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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

FIERJ: Nota oficial – Carnaval 2008 – Dois casos muito diferentes

Sobre a polêmica:
Ninguém deve censurar o Carnaval

Veja ainda:

Viradouro
A FIERJ informa que foi procurada há dois meses pelo carnavalesco e o presidente da Unidos do Viradouro, que mostraram sua intenção de colocar um carro alegórico representando os mortos no Holocausto, como uma das maiores tragédias da humanidade, em seu enredo "É DE ARREPIAR."

Vieram à FIERJ e agradecemos muito terem nos procurado antes de produzir o carro. Naquela ocasião mostramos à agremiação, a total inadequação do assunto dentro do contexto de um desfile que juntava coisas boas e ruins, e que o Holocausto não deveria ser tratado desta forma.

Mostramos claramente as razões, e em especial, que a população não iria entender a denúncia olhando um carro com bonecos de mortos empilhados. Pois o Holocausto é a conseqüência do racismo, da intolerância, do preconceito, desenvolvido pelo anti-semitismo e o nazismo, o que certamente não se traduz em uma pilha de corpos ao lado de outros carros que exaltam coisas boas.

Mostramos nossa total discordância sobre o caso, e pedimos que a escola refletisse sobre isto, já que outras idéias podem ser usadas dentro do enredo. Reconhecemos as boas intenções do artista, que pretendia usar a arte como denúncia de fatos que marcaram de forma terrível a História, e que não havia nenhuma conotação racista é verdade, mas que seria considerado totalmente inadequado e mesmo desrespeitoso à memória de dezenas de milhões de mortos, incluindo aí os 6 milhões de judeus.

Não deixamos de lembrar as centenas de brasileiros mortos combatendo, cujos corpos de vários deles estão no Mausoléu da Pátria, no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. Dissemos claramente que a forma encontrada agrediria pessoas ainda vivas, que passaram pelo inferno nazista, muitas delas vivendo aqui no Brasil. Tal fato será agravado pela excepcional cobertura que nosso carnaval tem em todo o mundo.

E lembramos ainda, que em nossas peles existem as marcas, mesmo naqueles que nasceram depois do término da Segunda Guerra Mundial, pois não há família judia que não tenha perdido na geração anterior, portanto vivo na memória, muitos de seus parentes.

Mostrei ali mesmo na reunião foto de minha família exterminada pelo nazismo. Chamamos a atenção que lembrar do Holocausto de uma maneira banalizada e sambando era desrespeitoso. Com mulatas passistas, com fantasias, enfim, incompatível com o bom senso, com o respeito e com a memória.

Ficamos surpresos há uma semana, com a notícia de que o carro sairia, embora a noticia tenha sido dada, com a informação de que este seria o único carro sem dançarinos, sem sambistas, sem nada. A marca de uma denúncia do massacre. As boas intenções não bastam. Nossas preocupações e argumentos não mudaram com esta informação.

Imediatamente demos entrevistas aos jornais, em especial aos que mostraram a matéria, como O DIA, a FOLHA DE SÃO PAULO, o MEIA HORA, onde reiteramos toda a nossa posição anterior. Chamamos a atenção ainda de que, como prevíamos, a população não entenderia a mensagem. De fato, na pesquisa da escola Viradouro muitas pessoas achavam que o carro representava o trágico recente acidente com o avião da TAM.

Manifestações deste teor foram feitas à Unidos do Viradouro, para que o carro não seja utilizado. Em respeito aos mortos, às suas famílias, e à Historia. Estamos ainda aguardando uma posição da escola, e atentos para as providências necessárias. Há inclusive uma regra clara, em lei da Câmara dos Vereadores, que pune as escolas que venham a ferir grupos religiosos, com algo que possa ser considerado ofensa. Não hesitaremos em usá-la ou qualquer outra lei caso assim se verifique necessária.

Estácio de Sá
Em meados de 2007 quando apresentou suas fantasias, a escola de samba Estácio de Sá anunciou uma ala onde cada fantasia teria várias grandes suásticas pretas sobre fundos vermelhos de forma totalmente proibida por lei. Após alguns meses de trocas de cartas recebemos um recente comunicado verbal, por telefone, de representante legal da agremiação, informando que a ala foi cancelada e seus componentes receberiam outras fantasias adequadas ao enredo.

Estamos vigilantes e trabalhando pelo o cumprimento das leis nacionais, estaduais e municipais. Em ambos os casos as providências anteriores cabíveis foram tomadas. Aguardaremos o desfile.

Sergio Niskier – presidente FIERJ


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