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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 10 de julho de 2008

A perseguição ao "carrasco de Mauthausen" se intensifica na América do Sul

Le Monde, em 10/07/2008.

A perseguição ao "carrasco de Mauthausen" se intensifica na América do Sul

O médico Aribert Heim figura na segunda posição na lista dos dez criminosos de guerra nazistas mais procurados, que foi publicada em 2006 pelo Centro Simon Wiesenthal - uma ONG baseada nos Estados Unidos que leva o nome de um dos principais perseguidores de nazistas foragidos. A captura do doutor Heim, mais conhecido pelo apelido de "Doctor Tod", o "Doutor da Morte", responsável pelo assassinato de milhares de judeus e de resistentes espanhóis no campo de concentração de Mauthausen, tornou-se agora um objetivo prioritário.

Uma delegação do Centro Simon Wiesenthal, cujos membros estão convencidos de que o doutor Heim se encontra atualmente em algum lugar no sul do Chile e da Argentina, desembarcou no Chile, na segunda-feira (7) de onde viajou até Puerto Montt, a 1.000 quilômetros ao sul de Santiago, para depois seguir até a localidade argentina de San Carlos de Bariloche.

Esta visita se inscreve no quadro da "operação da última chance" que foi deslanchada pelo historiador israelense Efraim Zuroff. Em novembro de 2007, vários governos sul-americanos garantiram aos dirigentes do Centro Wiesenthal que eles poderiam contar com a sua cooperação.

No Chile, no Uruguai, na Argentina e no Brasil, importantes campanhas nos meios de comunicação permitiram colher testemunhos e informações sobre nazistas foragidos. Efraim Zuroff afirma ter recebido desde já informações consistentes que poderiam conduzi-lo a encontrar o paradeiro de Aribert Heim.

Ele praticava a vivissecção, sem anestesia
Efraim Zuroff está convencido de que o criminoso está vivo, em razão principalmente da descoberta de uma conta bancária em Berlim em seu nome, com saldo de 1,2 milhão de euros (cerca de R$ 3 milhões). "Os seus filhos não podem obter este dinheiro de herança, a não ser que eles apresentem uma certidão de óbito. Ora, eles nunca o fizeram", explica. A filha de Aribert Heim, Waltraud, vive em Puerto Montt, o que alimenta as suspeitas sobre a possível presença do médico nazista, hoje com idade de 94 anos, nesta cidade. Embora ela afirme que o seu pai morreu em 1994 na Argentina, ela nunca tomou as providências para retirar o dinheiro da sua herança.

Entre outubro e novembro de 1941, o médico esteve durante sete semanas no campo de extermínio de Mauthausen. Lá, ele praticou a vivissecção, sem anestesia, em detentos, retirando-lhes os órgãos, um por um, enquanto ficava anotando o tempo em que eles permaneciam vivos. O "açougueiro de Mauthausen" foi preso em 15 de março de 1945 pelos americanos.

Durante dois anos, ele permaneceu cumprindo trabalhos forçados numa salina. Então, ele foi curiosamente liberado, em 1947, ao passo que outros médicos de Mauthausen foram julgados e, em sua maioria, executados. A única explicação para esta liberação deve ser buscada no contexto novo da Guerra Fria, num período em que a perseguição aos agentes de Hitler deixara de ser uma prioridade. Alguns dos criminosos nazistas também obtiveram a imunidade em troca de informações.

A conexão sul-americana dos antigos nazistas
Heim instalou-se então em Baden-Baden, onde atuou como ginecologista e viveu uma tranqüila vida de pai de família. Entretanto, ele desapareceu em 1962, no momento em que a polícia alemã se preparava para prendê-lo. Desde então, Heim teria sido avistado no Egito, trabalhando para a polícia do presidente Gamal Abdel Nasser (no poder de 1952 a 1970), e depois no Uruguai, onde ele se escondeu num santuário de antigos SS foragidos. Em 2005, Heim teria residido no Chile.

Muitos foram os nazistas que encontraram refúgio durante os anos 1960 e 1970 na América do Sul, principalmente no Chile, na Argentina e no Brasil.

Um relatório das autoridades argentinas apontou que ao menos 180 nazistas que eram alvos de perseguições na Europa haviam se instalado no seu território. Mas este número não incluiu os nazistas reconhecidos, porém não procurados, conforme relatou o diário britânico "The Guardian" numa pesquisa publicada em janeiro de 2008.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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