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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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terça-feira, 11 de março de 2008

Diálogo judaico-cristão avança na Europa do Leste

Entrevista ao secretário da Comissão para as Relações com o Judaísmo

Por Viktoria Somogyi

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 10 de março de 2008 (ZENIT.org).- Examinar o estado de avanço e estimular o diálogo entre católicos e judeus na Europa do Leste: este será o objetivo do Congresso Internacional que acontecerá em Budapeste, Hungria, entre 9 e 12 de novembro.
O encontro será organizado pela Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo e pelo Comitê Internacional Judaico de Consultas Inter-religiosas, e está centrado no tema «A sociedade civil e a religião, perspectivas católicas e judaicas».
Para saber mais sobre o evento, Zenit entrevistou o Pe. Norbert Hofmann, secretário da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, instituída dentro do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

–Que papel tem o Congresso Internacional de Budapeste no desenvolvimento das relações entre a Santa Sé e o mundo judaico?
–Pe. Hofmann:
A Santa Sé iniciou o diálogo sistemático com o mundo judaico depois do Concílio Vaticano II, ou seja, a partir de 1965. Por parte dos judeus, em 1970 se fundou o chamado Comitê Internacional Judaico de Consultas Inter-Religiosas. É uma organização que inclui quase todas as agências mais importantes dos judeus, empenhadas no diálogo inter-religioso. Até agora, de 1970 a 2007, organizamos 19 encontros internacionais. O que acontecerá em Budapeste entre 9 e 12 de novembro será a 20ª edição. Portanto, é um desenvolvimento a partir da declaração conciliar Nostra Aetate, e nestes anos chegamos a um bom ponto.

–O senhor poderia resumir as principais etapas que levaram a este encontro?
–Pe. Hofmann:
O principal motivo deste congresso em Budapeste é ver a situação do diálogo entre católicos e judeus, nos países da Europa do Leste. Escolhemos Budapeste porque nesta cidade há uma comunidade judaica bastante grande e porque neste país o diálogo fez muitos progressos.
A partir do início do diálogo oficial da Igreja Católica com o mundo judaico, reconhecemos etapas muito importantes. Por exemplo, João Paulo II foi o primeiro papa a visitar uma sinagoga, a rezar em Auschwitz pelas vítimas da Shoah, a ir a Israel. Rezou no Muro das Lamentações, visitou Yad Vashem, o monumento e o Museu do Holocausto. Portanto, importante não é só o documento Nostra Aetate, mas também os textos publicados pelas diversas conferências episcopais. Porém, ainda mais importantes são as testemunhas vivas, como João Paulo II e agora Bento XVI.
Passadas seis semanas desde a sua eleição, Bento XVI recebeu a primeira delegação judaica; quatro meses depois, visitou a sinagoga em Colônia; passado um ano, visitou Auschwitz para rezar pelas vítimas da Shoah. Também tem intenção de visitar Israel se a situação for favorável para organizar esta visita. O Papa Ratzinger está muito interessado no diálogo com os judeus.
Entre as etapas de 2006, organizamos um encontro na Cidade do Cabo, na África do Sul, para comprometer-nos juntos, católicos e judeus, contra o problema da AIDS. Em 2004, estivemos em Buenos Aires, na Argentina, para fazer algo pelos pobres desse país, que naquele período atravessava uma fase de recessão econômica. Escolhemos Budapeste para poder examinar a situação na Europa do Leste. Assim, Budapeste é nossa porta para o Leste.

–Quem serão os participantes?
–Pe. Hofmann: Por nossa parte, a metade dos participantes virá da Hungria, da Conferência Episcopal Húngara; haverá cardeais, bispos especialistas, professores que têm uma longa experiência no diálogo com os judeus.
Por parte dos judeus se envolverá a comunidade local, mas espero que convidem participantes dos Estados Unidos e de Israel e também da Europa e da Europa do Leste. Nossa experiência é que após uma conferência assim, o diálogo no lugar recebe estímulos.

–Que temas serão tratados?
–Pe. Hofmann:
O tema oficial será «a sociedade civil e a religião, perspectivas católicas e judaicas». O objetivo é o de compreender em que ponto estamos no diálogo com os judeus na Europa do Leste. Também queremos dar um estímulo à situação na Hungria e em outros países da Europa do Leste, com o fim de aprofundar no diálogo judaico-católico.

–Quais são os principais âmbitos problemáticos do debate?
–Pe. Hofmann:
A beatificação de Pio XII. Depois, está a nova oração da Sexta-Feira Santa na Missa tridentina, que fez um pouco de barulho. Agora estamos falando com nossa contraparte judaica para ulteriores esclarecimentos, para poder equilibrar a situação. Mas digamos que os problemas gerais são muitos. Por exemplo, nós temos uma estrutura hierárquica, está o Papa, está a Conferência Episcopal, os cardeais. Ao contrário, o lado dos judeus há diversas agências. Nós temos principalmente um interesse religioso e algumas vezes, inclusive, os judeus estão dispostos a falar dos argumentos religiosos, mas para eles também os aspectos da cultura, da vida social, da política são muito importantes.
O outro ponto no qual a situação é muito difícil se refere ao conflito entre Israel e Palestina: este conflito desde sempre projeta uma sombra sobre nossos debates e algumas vezes mistura a política com os assuntos religiosos. Israel é o único país do mundo no qual os judeus são maioria e os cristãos são uma pequena minoria. Logo, para os judeus é sempre importante combater o anti-semitismo. Como disse João Paulo II: o anti-semitismo é um pecado contra Deus e contra toda a humanidade. Por isso, os judeus podem estar seguros de ter encontrado um aliado contra o anti-semitismo.

–Quais são os pontos de convergência?
–Pe. Hofmann:
Há muitos, porque espiritualmente, teologicamente, o cristianismo tem raízes judaicas. O cristianismo não pode ser compreendido sem o judaísmo. Como disse uma vez o cardeal Joseph Ratzinger, para os judeus e para nosso credo, o Deus único é o Deus de Israel. Está também o mandamento segundo o qual devemos ajudar os necessitados, depois a Sagrada Escritura como revelação da vontade de Deus, os dez mandamentos, a ética, o como viver e como se realizar inteiramente como seres humanos. Digamos que desde o ponto de vista social, podemos fazer muito juntos. Também na liturgia, na ética, há elementos comparáveis. O fundamento religioso é amplo.

–Em que nível se está desenvolvendo o diálogo entre o mundo cristão e o judaico?
–Pe. Hofmann:
No âmbito religioso, da justiça social, dos debates em torno de temas teológicos, da influência do judaísmo sobre o cristianismo e vice-versa na Idade Média, das raízes judaicas. Leva-se adiante um diálogo contínuo para redescobrir cada vez mais a própria identidade cristã.
Está também o âmbito cotidiano: em Nova York há judeus e católicos, uns ao lado dos outros; devem enfrentar os assuntos cotidianos juntos, há muitas amizades. Depois está o âmbito paroquial e em cada Conferência Episcopal há um responsável para o ecumenismo e para o diálogo inter-religioso. Está também o âmbito universal e corresponde à Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo, mas o verdadeiro trabalho é realizado pelas Conferências Episcopais. E como na Ásia há poucos judeus, o diálogo mais importante se desenvolve nos Estados Unidos, em Israel e em todos os países europeus.

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