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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Links de Ódio – o racismo, o revisionismo e o neonazismo na internet

Links de Ódio – o racismo, o revisionismo e o neonazismo na internet
Os Urbanistas - Revista de Antropologia Urbana
ISSN 1806-0528 - Ano 3 – Volume 3 – Número 4 – Julho de 2006.

Há mais de oito mil sites racistas, neonazistas, e revisionistas na Internet, cerca de quinhentos em domínio brasileiro. Alguns atingem a marca de dois milhões de visitas mensais para cento e quarenta e cinco mil endereços de IP distintos. Em vários deles há mais de cento e cinqüenta links para outras URLs de discurso semelhante, tecendo uma verdadeira rede, na qual se inserem: narrativas pessoais em blogs; exaltações a símbolos específicos em fóruns; discussões; material de divulgação dos movimentos - para ser "esquecido" dentro de livros em bibliotecas públicas (NLNS, TV); cartoons; músicas; imagens; textos que objetivam "formar líderes arianos" (NA, ANS, RC, NLNS, AARG) ; livros para colorir a fim de permitir o "encantamento das crianças arianas com a história e a força" (NA) de sua raça; listas de discussões para ensinar as "mulheres arianas" a não se comportarem como "um bando de judias briguentas" (WAU).

À medida em que, nos últimos quatro anos, fui me aproximando deste universo singular esta teia foi se revelando um arcabouço de representações, valores e crenças, expresso nos sites por um léxico específico que coordena relações de "inclusão e exclusão, distância e proximidade e associação e dissociação" . Estas relações, ora articuladas a referências que se pretendem científicas por se valerem de uma gramática biologista associada a “verdades absolutas” ora cifradas em códigos simbólicos demarcados numa atmosfera profundamente mítica, estabelecem condições para que seu léxico se pretenda irrefutável. Nos sites analisados, o discurso racista regula, seleciona, organiza, redistribui e articula poderes e perigos: a supremacia racial branca está no epicentro das discussões acerca dos poderes e a ameaça de sua extinção, em particular pela possibilidade de casamentos inter-raciais ou por adoção de crianças negras, emoldura as discussões a respeito dos perigos. Há um direito de falar privilegiado ou exclusivo, exercido apenas pelos responsáveis dos sites, geralmente líderes de movimentos “que lutam pelos ideais da supremacia ariana” (EM, NA, V88), ou por militantes destes movimentos, freqüentemente para narrar como se descobriram portadores do “precioso sangue” (3W) e como esta descoberta transformou sua vida, afastando-os dos perigos que envolvimentos afetivos com judeus ou negros apresentariam. Os sites delimitam tabus: qualquer tentativa de se tecer um mínimo elogio a negros e judeus, em fóruns ou listas de discussão, provoca reações fortíssimas; muitas vezes expulsões. Nos relatos, exemplos peculiares de narrativas rituais, o processo de “se descobrir ariano (HLOBO)” ganha status de iluminação, e a vida, a partir desta descoberta, um “real sentido” (JNS). Outro interdito aparece nas linhas, por vezes nas entrelinhas: é preciso cuidar para que “a liberdade de expressão não seja castigada pelo poder público” (NLNS, AARG).

No presente texto, em que situo o discurso racista no campo digital, credito aos sites escolhidos o lugar de “bons para pensar”, porque leio a radicalização discursiva de suas apresentações hipertextuais, inserida intencionalmente por seus agentes no atual contexto de discussão acerca de diferenças. Este contexto ultrapassa os limites dos sites racistas, e pulveriza a discussão acerca de identidades raciais no campo digital, conduzindo-a para lugares não habituais para discussão do tema, como por exemplo, comunidades do Orkut formadas com outros interesses, blogs pessoais de pessoas não ligadas aos movimentos racistas ou anti-racistas, páginas de notícias, piadas, cartoons, listas de discussão diversas, fóruns que versam a respeito dos mais diversos assuntos, como, por exemplo telenovelas e jogos de futebol.

E ainda:
Uma etnografia do neonazismo na Internet
Intolerância virtual - crescimento de links neonazistas
Diante da dor dos judeus

Sobre a dissertação:
Jornal da UNICAMP
Edição 380 - 12 a 25 de novembro de 2007

Antropóloga promove análise etnográfica das práticas e das representações de ativistas racistas. Pesquisa mapeia discurso neonazista na rede.

Safernet Brasil
O perigo da propaganda nazista na internet
Grupos que atacam negros, judeus, nordestinos e imigrantes divulgam os ideais de Adolf Hitler. Dois sites nacionais foram fechados. Material com referências Nazistas foi encontrado em Brasília, mas há grupos no Sudeste e, principalmente, no Sul.

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