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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 17 de maio de 2008

Anti-semitismo ganha a internet (Diogo Mainardi)

Revista Veja, Edição 2061, Coluna de Diego Mainardi, em 17/05/2008.

"O anti-semitismo tem um novo meio de se difundir: a internet. Depois de Auschwitz, comentários como os recebidos por Caio Blinder tinham de restringir-se aos círculos clandestinos. Agora o anti-semitismo perdeu o pudor".


Caio Blinder recebe um monte de comentários anti-semitas por seus artigos na internet. Em vez de eliminá-los, ele os publica. Além disso, seleciona os mais selvagens e remete-os para mim:


Caio Blinder é um jornalista e apresentador de TV brasileiro de origem judaica (texto retirado da Wikipédia). Só podia, rssss, mais um judeu FDP que teve a sorte de nascer depois do Holocausto, kkkkkkk.


A mensagem é assinada por TimGP. A caricatura nazista do Der Stürmer, do judeu peludo, de orelhas grandes e nariz adunco, agora se transformou num "kkkkkkk". TimGP lamenta que Caio Blinder tenha escapado do Holocausto. Outro leitor, Antonio Aparecido, nega o próprio Holocausto:


Mais de 1 milhão de judeus mortos??... Contem outra estorinha, ou melhor, outra historinha. Não à manipulação da mídia. Sim à história verdadeira, sim aos historiadores antropologistas.


A quem ele se refere? Himmler? Ahmadinejad? Le Pen? Alguns dos maiores historiadores judeus, como Bernard Lewis, argumentam que, nas últimas décadas, surgiu uma nova forma de anti-semitismo. Se os comentários sobre os artigos de Caio Blinder podem ser tomados como amostra, eu diria que o anti-semitismo continua igualzinho ao de 100 anos atrás, usando inclusive as mesmas fraudes dos tempos dos "pogroms":


O que estão fazendo na Palestina é o verdadeiro Holocausto. Quem não conhece que leia a verdadeira história dos sábios do Sião, que foi retirada por divulgar as reais estratégias dos judeus desde 1900 e de como dominariam o mundo.


Apesar de o anti-semitismo continuar igual, ele tem um novo meio de se difundir: a internet. Depois de Auschwitz, comentários como os recebidos por Caio Blinder tinham de restringir-se aos círculos clandestinos. Agora o anti-semitismo perdeu o pudor. A internet é uma espécie de Cazaquistão de Borat. Qualquer um pode pegar um porrete e malhar o judeu.
De vez em quando, até a apresentadora de TV gói, por engano, é mandada para o gueto:


Está na história do povo judeu usar os meios de comunicação em massa para se passar por vítimas e conseguir o que desejam. Vejam o senhor Abravanel e a Xuxa.

No Brasil, o anti-semitismo de esquerda, que se confunde com o anti-sionismo, é muito mais forte do que o de direita. Quando Caio Blinder festejou os sessenta anos de Israel, ao mesmo tempo em que defendeu a idéia de um estado palestino nos Territórios Ocupados, seus comentaristas mandaram-lhe mensagens furiosas, legitimando os atentados terroristas da Al Qaeda e do Hezbollah. O tom foi de "fascista e covarde" até "blitz em você, semita de boca fedida".

A internet tem esse lado sombrio: ela permite que idéias criminosas sejam propagadas abertamente. Anti-semitas e negadores do Holocausto foram condenados em tribunais dos Estados Unidos e da Europa. Se o Ministério Público brasileiro perseguisse judicialmente um ou dois comentaristas dos artigos de Caio Blinder, a internet só teria a ganhar. Cada um tem de ser responsabilizado pelo que diz e faz. Sem isso, o totalitarismo sempre vence, e podemos acabar num gueto com Silvio Santos e Xuxa.


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