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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 15 de maio de 2011

A interpretação tipológica da Bíblia e seus reflexos na representação do povo judeu

A interpretação tipológica da Bíblia e seus reflexos na representação do povo judeu

Marta Bernadete Frolini de Aguiar Marczyk

Tese de doutorado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica (USP)

Data da defesa: 07/10/2010

Resumo: A presente pesquisa tem por objetivo apresentar a tipologia bíblica como fator de influência sobre a representação do povo judeu na civilização cristã. Para isso, busca-se descrever o procedimento de interpretação tipológica, enquanto forma de leitura e de composição do cânone escritural do cristianismo, salientando que a tipologia bíblica teve um papel decisivo na separação entre o credo cristão e o credo judaico. Observa-se a complexidade dessa ruptura, na qual houve uma legitimação dos escritos nucleares da tradição textual judaica, incorporando-os na Bíblia, paralelamente à desautorização das práticas de leitura dos judeus. Busca-se, recorrendo à formação do cânone cristão e aos escritos de antigos padres, Justino e Tertuliano, demonstrar que a tipologia bíblica envolve, além dos fatores interpretativos, uma apreciação negativa da figura do judeu, visto que, na ótica cristã, esse povo viola o princípio de dependência entre os assim chamados Antigo e Novo Testamentos. Observam-se algumas encíclicas papais, com o intuito de examinar a tradição cristã em seu estatuto de afastamento do judaísmo. Nesses escritos, constata-se que se mantêm a prescrição da tipologia bíblica e a recriminação de outras formas interpretativas. E, nos escritos contemporâneos de propagação do ódio contra os judeus, os "Protocolos dos Sábios de Sião" e os discursos de seus apologistas, percebe-se que a lógica da tipologia bíblica é uma forma particular e específica de caracterizar esse povo, que se sustenta ao lado, mas diferentemente, das representações depreciativas supostamente históricas. Propõe-se também um panorama da tipologia bíblica nas práticas literárias, percorrendo-se os estudos de Erich Auerbach e Northrop Frye, os quais demonstram sua influência bimilenar sobre a literatura ocidental. Sob essa perspectiva, apresentam-se duas obras de autores da literatura brasileira, um romance de José de Alencar e um poema de Jorge de Lima, que revelam dois modos pelos quais a tipologia bíblica se reflete na construção da imagem do judeu. A pesquisa, em seu conjunto, demonstra o quão relevante é reconhecer que a religião cristã consolidou-se historicamente a partir da cisão com o judaísmo e que, por essa razão, sustenta práticas de leitura que desautorizam as práticas da religião judaica. Mostra, dessa forma, que, muito frequentemente, esse ato de desautorização se estende dos preceitos religiosos para a comunidade judaica, formando e propagando representações depreciativas do povo judeu.

Palavras-chave: Cristianismo, Literatura brasileira, Povo judeu, Representação, Tipologia bíblica, Judaísmo

domingo, 9 de janeiro de 2011

As relações entre o judaísmo e o cristianismo no Império Romano: uma nova interpretação a partir do paradigma culturalista

História e Historiografia (Número 5/2010 – UFOP)

As relações entre o judaísmo e o cristianismo no Império Romano: uma nova interpretação a partir do paradigma culturalista

Gilvan Ventura da Silva (UFES)

Resumo: Nos últimos anos, os pesquisadores vêm dispensando uma atenção cada vez maior aos processos de encontro, contato e intercâmbio cultural, de maneira que, em termos da pesquisa universitária, a assim denominada “virada culturalista” tem se afirmado como um paradigma vigoroso, estimulando a criação de linhas de investigação bastante inovadoras ou mesmo a retomada de objetos já consagrados sob uma nova perspectiva. Tendo em vista essas considerações pretendemos, neste artigo, discutir a maneira pela qual os autores contemporâneos têm reinterpretado a dinâmica religiosa no Império Romano, com destaque para a aplicação do modelo da Wave theory ao estudo das relações entre o judaísmo e o cristianismo no Mundo Antigo.

Texto Completo: PDF

domingo, 31 de outubro de 2010

Só um Estado civil poderá salvar os cristãos do Oriente (1)

Zenit (31/10/2010): Só um Estado civil poderá salvar os cristãos do Oriente (1): Os cristãos no Oriente Médio não são vítimas de uma perseguição sistemática, mas sua vida e seus direitos sofrem uma discriminação similar a uma lenta eutanásia, que está apagando pouco a pouco sua presença milenar na região. A assembleia especial do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio teve uma responsabilidade crucial em propor um remédio para este fenômeno, que o arcebispo caldeu de Kirkuk, Dom Louis Sako, define de “hemorragia dos cristãos do Oriente Médio”. Nesta entrevista a ZENIT, o padre Samir Khalil, especialista em Islã e história do Oriente Médio, oferece um quadro histórico-religioso da situação atual na região, analisa os desafios mais urgentes e propõe algumas possíveis soluções concretas. >>> Leia mais, clique aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

El Cristianismo mejora su imagen em Israel

Aurora Digital (25/02/2009): El Cristianismo mejora su imagen em Israel

La imagen del Cristianismo entre la población judía de Israel mejoró en los últimos años, pero aún refleja el recelo y el resquemor de siglos de antagonismo y persecuciones religiosas.


A menos de tres meses de la visita del papa Benedicto XVI a Tierra Santa y después de un año de polémica en las relaciones judeo-cristianas por el proceso de beatificación de Pío XII, un estudio de dos institutos de Jerusalén refleja que la postura de los israelíes hacia el Cristianismo evolucionó favorablemente.


"Un cincuenta y cuatro por ciento cree que debe ser estudiado en los colegios y la mitad de ellos ven y reconocen la importancia y la centralidad de Jerusalén para el Cristianismo", destacó Amnon Ramón, autor del estudio y miembro del Instituto Jerusalén para el Estudio de Israel.


Realizado por ese Instituto y el Centro de Jerusalén para las Relaciones Judeo-Cristianas, el estudio es el seguimiento de otro idéntico realizado en el 2000 antes de la histórica visita de Juan Pablo II, y compara los resultados con los de otros sondeos de menor alcance hechos en los años 70 y 80.


"La conclusión más importante es que la imagen que los judíos tienen del Cristianismo es compleja y multidimensional", asegura Ramón, quien percibe los nuevos resultados con optimismo dado el convulso trasfondo de las relaciones entre las dos religiones.


Uno de los avances es que un cuarenta y dos por ciento de los encuestados considera al Cristianismo como "la religión más próxima al Judaísmo", en comparación con un treinta y dos por ciento que ve así al Islám, que en contrapartida es considerado por la teología oficial judía como el credo más cercano.


Asimismo, el cincuenta por ciento ya no considera que el Cristianismo sea una "religión idólatra", histórica acusación judía por la imaginería que rodea al Catolicismo, a pesar de que para ambas religiones la adoración de ídolos sea una de las peores trasgresiones.


Pero siglos de persecuciones y conversiones forzosas han dejado también una huella indeleble, y los judíos aún ven con suspicacia cualquier iniciativa en la que perciban el más mínimo destello de "actividad misionera".


El interés se desprende del alto número de israelíes que visitaron una iglesia, el setenta por ciento, y de su nueva actitud hacia el símbolo de la cruz, ya que el setenta y seis por ciento dice que no le molesta.


Un cincuenta y ocho por ciento de los encuestados confirmó ver "un cambio favorable de la Iglesia hacia el Judaísmo en los últimos cincuenta años", pero muchos desconocen la encíclica Nostra Aetate, que en 1965 eximió a los judíos de la acusación del deicidio, origen de siglos de antisemitismo en Europa.



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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Uma inscrição situa antes de Jesus a tradição da ressurreição do Messias

Juan Miguel Muñoz
Em Jerusalém - El País, em 11/07/2008.

Toda descoberta arqueológica vinculada ao período de Cristo provoca debates incendiados que muitas vezes se eternizam. A última revelação não decepcionará os polemistas, pois afeta as raízes do cristianismo, ao sugerir que a ressurreição do Messias no terceiro dia após sua morte é uma tradição anterior à figura histórica de Jesus.

Acaba de acontecer no Museu de Israel. Um pesquisador da Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel Knohl, apresentou na terça-feira um estudo sobre uma lousa de 90 cm de pedra calcária, datada do século 1º antes de Cristo e descoberta há 15 anos, que contém 87 linhas escritas com tinta. Nelas, segundo o arqueólogo, se descreve o anjo Gabriel ressuscitando um líder messiânico três dias depois de sua morte. Se realmente for isso o que está escrito na pedra, o conceito da ressurreição próprio do cristianismo teria sua origem na tradição judaica anterior.

A peça foi vendida há uma década por um negociante jordaniano a um colecionador suíço-israelense, que a mostrou a vários especialistas. Acredita-se que foi encontrada na margem jordaniana do mar Morto, no lado oposto a onde se situam as cavernas de Qumran, cenário de outra descoberta, os pergaminhos do mar Morto, sobre os quais se discute sem descanso desde 1948. A deterioração da lousa também propiciou várias interpretações porque muitos vocábulos estão quase ilegíveis. É um exemplo pouco freqüente daquele período. As palavras eram habitualmente esculpidas na pedra. Não se escrevia com tinta sobre ela.

A controvérsia parece própria de um país cheio de escavações arqueológicas, em busca das mais profundas raízes judias e no qual se fala o indizível da religião. Discussões acadêmicas à parte, assuntos deste porte - incluindo conceitos como a ressurreição, capital para o cristianismo - tocam as fibras mais delicadas nas sedes das igrejas cristãs, cujas relações com o judaísmo nunca foram simples.

"Minha teoria", explicou Knohl, "não representa nenhuma ameaça para os princípios fundamentais do cristianismo e não é meu objetivo polemizar com nenhuma religião." Os professores presentes no Museu de Israel explicaram que o conceito de ressurreição não é estranho ao judaísmo. O surpreendente, na opinião deles, é a referência aos três dias. "Em três dias viverás. Eu, Gabriel, te ordeno", pode-se ler, segundo Knohl.

"Essa teoria oferece novas idéias sobre o personagem histórico de Jesus, não como redentor da humanidade, como concebe o cristianismo, mas como um Messias cujo objetivo era redimir o povo a que pertencia, o judeu", declarou Knohl, que afirma ter traduzido uma das palavras que outros pesquisadores tinham sido incapazes de decifrar. Vários especialistas acrescentam que a figura de Jesus seria melhor compreendida depois de estudar a agitada história política dos judeus naquela época.

Muitos especialistas advertem que o debate acaba de começar e que a interpretação de Knohl é um tanto aventurosa. Um ano atrás foram publicados extensos relatórios que situam a origem da pedra antes do nascimento de Cristo. Agora se anuncia uma avalanche de ensaios. Parece que a polêmica não vai amainar.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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terça-feira, 8 de julho de 2008

Ressurreição a.C.: Inscrições em pedra falam de retorno de messias antes de Jesus


O Globo, Ciência, página 26, em 08/07/2008.

Ressurreição a.C.
Inscrições em pedra falam de retorno de messias antes de Jesus

Ethan Bronner - Do New York Times

Uma placa de pedra de cerca de um metro de altura, com 87 linhas escritas em hebraico, e que, segundo especialistas dataria de algumas décadas antes do nascimento de Jesus está causando polêmica nos círculos de arqueologia bíblica porque mencionaria a chegada de um messias que ressuscitaria três dias depois de morto.

Se tal descrição messiânica estiver mesmo na placa, ela contribuirá de forma significativa para a reavaliação das visões popular e acadêmica de Jesus ao apontar que sua história de morte e ressurreição não seria única, mas sim parte de uma reconhecida tradição judaica da época.

Encontrada perto do Mar Morto, na Jordânia, de acordo com especialistas que a estudaram, a placa é um raro exemplo de pedra com inscrições em tinta desse período — uma espécie de Manuscrito do Mar Morto em pedra.

Está escrita, não entalhada, em duas colunas, similares às colunas da Torá. Mas a pedra está quebrada e parte do texto se apagou, o que dá espaço a interpretações sobre o que estaria realmente escrito.

Pedra estava na Suíça há dez anos
Ainda assim sua autenticidade não foi questionada e, por isso, é significativo seu papel na compreensão das raízes do cristianismo em meio da devastadora crise política enfrentada pelos judeus naquela época.

Daniel Boyarin, professor de cultura do Talmude na Universidade da Califórnia, em Berkeley, afirma que a placa integra o crescente número de evidências que sugerem que Jesus pode ser mais bem compreendido por meio da compreensão da história judaica de sua época.

— Alguns cristãos acharão chocante, um desafio à idéia de que sua teologia é única, enquanto outros acharão conforto na idéia de que (a ressurreição) é uma parte tradicional do judaísmo — afirmou Boyarin.

A placa de pedra foi encontrada há cerca de dez anos e comprada de um vendedor de antigüidades jordaniano por um colecionador que a manteve em sua casa, na Suíça. Mas o interesse pela relíquia só foi despertado no ano passado, quando uma especialista israelense a examinou e publicou um artigo sobre ela.

Agora já há diversos estudos sobre suas inscrições, alguns ainda a serem publicados.

— Eu não tinha idéia do quão importante era até mostrá-la para Ada Yardeni, especialista em escrita hebraica.

Ela ficou impressionada: “Você tem um manuscrito do Mar Morto em pedra” — contou David Jeselsohn, o dono da pedra, ele mesmo um especialista em antigüidades.

Boa parte do texto se refere à visão do Apocalipse transmitida pelo anjo Gabriel no Antigo Testamento.

Yardeni e Binyamin Elitzur, outro especialista em escrita hebraica que também examinou a pedra, escreveram uma detalhada análise sobre a placa e concluíram que o texto datava do fim do primeiro século antes de Cristo. Professor de arqueologia da Universidade de Tel Aviv, Yuval Goren realizou uma análise química da pedra e garantiu que não há razão para duvidar de sua autenticidade.

Israel Knohl, professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica, antigo defensor da tese de que a idéia de um messias era anterior a Jesus, viu nos estudos sobre a pedra os indícios que faltavam para consolidar suas idéias. De acordo com as interpretações de Knohl, a figura messiânica citada na placa seria a de um homem chamado Simon, assassinado pelo exército de Herodes.

Os autores da inscrição na pedra seriam, provavelmente, seguidores de Simon.

Texto altera visões do cristianismo
O sacrifício de Simon é visto como um passo necessário para a salvação, diz o especialista, destacando as linhas 19, 20 e 21 do texto, segundo as quais “em três dias vocês verão que o mal será derrotado pela justiça”. A octogésima linha do texto começa com as palavras “L’shloshet yamin,” que significam “em três dias”. A palavra seguinte está parcialmente ilegível, mas Knohl sustenta que se trata de “hayeh”, o imperativo de viver.

— Tudo isso altera nossas visões básicas do cristianismo — afirma o pesquisador. — A ressurreição depois de três dias se torna uma idéia desenvolvida antes de Jesus, o que vai de encontro a praticamente toda a atual visão acadêmica. O que acontece no Novo Testamento foi adotado por Jesus e seus seguidores baseado numa história anterior de messias.

Veja mais:

Sugestão de Leitura (Prof. Airton José da Silva):

sábado, 5 de julho de 2008

The Messiah in Early Judaism and Christianity


The Messiah in Early Judaism and Christianity

Zetterholm, Magnus, editor

Minneapolis: Fortress, 2007


Description: The Messiah neatly surveys currents of messianic thought in the formative centuries of Judaism and Christianity, providing precision in thinking about "messianic" images and tradition. Leading scholars offer succinct and illuminating essays on the traditions that decisively shaped Jewish and Christian belief in a messiah. Includes two maps, a timeline of persons, events, and literature, and a glossary of terms.

Subjects: Methods, Historical Approaches, History, Greco-Roman Period


Review by James H. Charlesworth

Read the Review

Published 6/28/2008

Citation: James H. Charlesworth, review of Magnus Zetterholm, ed., The Messiah in Early Judaism and Christianity, Review of Biblical Literature [http://www.bookreviews.org] (2008).

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Oração da Sexta-Feira Santa: diálogo judaico-cristão precisa de sensibilidade hoje

Para respeitar as crenças do outro, declara o cardeal Walter Kasper

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 10 de abril de 2008 (ZENIT.org).- A nova formulação da oração da Sexta-Feira Santa pelos judeus, redigida para as comunidades que seguem o Missal Romano procedente ao Concílio Vaticano II, é oportuna, pois ofereceu «importantes melhorias ao texto original»; agora, há questões muito sensíveis para o povo judeu e é necessária uma grande sensibilidade, reconhece o cardeal Walter Kasper.

O presidente da Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo publicou nesta quinta-feira, no jornal vaticano «L’Osservatore Romano», um artigo, no qual responde com afeto às reações, em muitas ocasiões críticas, de expoentes judeus ante a publicação da oração.

Trata-se de reações, afirma, sobretudo de caráter «emocional». «Pois bem, não se deve descartá-las precipitadamente por considerar que estejam causadas pela hipersensibilidade. Inclusive entre amigos judeus que há décadas estão envolvidos em um intenso diálogo com cristãos, a memória coletiva de catequese e conversas forçadas continua viva».

«Muitos judeus consideram a missão para os judeus como uma ameaça para sua existência; em certas ocasiões, fala-se inclusive de uma Shoah com outros meios. É necessário, portanto, ter uma grande sensibilidade na relação judaico-cristã», afirma.

Segundo o purpurado, «a oração da Sexta-Feira Santa pelos judeus tem uma longa história. A nova fórmula da oração para a forma extraordinária do Rito Romano (missal de 1962) redigido pelo Papa Bento XVI foi oportuna, pois algumas formulações eram consideradas ofensivas por parte judaica e dolorosas por parte de vários católicos».

A nova fórmula, que só as comunidades ligadas à celebração eucarística segundo o Missal de 1962 utilizarão, «fala de Jesus como o Cristo e a salvação de todos os homens, portanto, também dos judeus», declara o cardeal.

«Muitos interpretaram esta afirmação como nova e não amigável em relação aos judeus. Mas se fundamenta no conjunto do Novo Testamento (cf. 1 Timóteo 2, 4) e indica a diferença fundamental, conhecida por todos, que subsiste entre cristãos e judeus.»

«No passado, a fé em Cristo, que diferencia os cristãos dos judeus, transformou-se com freqüência em uma ‘linguagem de desprezo’ (Jules Isaac), com todas as graves conseqüências que disso se derivam. Se hoje nos comprometemos por um respeito recíproco, este só pode fundamentar-se no fato de que reconhecemos reciprocamente nossa diversidade», considera.

«Por este motivo, não esperamos que os judeus concordem no conteúdo cristológico da oração da Sexta-Feira Santa, mas que respeitem que nós rezemos como cristãos, segundo nossa fé, assim como também nós respeitamos sua maneira de rezar. Nesta perspectiva, ambas partes devem aprender», assinala.

«A incompreensão ante a reformulação da oração da Sexta-Feira Santa – segundo o purpurado alemão – é um sinal de quão grande é ainda a tarefa no diálogo judaico-cristão. As reações irritadas que surgiram deveriam, portanto, ser uma ocasião para esclarecer e aprofundar nos fundamentos e nos objetivos do diálogo judaico-cristão.»

«Se desta maneira pudesse encaminhar-se um aprofundamento no diálogo, a tensão surgida traria ao final um resultado positivo. Sempre se deve ser conscientes de que o diálogo entre judeus e cristãos continuará sendo, por sua natureza, difícil e frágil e que exige, em grande medida, sensibilidade por ambas partes», conclui.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Os sábios fariseus

Sábios Fariseus, reparar uma injustiça

Autor: Evaristo Eduardo de Miranda
Editora: Loyola

Sinopse: Os fariseus estiveram no coração de Israel por quatro séculos. Os cristãos os conhecem somente pelas polêmicas e críticas relatadas nos evangelhos, que não são fonte fiável para o conhecimento do farisianismo, reflexo de querelas tardias entre cristãos e judeus. Carpinteiros, ferreiros, sapateiros, pescadores, policiais, pedreiros, tecelões, comerciantes, etc., os fariseus tiveram atuação histórica decisiva no destino do povo judeu. O judaísmo atual é fruto do farisianismo. Reunidos em pequenas comunidades, respeitavam as prescrições dos mestres e eram considerados modelos de piedade religiosa, dedicados à Torá e sua interpretação. Escrito por um cristão e um judeu, o livro 'Sábios Fariseus' repara uma injustiça milenar ao apresentar a história do farisianismo e a vida de quase uma centena de fariseus, destacando o fundamento espiritual perene de seus ensinamentos.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Would Jesus want to convert the Jews?

A serious blow was dealt to the Jewish-evangelical alliance with the publication in Friday's New York Times of a full page ad by the World Evangelical Alliance - representing hundreds of evangelical Churches, organizations, and leaders, some being among the most prominent in the country - affirming their intention to proselytize Jews.

The ad said, "The most loving and Scriptural expression of our friendship toward Jewish people, and to anyone we call friend, is to forthrightly share the love of G-d in the person of Jesus Christ.... We recognize that it is good and right for those with specialized knowledge, history, and skills to use these gifts to introduce individuals to the Messiah, and that includes those ministries specifically directed to the Jewish people."

Oh brother, here we go again. Is this really what we all need right now? Richard Dawkins and Christopher Hitchens are slowly building an army of non-believers to ridicule global faith. Fundamentalist Muslims who assail both Judaism and Christianity are digging in against the West. And a secular and exploitative culture in America is slowly eroding the dignity of women and the innocence of children. And just when we thought that Christians and Jews could really work together to reverse this tide, we get this: Christians who profess to be the Jewish people's friends by devoting themselves to the end of their existence as Jews.

NEXT MONTH in my old stomping ground in Oxford I will be engaging in a debate as to whether belief in the divinity of Jesus is compatible with Judaism. It is not. Period. It never was, and it never will be. But that has never stopped us Jews from loving and respecting our Christian brothers and sisters and the great faith they practice. The time has come for them to once and for all declare their reciprocity by refraining from ever directly targeting Jews for conversion.

This is what Jesus would want and says so with ferocious directness, going so far as condemn all who attempt to pry Jews away from Judaism: "Whoever goes against the smallest of the laws of Moses, teaching men to do the same, will be named least in the kingdom of heaven; but he who keeps the Law of Moses, teaching others to keep them, will be named great in the kingdom of heaven." (Matthew 5:19).

The Jewish community must respectfully but forcefully respond to our Christian brothers and sisters as to why proselytizing Jews is a bad idea.

IT'S BAD for Christianity because it betrays the tragic fact that after thousands of years of persecuting Jews, many Christians still have not evolved enough to respect the Jewish faith. It's bad for Christians because if they reject the Jewishness of Jesus they will never fully understand his teachings or his life. It's bad for Jewish-Christian relations because, for all their immense support for the State of Israel, most Jews are still suspicious of evangelicals precisely because many treat Judaism as an unsaved, subordinate faith. And it's bad for the Western world whose basic fabric is based on Judeo-Christian values, which will of necessity suffer if the groups who promote these values neutralize each other through unnecessary conflict.

But rather than merely lamenting this new effort by Christian to proselytize Jews, I believe that we might see it as an opportunity. Time magazine recently identified the new effort by scholars to re-Judaize Jesus as one of the 10 most important new ideas in the world.

Using public forums to teach our Christian brothers and sisters of the essential Jewish nature of Jesus and his teachings is vital to a renewed relationship.

Jesus was a Pharisaic rabbi. Everything he taught and lived was based on the Torah and the Talmud. From his proclamation that "The meek shall inherit the earth (Matt. 5:5) which comes from Psalm 37, to the famous Golden Rule of 'Do to others what you would they do to you," which derives from Leviticus 19, to his statement that 'the Sabbath was made for man and not man for the Sabbath,' whose origin is the Talmud (Yoma 85b), Jesus' mission was to renew Jewish attachment to the Torah in a time when the threads of tradition were being unwoven due to the oppressive hand of the occupying Roman beast.

WHILE JESUS lived, Judaism was practiced by 10% of the Roman Empire. Later, because the Emperor Constantine converted to Christianity, it superseded Judaism as the world's foremost monotheistic faith. Judaism became a backwater that was practiced and largely known only to Jews. But it is specifically Jewish values which today represent a great hope for rejuvenating a crumbling modern world and from which our Christian brethren can greatly benefit.

For instance, Christianity says that faith trumps action. What you believe is more important than what you do. And that's why they want us to believe in Jesus. But is that really the problem in the world today, that people don't have the right beliefs, or that they don't have the right actions? Nearly all people believe in love, and, according to the Rutgers University Marriage Project, close to 90 percent of all college undergraduates also believe in marriage. But their actions are not loving, as they practice cheap 'hookups' that are bereft of romance and commitment, and husbands continue to profess a belief in marriage while cheating on their wives, as we've seen recently with so many politicians.

LIKEWISE, few today don't believe in democracy. Even wannabe dictators like Putin and Chavez, and actual dictators like Mubarak and Assad, do their best to give their actions a thin democratic veneer. It's their actions, rather than beliefs, that aren't democratic and which must change.

Another example: Christianity values perfection while Judaism values struggle. Jesus was perfect, and Christians are meant to emulate his example. But in this age where we are all so deeply flawed and so many are lost, the message they must hear is that of the Hebrew Bible, which recounts all the errors of its heroes to teach us that even flawed human beings can vastly contribute to the perfection of the world.

And is the Christian emphasis on salvation what we most need now, or is it the Jewish emphasis on redemption? Should we be talking about getting into heaven when, after so many thousands of years of human history, our earth still has genocide in Darfur, terrorism in the Middle East, and broken, lonely souls across the West?

Rather than worrying who needs to be converted to get into heaven, Christians and Jews should join together to create heaven here on earth.

The writer hosts a daily radio show in the US. He is working on a book about the Jewish life of Jesus.

Extraído de:
Jerusalem Post, em 31/03/2008.

sexta-feira, 21 de março de 2008

A Páscoa e o Purim

TV Globo – Jornal Hoje – 21/03/2008.
Alberto Gaspar

A Páscoa e o Purim

Em Jerusalém, terra santa para várias religiões, o feriado cristão da Páscoa coincidiu com uma festa muito animada para os judeus.

Peregrinos cristãos de todo o mundo percorreram nesta sexta-feira as ruas históricas de Jerusalém para lembrar o sofrimento de Cristo. A procissão da Via Dolorosa coincide com uma das festas mais animadas do calendário judaico.

Veja na reportagem especial do correspondente Alberto Gaspar.

Nas estreitas, lotadas e superpoliciadas ruas da Cidade Velha, religiosos abrem passagem para o patriarca latino de Jerusalém, o palestino Michel Sabbah. Ele se junta aos muitos fiéis do mundo inteiro que percorrem a Via Dolorosa, o caminho seguido por Jesus rumo à crucificação.

Os frades franciscanos lideram a principal procissão, no fim da manhã – entre eles, um brasileiro do Rio Grande do Sul. “É uma sensação muito forte, muito bonita para nós também", diz o frade Wahner Zimmer.

Os cristãos representam só 2% da população da Terra Santa, e só católicos e protestantes – minoria entre eles – celebrarão a Páscoa neste domingo. Os cristãos ortodoxos usam outro calendário.

A Páscoa judaica, que tem um significado completamente diferente, só será comemorada daqui a um mês. O que acontece nesses dias é uma outra celebração, das mais alegres; as pessoas saem às ruas fantasiadas, parece um Carnaval. É o Purim.

Nesta festa judaica, fantasias servem para celebrar uma vitória obtida há 2.500 anos, quando os judeus foram salvos de um massacre, sob domínio do Império Persa. “É uma alegria total. Tem festas em todos os lugares e muita bebida. É um dia de ficar alegre”, explica a agente de viagens Adriana Bonder.

A comida também faz parte do Purim. O mercado fica cheio, e um tipo de bolacha recheada faz muito sucesso. A tradição é trocar presentes desse tipo com os amigos e também dar dinheiro aos pobres, nos explica uma senhora.

Nesta terra de tantos contrastes, os calendários foram particularmente caprichosos este ano.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

As diferenças entre o Judaísmo e o Cristianismo

Há várias distinções substanciais e vitais entre o judaísmo e o cristianismo. Claro, também há muitas semelhanças, basicamente porque o cristianismo surgiu do judaísmo. Todavia, o cristianismo seguiu um outro caminho desde o início, pois suas lideranças romperam com o judaísmo e formaram uma nova religião. Portanto, é um grande equívoco acreditar que ambas as religiões têm a mesma essência, ou ver o cristianismo como uma continuação natural do judaísmo. >> Leia mais...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Cardeal Saraiva: suposto silêncio de Pio XII sobre nazismo não é verdade

Cardeal Saraiva: suposto silêncio de Pio XII sobre nazismo não é verdade

Sua causa de beatificação não está suspensa

Por Marta Lago


CIDADE DO VATICANO, 18 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Não responde à verdade histórica falar de um silêncio de Pio XII com relação ao nazismo, adverte o prefeito da Congregação vaticana para as Causas dos Santos.

No marco da apresentação da Instrução – do dicastério – «Sanctorum Mater» [sobre a fase diocesana das causas de beatificação e canonização], o cardeal José Saraiva Martins respondeu sobre o andamento de algumas causas, entre elas a de Pio XII.

A causa do Papa Eugenio Pacelli «nem foi adiada nem muito menos está suspensa», confirmou o purpurado nesta segunda-feira à mídia internacional na Sala de Imprensa da Santa Sé.

Em todo lugar, este ano acontece o cinqüentenário do falecimento do então pontífice, uma «ocasião de ouro» para «promover certas iniciativas que levem a um conhecimento cada vez mais perfeito do Papa Pio XII», explicou.

Entre as anteriores, mencionou um congresso – «que aprofunde bem em sua figura e espiritualidade» – e uma exposição sobre seu pontificado; também «uma comissão está estudando e aprofundando cada vez mais no pontificado de Eugenio Pacelli».

Para quem afirma, como suposto obstáculo à causa, que Pio XII «é famoso por seu silêncio» porque «não condenou o nazismo», o cardeal Saraiva declarou: «Isso não é verdade historicamente. Mais que de silêncio, eu falaria de prudência».

«Desejo confirmar minha afirmação. Eu traduziria silêncio por prudência. Não houve silêncio. Quando se publica a encíclica Summi pontificati,Goebbels, número dois do nazismo, escreveu em seu diário: ‘Saiu esta encíclica e o Papa foi muito duro contra nós’. Pelo que se vê, era um silêncio pouco silencioso», remarcou o prefeito do dicastério para as Causas dos Santos.

Igualmente, citou o próprio Pio XII, que [em 2 de junho de 1943, por ocasião da festividade de Santo Eugenio, N. da R.] publicamente expressou que toda palavra que dirigisse – para mitigar o sofrimento do povo judeu, melhorar suas condições morais e jurídicas, etc – «às autoridades competentes e toda alusão pública» devia ser ponderada e medida seriamente «em interesse dos que estavam sofrendo, para não tornar, sem querer, mais grave e insuportável sua situação».

«Com um testemunho acima de toda suspeita», o cardeal Saraiva quis confirmar o que expôs, oferecendo as palavras de Robert Kempner, magistrado judeu e fiscal no Julgamento de Nuremberg.

Disse o purpurado: «Escreveu [Kempner] em janeiro de 1964 – após a saída de ‘O Vigário’ de Hochhuth [drama que difunde o equívoco de Pio XII como figura passiva, covarde e anti-semita, N. da R.]: ‘Qualquer tomada de posição propagandista da Igreja contra o governo de Hitler teria sido não somente um suicídio premeditado, mas teria acelerado o assassinato de um número muito maior de judeus e sacerdotes’».

O cardeal Saraiva lamentou as posturas críticas com relação a Pio XII, atitudes «que surgiram depois da publicação de ‘O Vigário’».

Quando acabou a guerra, «foram muitos os judeus que foram ao Vaticano para agradecer ao Papa Pacelli o que ele havia feito pro eles. Esta é a história», afirmou.


Cardeal Saraiva: suposto silêncio de Pio XII sobre nazismo não é verdade

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Herdeiros de Abraão - O futuro das relações entre muçulmanos, judeus e cristãos


Título: Herdeiros de Abraão
Catálogo: Bíblico
Assunto: Diálogo inter-religioso
Ano: 2007
Autor(a): Irfan A. Omar; Bradford E. Hinze
Acabamento: brochura
Formato: 21x13.5
Coleção:
Número de páginas: 192
Editora: PAULUS
Edição: 1
Código de barras: 9788534926737
ISBN: 9788534926

Sinopse: As três tradições abraâmicas têm uma longa história de conflitos, por vezes com desastrosos resultados. Este livro apresenta uma alternativa para aqueles que vêem apenas um futuro semelhante ao passado: de crescente atrito e violência. Três das mais respeitadas figuras, representando o cristianismo católico, o judaísmo e o islamismo - o arcebispo Michael Fitzgerald, o professor Reuven Firestone e o professor Mahmoud Ayoub - mostram que a colaboração pode funcionar e que é possível promover a mútua compreensão e valorização das diferentes tradições. Os leitores aprenderão muito, principalmente do profundo respeito com que os três participantes articulam suas perspectivas e respondem às dos outros.