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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Expoentes judeus relançam diálogo após mudança na oração da Sexta-Feira Santa

Declarações do professor Neusner e de representantes internacionais

Por Jesús Colina

ROMA, terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Representantes judeus manifestaram sua vontade de continuar com o diálogo com a Igreja Católica, muito além das interpretações suscitadas pela nova oração da Sexta-Feira Santa proposta para as comunidades que celebrem segundo o missal precedente ao Concílio Vaticano II.

As mensagens, algumas delas dirigidas diretamente à Santa Sé, acontecem depois de duras críticas contra o texto dessa oração, na qual se reza para que os filhos do povo eleito, como o restante das pessoas, possam chegar a reconhecer Jesus Cristo e sua Igreja.

A oração substitui a outra oração que se rezava pelos judeus antes do Concílio Vaticano II e que era percebida como ofensiva em algumas de suas expressões, em parte por causa da difícil história de relações entre cristãos e judeus.

Em declarações aos microfones da «Rádio Vaticano» (7 de fevereiro), o cardeal Walter Kasper, presidente da Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo, declarou que esta oração, que só rezarão pequeníssimos grupos católicos, pois o resto da Igreja continuará com a oração que havia introduzido Paulo VI, só faz profissão da fé cristã, não busca fazer proselitismo de conversão.

«No passado, com freqüência esta linguagem era de desprezo, como disse Jules Isaac, um judeu famoso. Agora se dá um respeito na diversidade», reconheceu o cardeal.

Entre as reações, destaca um artigo publicado no jornal alemão Die Tagespost, em 23 de fevereiro de 2008, Jacob Neusner, professor de História e Teologia do Judaísmo no Bard College, que apóia a explicação do cardeal, declara que a oração não faz mais que expressar a identidade cristã.

«Israel reza pelos gentios, de maneira que os demais monoteístas, inclusive a Igreja Católica, têm o direito de fazer o mesmo, e ninguém deveria ofender-se por isso. Uma atitude diferente ante os gentios lhes negaria a possibilidade de ter acesso ao Deus uno, que Israel conhece na Torá», explica o professor que lecionou, entre outras universidades, nas de Columbia, Wisconsin-Milwaukee e Flórida do Sul.

«E a oração católica expressa este mesmo espírito generoso que caracteriza o judaísmo no culto. O reino de Deus abre as portas a toda a humanidade e, quando os israelenses no culto rezam pela rápida chegada do reino de Deus, expressam a mesma generosidade de espírito que caracteriza o texto do Papa da oração pelos judeus, ou melhor, pelo ‘santo Israel’, na Sexta-Feira Santa», explica o professor judeu.

A fórmula «rezemos também pelos judeus», como acontece nas orações do povo eleito, «realiza a lógica do monoteísmo e de sua esperança escatológica», conclui Neusner.

Ao Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos, em cujo seio se encontra a Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo, outros representantes de importantes organizações judaicas enviaram mensagens com os que buscam avançar no diálogo que começou com o Concílio Vaticano II.

O World Jewish Congress, por exemplo, em uma carta, propõe avançar no difícil caminho do diálogo para aprofundar precisamente aqueles aspectos que ferem mutuamente os crentes de ambas religiões, com franqueza, respeito e a necessária abertura de espírito.

O cardeal Kasper explicou, em resposta a consultas de organizações judaicas, que o texto da oração se inspira em São Paulo na carta aos Romanos, capítulo 11, no qual se fala também da aliança que não se quebrou entre Deus e o povo judeu. A oração, constata, deixa tudo nas mãos de Deus e não nas nossas. Não fala de atividades missionárias.

Muito além do debate suscitado pela oração, a imensa maioria dos fiéis católicos do mundo continuará rezando a grande intercessão da liturgia da Paixão da Sexta-Feira Santa, segundo o missal adotado em 1969, que entrou em vigor em 1970, sob o papado de Paulo VI: «Rezemos pelos judeus, a quem Deus falou em primeiro lugar, para que progridam no amor de seu Nome e na fidelidade à sua aliança».

Extraído de:
Zenit, em 26/02/2008.

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