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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado II - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Moacyr Scliar (Perfil)

"Escrevo pelo prazer de criar situações e personagens (nesta ordem, infelizmente)." Moacyr Scliar

Moacyr Scliar nasceu em Porto Alegre, em 1937. É formado em medicina, profissão que exerce até hoje. Autor de uma vasta obra que abrange conto, romance, literatura juvenil, crônica e ensaio, recebeu numerosos prêmios, como o Jabuti (1988 e 1993), o APCA (1989) e o Casa de las Americas (1989). Já teve textos traduzidos para doze idiomas. Várias de suas obras foram adaptadas para o cinema, a televisão e o teatro.

É colaborador da Folha de S.Paulo desde a década de 70 e assina atualmente uma coluna no caderno Cotidiano.

Moacyr Scliar é hoje um dos escritores mais representativos da literatura brasileira contemporânea. Os temas dominantes de sua obra são a realidade social da classe média urbana no Brasil e o judaísmo. As descrições da classe média feitas por Scliar são, frequentemente, inventadas a partir de um ângulo supra-real.


LEITURAS CRÍTICAS


"A complexidade do mundo evocado por Scliar está na técnica narrativa: fragmentada, contrapontística (entrecortada de vozes); planos entrecruzados, num vaivém de personagens e situações. Diversos episódios não raro contêm elementos encontráveis nos contos folclóricos, tais como o intuito moralizador e didático, a visão maniqueísta, o sentimentalismo chauvinista, os ritos simbólicos que envolvem a ética judaica do sofrimento e a expectativa da redenção. [...] Ouvir e contar histórias, como Scliar nos afirma, fez sempre parte do cotidiano de sua biografia como também de suas personagens, da história do seu mundo e da trajetória regionalista de seu Estado. Mas não é apenas o ofício de narrar que o interessa, o caso contado, a coisa extraordinária narrada, mas o que está por detrás - o lado oculto do caso: o precioso patrimônio das tradições de um passado que se presentifica na sua diversidade, na sua ambigüidade. Isto é, todo o arsenal de experiência (de vida vivida) que a história narrada transmite, explorando o mais possível, a fantasia que vai sendo semeada de geração em geração." (Szklo, Gilda Salem. O bom fim do shtetl: Moacyr Scliar. São Paulo: Perspectiva, 1990. p.156).


"A ficção de Moacyr Scliar enquadra-se num registro literário ainda carente de estudos específicos: a literatura ligada à imigração. Dela fazem parte, entre outros, os textos macarrônicos de Juó Bananere; os contos de Antônio de Alcântara Machado que tratam da imigração italiana em São Paulo; mais recentemente, O Relato de um certo Oriente e Dois Irmãos, de Milton Hatoum; os romances que referem à imigração alemã no sul do país, de Lya Luft, sendo que cada um, a seu modo, representa a realidade brasileira vista de fora, com olhos ‘estrangeiros’." (Waldman, Berta. A cabala no Amazonas. In: ______. Entre passos e rastros: a presença judaica na literatura brasileira contemporânea. São Paulo: Perspectiva).


FONTES DE PESQUISA


SILVERMAN, Malcolm. A ironia na obra de Moacyr Scliar. In: ______. Moderna ficção brasileira. Tradução de João Guilherme Linke. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira: INL, 1978. p. 170-189.

SZKLO, Gilda Salem. O bom fim do shtetl: Moacyr Scliar. São Paulo: Perspectiva, 1990. (Debates, 231).

ZILBERMAN, Regina Levin. A ficção de Moacyr Scliar. Suplemento Literário, Belo Horizonte, 27 mar. 1982. p. 8., c. 1-4.


Veja Entrevista com Moacyr Scliar, em junho de 2002.

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