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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Israel deve buscar paz enquanto pode, diz ativista israelense

GUILA FLINT
da BBC, em Tel Aviv

O jornalista e ativista político israelense Uri Avnery diz que a paz no Oriente Médio é uma necessidade urgente, para o bem de Israel. "Israel deve fazer a paz o quanto antes, enquanto há parceiros para a negociação", afirmou Avnery, em entrevista à BBC.

Ele alerta para a possibilidade de um "desdobramento catastrófico" no Oriente Médio que possa tornar impossível a solução do conflito entre Israel e o mundo árabe.

"Imagine uma revolução islâmica no Egito e depois na Arábia Saudita e na Síria. Imagine um Oriente Médio tomado pelo islamismo radical."

Uri Avnery lutou pela consolidação do Estado de Israel na guerra de 1948, quando ficou gravemente ferido.

Sessenta anos depois, embora seja um dos críticos mais incisivos à politica conduzida por sucessivos governos do país, ele não se arrepende de ter arriscado a vida pela criação de Israel. "A revolução sionista obteve um sucesso impressionante, maior do que qualquer outra revolução do século 20", disse. "Conseguimos criar, do nada, uma sociedade próspera, uma democracia dentro de Israel, uma cultura, uma economia forte."

Mas o ativista acredita que o fato de Israel ainda não ter conseguido normalizar suas relações com seus vizinhos representa uma ameaça ao Estado.

"Não conseguimos nos integrar na região, no Oriente Médio. Causamos uma injustiça histórica ao povo palestino e não fomos capazes de curar essa ferida."

Sucessos e fracassos
Uri Avnery diz que Israel é, em muitos aspectos, uma história de sucesso. Mas, para ele, as conquistas e as falhas do projeto sionista são duas faces da mesma moeda, inseparáveis.

"Conseguimos o feito sem precedentes de reavivar a língua hebraica, uma língua que estava morta", disse. "O sionismo realizou algo que parecia impossível e transformou uma comunidade religiosa-étnica em uma nação moderna."

Mas Avnery afirma que em 1948 não imaginava que o conflito com o mundo árabe iria durar tanto tempo.

"Se naquela época alguém me dissesse que em 2008 o destaque das primeiras páginas dos nossos jornais ainda seria para o conflito, eu não acreditaria."

"Até hoje não conseguimos solucionar a questão fundamental, que é o conflito com os palestinos." Ele diz temer uma radicalização geral dos países árabes porque "os regimes árabes são corruptos e exploram e humilham seus povos, e um dia isso vai explodir".

"Se houver uma revolução islâmica nos principais países árabes, não teremos mais nenhum parceiro para o diálogo. Será o fim dos regimes nacionalistas e seculares com os quais ainda podemos obter um acordo de paz."

Encontro com Arafat
Em 1982, durante a guerra do Líbano, Avnery arriscou sua vida mais uma vez, desta vez pela paz com os palestinos. Ele foi o primeiro israelense a se encontrar com o líder palestino, Iasser Arafat. O encontro ocorreu no bunker onde Arafat estava, em Beirute, enquanto a Força Aérea israelense bombardeava a cidade.

Naquela época ele foi considerado "traidor" por muitos israelenses, mas 11 anos depois o então primeiro-ministro de Israel, Itzhak Rabin, assinou o Acordo de Oslo com o mesmo Arafat.

Avnery diz que o conflito pode ser solucionado "dentro de um ano ou pode levar cem anos".

"Vai depender da vontade de nossos líderes e principalmente da vontade do nosso povo."

"Se quisermos, o conflito tem solução, e a solução é óbvia: consiste na retirada dos territórios ocupados em 1967 e na criação de um Estado palestino ao lado de Israel."

"O povo israelense se acostumou a viver em guerra, não percebe o conflito como um perigo existencial verdadeiro e foi doutrinado a pensar que a paz é impossível."

No entanto ele nega qualquer visão determinista. "Durante a minha longa vida aprendi que muitas vezes, quando a situação parece perdida, a solução já está a caminho."

Para o ativista israelense, pode haver uma mudança radical na opinião pública em Israel. Ele desenha diversos cenários nos quais essa mudança poderá ocorrer, como uma alteração drástica no equilíbrio de forças internacional, com o enfraquecimento do maior aliado de Israel, os Estados Unidos.

"Em Israel se pensa que a ocupação é um estado permanente, mas nada é permanente. Vivemos em um mundo em que as coisas mudam radicalmente o tempo todo."

Extraído de:
FSP on-line (BBC Brasil), em 07/05/2008.

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