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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Passado alemão dificulta relações com palestinos

No contexto do aniversário de 60 anos de Israel, DW-WORLD falou com dois especialistas sobre os problemas que a história teuto-israelense cria para a atual política alemã perante os palestinos.

O aniversário da declaração de um Estado judeu independente nesta quarta-feira (14/05) foi celebrado pela maioria dos judeus e foi também uma chance para a Alemanha demonstrar que continua a apoiar Israel.

Mas para os alemães pró-palestinos, como também para aqueles que lidam intensamente com o conflito do Oriente Médio, o 14 de maio acentua a perigosa corda bamba sobre a qual caminha a Alemanha, em sua posição perante aqueles que sofreram sob a ocupação israelense.

"Não existe algo como uma relação teuto-palestina sem a relação teuto-israelense", comenta René Wildangel, historiador e especialista em Oriente Médio do Partido Verde alemão. "É o caso agora de achar se isto é bom ou ruim. Observando a recente viagem da chanceler federal Angela Merkel para Israel, ela deixou claro como é próxima a relação entre os dois países".

Merkel visitou Israel em março, quando se tornou a primeira chefe de governo a falar – em alemão – para o parlamento israelense, o Knesset. No entanto, algumas pessoas na Alemanha, incluindo residentes palestinos, ficaram consternadas pelo fato de Merkel não ter levantado a questão do conflito do Oriente Médio em seu discurso.

"Uma onda de descontentamento passou por todas as comunidades palestinas", disse Erhard Arendt, gestor do Palaestina Portal, maior fórum alemão de internet para discussão de questões palestinas. "Centenas de cartas foram escritas aos jornais, afirmando que 'nós não aparecemos de maneira alguma [no discurso], fomos completamente esquecidos'".

Opinião pública contra política

O suporte que o governo alemão dá a Israel é, obviamente, delineado pelo sentimento de vergonha dos alemães e pela culpa devido ao Holocausto, como também pelo desejo de expiar os horrores do passado.

A opinião pública alemã, no entanto, tem freqüentemente bem mais simpatia pela causa palestina do que seu governo, e é muito mais propensa a criticar Israel. "De acordo com uma pesquisa, 63% da população não acha que a política israelense esteja correta", comentou Arendt.

A empatia alemã pelos palestinos tem origem, muitas vezes, nos esforços de aceitar seu próprio passado. "Sem dúvida, o fato de me interessar intensamente pelo Holocausto levou a meu envolvimento com questões palestinas", afirmou Arendt, nascido em 1941. "Isto certamente fortaleceu a idéia dentro de mim que não se deve permitir que nada remotamente parecido aconteça novamente – em nenhum lugar, em nenhuma hora."

Dependendo das questões colocadas, as atitudes dos alemães diferem de pesquisa a pesquisa. Mas alguns assuntos controversos levam repetidamente a uma oposição alemã a políticas governamentais israelenses.

"Existe a ocupação e a situação muito difícil em Gaza, como vimos nos últimos meses", comentou Wildangel. "Trata-se de um problema humanitário ligado ao bloqueio israelense, com o qual a União Européia também está envolvida. Acho que questões como esta, ou a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia, levam os alemães a sentir que devem expressar suas críticas".

Triângulo histórico

Na Alemanha, a causa palestina continua associada à política de extrema esquerda. Por ter visto o nazismo como um produto do capitalismo ocidental, a Alemanha Oriental não se sentia responsável pelo Holocausto.

Esta era abertamente hostil a Israel e, pelo menos de forma simbólica, apoiava o desejo palestino de um Estado próprio. Nos anos de 1970 na Alemanha Ocidental, havia uma identificação próxima entre militantes palestinos e o grupo terrorista RAF.

Numa ação espetacular, membros de um grupo chamado Frente Popular para Liberação da Palestina seqüestraram um avião da Lufthansa em 1977, exigindo, entre outras coisas, a libertação de terroristas da RAF da prisão. Com sucesso, comandos especiais alemães tomaram de assalto a aeronave no aeroporto de Mogadíscio, matando alguns dos seqüestradores.

Tais incidentes chocaram a maioria da população alemã e seu governo. "Não acredito que este tipo de ação foi útil aos palestinos", comentou Wildangel. "Vejo isto como um capítulo extremo e, finalmente, marginal na história das relações teuto-palestinas", acresceu.

Poucas perspectivas de mudanças

Poucas são as chances de que a Alemanha diminua o apoio financeiro ou militar que oferece a Israel – ainda que advogados teuto-palestinos continuem a debater que o país tenha precisamente esta responsabilidade.

"Deveríamos criticar, fazer queixas e entrar em ação", disse Arendt, acrescendo que "fornecer armas a uma região em crise viola qualquer acordo internacional existente, mesmo assim armas são fornecidas a Israel, incluindo carros de patrulha blindados, que são usados para matar palestinos".

Mas a situação pode vir a mudar se a política de relações exteriores for desnacionalizada. "Acho que os palestinos têm que considerar como é a relação entre a Alemanha e Israel e reconhecer o que aconteceu no passado", afirmou Wildangel.

"Mas eles podem esperar da União Européia – e este é o nível em que as decisões políticas e financeiras agora são tomadas – que ela seja crítica perante as políticas estatais de Israel, nos pontos em que estas sejam problemáticas para os palestinos e para o processo de paz", acresceu o especialista.

Jefferson Chase (ca)

Extraído de:
Deutsche Welle, em 15/05/2008.


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