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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

A Festividade de Purim e o Livro de Ester


A Festividade de Purim e o Livro de Ester


©Profa. Dra. Cláudia A.P.Ferreira. 2006-2008.[1]
Faculdade de Letras da UFRJ.

PPGHC/IFCS/UFRJ.


Obs: Purim 5768 – 21 de março de 2008.


A Festividade de Purim


Por isso, àqueles dias chamam pelo nome de “Purim”, por causa do “Pur”. Por causa de todas as palavras daquela carta e do que testemunharam e do que lhes havia sucedido, determinaram os judeus e tomaram sobre si, sobre a sua descendência e sobre todos os que se chegassem a eles (os prosélitos), que não se deixaria de comemorar estes dois dias segundo o que escrevera deles, e segundo o seu tempo marcado, todos os anos; e que estes dias seriam lembrados (com leitura da Meguilá) e comemorados geração após geração, por todas as famílias, em todas as províncias e em todas as cidades, e que estes dias de Purim jamais caducariam entre os judeus, e que a memória deles jamais se extinguirá entre os seus descendentes. Então a rainha Ester, filha de Abichail, e o judeu Mordechai escreveram com toda a autoridade pela segunda vez (no ano seguinte), o poder do milagre que aconteceu, para confirmar a carta de “Purim”. Expediram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Achashverósh, com palavras amigáveis e sinceras; para confirmar estes dias de “Purim” nos seus tempos determinados, como o judeu Mordechai e a rainha Ester lhes tinha estabelecido e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu lamento. (Ester 9,26-32)


Jejum de Ester (Taanit Ester)


Então disse Ester que respondessem a Mordechai: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Shushán, e jejuai por mim; não comais nem bebais três dias, nem de noite nem de dia; e eu e as minhas moças também jejuaremos. Depois irei ter com o rei, ainda que seja contra a lei, e se perecer, perecerei”. Então se foi Mordechai e tudo fez segundo Ester lhe havia ordenado. (Ester 4,15-17)


Em memória a este fato, o Jejum de Ester (Taanit Ester) é realizado no dia 13 de Adar, no dia que antecede Purim. O jejum começa antes de amanhecer e termina após o anoitecer.

Cabe lembrar que o jejum público solicitado por Ester não ocorreu no décimo-terceiro dia de Adar. Algumas autoridades religiosas oferecem outra explicação: quando os filhos de Israel uniram-se em 13 de Adar para defender-se de seus inimigos, encontravam-se em estado de guerra - e a preparação para uma guerra sempre inclui o jejum coletivo (Mishná Berurá 2).

Normalmente, quando um dia de jejum cai no sábado, ele é adiado para o domingo. No entanto, quando o dia 13 de Adar cai no Shabat, o jejum é antecipado para a quinta-feira. A razão, segundo Maimônides, é que historicamente "o jejum de Purim tem que preceder à celebração".


Costumes

Machatsit hashekel “o meio shekel É o costume doar três moedas de meia unidade monetária para Tzedaká, em lembrança do meio shekel dado pelos judeus na época do Templo. Esta mitzvá, normalmente realizada na sinagoga, deve ser cumprida em Taanit Ester antes de Minchá ou em Purim antes da leitura da Meguilá.


Purim


A festividade de Purim baseia-se na história relatada no Livro de Ester.

O nome Purim vem da palavra pur, que significa "sorteio". Este foi o método usado por Haman, o Primeiro-Ministro do Rei Achashverosh da Pérsia, para escolher a data na qual ele pretendia matar os judeus do país.

Contudo, os planos de Haman foram frustrados pela Rainha Ester e Mordechai. Arriscando sua própria vida, Ester fez um apelo ao Rei para que salvasse seu povo, e a ordem de Haman foi revogada. Assim, aqueles dias fatais transformaram-se, conforme a linguagem da Meguilá que lemos em Purim, "de tristeza em alegria", e o décimo-quarto dia do mês de Adar é comemorado festivamente.

A festividade de Purim é realizada no dia 14 de Adar com a duração de um dia. Purim comemora a vitória da sobrevivência judaica sob o domínio persa. Os acontecimentos descritos no Livro de Ester (Meguilá Ester) ocorreram por volta de 450 anos antes da Era Comum.


As Quatro Mitzvot de Purim


Modechai escreveu estas coisas e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Achashverrosh, aos de perto e aos de longe, ordenando-lhes que comemorassem o dia quatorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que os judeus tiveram sossego dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria e de luto em dia de festa; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres. (Ester 9,20-22)


As 4 mitzvot de Purim

1 – Kriat Hameguilá (A Leitura da Meguilá)


Deve-se ouvir duas vezes a leitura da Meguilá Ester: uma na noite de Purim e a outra pela manhã.

As duas leituras são obrigatórias para cumprir a mitzvá (preceito).

Toda vez que o nome de Haman for mencionado (com algum adjetivo) é costume fazer barulho com o reco-reco e bate-se o pé no chão para abafar o amaldiçoado nome.


2 – Mishloah Manot (Envio de alimentos para amigos)


Envio de alimentos a pelo menos um amigo no decorrer do dia de Purim que devem ser de duas espécies (fruta, massa e/ou bebida), prontos para consumo e entregues através de um mensageiro.

Se possível, enviar através de um terceiro, mulheres para mulheres e homens para homens durante o dia de Purim.

As crianças podem e devem ser mensageiros muito animados para fazer a entrega dos Mishloach Manot.


3 – Matanot Laevionim (Presentes para os necessitados)


Doa-se uma quantia em dinheiro para pelo menos duas pessoas carentes no decorrer do dia de Purim.

Na impossibilidade, pôr o dinheiro numa caixinha de tzedacá.


4 – Seudat Purim (Participando de uma refeição festiva)


Uma refeição festiva é realizada ainda durante o dia de Purim e deve conter pão, vinho e carne.

Nesta refeição deve-se beber uma quantidade de vinho maior do que de costume. A razão do costume é celebrar o milagre que começou no banquete com vinho preparado por Ester para o Rei Achashverosh e Haman.


Outros Costumes

Raashanim “reco-reco” - Toda vez que o nome de Haman (acompanhado de um adjetivo) for mencionado durante a leitura da Meguilá, faz-se barulho com o reco-reco ou outros instrumentos sonoros.

Fantasias e máscaras - Purim é uma festa feliz e fantasiar-se é uma maneira alegre e divertida de aumentar ainda mais a alegria do milagre ocorrido.

Bebidas alcoólicas - Os Sábios do Talmud deduziram que era uma Mitzvá tomar bebidas alcoólicas em Purim até o ponto de não conseguir mais distinguir entre as frases "bendito seja Mordechai" e "maldito seja Haman" - os versos que concluíam um longo poema tradicionalmente recitado nessa ocasião.

Talvez por esta razão a refeição festiva de Purim (seudá) realiza-se somente no final da tarde. Desta forma, as outras obrigações referentes ao feriado podem ser cumpridas durante o dia, enquanto todos ainda estão sóbrios.


Curiosidades

Oznei Haman/Hamantashen - Hamantaschen são pãezinhos triangulares tradicionalmente servidos em Purim, recheados com sementes de papoula.

O nome em alemão significa "bolsos de Haman". Em hebraico, são chamados oznei Haman, "orelhas de Haman".


Proibições

É proibido jejuar em Purim. Reserva-se o dia, ou grande parte dele, para realizar todas as mitsvot referentes à festa. Qualquer trabalho desnecessário deve ser evitado ao máximo.



Dica de Leitura

SILVA, Aldina da. Ester: crônica de um genocídio anunciado. Trad.Euclides Martins Balancin. São Paulo: Paulinas, 2003.


Dica de Filme

Esther. Com Jürgen Prochnow, Thomas Kretschmann, Frank Baker e John Hollis. Fotografia de Giovanni Galasso. Música de Carlo Siliotto. Produção de Lorenzo Minoli. Direção de Raffaele Mertes. 1998. 94 minutos. Dublado. Coleção Bíblia Sagrada. O Antigo Testamento.


Sites para Pesquisa


http://www.chabad.org.br
http://www.morasha.com.br
http://www.cipsp.org.br
http://www.shalom.org.br
http://www.cjb.org.br



[1] Professora Doutora do Setor de Hebraico do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC) do Departamento de História da UFRJ.

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