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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 4 de maio de 2008

Israel: conflito existencial nos 60 anos

SOLDADO ISRAELENSE fala ao celular ao lado de um prisioneiro palestino vendado, perto de um posto na fronteira com a Faixa de Gaza: em 2020, árabes representarão um terço da população jovem dentro de Israel.


Israel: conflito existencial nos 60 anos

Seis décadas após sua criação, país ainda busca uma identidade nacional. Tensão envolve sociedade que é formada basicamente por emigrantes

Renata Malkes Especial para O GLOBO.
Foto de Rita Castelnuovo/The New York Times.
O Globo, O Mundo, página 42, em 04/05/2008.

TEL AVIV. Centenas de ataques terroristas, dois levantes palestinos contra a ocupação e seis guerras em seis décadas. Contrariando previsões dos vizinhos árabes, Israel comemora na quinta-feira 60 anos marcados por conflitos existenciais.


Apesar do crescimento da economia e do destaque na produção de novas tecnologias e pesquisas científicas, Israel festeja a data tentando localizar novos inimigos.


Ainda sentindo no ar ameaças à sua existência, os israelenses não sabem se o perigo vem dos vizinhos palestinos, da guerrilha libanesa do Hezbollah, do projeto nuclear iraniano ou de si mesmo.

O aumento da pobreza e da corrupção, o crescimento da população árabe e as tensões entre árabes e judeus, asquenazes e sefarades, religiosos e seculares, veteranos e novos imigrantes põem também em xeque o futuro do Estado judeu.


Uma em cada 3 crianças vive abaixo da linha de pobreza

Analistas acreditam que mesmo diante da incapacidade de resolver a questão palestina, o país saiu fortalecido da segunda intifada. O turismo e a exportação de tecnologia voltaram a florescer, levando a economia a um crescimento de cerca de 3% ao ano, e acordos de livre comércio com países europeus, EUA e até com o Mercosul elevaram as exportações à casa dos US$ 60 bilhões por ano. De acordo com o índice de competitividade global do Fórum Econômico Mundial, Israel ficou em 17olugar entre os 131 países avaliados.


Apesar do crescimento e da queda do desemprego, aumentaram também a corrupção e as desigualdades sociais, sobretudo em cidades como Jerusalém, cuja população predominante é árabe ou haredit (judeus ortodoxos), que não participam da força de trabalho. Hoje uma em cada três crianças vive abaixo da linha de pobreza e pelo menos 1,6 milhão de israelenses, 20% da população, são pobres, ou seja, recebem menos de dois mil shekels por mês (US$ 570).

Enquanto a maioria defende a tese de que as ameaças na área de segurança são as mais sérias, há quem acredite que o inimigo verdadeiro não são as usinas do Irã ou a hostilidade dos árabes, mas a falta de uma identidade nacional que não seja religiosa, que coloca em rota de colisão diversos setores da sociedade.


Além das tensões entre árabes e judeus, judeus observantes e seculares estão cada vez mais intolerantes.

Para a professora Naama Halevy, 31 anos, o aniversário do país deveria ser uma oportunidade de repensar a relação entre Estado e religião.


— Apesar de judia, nascida em Israel, não sigo as leis religiosas e me incomoda não haver transporte público aos sábados, o Shabat. São questões que podem caracterizar o Estado judeu, mas que impedem o direito de escolha dos cidadãos, ferindo a democracia. Será que Israel seria menos judaica se houvesse ônibus aos sábados? — questiona a moradora de Jerusalém.

Uma análise mais profunda da sociedade mostra que Israel se transformou numa caixa de Pandora, cheia de contrastes. A diversidade da população, formada basicamente de imigrantes, contribui para as tensões.


Até hoje muitos judeus de origem sefaradita, provenientes de países árabes e da Península Ibérica, alegam serem discriminados por judeus asquenazes, de origem européia. A queda da imigração judaica, que teve seu auge nos anos 90 com a chegada de mais de um milhão de judeus da antiga União Soviética, e as dificuldades econômicas de absorver os que ainda chegam preocupam, mas as controvérsias não param por aí.


Enquanto a busca pelo consenso de uma identidade nacional é tema freqüente de pesquisas, a interferência conservadora das comunidades judaicas espalhadas pelo mundo tenta contornar ou mesmo frear o desenvolvimento sociológico de Israel.


Milhares de judeus mundo afora sentem-se parte do país e tentam influenciar política, financeira e culturalmente o dia-adia dos israelenses.


Crescimento árabe pode levar a país binacional

Para o pesquisador Sergio della Pergola, da Universidade Hebraica de Jerusalém, há eventos na História que chocam a humanidade, e a criação de Israel é um deles. Ele argumenta que o Estado foi um choque para o cristianismo, o islamismo e até o próprio judaísmo, e as conseqüências deste choque ainda não estão claras a longo prazo. Suas previsões para o futuro são alarmistas e ele adverte que Israel pode perder a maioria judaica rapidamente caso os territórios palestinos não sejam devolvidos. Com um crescimento duas vezes maior que o da população judaica, a comunidade árabe pode em 2020 forçar Israel a transformarse em país binacional.


— Hoje há 80% de judeus e 20% de árabes em Israel, sem incluir a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.

Esse número cairia para 77% por cento em 2020. Em 2020 os jovens árabes até 18 anos passariam a ser um terço da população jovem do país. Se nas escolas houver uma quase igualdade entre árabes e judeus, será impossível chamar Israel de Estado judeu, seria um Estado binacional.

Se as estatísticas incluírem as populações de Cisjordânia e Gaza, a superioridade judaica é de apenas 2%, uma verdadeira bomba demográfica contra o Estado judeu. Muitos buscam justificativas políticas para o desmonte dos assentamentos, mas foi apenas uma preocupação demográfica. (O ex-premier Ariel) Sharon queria garantir a existência de um país judeu com maioria judaica.


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