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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 16 de agosto de 2008

Israel vai criar primeira rede de carros elétricos do mundo

A instalação de 500 mil tomadas permitirá recarregar as baterias em todo o país.


Ana Carbajosa, em Jerusalém

El País, em 16/08/2008.


Viver sem petróleo. É o sonho da legião de países importadores que aspiram a reduzir as emissões de gases poluentes, deixar de depender de países politicamente instáveis e sanar os bolsos dos consumidores. No caso de Israel, país em conflito com seus vizinhos do Oriente Médio, as aspirações de suficiência energética são muito sérias. E pretendem consegui-la com a implantação da primeira rede de carros elétricos do mundo, que terá 500 mil pontos para recarga de baterias por todo o país e cujos automóveis a pilha começarão a sair às ruas no ano que vem. Para alimentar a rede elétrica, o governo vai semear placas solares no deserto de Neguev e implementará uma série de medidas legislativas.


"No passado já fizemos isso com a alta tecnologia, com o software. No futuro vamos liderar o mundo das energias renováveis", explica Hezi Kugler, diretor-geral do Ministério de Infra-Estruturas de Israel.


Até agora os carros elétricos não pegaram no mercado, em parte pela falta de autonomia e de pontos para recarregar as baterias. Israel considera que, por suas características, pode ser o lugar ideal para esse tipo de projeto. Nesse pequeno país, a distância entre os núcleos urbanos não supera 150 km. Além disso, parte de suas fronteiras - com o Líbano e a Síria - é intransitável para os israelenses por motivos políticos, o que reduz as viagens de longa distância. "Não temos paz com nossos vizinhos. Essa infelicidade se transforma em oportunidade para experimentar novas tecnologias", afirma Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.


O carro poderá ser carregado em casa à noite, usando os excedentes energéticos do dia, ou em pontos distribuídos pelo país, assim como em postos de serviço. As fábricas Nissan e Renault se comprometeram a produzir esses veículos em massa em 2011, mas os primeiros começarão a circular no próximo ano.


Os israelenses procuram deixar para trás o conceito de carro-motorista/proprietário. O novo modelo econômico se parece muito com o dos telefones celulares. Os carros seriam os aparelhos e a rede de baterias a companhia telefônica. "As pessoas vão parar de comprar carros, assim como pararam de comprar telefones. O que se contrata é o uso do aparelho para um número máximo de quilômetros, assim como o serviço técnico", explica Dafna Berezovski, diretora de marketing da Better Place, a empresa que está por trás do invento. O preço mensal do contrato do carro elétrico, afirmam, será sempre menor do que o que os motoristas gastam hoje por mês em gasolina. O pai da criatura é o empresário israelense-americano Shai Agassi, um sedutor que passeia por fóruns como o de Davos e que já conseguiu convencer o governo israelense e o dinamarquês, e está prestes a seduzir outros países europeus, incluindo o Reino Unido. Seu primeiro-ministro, Gordon Brown, mostrou-se muito interessado.


"Israel é só o primeiro passo. Aspiramos a uma revolução energética em todo o mundo", diz Agassi. Será a empresa privada Better Place que cobrirá os gastos desse projeto, para o qual contam com financiamento pelo menos para a primeira fase (130,5 milhões de euros, aos quais deverão se acrescentar outros 533 milhões). O governo, por sua vez, modificará as leis e incentivará o uso dos novos carros. Hoje os israelenses pagam até 80% de impostos ao comprar um carro; o Executivo os reduzirá para 20% para a compra de veículos elétricos.


A idéia foi gestada há um ano, quando Agassi encantou o presidente Shimon Peres durante um encontro de empresários. Entusiasmado Peres, Agassi o informou sobre as reformas legislativas necessárias, incluindo poderosos incentivos fiscais. Eles são detalhados pelo diretor-geral Kugler, que conta que os carros são apenas uma peça da engrenagem da revolução energética com a qual Israel pretende em 2020 ter reduzido pelo menos 25% das importações de petróleo. "Esses carros têm de se alimentar com energia limpa. Não faria sentido reduzir por um lado as emissões e por outro aumentá-las para produzir a eletricidade que consomem."


Nesta mesma semana o governo aprovou um pacote legislativo milionário para incentivar as energias renováveis. Tem na cabeça tirar o máximo rendimento energético do deserto de Neguev, no sul do país, onde serão instalados projetos de energia solar de até 4 mil megawatts. Até cinco ministérios deverão se coordenar para levar adiante esses projetos faraônicos.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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