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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 4 de dezembro de 2010

A diplomacia brasileira, o estado palestino e a carta desastrada de Lula a Abbas

Reinaldo Azevedo (04/12/2010): A diplomacia brasileira, o estado palestino e a carta desastrada de Lula a Abbas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta a Mahmoud Abbas em que expressa apoio à campanha iniciada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em favor da criação do estado palestino nas fronteiras anteriores à guerra de 1967. Sei.

Levante a mão quem é contra a criação do estado palestino. Deixe-me contar: há apenas alguns extremistas judeus, o Hamas, o Irã… Quem mais? Hamas e Irã? Sim, os terroristas que governam a Faixa de Gaza e os que governam o Irã pregam a destruição de Israel. Na prática, isso quer dizer opor-se a criação do estado palestino, e creio que eu não precise dizer por quê.

Os termos da reivindicação são um tanto estranhos. Antes da guerra — e Israel foi a vítima — a Faixa de Gaza era administrada pelo Egito, e a Cisjordânia pertencia à Jordânia. No conflito, Israel também tomou da Síria as Colinas de Golã e uma parte do deserto do Sinai, devolvido aos egípcios em 1978.

Por que a lembrança? Os países árabes que se alinharam em 1967 — Jordânia, Síria e Egito, com o apoio da Arábia Saudita e do Iraque, entre outros — não estavam lutando para criar o estado palestino coisa nenhuma, mas para destruir Israel, o que Egito e Síria tentariam de novo em 1973, avançando, respectivamente, sobre o Sinai e Golã. Foram novamente rechaçados. Vale dizer: os dois países perderam os mesmos territórios para Israel duas vezes — e, nos dois casos, eram os agressores. Não vale dizer que, em 1967, Israel atacou primeiro, o que foi fato, porque se tratou de uma antecipação à ação certa dos adversários, que estava sendo meticulosamente preparada.

Não é mera firula técnica, não! Ao se falar em voltar à fronteira de 1967, tenta-se fazer de conta que Israel não teve de lutar duas guerras para as quais foi provocado. Isso é fato. Não estou justificando a ocupação de territórios ou dizendo que ela colabora para a paz. Mas vamos parar com esse negócio de luta de mocinhos palestinos contra bandidos israelenses. Há mais um pouco a dizer.

A reivindicação de Abbas é uma pressão política compreensível. Poucos países relevantes dizem “sim” — o Brasil está entre os muitos meio irrelevantes — porque as coisas não são tão simples. Israel saiu de Gaza — aliás, se há coisa que o Egito não quer, é retomar a fronteira de 1967, voltando a governar a região, não é mesmo? Aliás, o famoso bloqueio é feito também pelos egípcios, coisa de que muita gente se esquece. Mas voltemos: Israel saiu, o Hamas venceu as eleições e aproveitou para botar para fora, na bala, os adversários internos do Fatah, de modo que parte do chamado território palestino é comandado por terroristas financiados pelo Irã. Um dos itens dos estatutos do Hamas é destruir Israel; o outro, na prática, é governar o mundo, mas esse segundo não deve ser levado muito a sério por enquanto…

Não deixa de ser interessante — e inútil — que Abbas peça a volta à fronteira de 1967 quando ele próprio, mesmo presidindo a ANP, não pode pôr os pés em Gaza. Seus partidários do Fatah são tratados na base de tiros no joelho e pernas e braços quebrados. São algumas das punições que os humanistas do Hamas impõem a seus adversários palestinos. A gente imagina o que gostariam de fazer com judeus.

A ANP tem o governo de grande parte da Cisjordância, excetuando-se os assentamentos, que são muitos. Eles terão de fazer parte de uma negociação. E há Jerusalém, de que ninguém abre mão. Que o Brasil fosse favorável à criação de um estado palestino, bem, isso não precisava ser reiterado porque já oficialmente declarado, inclusive na visita de Lula a Israel. O envio da carta, agora, é uma desnecessidade. Serve apenas para Lula marcar posição e evidencia mais uma precipitação meio infantil e marrenta de uma diplomacia que vive demonstrando por que não pode, de fato!, estar no centro das decisões.

Falar em “volta à fronteira de 1967″ corresponde a convidar Israel a esquecer a história, o que país não vai fazer. Isso nada tem a ver com a continuidade de assentamentos na Cisjordânia, por exemplo, o que é, entendo, um erro brutal. Mas não será com uma pregação irrealista que se vai chegar a algum lugar. O Brasil mete os pés pelas mãos ao enviar essa carta. Só para não variar. O mapa do caminho é outro!


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