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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 27 de abril de 2008

Refugiados econômicos querem voltar a Israel

Colonos que se mudaram para a Cisjordânia em busca de moradia barata preferem viver em seu país, devido à violência.

Renata Malkes, especial para O Globo
O Globo
, O Mundo, domningo, 27/04/2008, p.38.

Tel Aviv. - Em meio às pro­messas de retomar as diretri­zes do Mapa do Caminho, pa­ra põr fim ao conflito israe­lense-palestino, o governo do premier Ehud Olmert vem au­torizando nos últimos meses a expansão de dezenas de as­sentamentos na Cisjordânia. Mas, às vésperas das come­morações pelos 60 anos do pais, a política expansionista de Israel está longe de ser unanimidade. É cada vez maior o número de colonos israelenses que querem dei­xar os territórios palestinos ocupados e retornar imedia­tamente aos limites da cha­mada Linha Verde, a fronteira israelense anterior à. Guerra dos Seis Dias.

Eles fogem ao protótipo do colono nacionalista e re­ligioso que sonha com a grande Israel dos tempos da Bíblia. São refugiados eco­nômicos, israelenses secula­res, defensores da paz, que se viram forçados a mudar para a Cisjordânia em busca do sonho da casa própria a baixo custo e de uma quali­dade de vida melhor que a das grandes cidades.

Fé nos Acordos de Oslo motivou muitos colonos
Segundo pesquisa do mo­vimento Bait Echad (Uma Ca­sa), pelo menos 40 mil colo­nos judeus estariam dispos­tos a deixar suas casas em troca de uma indenização do governo para reconstruir suas vidas em território is­raelense. Criado em 2003, o movimento tenta pressionar o governo Olmert a aprovar uma lei de compensação fi­nanceira. A proposta, que deve custar ao menos US $ 2 bilhões aos­ cofres públicos, ganhou apoio dos partidos de esquerda e deve ser leva­da à votação no Parlamento, nos próximos meses. Um dos idealizadores do gru­po, Beni Raz, garante que o nú­mero de famílias dispostas a dei­xar a Cisjordãnia espontanea­mente pode chegar a 80% dos 400 mil colonos instalados na re­gião, sobretudo moradores de pequenas comunidades que fi­caram de fora do muro de segu­rança erguido por Israel.

- Estamos numa campanha para incentivar a adesão, mas poucos têm coragem de falar em público. Muitos colonos que trabalham nas prefeituras locais, subordinadas ao Con­selho de Yesha, o movimento que representa os assentados e é ligado à direita nacionalista extremista, vêm sofrendo ameaças. As pessoas temem perder os empregos caso ad­mitam estar dispostas a deixar as colônias. Yesha vem fazen­do pressão psicológica para impedir o avanço do movimento – contou Raz.

Raz, de 55 anos, mora há 14 na colônia de Karnei Shomron, próximo à cidade palestina de Tulkarem. Ele se mudou com a família da cidade de Kfar Saba iludido pela esperança de paz gerada durante os Acordos de Oslo. Acreditando que o ex­-premier Itzhak Rabin consegue­ria negociar a paz com Yasser Arafat, decidiu realizar o so­nho da casa própria no assen­tamento com a esposa e os três filhos. Depois de diversos anos de insegurança durante a segunda intifada, o segurança particular compreendeu que a vida na colônia é impossível em 2003, após o início da cons­trução do muro.

- Depois da construção do muro, vi que vamos ficar de fo­ra do país e não quero viver sob um futuro governo palesti­no. Estamos em terras ocupa­das e não haverá paz enquanto não sairmos daqui. A Palestina é uma realidade próxima. Se posso sair com dignidade, por que esperar? Para sofrer como os colonos retirados de Gaza, que até hoje não têm emprego, casa própria e escola para as crianças? - argumenta Raz.

Para muitos Colonos, as imagens de desespero regis­tradas durante o plano de des­conexão da Faixa de Gaza, em 2005, são um fantasma. O maior temor do psicólogo Ko­bi Friedman, de 56 anos, é ser removido à força de sua casa na colônia de Nofim. Ele conta que não será fácil despedir-se da casa de 460 metros quadra­dos, do jardim, da churrasqueira e da piscina.

Radicais palestinos são fantamas à espreita
Sonhando com qualidade de vida, o terreno foi comprado há nove-anos com financiamento de 80% oferecido pelo governo e juros abaixo do mercado, num dos pacotes de inventivo aos assentamentos promovi­dos pelo governo nas décadas de 80 e 90. Mas, os radicais palestinos não deixam Friedman esquecer que o pedaço de paraíso comprado em 1999 transformou-se em pesadelo.

- Gostaria de ficar, mas é preciso usar o bom senso. A realidade nos obriga a recuar e dar espaço aos palestinos. O governo nos ajudou a vir para cá e agora espero que tenham a decência de nos tirar daqui de maneira organizada. Não quero ser humilhado como os moradores de Gush Katif, em Gaza. Já tentei vender a casa, mas é impossível. Quem quer comprar numa área que será inevitavelmente evacuada no futuro? – diz ele.

A secretária Rinat Ezra, de 39 anos, perdeu todas as economias comprando uma casa na colônia de Hermesh, a poucos quilômetros da cidade israelense de Netânia. Em 1992, recém-casada, decidiu usar a linha de crédito do governo para viver com a família e o filho recém-nascido na Cisjordânia. Pagou pela casa a metade do preço de mercado, mas o sonho durou pouco. Em 2002, um atentado a bala matou três vizinhas e deixou Ezra, hoje com cinco filhos em pânico. Abalada psicologicamente pela violência, mudou-se ´com a família de volta à cidade natal e deixou para trás a casa de cinco cômodos trancada. Apesar de já ter deixado o assentamento, ansiosa, ela chora ao falar da expectativa por uma indenização.

- Muitos acham que colonos são fanáticos. Não fui para lá por ideologia, mas por necessidade. Era barato, a única chance de dar uma vida melhor à família. Hoje vejo que essa política destruiu minha vida e arruinou o futuro dos meus filhos. Apostei e confiei num governo incapaz de enxergar a realidade – diz a secretária.

O globo na Internet – Galeria – Confira as imagens de assentamentos
www.oglobo.com.br/mundo
e ainda: http://oglobo.globo.com/blogs/terra_santa/

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