Nosso Blog é melhor visualizado no navegador Mozilla Firefox.

Pesquisar este blog

Total de visualizações de página

Google+ Followers

Follow by Email

Perfil

Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

Translate

Seguidores

domingo, 27 de abril de 2008

RAM-FM: sintonia sem fronteiras

Observação: A edição impressa do Jornal do Brasil dedica uma página inteira ao tema com imagens. A matéria na versão eletrônica não traz as imagens e uma parte da matéria com o tópico "Ministério reprimiu o alcance radiofônico".

Jornal do Brasil, Internacional, 27/04/2008, página A25.

Estação com estúdios na Cisjordânia e em Israel busca diálogo com transmissão em inglês

Fred Raposo

Tem algo no ar de Ramala e Jerusalém, além de balas traçantes ou disparos de morteiro.

O que se eleva sobre o território, alvo de disputas sangrentas há mais de meio século, são acordes de gente como Bob Marley, Beatles, Jack Johnson, Madonna, Moby e Mariah Carey que, pelas ondas da estação de rádio RAM-FM, cruzam os céus da Cisjordânia e de Israel para trazer uma programação, em inglês, a gregos e troianos. Ou melhor, árabes e israelenses.

O espírito de integração começa pelo próprio nome: "Ram" é abreviação para a cidade palestina de Ramala e, em hebreu, o termo significa sublime, alto.

– É uma boa conotação, cujo propósito atende tanto a audiência palestina quanto a israelense – analisa o diretor do grupo sul-africano Primedia e criador da estação, Issie Kirsh, em entrevista à revista Newsweek.

O intuito de servir como plataforma de diálogo entre a população de Israel e o povo palestino é baseado em modelo surgido na África do Sul, estabelecido por Kirsh, durante o Apartheid. No continente africano, a iniciativa visava encorajar o diálogo interracial e servir de alternativa à mídia controlada pelo Estado.

Quando decidiu abrir uma estação no Oriente Médio, em 2003, o criador da estação Radio 702, em Johannesburgo, e acionista fundador da Radio Tel Aviv (102.FM) queria promover ponte similar para entendimento no Oriente Médio.

Foram necessários quatro anos para a rádio sair do papel, além de investimentos de US$ 2 milhões nos seis primeiros meses. Superadas as dificuldades iniciais, a RAM-FM completa, em fevereiro, um ano de existência.

Os estúdios de Ramala e de Jerusalém são equipados com aparelhos digitais de última geração. Entre as freqüências 93,6 FM (que atende Ramala, Tel Aviv e áreas centrais e costeiras de Israel) e 87,7 FM (que cobre Jerusalém), são 390 mil ouvintes israelenses – quase 10% da audiência total – e 106 mil palestinos, segundo pesquisa recente.

Tensão na fronteira
A rádio tem ouvintes até nos tensos postos de fronteira. A diretora da RAM-FM, a palestina Maysoun Odeh-Gangat, teve uma boa surpresa ao ser parada por um soldado israelense em Kalandia, posto situado entre Ramala e Jerusalém.

– "Só queria dizer que vocês têm uma ótima estação de rádio" – lembra Maysoun, reproduzindo a fala do soldado, que se inclinou junto à janela do veículo para que a diretora o escutasse melhor.

Para alcançar o objetivo de "principal fonte de notícias no Oriente Médio", contido no Código de Conduta da estação, a RAM-FM se propõe a divulgar informações diárias "bem apuradas, objetivas e aprofundadas, além de análises de eventos pelo mundo".

Para isso foi montado um time de oito "testemunhas oculares" dos acontecimentos no Oriente Médio. Além de dois editores, a equipe tem repórteres em Ramala, Jerusalém, Faixa de Gaza e Tel Aviv. Flashes da África do Sul, Austrália e Ásia contribuem eventualmente.

– É uma iniciativa muito importante para os dois lados – comenta o presidente da Fundação pela Paz no Oriente Médio (FMEP, na sigla em inglês), Philip Wilcox. – Desde que a ênfase do noticiário seja tratada com assuntos relevantes, de forma clara e objetiva, a estação desenvolve conceito bastante útil para estabelecer diálogo entre povos.

Celebridades
Alem do noticiário, a RAM-FM promove debates sob a perspectiva de paz e diálogo, como o que reuniu jovens judeus sul-africanos e palestinos no Show da Manhã, do apresentador Mike Brand, este mês.

Com o tempo, a estação planeja agregar conteúdo "mais sério" à agenda. Mas, por enquanto, ao menos 80% da programação é devotada à música pop.

– A música tem grande penetração nas gerações mais novas – conta Saman Khoury, palestino de Jerusalém Oriental e vice-diretor da ONG Peace and Democracy Forum, organização ligada à Iniciativa de Paz de Genebra.

A programação começa com Café da Manhã da RAM-FM, apresentado pelo DJ inglês Martin B. Entre as atrações estão dicas motivacionais e um jogo para "adivinhar quem é a celebridade misteriosa".

Na última semana, o ouvinte Shlomo ganhou prêmio em dinheiro ao identificar um menino de sorriso largo, por volta de 2 anos e meinhas de cano alto, como sendo o rei do pop, Michael Jackson. (Se você sabe quem é a menina loira, na foto emoldurada abaixo, mande um email para breakfast@ramfm.net. Não está claro se o envio do prêmio de Ramala para o Brasil está incluso no concurso).

As preferências dos DJs Raf, Mike, Arda, Kevin Lee, Ally, Lara e Hannah variam o cardápio musical ao longo do dia. Led Zeppelin, Radiohead e Pearl Jam convivem sem atritos com o apelo dos "Top 20" da cena mundial Kylie Minogue, Alicia Keys e Justin Timberlake.

Os escritórios espaçosos são ocupados por 25 funcionários. Uma mistura de israelenses, palestinos e pessoas de outras nacionalidades, como ingleses e americanos. Ali, judeus, muçulmanos e cristãos convivem sob o espectro da paz, que um dia todos na estação esperam alcançar aqueles que lhes dão ouvido.

Nenhum comentário: