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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

O mito do 'Isso nunca mais': Ensino do Holocausto não deve se limitar à memória da tragédia; devemos usá-lo para evitar novos genocídios

Estado de São Paulo (21/06/2010): O mito do 'Isso nunca mais'


Ensino do Holocausto não deve se limitar à memória da tragédia; devemos usá-lo para evitar novos genocídios


Kofi Annan - O Estado de S.Paulo

THE INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE


Hoje, muitos países da Europa e América do Norte exigem que os alunos do segundo grau tenham aulas sobre o Holocausto. Por quê? Por causa da sua importância histórica, é claro. Mas também porque, no nosso mundo cada vez mais diverso e globalizado, os educadores e legisladores entendem que o ensino do Holocausto é um mecanismo vital para os estudantes aprenderem a valorizar a democracia e os direitos humanos, para encorajar esses jovens a rejeitar o racismo e promover a tolerância em suas próprias sociedades.


Essa, com certeza, já era minha ideia em 2005 quando, como secretário-geral das Nações Unidas, recomendei à Assembleia-Geral que aprovasse resolução lembrando o Holocausto. Ela incluía um apelo por "medidas para mobilizar a sociedade civil em busca do ensino e a memória do Holocausto, com o objetivo de prevenir atos futuros de genocídio".


É evidente que o ensino do Holocausto teria esse propósito e esse efeito. Mas é surpreendentemente difícil encontrar programas de ensino em sala de aula que conseguiram, com sucesso, vincular a história do Holocausto à prevenção do conflito étnico e do genocídio do mundo de hoje.


Naturalmente, é sempre difícil comprovar essa prevenção. Mas o mínimo que se pode dizer é que o "Isso nunca mais!", gritado por tantos nos anos posteriores a 1945, vem caindo no vazio com o passar das décadas. O Holocausto continua sendo um caso único na sua combinação de recursos organizacionais e técnicos sofisticados com fins impiedosamente cruéis. Mas casos de genocídio em grande escala, de brutalidades desumanas continuam se multiplicando - do Camboja ao Congo, da Bósnia a Ruanda, do Sri Lanka ao Sudão.


Hoje, poucos países, mesmo aqueles que exigem que seus alunos tenham aulas sobre o Holocausto, dão aos professores os conhecimentos e capacitação necessários para ensinar a tragédia de maneira a permitir que os adolescentes - geralmente representantes de uma ampla variedade de etnias e culturas numa única sala de aula - aprendam a vincular aquele genocídio às tensões que enfrentam nas suas próprias vidas. Com certeza, é necessário um melhor e maior aprendizado dos professores.


Identificação. Mas sabemos qual deve ser o conteúdo desse aprendizado? Se nosso objetivo, ao ensinar alunos sobre o Holocausto cometido por nazistas, é fazer com que eles pensem mais profundamente em responsabilidade cívica, direitos humanos e os perigos do racismo, então precisamos relacionar o Holocausto com outros casos de genocídio e com as tensões e conflitos étnicos no nosso próprio tempo e espaço. Isso permitirá a eles não só aprender o que foi o Holocausto, mas tirar importantes lições dele.


Com certeza chegou o momento de levantar questões mais sérias sobre o ensino "tradicional" da tragédia da 2.ª Guerra e talvez repensar alguns de seus princípios. Será que os programas enfocando a ideologia e o sistema nazista, e particularmente a horrível experiência das suas milhões de vítimas, oferecem uma resposta eficaz, ou profilática, contra os desafios que enfrentamos hoje?


É fácil nos identificarmos com as vítimas. Mas, se quisermos impedir genocídios futuros, não será também importante entender a psicologia dos seus autores e espectadores - compreender o que leva inúmeras pessoas, no geral "normais" e decentes na companhia da sua própria família e amigos, a suprimir sua natural empatia humana com pessoas pertencentes a outros grupos e participar, assistir e testemunhar seu extermínio sistemático? Não devemos nos concentrar mais nos fatores sociais e psicológicos que levaram a esses atos de brutalidade e indiferença, de modo a conhecer os sinais de alerta e procurar observá-los em nós mesmos e nas nossas sociedades? Os atuais programas de ensino fazem o necessário para revelar os perigos inerentes aos preconceitos e estereótipos religiosos e raciais e inocular os estudantes contra eles?


O ensino da história do Holocausto em sala de aula relaciona suficientemente esse fato às causas que dão origem ao racismo e aos conflitos étnicos contemporâneos? E o Holocausto não deve ser estudado em todo o mundo, não só na Europa, na América do Norte e em Israel, juntamente com outros casos trágicos de barbárie humana? Tais questões estarão no centro de uma conferência que vai se realizar este mês no Seminário Global de Salzburgo, na Áustria, sobre o tema "A Prevenção Global do Genocídio: Aprendendo com o Holocausto". Os organizadores esperam que nasça daí um programa anual para professores em todo o mundo.


Certamente não é um problema cuja solução será única e servirá para todos. O ensino da história do Holocausto numa sala de aula na Ucrânia será obviamente diferente do que é dado em Israel. Na verdade, é provável que ele varie amplamente mesmo entre diferentes distritos de uma cidade europeia.


Mas as noções e os exemplos podem ser compartilhados de maneira que todos se beneficiem, e parece apropriado o fato de a Áustria - que forneceu em grande número tanto vítimas quanto perpetradores das atrocidades nazistas - ser a anfitriã de um programa como esse. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


É EX- SECRETÁRIO-GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS E PRESIDENTE HONORÁRIO DO CONSELHO CONSULTIVO DO PROGRAMA DE PREVENÇÃO DO GENOCÍDIO E ENSINO DO HOLOCAUSTOH



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