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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 12 de outubro de 2008

Bíblia Hebraica – Hebraico Bíblico - Bíblia Hebraica Sttutgartensia (BHS) - Massorá (Edson de Faria Francisco)

Bíblia Hebraica – Hebraico Bíblico - Bíblia Hebraica Sttutgartensia (BHS) - Massorá

Textos de Edson de Faria Francisco


01) Acentos Massoréticos.pdf

02) Alfabeto Hebraico Samaritano.pdf

03) Alfabeto Hebraico.pdf

04) Alfabeto Paleohebraico.pdf

05) Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS).pdf

06) Caligrafia de Hirbet Qumran.pdf

07) Divisões da Massorá.pdf

08) Edições do Texto Massorético.pdf

09) Guenizá do Cairo.pdf

10) Manuscritos do Mar Morto.pdf

11) Manuscritos do Texto Massorético.pdf

12) Massoretas.pdf

13) Massorá.pdf

14) Nomenclatura das Consoantes e dos Sinais Vocálicos.pdf

15) Principais Símbolos e Abreviaturas do Aparato Crítico da BHS.pdf

16) Principais Termos e Abreviaturas da Masora Parva da BHS.pdf

17) Texto Massorético.pdf

18) Tratados Massoréticos.pdf


domingo, 10 de agosto de 2008

Teaching the Biblical Hebrew Verb (Naama Zahavi-Ely)

Teaching the Biblical Hebrew Verb (Naama Zahavi-Ely)
I am a native speaker of contemporary Israeli Hebrew. I learned Biblical Hebrew by immersion: my Israeli secular school education exposed me repeatedly to the unmodified Masoretic Text, from the second grade through the twelfth. When I first started teaching Biblical Hebrew to American students, I thus knew the language—but I was not familiar with the methods of teaching it to non-native-speakers. >>> Leia mais, clique aqui.

Veja mais:

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Observações sobre o hebraico bíblico (George Steiner)

STEINER, George. A Bíblia Hebraica e a divisão entre judeus e cristãos. Lisboa: Relógio D´Água, 2006. p.32-34.

p.32. O hebraico pertence ao ramo cananeu da família de lín­guas semitas do Noroeste. Escreve-se da direita para a es­querda e consistia, originalmente, em vinte e duas letras que indicavam apenas consoantes. A designação de vogais pela junção de pontos a estas consoantes deu-se muito mais tarde. Evoluiu muito gradualmente entre os séculos V e X d.C. As actuais convenções de vocalização representam, por conseguinte, formas de pronúncia que remontam, por alto, a um milhar de anos após a era bíblica. Fora da própria Bíblia, o hebraico clássico antigo sobrevive em algumas inscrições, nenhuma das quais é anterior ao século X a. C.

p.33. A origem consonântica de toda a escrita hebraica - inú­meras palavras desenvolvem-se a partir de um radical de três consoantes - é crucial. Permite, ou melhor, torna ine­vitável, uma pluralidade e riqueza polissémica de leituras possíveis, provavelmente sem par em qualquer outra língua escrita. O mesmo aglomerado consonântico pode, com vo­calizações diferentes, ser interpretado com sentidos com­pletamente diferentes. A omissão de marcadores de vogais origina uma multiplicidade inerente de significados putati­vos, de equívocos implícitos e de jogos de palavras dentro da unidade consonântica idêntica. Uma palavra bíblica pal­pita, por assim dizer, dentro de uma aura de significados e ecos concêntricos.

O hebraico possui apenas dois «tempos» verbais (sendo «tempos», em si mesma, uma designação enganadora). As acções ou estão terminadas («perfeito») ou não terminadas («imperfeito»). Os modos simples, passivo, reflexivo, in­tensivo e causativo são interpretados através de formas di­ferentes do verbo. Uma vez mais, esta particularidade sin­táctica ocasiona consequências de natureza hermenêutica importantes. O «mundo do tempo», as anotações da tempo­ralidade na narrativa do Antigo Testamento, não se tradu­zem imediatamente no paradigma passado-presente-futuro do inglês ou de outras línguas europeias modernas. Este simples facto torna quase inacessível a dinâmica interna da profecia e da memória hebraicas. A profecia não se projec­ta, em qualquer sentido óbvio, no futuro, como acontece, por exemplo, nos oráculos gregos ou nas predições cris­tiano-helénicas. Os tempos oportunos das revelações de Deus por intermédio dos seus profetas são eternos. Num certo sentido, a profecia já se cumpriu, uma vez que é feita no «perfeito» na palavra divina. Noutro sentido, está eternamente presente. 0 que arde com a ira ou com a benção de Deus é o «agora». Num terceiro e completamente intradu­zível sentido, a profecia também toca no «imperfeito», no ainda inacabado e portanto revogável (Jonas depende do paradoxo gramatológico de uma «imperfeição» alojada, por assim dizer, no eterno absoluto da determinação e sentença inicial de Deus).

p.34. Há, evidentemente, afinidades linguísticas entre o he­braico antigo e línguas tão próximas dele como o fenício, e, certamente, o úgrico. Elementos do úgrico, do cananeu e do aramaico podem ser localizados nos textos bíblicos. Todas as línguas faladas pelos homens e pelas mulheres têm as suas singularidades. Contudo, é justo que se diga que o con­ceito tradicional de hebraico bíblico como língua adâmica, como a primeira entre as línguas humanas, como sendo marcada unicamente pela semântica do modo como Deus a usa, reflecte, embora de maneira mítico-antropomórfica, uma intuição compreensível de «algo à parte». O hebraico do Antigo Testamento não se parece com nenhuma cons­trução verbal-gramatical-semântica de que tenhamos co­nhecimento directo. A Lei, no fundo, é, em muitos aspectos, uma «lei em relação a si própria». A um nível manifesta­mente mais elevado, mais causador de danos do que o de qualquer outro corpus de linguagem, incluindo a poesia e a filosofia mais remotas e mais difíceis, as traduções do he­breu bíblico são interpretações erradas. Mesmo nas mãos de ouvintes e de artesãos da palavra tão geniais como Tyndale ou Lutero.


sexta-feira, 18 de julho de 2008

Vav Hahipuch

Vav Hahipuch

Extraído de: FERREIRA, Cláudia Andréa Prata. O pacto da memória: interpretação e identidade nas fontes bíblica e talmúdica. Tese de Doutorado em Ciência da Literatura - Poética. Rio de Janeiro: UFRJ, Faculdade de Letras, 2002. p.84-86.

O hebraico bíblico forneceu o tronco, o alicerce da língua hebraica moderna. Sua contribuição manifesta-se no campo lexical e nas estruturas gramaticais: a estrutura do singular, do plural e da forma dual do substantivo, a flexão do substantivo na forma possessiva (genitivo). Forneceu as conjugações da maioria das construções verbais, bem como os tempos, ainda que não tenha conseguido expressá-los com clareza. Devemos deduzir pelo contexto se a ação ocorre no passado ou no futuro. O hebraico bíblico faz uso de um recurso denominado de vav consecutivo ou em hebraico, vav hahipuch (signo de conversão dos tempos), abolido pelo hebraico moderno.1

Cabe um comentário sobre o uso do vav hahipuch, pois o seu desconhecimento, leva a equívocos na tradução do texto bíblico. Quando a conjunção vav (e) denominada de vav consecutivo (vav hahipuch) liga os verbos, ela exerce uma função peculiar, denotando certa subordinação entre dois ou mais verbos num período.2

Caso 1
Shamar haadam et haTorá vaishbót baShabat
.
(Guardou o homem a lei e descansou no sábado).

Comentário – caso 1 - No primeiro termo [Shamar haadam et haTorá], o verbo aparece no completo (passado). A tradução normal do segundo termo [vaishbot baShabat] seria no futuro do presente (e descansará). Mas, em virtude da subordinação estabelecida pelo vav consecutivo que precede o segundo verbo, a tradução segue o tempo do primeiro ficando então: “Guardou o homem a lei e descansou no sábado”.

Caso 2
Ishmor haadam et haTorá veshavat baShabat.
(Guardará o homem a lei e descansará no sábado.)
Comentário – caso 2 - Neste caso temos o primeiro verbo no incompleto (futuro ishmor “guardará”) e o segundo no completo (passado shavat “descansou”), precedido de vav consecutivo. Em virtude da subordinação estabelecida pelo vav consecutivo, o segundo verbo é traduzido no tempo do primeiro: “Guardará o homem a lei e descansará no sábado”.
Caso 3
Shamar haadam et haTorá vaishbot baShabat veló machar.
(Guardou o homem a lei e descansou no Sábado e não vendeu.).
Comentário – caso 3 - Quando aparece na frase um advérbio de negação ou qualquer outra partícula, a subordinação desaparece nos verbos seguintes. Desta forma, o verbo que aparece após o advérbio de negação ou qualquer outra partícula, deixa de estar subordinado, voltando ao seu tempo normal na tradução.

Referências bibliográficas:
1 Ver os estudos de BEREZIN, Rifka. As origens do léxico do hebraico moderno. São Paulo: EDUSP, 1980. p.13-18; BEREZIN, Rifka. Caminhos do povo judeu. 4.ed. São Paulo: Federação Israelita do Estado de São Paulo, 1988. v.1. p.22-25; BETTENCOURT, Estêvão. Para entender o Antigo Testamento. 4 ed.ver. e atual. Aparecida: Santuário, 1990. p.9-10; CAQUOT, André. Os Semitas. In: LÉVÊQUE, Pierre. As primeiras civilizações. Trad. Antônio J.P. Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1990.v.III - Os Indo-Europeus e os Semitas. p.145-155. p.145-155.
2 MENDES, P. Noções de hebraico bíblico. Texto programado. São Paulo: Vida Nova, 1986. p.173-177.