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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Literatura israelense e 60 anos de Israel

Tova Sender
Nosso Jornal Rio, edição 24, out/2008, página 14.


A literatura contemporânea hebraica acompanha o cenário histórico da reconstrução nacional do povo judeu na Terra de Israel, que se tornou o novo Estado de Israel em 1948.

Esses dois conceitos, Terra de Israel e Estado de Israel, que à primeira vista se confundem, na verdade se referem a dois significados distintos, embora visceralmente relacionados.

O conceito de Terra de Israel diz respeito a um símbolo de inspiração, nostalgia e redenção que transformou um território geograficamente delimitado numa aspiração coletiva espiritual de existência e de sobrevivência do povo judeu desde os tempos bíblicos até os dias de hoje.

Já o Estado de Israel é uma realidade, a concretização da aspiração espiritual numa experiência nacional na Terra de Israel. Em termos da literatura, ao longo de dois mil anos de Diáspora, poetas judeus cantavam a nostalgia da Terra de Israel como símbolo da unidade e/ou redenção do povo. A Terra de Israel como símbolo, e não como realidade nacional, era mais cantada na poesia do que narrada na prosa.

A aspiração pela Terra de Israel na poesia segue, ao longo do tempo, os significados menos ou mais reais e concretos, de acordo com o afastamento ou iminência histórica da concretização do Estado de Israel como nação política.

Comparando os poemas de Iehuda Halevi com os de Rachel, nota-se a passagem de uma aspiração nostálgica (com possibilidade menor de concretização, ou sem qualquer possibilidade, àquela época) no primeiro, a uma mescla de sonho e realidade, na segunda, em que a poeta já habitava na Terra de Israel antes de se constituir em Estado.

Iehuda Halevi, na Idade Média, na Espanha, cantou: Meu coração está no Oriente e eu, no extremo Ocidente (...), enquanto Rachel, no início do século XX, vivendo em uma colônia agrícola às margens do Lago Kineret se perguntava: Será que jamais me purifiquei no tranqüilo azul de suas águas? Oh! Meu Kineret! Você existiu mesmo ou foi apenas um sonho?(...) A distância, no lamento de Halevi, se transforma na própria presença de Rachel, mas ainda com o antigo sentimento de uma vivência simbólica, não completamente real. A aspiração transcendente vai se transformando numa realidade imanente, com um período intermediário onde ambas convivem, como em Rachel, que se banha no Kineret ao mesmo tempo em que duvida da sua existência.

Quando a possibilidade de concretizar o que antes só podia se realizar como símbolo se tornou uma evidência, surgiram os escritores narrativos, já que alguma concretude do símbolo já se anunciava. Um magistral representante deste período histórico é Shai Agnon, Prêmio Nobel de Literatura em 1966.

Ele próprio é fruto desse período de transição, nascido na Galícia e se transferindo a Israel na segunda aliá. Seus três grandes romances seguem a cronologia da passagem que transferiu o centro judaico diaspórico para o novo modelo nacional que se estabelecia no Estado de Israel às vésperas de sua fundação.

Há uma forte tendência da crítica literária a identificar três momentos significativos na literatura israelense dos 60 anos de Israel: a geração dos Pioneiros, a geração da Terra e a geração do Estado. Esses momentos são coerentes com a
realidade israelense (política, histórica, cultural) e a medida de idealização que marca essas gerações cronologicamente.

Atualmente há um viés que passa pela autobiografia, na realidade, biografias que se confundem com a história do novo país. Para citar alguns exemplos, as recentes autobiografias de Amós Oz, Rina Franco, Meir Shalev e Yftach Spector.

Veja mais:
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La situación de las artes en Israel en 1995: Literatura
Cadernos de Língua e Literatura Hebraica
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Temas:
Literatura Israelense

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