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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Avatar chega a conflito em Israel

Os artigos sobre Estudos Judaicos e Israel sempre atualizados você encontra aqui.



Destaque 1


Destaque 2

  • Aurora Digital (18/02/2010): Cabalá - La fuerza interna de la Bíblia: Moisés, quien bajo inspiración divina escribió los cimientos de la Biblia, fue encontrado por la hija del antiguo gobernante egipcio, el Faraón, en un pesebre de papiro a la orilla del Nilo. Fue criado en la casa del Faraón y como príncipe, tuvo acceso a todo lo que cualquiera pudiera desear. Hasta que un día, decidió embarcarse en el viaje que lo llevó a descubrir el Mundo Superior. Descubrió que ese no era un lugar físico sobre la tierra sino un mundo interno de sensaciones completamente nuevas y maravillosas, inalcanzables por nuestros cinco sentidos tradicionales. Cuando decimos “un mundo”, la imagen que probablemente nos viene a la mente es un amplio espacio físico lleno de objetos, plantas, animales y personas. Sin embargo, el Mundo Superior es percibido por medio de la interioridad del ser humano, donde uno se conecta con las fuerzas que propulsan la realidad llamada “nuestro mundo”, a través de nuestros cinco sentidos. Y en el punto más alto del Mundo Superior, uno descubre que todas estas fuerzas se conectan a una única y abarcadora Fuerza Superior llamada “Luz Superior”. >>> Leia mais, clique aqui. >>> Conheça a Cabala - antiga e mística tradição judaica


Destaque 3


O Globo (19/02/2010)


FSP (19/02/2010)


FSP online (19/02/2010)


Estadão (19/02/2010)



CB (19/02/2010)


GP (19/02/2010)


Terra (19/02/2010)


G1 (19/02/2010)


Último Segundo (19/02/2010)


Uol Internacional / Mídia Global (19/02/2010)

  • EP: Irã caminha para a ditadura militar
  • DS: O alto preço da deserção dos judeus ortodoxos de Israel: A comunidade de judeus ultra-ortodoxos em Israel tem meio milhão de integrantes e está crescendo. Eles vivem em um universo paralelo, sem contato com o mundo moderno, em comunidades fechadas onde tudo gira em torno da religião. Somente uns poucos ousam abandonar essa vida – e preço pago por isso é elevado. >>> Leia mais, clique aqui.
  • DS: Os esquadrões de assassinato do Mossad: Muitas agências de inteligência são suspeitas de cometer assassinatos, mas nenhuma é tão conhecida por isso quanto o Mossad de Israel. Embora a agência tenha se tornada lendária pelos seus impressionantes sucessos, ela também teve os seus fracassos. Se o Mossad foi o responsável pelo recente assassinato em Dubai, isto poderá ser uma outra mancha na reputação da agência. >>> Leia mais, clique aqui.


Aurora Digital (19/02/2010)


Jornal Hoje (18/02/2010)


Jornal Nacional (18/02/2010)


Jornal da Globo (18/02/2010


Publishnews (18/02/2010)

  • Biografia de Eva Braun e a publicação de Mein kampf na Alemanha: Nova biografia contesta crença de que Eva Braun mantinha relação platônica com ditador nazista e não se envolvia com política. Mein kampf, obra de Hitler proibida na Alemanha, entra em domínio público em 2015. Um grupo de historiadores argumenta que é importante haver uma edição anotada da obra nas livrarias até 2015, quando ela entrará em domínio público, abrindo caminho para que grupos neonazistas publiquem suas próprias versões. O livro está banido da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Desde então, o governo da Bavária detém os direitos autorais da obra, e jamais permitiu que ela fosse editada. Mas pesquisadores do Instituto de História Contemporânea de Munique propuseram a elaboração de uma edição crítica do livro, criando uma divergência dentro do governo bávaro. A secretaria da Fazenda, a quem cabe a administração dos direitos autorais, rejeitou a proposta, mas o secretário de Ciência se manifestou a favor.


Arutz Sheva (18/02/2010)


Deutsche Welle (18/02/2010)


BBC Brasil (18/02/2010)


Carta Maior (17/02/2010)


Revista Época / Fala Mundo (17/02/2010)

  • Palestinos vestidos como personagens de Avatar entram em conflito com Exército israelense: Um grupo de militantes palestinos encontrou uma forma no mínimo inusitada para protestar contra Israel. Vestidos como personagens do filme Avatar, os ativistas realizaram manifestações simultâneas na vila de Bilin, próximo a Ramallah, na Cisjordânia, e no bairro Sheikh Jarrah, em Jerusalém oriental. Segundo os manifestantes, a intenção era passar ao mundo a ideia de que os palestinos vivem uma situação análoga à da população Na’vi, de Avatar. O protesto em Sheikh Jarrah, que reclamava do despejo de palestinos para dar lugar a assentamentos judeus, foi pacífico. Em Bilin, entretanto, os “palestinos Na’vi” tentaram derrubar edificações de uma barreira israelense e o Exército respondeu com bombas de gás lacrimogênio. Na história dirigida por James Cameron, que recebeu nove indicações ao Oscar 2010, os Na’vi são a população indígena da lua Pandora, que é parcialmente ocupada por seres humanos. Para evitar a ameaça dos Na’vi, os humanos vivem protegidos por muros. A vila de Bilin, por sua vez, foi ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967), e desde 1995 passou a ser controlada pela Autoridade Nacional Palestina. O problema é que Bilin é vizinha da barreira erguida por Israel na Cisjordânia, e viu seu território diminuído pelas construções israelenses, se tornando um ponto de conflito entre árabes e judeus. O protesto ocorreu na sexta-feira, um dia depois de Israel anunciar que iria começar a modificar o desenho da barreira para devolver uma parte do espaço a Bilin.


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18/02/2010

17/02/2010

16/02/210


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Eternally Eve: Images of Eve in the Hebrew Bible, Midrash, and Modern Jewish Poetry

Eternally Eve: Images of Eve in the Hebrew Bible, Midrash, and Modern Jewish Poetry
Anne Lapidus Lerner
Reviewed by Lieve M. Teugels

Description: The biblical accounts of Eve's life are central to Western culture, occupying a privileged place in our literature and art, culture, and society. By tracing the imagined character of Eve from ancient times to the present, Eternally Eve opens a window on the transmission and persistence of cultural and social values. Eternally Eve takes as its subject the many ways these stories can be read, interpreting the biblical narratives as well as their iteration by rabbinic midrashists and modern poets. Anne Lapidus Lerner argues that we must set aside, or at least rethink, a series of assumptions about Eve that have been dominant in Jewish thought for centuries and instead return to the original texts to rediscover meanings implicit in them. Using modern poetry about Eve as a touchstone for reinterpreting older texts, Lerner discovers that Genesis is often more open to contemporary values than are later rabbinic texts. Linking sacred texts to works of the classical and modern imagination, Lerner restores to her sources meanings suppressed or neglected over many years and demonstrates their power to speak today.

Subjects: Bible, Hebrew Bible / Old Testament, Pentateuch, Genesis, Literature, Methods, Historical Approaches, History, History of Interpretation

Review by Lieve M. Teugels
Read the Review
Published 7/12/2008
Citation: Lieve M. Teugels, review of Anne Lapidus Lerner, Eternally Eve: Images of Eve in the Hebrew Bible, Midrash, and Modern Jewish Poetry, Review of Biblical Literature [http://www.bookreviews.org] (2008).

Bíblia mais antiga do mundo ganha versão para a internet

Escrito em grego antigo, documento é um dos maiores da Antigüidade

Deutsche Welle, em 22/07/2008 - Projeto da Universidade de Leipzig colocará na internet todas as 390 páginas conhecidas do Codex Sinaiticus. Projeto faz parte de uma parceria entre as instituições que abrigam o pergaminho.

A partir desta quinta-feira (24/07) o mais antigo manuscrito da Bíblia contará com uma versão para leitura on-line, informou esta semana a biblioteca da Universidade de Leipzig. O pergaminho, conhecido como Codex Sinaiticus, estará disponível no site www.codex-sinaiticus.net.

A princípio serão disponibilizados na internet apenas os trechos pertencentes à biblioteca da instituição e também algumas folhas que formam o Velho Testamento e que fazem parte do acervo da Biblioteca Britânica, situada em Londres. Até 2009 é previsto que todas as 390 páginas do documento – o Novo Testamento completo e metade do Velho Testamento – estejam dispostas na internet.

Um texto impresso e uma edição fac-símile também estão nos planos do projeto que envolve as quatro instituições que abrigam partes da Bíblia: a Universidade de Leipzig, a Biblioteca Britânica, a Biblioteca Nacional da Rússia, em São Petersburgo, e o Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai, Egito, local onde o documento foi encontrado.

O Codex Sinaiticus é datado da metade do século 4º e foi descoberto em 1844 pelo teólogo alemão Konstantin von Tischendorf num cesto de lixo do próprio mosteiro, pronto para ser queimado com outros papéis classificados como sem importância.

Tischendorf recebeu permissão dos monges para levar apenas 43 das 129 páginas a Leipzig. Mas, em 1859, com o patrocínio do imperador russo Alexandre 2º, retornou ao mosteiro em busca de outros fragmentos do pergaminho e convenceu os monges a presentear o imperador com as partes então encontradas.

Em 1933, 347 folhas foram vendidas pela então União Soviética ao Museu Britânico. E 42 anos depois, em 1975, durante um trabalho de restauração, monges acharam mais 38 fragmentos, ainda em posse do mosteiro. Cerca de 300 folhas contendo partes do Velho Testamento nunca foram encontradas.

Disposto em quatro colunas, o pergaminho foi escrito em grego antigo e é considerado um dos maiores da Antigüidade, com dimensões de 33,5 cm de largura por 37,5 cm de altura.

De acordo com o projeto, a versão digital do Codex Sinaiticus irá além da simples apresentação textual de seu conteúdo, escrito à mão, em letras maiúsculas, sem espaços entre as palavras ou ilustrações. O público terá a possibilidade de folhear as páginas de forma interativa, podendo, além de aumentar o tamanho das letras, conferir a versão em seu idioma original ou ler a tradução de trechos selecionados para o inglês e o alemão.

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Texto em pedra fala de ressurreição do Messias décadas antes de Jesus

Arqueólogos estudam obra apocalíptica atribuída ao anjo Gabriel, do século I a.C. Se interpretação for correta, esperança sobre Salvador ressuscitado era judaica.

G1, Ciência e Saúde/Arqueologia, em 07/07/2008.

Uma misteriosa placa de pedra que parece datar do século I antes de Cristo pode vir a mudar a percepção sobre as origens do cristianismo e revelar que os judeus, antes mesmo de Jesus Cristo, já acreditavam na chegada de um Messias que morreria e ressuscitaria após três dias.

Isso é o que afirma o pesquisador Israel Knohl, assegurando que sua análise de um texto hebraico escrito nesse pedaço de rocha "poderá mudar a visão que temos do personagem histórico Jesus". "Esse texto pode constituir o elo perdido entre o judaísmo e o cristianismo, à medida que insere na tradição judaica a crença cristã na ressurreição de um messias", afirma o professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica de Jerusalém.

A peça se encontra em mãos de um colecionador, David Jeselsohn, que vive em Zurique, na Suíça, e que declarou tê-la comprado em Londres, de um antiquário jordaniano. A peça procederia da margem leste do Mar Morto, na Jordânia.

Arcanjo Gabriel
O texto em hebraico, de natureza apocalíptica, apresenta a "revelação de que o arcanjo Gabriel vai despertar o Príncipe dos Príncipes três dias depois de sua morte". O texto está escrito, com tinta sobre a pedra, em 87 linhas, e algumas letras ou palavras inteiras foram apagadas pelo tempo. A análise de Knohl consiste essencialmente em decodificar a linha 80, onde figuram os termos "três dias mais tarde" seguidos por uma palavra meio apagada que, segundo o professor, significa "vive".

A paleógrafa (especialista em escritas antigas) Ada Yardeni é mais prudente no que se refere à palavra "vive". "A leitura do professor é plausível, apesar de a ortografia utilizada ser raríssima", afirma Yardeni, que publicou a primeira descrição da placa em 2007, na revista de história e arqueologia israelense "Cathedra". Outros pesquisadores também preferem não tirar conclusões tão radicais do texto descoberto e, inclusive, alguns duvidam de sua autenticidade.

Por sua parte, o arqueólogo israelense Yuval Goren, especialista em descoberta de falsificações, afirma não ter "detectado nenhum indício de falsificação no texto da pedra". "No entanto, minha análise não se aplicou à tinta", enfatiza o diretor do departamento de arqueologia e culturas antigas da Universidade de Tel Aviv. Uma arqueóloga que pediu para não ser identificada expressou suas dúvidas sobre a autenticidade da peça.

"Estranho"
"É muito estranho que um texto tenha sido escrito com tinta em uma placa de pedra e tenha ficado conservado até nossos dias. Para ter certeza de que não se trata de uma falsificação, seria preciso saber em que circunstâncias e onde exatamente a pedra foi descoberta, o que não é o caso", acrescentou.

O professor Knohl deve apresentar nesta terça-feira (8) sua interpretação em um encontro em Jerusalém por ocasião do 60º aniversário da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto. "Se essa descrição messiânica está realmente lá, isso vai contribuir para desenvolver uma reavaliação da visão popular e da visão acadêmica de Jesus Cristo", comentou o jornal "New York Times". "Isso sugere que a história de Sua morte e ressurreição não era inédita, mas parte de uma reconhecida tradição judaica da época".

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Bíblia contém antigo poema erótico judaico cuja origem desafia especialistas

Cântico dos Cânticos celebra paixão entre namorados com imagens fortes e sensuais. Texto mal menciona Deus, mas passou a ser interpretado como símbolo do amor divino.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo
G1, Ciência e Saúde, em 06/07/2008.

"O mundo inteiro só foi criado, por assim dizer, por causa do dia em que o Cântico dos Cânticos seria dado a ele. Pois todas as Escrituras são santas, mas o Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos." A frase teria sido dita pelo sábio judeu Rabi Akivá, por volta do ano 100 d.C., e explicaria porque a Bíblia aceita por cristãos e judeus de hoje abriga esse livrinho misterioso. Os oito capítulos do Cântico dos Cânticos estão cheios de sensualidade e erotismo, descrições apaixonadas do corpo de dois jovens amantes, insinuações do ato sexual -- e uma única menção, que soa quase como nota de rodapé, ao nome de Deus. Como explicar, então, seu status nas Sagradas Escrituras judaico-cristãs?

Se a sensibilidade moderna estranha a presença de uma coleção de poemas eróticos no meio da Bíblia, a defesa do Cântico dos Cânticos (expressão hebraica que significa algo como "o maior dos cânticos" ou "o mais belo dos cânticos") pelo Rabi Akivá sugere que o próprio povo judaico teve dificuldade para aceitar a obra. "Houve muitos debates sobre a canonicidade dele [ou seja, sobre sua inclusão no cânon, ou conjunto oficial, da Bíblia]. No fim das contas, os rabinos acabam aceitando o livro, que é o último a ser incluído no cânon hebraico, mas proíbem seu uso como canções seculares, em salões de banquetes", conta Rita de Cácia Ló, professora do curso de extensão em teologia da Universidade São Francisco (SP).

Apesar da inclusão tardia no conjunto das Escrituras, há indícios de que o Cântico tem uma história antiga e complicada. As versões que conhecemos do livro trazem uma espécie de rubrica, dizendo que o livro é "o Cântico dos Cânticos de Salomão", rei de Israel que viveu por volta do ano 950 a.C., mas a maioria dos estudiosos modernos concorda que essa atribuição é fictícia.

"Na Antigüidade era comum que alguns textos fossem atribuídos a personagens famosos, seja por representar uma continuidade dos seus ensinamentos ou por fazer alusão a momentos marcantes de sua vida ou da lenda gerada por eles", explica Humberto Maiztegui Gonçalves, doutor em teologia bíblica e clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil cuja tese versou sobre o Cântico. Como Salomão, segundo a tradição israelita, teria amado inúmeras mulheres e tido grande gosto pela literatura, seu nome teria sido "atraído" para o poema. "Além disso, Salomão nasceu das loucuras de amor entre o rei Davi e Betsabéia, que era uma mulher casada, o que talvez também possa explicar essa idéia", lembra Rita Ló.

Reino do Norte
Apesar da referência aparentemente fictícia ao sábio Salomão, há no texto uma rápida menção à cidade de Tirza, que foi capital do Reino de Israel, ou Reino do Norte, uma das duas monarquias nas quais teria se dividido o território israelita após a morte de Salomão, por volta de 900 a.C. O interessante é que Tirza foi capital durante um brevíssimo período de tempo, logo após a separação dos reinos, o que pode indicar que ao menos parte do poema remonta a quase nove séculos antes de Cristo. No entanto, também há sinais, no hebraico do Cântico, que o texto foi retrabalhado após a destruição de Jerusalém pelos babilônios (século 6 a.C.), ou até perto do período grego, uns três séculos mais tarde.

As teorias sobre a origem do livro são muitas. "Ele poderia ter sido composto de uma só vez, por um único autor, ou o que temos hoje é a composição de vários poemas de amor que 'menestréis' ambulantes cantavam nos casamentos das aldeias que percorriam", afirma Cássio Murilo Dias da Silva, doutor em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e autor do livro "Leia a Bíblia como Literatura".

Com ou sem a participação de menestréis no surgimento do Cântico, um dos pontos surpreendentes no texto é a ênfase dada à voz feminina: em boa parte do texto, quem fala é uma jovem apaixonada e decidida, que procura seu amado pelas ruas da cidade, trama subterfúgios para fazer com que ele entre em seu quarto e anseia por encontrá-lo em meio à natureza, aos bosques e vinhedos, com descrições que evocam a natureza da terra de Israel na Antigüidade.

"Como a macieira entre as árvores dos bosques/Assim é meu amado entre os moços/À sombra de quem eu tanto desejara me sentei/E seu fruto é doce ao meu paladar/Ele me introduziu na sua adega/E a sua bandeira sobre mim é Amor!", declama a jovem. Em nenhum outro texto bíblico os pensamentos e desejos da mulher ocupam um lugar de tamanho destaque. Aliás, a impressão que o texto passa é que se trata de um casal de jovens namorados, e não que os dois sejam oficialmente casados.

"Para quem tenha uma visão da Bíblia com a masculinidade como centro, isso pode chegar a ser até escandaloso. Os homens participaram, no começo, como complemento", diz Humberto Gonçalves. Para o especialista anglicano, é possível dizer que as mulheres são as principais autoras da coleção de poemas do Cântico. "A pergunta é se sua autoria foi oral ou se chegaram a fixar a poesia por escrito", afirma ele. De fato, era raro que uma mulher do Oriente Médio antigo soubesse ler e escrever.

Amor humano, amor divino
Outra característica marcante do texto são os chamados "wasfs", longas comparações poéticas em que cada parte do corpo da amada ou do amado é comparada a um objeto, animal ou lugar. Trata-se de uma fórmula literária que também aparece na poesia amorosa árabe e do antigo Egito. Nesses trechos é que a sensualidade do poema fica mais explícita. "Tua fronte por trás do véu/É como uma romã aberta/Teu pescoço é como a Torre de Davi/Da qual pendem mil escudos/Teus seios são como dois filhotes gêmeos de gazela/Pastando entre os lírios", diz o amado em certo trecho.

"Sem dúvida, o sentido primeiro [do poema] é o amor humano, com tudo o que ele tem de paixão, crise, atração, desejo etc.", afirma Cássio da Silva. Por que, então, a inclusão do texto sensual no cânon sagrado? A explicação mais provável, sugerem os especialistas, é o fato de que a separação entre amor humano e amor divino que existe na cultura moderna era bem menos rígida na sociedade dos antigos israelitas. "No mundo antigo, tudo, inclusive as técnicas artesanais, o amor, a guerra e até os acordos políticos e diplomáticos tinham a ver com divindades", lembra Humberto Gonçalves.

"Não se pode separar a dimensão religiosa e mística do amor humano, porque, em larga escala, é o mesmo sentimento que Deus tem em relação a nós. O amor de duas pessoas reflete o amor com que Deus nos ama. Isso sem falar que o Cântico foi composto numa sociedade bem menos puritana e hipócrita do que a nossa", acrescenta Silva.

Rita Ló lembra que existia uma antiga tradição na qual o amor de Deus por seu povo escolhido de Israel era visto, de forma metafórica, como o casamento de dois seres humanos, o que impulsionaria essa interpretação mística do Cântico dos Cânticos. Por outro lado, Gonçalves diz que a sensualidade do poema pode refletir uma espiritualidade pagã que influenciou os israelitas nas épocas mais antigas. Afinal, os povos vizinhos, e provavelmente os próprios israelitas, adoravam deusas em rituais de fertilidade, o que explicaria em parte a importância feminina no Cântico. Nesse caso, a sexualidade quase explícita também teria um papel espiritual para os primeiros autores do texto.

Vida longa e próspera
De qualquer maneira, a própria sobrevivência do Cântico em épocas posteriores pode significar que ele teve um papel de "resistência" contra os aspectos mais machistas do judaísmo, diz Ló. "Após o exílio na Babilônia, houve um período de fechamento e o crescimento de uma visão muito negativa sobre o corpo da mulher, visto como fonte de impureza. O livro contraria isso", afirma a especialista.

De certa forma, a argumentação do Rabi Akivá ajudou a superar essa tensão, segundo Cássio da Silva. "Afinal, o amor humano vale ou não vale por si mesmo? É ou não é expressão do amor divino? Os rabinos responderam afirmativamente a essas duas perguntas. Tanto que, no calendário judaico, o Cântico dos Cânticos é lido na festa da Páscoa [a mais importante do judaísmo]. E aí entra a mística: o sentimento do amado pela amada e vice-versa ajuda a compreender o amor de Javé por seu povo, Israel, e nesse amor Javé desce do céu para tirar seu amado povo do Egito e dar-lhe a vida e a felicidade. De Israel, espera-se que corresponda ao amor de Javé e lhe seja fiel."

O cristianismo atualizou essa visão ao substituir "Javé" e "Israel" por "Cristo" e "Igreja" na equação: o amor do casal no poema virou também o símbolo do amor de Cristo por sua Igreja, vista como sua "noiva". Dessa forma, a influência do Cântico teve vida longa e acabou se estendendo ao último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, na qual a metáfora praticamente conclui a Bíblia cristã.

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