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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Estudantes brasileiros participam de marcha que lembra Holocausto

MARIANA CAMPOS
da Folha Online, em 01 de maio de 2008.

Milhares de pessoas devem refazer, nesta quinta-feira, o mesmo percurso feito por vítimas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) entre o campo de concentração de Auschwitz e o campo de extermínio de Birkenau. Esta é a idéia da Marcha da Vida [idealizada por um sobrevivente para lembrar as vítimas do Holocausto] que, em 2008, completa 20 anos.

Neste ano --em que também serão comemorados os 60 anos da criação de Estado de Israel--, o evento dará origem a um livro-fotográfico e a um documentário. Cerca de 400 brasileiros participarão da marcha e, destes, 200 são jovens interessados em conhecer a história do Holocausto.

Uma delas é a estudante brasileira Joelle Hallak, 17, que embarcou para a Polônia ao lado de colegas da escola judaica em que estuda em São Paulo. "Estou ansiosa. Conheço bastante da história porque a escola nos ensina, mas ver as coisas de perto deve ser bem diferente", afirmou Hallak à Folha Online na última sexta-feira (25), dias antes de embarcar para a Polônia.

A marcha ocorre anualmente em Iom Hashoá (Dia do Holocausto), neste ano comemorado no dia 1º de maio. O evento faz parte de um programa educacional que tem como objetivo fazer com jovens judeus conheçam mais da história de seu povo, visitando os locais onde a vida comunitária judaica acontecia antes da Segunda Guerra, assim como campos de concentração e extermínio na Polônia ocupada.

A primeira etapa da viagem de aproximadamente 15 dias --que neste ano será realizada entre os dias 28 de abril e 11 de maio-- acontece na Polônia, onde os participantes visitam campos de concentração e extermínio usados durante o regime nazista.

A segunda etapa acontece em Israel, onde os participantes comemoram o Iom Hazicaron (Dia da Lembrança, em que são lembrados os soldados que morreram nas guerras em defesa de Israel) e o Iom Haatzmaut (Dia da Independência).

"Sei que vamos visitar crematórios, câmaras de gás e ver objetos que pertenceram aos judeus mortos na Segunda Guerra", diz Hallak, que afirmou ter conversado com pessoas que já participaram da marcha na tentativa de amenizar a ansiedade.

Choque
A estudante de direito Caroline Lerner Castro, 18, é uma das brasileiras que já participou da marcha. Ela fez a viagem no ano passado. "Pensei que era importante, mas não sabia que veria o que vi", disse. "Quando falamos sobre o Holocausto, as pessoas sabem o que e como aconteceu, mas ver é totalmente diferente".

Segundo ela, visitar os campos de concentração e de extermínio foi surpreendente e chocante. "Havia um campo de extermínio chamado Majdanek, que não foi destruído pelos alemães no final da guerra. Foi chocante. Entramos na câmara de gás, fomos ao crematório, vimos os fornos. Foi horrível", disse.

"Em Auschwitz tinha as malas das pessoas, uma pilha com cabelos, óculos. Em Majdanek tinha uma sala só com os sapatos usados pelas vítimas", afirmou a estudante judia.

Castro disse ainda que chorou em vários momentos da viagem --em especial quando viu as cinzas das vítimas. Para ela a marcha foi uma experiência "emocionante". Segundo a estudante, as pessoas fazem o percurso de 3 km entre Auschwitz e Birkenau à pé, cantando, carregando bandeiras e divididas em delegações dos países que estão participando.

Segundo a estudante, a viagem serviu para que suas raízes ficassem mais fortes. Ela sempre estudou em escola judaica e, neste ano, resolveu fazer o Pessach (Páscoa judaica), em que há alimentos obrigatórios e outros que não podem ser consumidos. "Você vê o que as pessoas passaram e agradece por ter sobrevivido".

Livro e documentário
As histórias de sobreviventes do Holocausto e da Marcha da Vida serão, neste ano, registradas em um documentário e em um livro-fotográfico idealizados pelo publicitário brasileiro Márcio Pitliuk.

"No ano passado, pensei em ir [à Marcha da Vida]. Mas, quando decidi, estava muito em cima da hora. Aí pensei: em vez de ir simplesmente, já que trabalho com comunicação, vou registrar a marcha", disse Pitliuk, que é judeu, à Folha Online.

Ele entrou, então, em contato com a organização mundial da Marcha da Vida --da qual participam cerca de 40 países--, pedindo autorização para registrar o evento, e descobriu que nesses 20 anos, ninguém nunca fez algo semelhante.

Com a obtenção da autorização, ele começou a organizar o projeto, que tem custo estimado de R$ 3 milhões. Segundo Pitliuk, o livro-fotográfico terá 200 páginas e será escrito em cinco línguas (inglês, português, francês, espanhol e hebraico). As fotos serão feitas pelo fotógrafo Márcio Scavone e o texto será do próprio Pitliuk.

Já o documentário terá aproximadamente uma hora e meia de duração e será dirigido pela americana Jéssica Sanders, indicada ao Oscar documentário em 2006.

História
Conhecido como um dos piores extermínios da história, o Holocausto --termo utilizado para descrever a tentativa nazista de exterminar os judeus durante na Europa nazista-- teve seu fim anunciado no dia 27 de janeiro de 1945.

Convencionalmente, ele é dividido em dois períodos: antes e depois de 1941. No primeiro período, várias medidas anti-semitas foram tomadas na Alemanha e, depois, na Áustria. No segundo período, as medidas se espalharam por toda a Europa ocupada pelo regime nazista.

Durante o Holocausto, aproximadamente 6 milhões de judeus morreram. Só nos campos de Auschwitz e Birkenau, localizados em Oswiecim (sul da Polônia), morreram entre 1,1 e 1,5 milhão de pessoas, em sua maioria judeus. As vítimas morriam de fome, doenças ou eram exterminadas em câmaras de gás.

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