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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Em homenagem, Obama pede combate a negadores do Holocausto

Informe FIERJ (23/04/2009)

E ainda:


Pletz (23/04/2009)


G1 (23/04/2009)


FSP online (23/04/2009)


Sérgio Malbergier: Brasil: modo de (ab)usar


A que ponto chegamos: a conferência promovida pelo comitê de direitos humanos da ONU para combater o racismo foi aberta pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cujo país é um dos campeões mundiais justamente do abuso aos direitos humanos. Leia o que diz relatório recente da Anistia Internacional sobre o Irã:


"As esperanças [de melhora nos direitos humanos no governo do reformista Mohammad Khatami] foram duramente esmagadas com a ascensão ao poder de Mahmoud Ahmadinejad. Impunidade, prisões arbitrárias, tortura e outros maus tratos e o uso da pena de morte seguem prevalentes. Alguns setores da sociedade, incluindo minorias étnicas, seguem enfrentando ampla discriminação, enquanto a situação de outros grupos, especialmente algumas minorias religiosas, pioraram significativamente. Pessoas vistas como contrárias a políticas oficiais enfrentam severas restrições nos seus direitos de crença, expressão, associação e reunião. As mulheres seguem enfrentando discriminação, tanto em lei como na prática. A impunidade em relação aos direitos humanos é generalizada."


E há ainda a odiosa negação do Holocausto, o extermínio de 6 milhões de judeus inocentes pela Alemanha nazista, defendida e promovida por Ahmadinejad, inclusive no fórum "humanista" da ONU em Genebra. Um dos membros da comitiva iraniana chegou a chamar de "sionazi" o prêmio Nobel da Paz e sobrevivente do campo de extermínio nazista de Auschwitz, Elie Wiesel.


Um negador do Holocausto abrir a conferência da ONU contra o racismo com esse discurso é o triste símbolo do que se transformou a discussão sobre direitos humanos nas Nações Unidas, cuja comissão para o assunto é dominada por regimes autoritários e discriminatórios.


E a diplomacia brasileira no final de mandato de Lula, cada vez mais dominada por mofados terceiro-mundistas com visão congelada em alguma década perdida do século 20, é alegre contribuinte dessa farsa.


O Brasil se absteve na comissão da ONU a condenar o Sudão pela morte de estimadas 300 mil pessoas, sim, 300 mil, no sul do país africano por milícias apoiadas pelo regime sudanês. Depois, em encontro de cúpula entre Mercosul e países árabes, no final de março, para o qual a diplomacia brasileira muito trabalhou, o presidente Lula foi posto em banquete sentado ao lado do ditador sudanês, Omar al Bashir, que pouco antes havia sido alvo de ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional pelo morticínio na região de Darfur.


Agora o Brasil prestigia outro pária da comunidade ocidental: Ahmadinejad visitará nosso país em maio, pouco depois do vexame em Genebra pelo qual foi criticado pelas nações democráticas, inclusive o Brasil, registre-se. Mas recebê-lo logo depois com tapete vermelho em Brasília é um gesto infinitamente maior do que qualquer suave e atrasada nota de condenação da Chancelaria brasileira.


Ahmadinejad está em campanha política. Enfrenta eleição em junho contra um outro membro da teocracia, mais moderado (ou menos radical). Seu odioso gesto na conferência em Genebra faz parte de sua estratégia de se colocar como combatente de primeira grandeza de Israel e das potências ocidentais. Assim como seu programa nuclear clandestino, perseguido em meio às ameaças de destruir Israel, criado após o Holocausto justamente para garantir um abrigo seguro aos judeus.


Sua visita ao Brasil obviamente será usada no contexto eleitoral iraniano, o que torna a atitude da diplomacia brasileira ainda mais equivocada. Ahmadinejad foi eleito em 2005 com uma plataforma de melhoras econômicas para as empobrecidas massas iranianas, mas a situação econômica do Irã (assim como a dos direitos humanos) só piorou em seu governo, mesmo com o petróleo atingindo picos inéditos de US$ 150.


O uso cínico do antissemitismo e do seu filhote contemporâneo, o antissionismo virulento, e a busca clandestina por armas atômicas são o que restou de apelo popular de Ahmadinejad. A recepção a ele pelo carismático e simpático Lula será explorada em sua campanha como sinal de que o Irã não está isolado.


Está certo que o Brasil nunca colocou a defesa dos direitos humanos como grande prioridade de sua política externa, que sempre priorizou o respeito cego à autonomia dos países dentro de suas fronteiras. Mas a legitimidade que Lula, genuinamente contrário a discriminações de qualquer tipo, dará ao déspota de Teerã nas vésperas da eleição iraniana parece daqueles equívocos históricos de uma diplomacia que ainda não percebeu sua nova força.


Ajudada pela liderança de Lula, a projeção política do Brasil cresceu junto com nossa economia. Com essa nova estatura, o país não precisa mais se deixar usar, ou abusar, fazendo cena para líderes como Ahmadinejad em troca de pequenos negócios ou alianças.



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23/04/2009

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