uma sociedade", sublinhou.


A estudiosa estima que existam cerca de cinco mil pessoas em Portugal que se consideram judias. As principais comunidades estão situadas em Lisboa, Belmonte, Porto e Algarve.



Veja mais:


Leia mais:

25/02/2009

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Judeus são alvos de preconceito na Venezuela

JB online (15/02/2009): Judeus são alvos de preconceito na Venezuela - Pág. 27: A pequena comunidade judaica da Venezuela já estava com os nervos à flor da pele quando vândalos pintaram epitáfios antissemitas nas paredes de instituições judaicas no mês passado, depois de o presidente Hugo Chávez cortar relações com Israel e convocar os judeus do país a apoiarem sua caracterização dos líderes israelenses como "um governo de assassinos". Mas outro episódio – o arrombamento e a profanação de uma sinagoga sefardita no dia 31 de janeiro – intensificou a incerteza entre os judeus do país. Autoridades também estão pressionando líderes judeus a retrair suas críticas a Chávez e aceitar a explicação do governo de que o ataque foi um simples roubo executado por membros corruptos da inteligência e polícia municipal. >>> Leia mais, clique aqui.

domingo, 14 de dezembro de 2008

França: Um cemitério vandalizado a cada três dias

O distanciamento dos jovens em relação à morte e a mera delinqüência são responsáveis por muito mais vandalismo em cemitérios do que o racismo ou práticas satânicas. No fim-de-semana passado, neo-nazis terão profanado mais de 500 campas pertencentes a soldados muçulmanos que combateram na Primeira Guerra Mundial, e mais 15 campas de judeus que se encontravam perto. >>> Leia mais em Renascença, em 12/12/2008.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Anti-semitas difundem ódio contra judeus também pela web

da Folha Online, em 08/05/2008.


Comunidades e sites que divulgam o anti-semitismo são fáceis de serem encontrados na internet, sobretudo no Orkut --basta usar a busca da rede social com palavras como "judeu" ou "Israel" associadas a ofensas. Apesar de existirem em menor número do que as comunidades de pedofilia, hoje alvo de uma CPI do Senado Federal, essas páginas também estão na mira das autoridades.


"Recebemos em média uma denúncia de site preconceituoso por semana, seja contra a comunidade judaica ou puramente anti-semita", diz Octávio Aronis, diretor jurídico da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp).


Há desde perfis que pregam abertamente o neonazismo, com imagens de Hitler e suásticas, até comunidades "fantasmas" (sem membros) com fotos de corpos empilhados durante o Holocausto. É o caso do fórum "Eu odeio judeus", que se descreve da seguinte maneira: "Eu odeio judeus. Olhem a imagem da comunidade para terem idéia." A comunidade foi criada em fevereiro de 2008 e continua no ar. O perfil do seu criador não aparece na página.



A reportagem também encontrou perfis que incentivam agressão a judeus, negros e índios.

(veja imagem abaixo)


A Fisesp encaminha as denúncias que recebe para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância e para Delegacia de Crimes Eletrônicos do DEIC. "Hoje, os criminosos estão mais carimbados, fazem essas coisas de páginas que ficam hospedadas fora do país. Fica mais difícil de rastrear", diz Aronis.


De acordo com o Google, a identificação e censura de supostas contravenções é delicada nesses casos.


"Nesse tipo de conteúdo é muito mais difícil identificar se há abuso ou não do que no de pedofilia, por exemplo. Ele passa pelo viés da liberdade de expressão e pela questão do livre debate. Não cabe ao Google falar o que é debate e o que é ataque", diz Félix Ximenes, diretor de comunicação da companhia.


Segundo Ximenes, "é complicado o Google assumir a posição de censor", já que há comunidades que criticam o Estado de Israel, mas não necessariamente podem ser enquadradas como intolerantes ou racistas.


Estatísticas

De acordo com dados da ONG SaferNet Brasil divulgados ontem (7), denúncias contra páginas com conteúdo neonazista cresceram 47% de abril de 2007 a abril de 2008. Foram 462 comunicados à ONG, sendo 98% deles sobre o Orkut.


Também cresceram as denúncias contra intolerância religiosa (58%) e xenofobia (48%).




terça-feira, 15 de abril de 2008

A raça “indesejável”

Preocupação com racismo contra negros e índios esconde o anti-semitismo histórico e presente da sociedade brasileira.

Por Carlos Haag – 14/04/2008.

Pesquisa FAPESP – "Eles se fingem de católicos, com cruzes e santinhos, tudo hipocrisia. Estou apavorado com o progresso dessa gente e revoltado com a displicência das autoridades, não só do Brasil como das Américas", escreveu um cidadão comum ao Deops avisando sobre a presença de judeus no país.

Detalhe: o ano da denúncia é 1947, dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial e da derrocada do nazismo e do Estado Novo. Ainda assim, ajudar refugiados judeus era visto como “crime contra a nação”. Ao mesmo tempo, ao longo da guerra, figuras corajosas como o embaixador brasileiro em Paris, Luiz Martins Souza Dantas, ou a assistente da Embaixada do Brasil em Berlim, Aracy Carvalho (mais tarde, sra. Guimarães Rosa), desobedecendo ordens do regime varguista, liberaram centenas de vistos para que judeus pudessem vir ao Brasil e sobreviver ao holocausto.

Pouco conhecido, em especial se com­parado com a intensa preocupação com o racismo contra negros ou índios, o anti-semitismo brasileiro só aos poucos vem sendo trazido à luz. Uma das responsáveis por isso é a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP, organizadora do recém-lançado estudo O anti-semitismo nas Américas (Edusp, 744 páginas, R$ 98), ao mesmo tempo que coordena o projeto Arquivo Virtual sobre o Holocausto e o Anti-Semitismo no Brasil, que conta com apoio da FAPESP e está baseado no Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (Leer-USP), do qual ela é diretora. Milhares de documentos serão digitalizados e disponibilizados nesse banco de dados, que registrará depoimentos de sobreviventes dos campos de concentração.

O Brasil foi um país racista ou ainda o é?
Maria Luiza Tucci Carneiro – O Brasil sempre foi e ainda é um país racista, apesar do “negacionismo” por parte de alguns segmentos da sociedade brasileira, que insistem na veiculação da imagem do país como um “paraíso racial”. Exatamente por convivermos com um racismo camuflado (e eu entendo o anti-semitismo como uma forma de racismo) é que devemos estar atentos aos subterfúgios. Desinformação, interesses políticos, alianças de compadrio, pesquisas históricas distorcidas e a mídia têm contribuído para fortalecer o senso comum, dificultando o exercício da crítica e o respeito às diferenças.


Clique aqui para ler o texto completo (4 páginas) na edição de março (2008) de Pesquisa FAPESP.

domingo, 16 de março de 2008

Clips de papel e o Holocausto




Clips de papel e o Holocausto

Natalia Wainer, representante das ONG's
“Paper Clips Brasil” e “Tolerância Brasil”

Em muitos países no mundo existem monumentos e memoriais importantes em homenagem às vítimas do Holocausto. Mas por que aquele construído por jovens da Oitava Série (8th Grade) da pequena cidade de Whitwell, Tennessee, nos EUA, merece uma atenção especial? Em primeiro lugar, haveria-se de procurar bastante por um lugar mais improvável para surgir um projeto como este. Whitwell está situada num vale rural, na parte oeste das Smoky Mountains.

Uma cidade muito pequena, 1.600 habitantes, sendo que em sua absoluta maioria de brancos de religião protestante (apenas quatro famílias de origem afro-americana e uma hispânica).

Não há estrangeiros, Católicos, Judeus ou Muçulmanos vivendo lá. A cidade tem dois semáforos, um restaurante e um posto de gasolina, no coração de uma região dos Estados Unidos conhecida por seu passado de intolerância, segregação racial e Xenofobia (fica cerca de 150km da cidade berço da Ku Klux Klan - KKK).

Por falta de dinheiro e preparo acadêmico, o sonho de cursar uma Universidade é mais distante dos alunos que cursam as escolas da região. Em segundo lugar, a atenção especial neste caso se dá devido a proporção que este projeto, inicialmente tão simples e inocente, conseguiu atingir. Veja como uma simples idéia pode se transformar em algo tão significativo para uma causa tão justa. A inspiração para o projeto surgiu em 1998 quando o Diretor Associado David Smith da Escola de Ensino Médio em Whitwell, a mando de sua Diretora Geral, Sra. Linda M. Hooper, frequentava um curso para treinamento de professores na Universidade do Tennessee em Chattanooga , em busca de um tema para um trabalho que envolveria os alunos durante o verão de 1998, algo que pudesse ter como referência a tolerância e a diversidade.

Smith, com liberdade para escolher e sugerir qualquer tema para o proposto projeto, se inspirou quando um sobrevivente do Holocausto fez uma palestra na Universidade que ele visitava. Então, através da aprovação da Sra. Hooper, membros do corpo docente de Whitwell resolveram ensinar aos seus alunos adolescentes em um curso paralelo e opcional ao currículo oficial, sobre o Holocausto, e o tema ódio e intolerância. No começo do projeto, com 16 alunos inscritos, Hooper e sua equipe acrescentaram ao currículo dos alunos, textos como "O Diário de uma Adolescente", de Anne Frank; o livro " Night" de Elie Wiesel, entre outros trabalhos de pesquisa. Os alunos também assistiram "A Lista de Schindler", de Steven Spielberg, e aprenderam os fundamentos do judaísmo, pois não sabiam nada sobre o que era um "judeu".

"A intolerância deve ser tratada com tolerância zero
e o seu combate e busca pela justiça plena
se dá através de informação e educação"

Ben Abraham, presidente da Associação Brasileira dos
Israelitas Sobreviventes do Holocausto (Sherit Hapleitá)

A Sra. Hooper ao ser questionada por um aluno sobre a quantidade de judeus assassinados durante o Holocausto pelos nazistas, e como fazer para entender a grandeza do número "6 milhões", não soube explicar, e disse que também nunca tinha visto nada que pudesse representar de uma forma concreta esta quantidade tamanha. Então, encomendou uma tarefa dentro do projeto, pois também desejava descobrir uma maneira pela qual os estudantes conseguissem captar tangencialmente a enormidade da perda destas 6 milhões de vidas inocentes.

Os alunos deveriam pesquisar o que poderia ser colecionado por eles, até se chegar ao número seis milhões, mas deveria ser pequeno, barato e fácil de armazenar, pois seis milhões de qualquer objeto por menor que seja, tratar-se-ia de um grande volume. Com a sugestão de um dos estudantes que pesquisava o que poderia ser colecionado, a escola começou a colecionar clips de papel para relembrar e honrar a perda de vidas judias.

Os alunos deveriam pesquisar o que poderia ser colecionado por eles, até se chegar ao número seis milhões, mas deveria ser pequeno, barato e fácil de armazenar, pois seis milhões de qualquer objeto por menor que seja, tratar-se-ia de um grande volume. Com a sugestão de um dos estudantes que pesquisava o que poderia ser colecionado, a escola começou a colecionar clips de papel para relembrar e honrar a perda de vidas judias.

Mas porque o clips de papel? A inspiração veio de uma lição histórica. Os judeus noruegueses estavam sendo mandados para os Campos de Concentração e Extermínio, assim como todos os judeus da Europa ocupada, então noruegueses não judeus começaram a usar clips de papel (paper clips) na lapela de seus ternos e camisas, como protesto contra os nazistas que haviam invadido seu país e estavam cometendo tantas atrocidades. Um protesto silencioso, fácil de ser ocultado em caso de suspeita em um ambiente público, mas também uma forma de identificação silenciosa entre pessoas que não concordavam com o que estava acontecendo. Naquela época era muito comum usar pequenos broches e alfinetes com temas políticos (como muito bem ilustrado no filme "A Lista de Schindler").Nos países conquistados, havia uma proibição imposta pelos nazistas referente a ostentação de qualquer símbolo nacionalista que não fosse alemão e/ou nazista.

Os noruegueses, proibidos então de usar qualquer objeto que demonstrasse lealdade ao Rei e ao governo norueguês, escolheram o clips de papel como símbolo de resistência naquele momento, pois até hoje, por ter sido o inventor norueguês Johan Vaaler, o detentor da patente da primeira versão do clips de papel, este é o símbolo nacional da Noruega (símbolo não político).

Aquilo que começou como um pequeno córrego de clips de papel, chegando um a um, solicitados através do website da escola e uma campanha de escrever cartas, transformou-se numa torrente na ocasião em que a sobrevivente do Holocausto Lena Gitter, na época com 94 anos, soube do projeto. Gitter avisou um casal de jornalistas alemães Dagmar e Peter Schroeder, nascidos no período da Segunda Guerra e hoje correspondentes na Casa Branca, em Washington, para a mídia alemã e austríaca, pois sempre se mostraram solidários as vítimas do Holocausto em seus trabalhos. Estes subsequentemente escreveram estórias sobre o projeto e compilaram um livro, intitulado "O Projeto dos Clips de Papel", que foi publicado inicialmente na Europa, em alemão. A seguir, em Abril de 2001, a editora do Jornal Washington Post, Dita Smith, publicou uma matéria sobre o projeto, e após o relato na televisão no programa "Nightly News", da NBC, com Tom Brokaw, cartas e e-mails apoiando o projeto dos estudantes chegavam acompanhados por um verdadeiro dilúvio de clips de papel.

A quantidade de clips enviados pulou de 150.000 para 24 milhões em seis semanas! Enquanto que a meta dos jovens era conseguir 6 milhões de unidades, um para cada judeu assassinado pelos nazistas e colaboradores, muito mais se obteve- os milhões de clips chegavam acompanhados de inúmeras cartas de apoio de todas as partes do mundo - que até hoje são catalogadas, uma a uma, inclusive de personalidades da política mundial, como Presidentes, Primeiros-Ministros, Embaixadores, e também artistas, escritores, atores e diretores de cinema e televisão, atletas, jornalistas.

No entanto, o mais significativo para os estudantes, foram os envelopes mandados por parentes das vítimas do Holocausto. Os envelopes geralmente com um ou mais clips de papel, acompanham os nomes das vítimas - alguns com fotografias - junto com testemunhos de quem conseguiu sobreviver. Enquanto nenhum estudante de Whitwell havia conhecido um judeu antes do início do projeto, desde então, conheceram alguns sobreviventes do Holocausto que visitaram a escola para contar suas estórias de vida e agradecer a iniciativa pessoalmente. No início o projeto era destinado aos alunos da Oitava Série, depois a totalidade da Escola de Ensino Médio envolveu-se plenamente com todas as tarefas administrativas envolvidas, até que os habitantes da cidade se voluntariaram para ajudar na contagem de milhões de clips de papel, colocando-os em barris e catalogando e respondendo cada carta e e-mail. Até o serviço de correio da cidade teve de se adaptar a nova situação. E como armazenar todas estas manifestações de apoio através de tantos clips?

Um novo projeto dentro do projeto! Na verdade, mais do que uma tarefa extra, e sim praticamente uma missão impossível. Os professores com o apoio do casal de jornalistas alemães, resolveram então tentar encontrar e comprar um vagão de gado que transportava judeus para os campos de morte na Alemanha e na Europa ocupada, para se construir um monumento que abrigasse estes símbolos de expressão. Eram mais de cem campos e muitas linhas férreas e trens; os trens na maioria com cerca de 40 vagões - cada vagão transportava até 150 pessoas, sendo várias delas crianças menores de 12 anos - não paravam dia e noite, mas 60 anos após o final da Guerra, seria muito difícil encontrar um em condições adequadas para servir o propósito almejado. O casal Schroeder se propôs viajar à Alemanha, aonde após muita pesquisa, em um pátio abandonado, encontrava-se um vagão trazido da cidade de Sobibor - ao lado de um dos mais famosos Campos de Concentração e Extermínio. Após um trabalho árduo, a autentificação do vagão, muita negociação e um transporte muito difícil, o vagão 011-003 vendido pela direção do Museu Alemão de Vias Férreas, desembarcou no porto de Baltimore em 09 de setembro de 2001 - dois dias antes do ataque ao World Trade Center - finalmente chegando ao seu destino final.

Hoje, ao lado da Escola, em um espaço ao ar livre, preparado especialmente para abrigá-lo - após uma cerimônia emocionante em 09 de novembro daquele mesmo ano - onde várias personalidades estiveram presentes e praticamente toda a população da cidade, o vagão memorial foi oficialmente aberto ao público, com visitação permanente. Dentro dele, através de paredes de acrílico, podem ser vistos milhões de clips de papel, de todas as cores e tamanhos, protegidos em um monumento duradouro à tragédia do Holocausto. 6 milhões representando as vítimas judias, entre elas um milhão e meio de crianças, e 5 milhões representando outras vítimas dos nazistas. Outras vítimas incluem milhares de Roma (ciganos), Testemunhas de Jeová, comunistas, homossexuais, deficientes físicos, e tantos outros considerados "Untermeschen" - termo usado pelos nazistas para designar os "menos do que humanos", totalizando 11 milhões de clips expostos no vagão. Sandra Roberts, professora de arte em Whitwell, e uma das principais responsáveis pelo sucesso do projeto, diz que está orgulhosa dos seus alunos e do trabalho que estão desenvolvendo: "Nosso objetivo era ensinar aos jovens e as crianças o que acontece quando a intolerância reina e a discriminação passa despercebida”. E acrescenta: "Eles acreditam piamente no que estão fazendo, e se eu digo que temos um influxo de correspondência eles chegam duas horas antes, ou ficam duas horas além do horário escolar". Não, o projeto não acabou!

Hoje, mais de 30 milhões de Clips de Papel estão armazenados em um galpão ao lado da escola, exclusivamente construído para abrigar outros clips que excederam o número proposto originalmente, e todas as manifestações de apoio e testemunhos enviados do mundo inteiro. Estes clips que não foram utilizados inicialmente, hoje servem de incentivo a novos projetos sobre intolerância (com o Holocausto como seu exemplo maior), para outras escolas interessadas em várias partes do mundo. Os alunos de Whitwell, quando solicitados, preparam e enviam uma "Caixa Shtetl" ("Caixa Cidadela/Povoado Judaico") contendo o número exato de paper clips representando cada vida perdida neste povoado destruído, e sua história, plantando assim uma semente para um novo trabalho. Hoje, os alunos formados de Whitwell são convidados frequentemente para falar sobre o projeto em outras escolas de vários estados. E também recebem em sua cidade "field trips", vindos de escolas em cidades vizinhas, para visitar o Memorial, aprenderem mais sobre o assunto, e saber como lidar quando situações de intolerância se apresentam.

Extraído de:
Jornal Alef, em 16/03/2008.

sábado, 8 de março de 2008

DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura premiou o portal "Rumo à Tolerância" do LEI/USP

A "DHnet - Rede Direitos Humanos e Cultura", acaba de premiar o portal de Internet "Rumo à Tolerância", do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância (LEI) da Universidade de São Paulo, com o "Selo Direitos Nota 10", pela performance de qualidade, conteúdo e apresentação visual na abordagem que vem sendo dada a temas relacionados a Direitos Humanos e cidadania em língua portuguesa.

A Rede DHnet, por meio de premiações como esta, vem estimulando e divulgando sites que efetivamente estejam contribuindo na discussão, divulgação e valorização de questões ligadas a Direitos Humanos e Humanismo nos espaços da virtualidade.

O "Selo Direitos Nota 10" passará a ser incorporado à apresentação do portal LEI/USP, bem como a todos os materiais de divulgação que circulam por meio eletrônico e que comunicam as atividades do laboratório.

A premiação coroa o árduo trabalho de implementação do portal, ora finalizado, e contínuo de sua manutenção, administração e moderação, para disponibilizar de maneira clara e objetiva materiais de alta qualidade para a divulgação e fomento a pesquisas sobre intolerância, buscando meios para sua reversão.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Itália: Identificado Autor de Polêmica "Lista Negra" de Lobby Judeu

ROMA, 12 FEV (ANSA) - O autor de uma "lista negra" de 162 acadêmicos supostamente membros de um "lobby judeu" no ambiente universitário italiano, difundida em um blog na internet, foi identificado pela Polícia e acusado de difamação, violação da privacidade e apologia ao racismo, segundo fontes judiciais.

Veja mais em:
Ansa, em 12/02/2008.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Liberdade de Expressão: "A proibição é uma desgraça única"

Extraído de:
Jornal do Brasil, Caderno B, página 5, em 10/02/2008.


"A proibição é uma desgraça única"


Em seu blog na internet

(http://geraldthomas.blog.uol.com.br/),

o polêmico dramaturgo Gerald Thomas se mostrou indignado com a censura à Escola de Samba Unidos do Viradouro, que neste carnaval foi proibida de desfilar um carro alegórico que fazia alusão ao Holocausto. Escrevendo de Munique, Alemanha - país onde nasceu o nazismo - Gerald ressaltou que estava se pronunciando como artista, não como descendente de judeus. O autor lembrou que metade da sua família morreu nos campos de concentração, mas que nem por isso podia concordar com a censura. Para ele, a liberdade de expressão está acima de tudo.

"Deixa os caras falarem e mostrarem o que querem. Depois, a gente fala o que quer deles. Nao é assim que deveria ser?????? Censura NÃO!!!", escreveu Gerald.

O dramaturgo conta que a comunidade judaica não agiu corretamente ao vetar a alegoria: "A PROIBIÇÃO é uma desgraça única. Ela não deveria vir JAMAIS como iniciativa de uma entidade judaica. Não deveria JAMAIS existir como um pensamento ou ser instituído como tal por um governo que quer se dizer livre e que diz ter intelectuais no governo que foram, eles mesmos, vítimas da DITADURA MILITAR, por terem expressado suas opiniões".

Gerald lembrou os tempos do tropicalismo, quando os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil sofreram com a recepção furiosa de uma parte da platéia do Festival da Canção da Record de 1968.

"Caetano e Gil estavam no palco do Tuca em São Paulo e levaram vaias da extrema-direita em 68, antes da prisão e do exílio forçado em Londres. É PROIBIDO PROIBIR pode soar concretamente poético, metalingüisticamente genial, mas é, antes de mais nada, uma profunda realidade", escreveu.


Veja mais no Blog de Gerald Thomas:

07/02/2008 Aqui na Alemanha ja foi TUDO proibido

Foi no TERCEIRO REICH - Nao escrevo necessariamente como descendente de Judeus. Escrevo como artista. Mas nessa Munique, aqui do lado do Hotel, na praca Marienplatz que descrevo em Rainha Mentira, Goebbles e Hitler fizeram seus discursos famosos que comecaram com a ascencao do partido Nacional Socilalista - Nazi. Menos de uma decada depois, nao somente a chamada "cultura alema" (tao reclamada de volta nos discursos) estava sendo "devolvida" as porradas pelo regime, como Krystalnacht estava acontecendo e EUGENICS ( a experimentacao com corpos humanos) estava tendo seu inicio pratico (foi inventado nos EUA), mas Todos os credos e o comunismo e TUDO aquilo que NAO era a cara ARIANA comecava a ser DEMOLIDA.

A PROIBICAO eh uma desgraca unica. Ela nao deveria vir JAMAIS como iniciativa de uma entidade judaica. Nao deveria JAMAIS existir como um pensamento ou ser institiudo como tal por um governo que quer se dizer livre e que diz ter intelectuais no governo que foram, eles mesmos, vitimas da DITADURA MILITAR, por terem expressado suas opinioes. Afinal Caetano e Gil estavam no palco do TUCA em Sao Paulo e levaram vaias da extrema direita em 68, antes da prisao e do exilio forcado em Londres. Eh PROIBIDO PROIBIR pode soar concretamente poetico, metalinguisticamente genial, mas eh, antes de mais nada uma profunda realidade> e estar na Alemanha, a 20 minutos de Dachau, um dos piores campos de concentracao, nao somente pra judeus, mas pra ciganos, africanos, etc. eh sentir VERGONHA que o Brasil de hoje interfira de tal maneira grotesca judicialmente numa alegoria (ja por definicao algo exageradamente grotesco) a ponto de proibi-la.

Quanto a maneira Americana de se votar: ONE PERSON ONE VOTE: Hey ! Let's make another leap for mankind and do away with the electoral college and these delegates and Super Delegates and Housewifes and Super Duper Housewifes! Why make matters so fucking complicated? Why confuse the voter? COME CLEAN PEOPLE, and rewrite an ammendment! NOW, SUPREME COURT (je suis begging - imploring - as well as so many millions of others: the current system is a failed one!)

Gerald, Munchen, Quinta 8 Feb 2008
Escrito por Gerald Thomas às 02h44 [(20) comentários]


05/02/2008 de Munique, Alemanha, o lugar do holocausto

E nem por isso de acordo que deveriam ter censurado o tal carro alegorico do Viradouro. Sou completamente CONTRA a censura, apesar de que metade da minha familia ter morrido nos fornos dos campos de concentracao: mas liberdade de expressao eh sagrada. Deixa os caras falarem e mostrarem o que querem. Depois, a gente fala o que quer deles. Nao eh assim que deveria ser?????? Censura NAO!!!!

Nervosissimo com o super Tuesday, mesmo a alguns quilometros de Dachau

Gerald

PS Vi que o Pancho escreveu que demitiram o IVO. Caramba. Como assim???? Nao posso ficar em paz nem um segundo???? Nem aqui pra lidar com assuntos delicados? Como saber mais sobre o que aconteceu com o Ivo? Pancho, me escreve. A CNN nao da nada sobre isso, e a Suddeutschezeitung tambem nao. Serio: eg a vitoria dos Giants e o Super Tuesday e a Merkel LOVE GT

8 da manha aqui na capital da Bavaria, 2 da manha em NY.....e eu nervoso como um cao acompanhando o chart do NYTimes online!!!! Wie? Wo? Was? Habe ich etwas gesagt? Chove la fora em Marienplatz, chove la fora em Schwabing

Luis Lago: Liberdade de expressao SEM RESTRICOES!!!!!! eu escrevo acima SOU CONTRA QUALQUER TIPO DE CENSURA (I am against any form of censorship, or vessel, boat or goat!) no Censoring Goats! EVER!!!!! GT

comment do taxista em movimento

Pois é, meu caro Luiz Lago... Todas as escolas, de todos os grupos e de todos os Estados brasileiros retrataram a crueldade com que os escravos foram trucidados no varejão e ninguém se sentiu atingido... Posso estar enganado, mas duvido que o carnavalesco da Viradouro se atreveria a debochar do massacre dos judeus... Defendo a liberdade total de expressão e adoraria ver alguém botar o nariz para fora do armário se expondo em mostrar sua deformidade para eu poder calá-lo com as mesmas armas... Jorge Schweitzer

Jorge Schweitzer (Rio)


terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Livro ateu para crianças causa polêmica na Alemanha

Um livro ateu para crianças gerou polêmica na Alemanha e seu autor, Michael Schmidt-Salomon, foi acusado de anti-semitismo. Segundo seus críticos, o escritor fez o retrato de um rabino de uma forma que lembrou as caricaturas de judeus nos anos 30.

O governo alemão pediu à Central para Escritos Perigosos para a Juventude que estude a inclusão da obra numa lista que adverte para produtos inconvenientes para jovens.

Schmidt-Salomon satirizou a acusação de anti-semitismo, ao lembrar que já foi acusado de "agente de Israel". "Faz pouco tempo a televisão iraniana me acusou de ser um agente de Israel, que com o Conselho Central dos Muçulmanos iniciei um ataque tipicamente judeu contra o Islã. Por isso, essa etiqueta de anti-semita veio bem para meu currículo. Não deve haver muitos agentes de Israel que sejam anti-semitas", afirmou o escritor, em seu site.

O livro "Qual o caminho até Deus?, pergunta o porquinho" tem sido criticado também reduzir as três religiões monoteístas as suas variações fundamentalistas. Os personagens centrais são um porquinho e um ouriço, que conversam sobre Deus, além de um rabino ultra-ortodoxo, um imã muçulmano e um bispo.

Schmidt-Salomon, presidente da Fundação Giordano Bruno, que tem como objetivo propagar o pensamento laico pela Alemanha, tem respondido a essas críticas sugerindo que a religiosidade autêntica é sempre fundamentalista.

"Não devemos confundir a religião 'light' com a autêntica religião. O fato de que a maioria das pessoas neste país não padeçam de uma obsessão religiosa ou que somente a sofram em doses homeopáticas não quer dizer que não seja socialmente significativamente neste mundo", afirmou.

Os defensores do livro de Schmidt-Salomon o chamam de "Dawkins para crianças", em um alusão a Richard Dawkins, por sua obra best-seller contra a religiosidade, e já iniciaram uma campanha contra a intenção do Ministério da Família.

O Ministério está convencido de que a obra, com sua ridicularização das três religiões, incita o ódio e por isso, deve ser considerado perigosa para a juventude. Estima-se que a decisão de incluir a obra nessa lista seja anunciada no início de março.

Extraído de:
Folha de São Paulo on-line, em 03/02/2008.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Portal Rumo à Tolerância (USP)


Portal Rumo à Tolerância

O Portal é um Centro de apoio e informações que tem por objetivo levar a um amplo público e a organizações sociais, temas de interesses comuns, dos mais diferentes campos das Ciências Humanas. Direitos Humanos, Educação, Infância e Cidadania, Holocausto, Anti-Semitismo, Inquisição e Lingüística e outras diferentes expressões de Intolerância, no presente como no passado, serão apresentados em diversas Salas Temáticas, cada uma contando com um Coordenador, mediador, moderador e animador. A partir desse primeiro contato entre pesquisadores e leitores, serão programadas várias formas de esclarecimentos, assim como cursos de capacitação, ou orientação, para um melhor uso e aproveitamento dos conhecimentos produzidos pelos pesquisadores.

O Portal abriga ainda uma Biblioteca Virtual, que permitirá o acesso ao Centro de Documentação do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, assim como ao material pertencente ao Museu da Tolerância da Universidade de São Paulo, ainda a ser construído. Nos cursos que irá oferecer, o Portal visa a formação continuada de professores, que se especializarem em áreas correlatas ao Laboratório. O "Laboratório de Estudos sobre a Intolerância" criará parcerias para capacitação técnica em produção de bancos de dados, softwares, materiais de hipermídia, organização de cursos e difusão cultural.

Os resultados dos estudos apresentados no Portal serão apresentados em publicações acadêmicas, produzindo materiais de ensino, softwares, ambientes de hipermídia, cinema, vídeo, boletim e uma revista eletrônica. Serão divulgados documentos e notícias sobre livros escritos em bibliotecas virtuais, que acompanharão os cursos, conferências e trabalhos realizados entre os grupos. Paralelamente aos cursos, conferências e grupos de trabalho serão divulgados documentos sobre temas diversos e serão inseridos livros em bibliotecas virtuais.

O programa procura aproximar o mundo acadêmico às diversas organizações sociais, pollíticas e culturais, propiciando novos desafios ao conhecimento e reforçando as idéias de democracia e cidadania.

Endereço: Av. Prof. Lineu Prestes, 159 (prádio da Casa de Cultura Japonesa, sub-solo), Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira - Butantã - São Paulo/ SP - CEP 05508-000.
Tel.: 11 3091-2441 / 11 3091-3584