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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Israelense e palestino divergem sobre os 60 anos de Israel

BIANCA KESTENBAUM BANAI
colaboração para a Folha Online, em 14/05/2008.

Após 60 anos da criação do Estado de Israel, comemorados nesta quarta-feira, as conseqüências desta conquista ainda dividem opiniões de moradores da região. Se para muitos israelenses ter seu próprio Estado significa reconhecimento, é nítida a impressão de exílio do palestinos, que ainda se sentem estrangeiros dentro de seu próprio território.

A Folha Online entrevistou um comerciante palestino que trabalha na Cidade Velha de Jerusalém e um policial israelense aposentado, ambos com 60 anos, para saber diretamente deles que mudanças ocorreram neste período e que perspectiva têm para o futuro dos dois povos. Eles concordaram em um único ponto: um acordo de paz está longe.

Para o palestino Willian Saliman, 60, Israel ainda não está preparado para a paz. Faz coro à opinião o israelenses David Cohen, 60, que diz que nenhum acordo colocará fim ao conflito entre os dois povos. "Os palestinos nunca ficam satisfeitos com o que recebem", diz. A analogia entre eles acaba aqui.

Orgulho
Cohen, que é especialista aposentado da área de investigações da policia israelenses, diz haver grande motivo de orgulho para Israel nesses 60 anos em que o Estado existe, sobretudo porque o país conseguiu se desenvolver mais que outras nações com 200 anos de vida.

"Um pais tão jovem, com tantos avanços em áreas como medicina, tecnologia e economia é um exemplo para o mundo. Eu me lembro que, ainda criança, na década de 50, quando faltava tudo, principalmente segurança, a situação era bem difícil", diz.

Para Cohen, que mora em Jerusalém, os problemas relacionados a segurança sempre foram o centro das atenções em Israel. ele afirma ainda que, hoje, as novas ameaças vindas do Irã, da Síria e do Líbano e o conflito com os palestinos são o principal foco.

"Apesar de Israel ter crescido em termos culturais, sociais e econômicos, ainda há muitos problemas ligados aos países árabes e muitos outros relacionados diretamente aos palestinos. Esta situação eleva a tensão dentro da sociedade e gera queda da qualidade de vida [para os israelenses]", afirma.

Cohen vê como positiva a criação de dois Estados [um israelense e um palestino], acrescentando que isso poderia levar estabilidade à região, mas descarta que a definição de Estado independentes possa pôr fim ao conflito israelo-palestino --o projeto de criação de dois países já foi especulado em várias etapas das negociações entre os dois governos, mas nunca foi levado a cabo.

"Eles [os palestinos] sempre querem mais. Não se satisfazem com o que recebem", diz.

Para o policial aposentado, Israel é visto pelo mundo como um país que teve grandes êxitos, e atribui à imprensa o "lado ruim" da exposição. "O mundo vê Israel como sinônimo de ocupação. De fora isto parece ruim porque [as pessoas] desconhecem a realidade. A situação só irá melhorar quando os dois povos chegarem à separação total."

Sem comemoração
Diferentemente do israelense, o palestino Saliman, dono de uma loja de suvenir no mercado da Cidade Velha de Jerusalém, herdada do pai, não vê motivos para as comemorações de 60 anos da criação do Estado de Israel.

Para ele, nada foi feito nestes anos, o povo palestino continua sofrendo com a ocupação israelense e não houve nenhuma melhora. "Muito pelo contrário, Israel continua construindo mais assentamentos e mais barreiras para impedir a livre passagem dos palestinos. Estamos acuados no nosso território. É o desenvolvimento indo contra a paz", afirma.

Morador de Beit Shafafa, na parte oriental de Jerusalém, Saliman leva até três horas para percorrer a distância de apenas 10 km do centro da cidade até sua casa devido às barreiras e postos de controle impostos pelos israelenses.

O comerciante diz acreditar numa solução pacífica apenas com a intervenção externa. Para ele, as decisões para acabar com o conflito devem ser tomadas por autoridades dos Estados Unidos e da Europa, que, segundo ele, são na prática os que decidem tudo.

"É difícil ver o governo palestino do Hamas [partido político que possui braço armado] com Olmert [Ehud, primeiro-ministro de Israel] numa mesa de negociação. Falta respeito mútuo, conclui."

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