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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 23 de agosto de 2008

Israel teme que tenham roubado parte de seu legado musical


Tudo começou com uma ligação tarde da noite em uma sexta-feira em julho. Uma mulher de Nova York perguntava a Gil Flam, que dirige a seção musical da Biblioteca Nacional de Israel sobre um manuscrito de um século autografado por um compositor suíço. Seria da coleção da biblioteca?Quando Flam verificou, descobriu que a peça estava no inventário, mas não no arquivo. Outros itens também estavam faltando. De fato, ela começou a se lembrar que os usuários da biblioteca vinham reclamando de não encontrar os documentos listados.

A biblioteca descobriu que centenas de itens estavam desaparecidos, inclusive fotografias, manuscritos e cartas de Yehudi Menuhin, Jascha Heifetz, Pablo Casals, Felix Mendelssohn e Richard Strauss. Muitos itens também sumiram do arquivo da Orquestra Filarmônica de Israel em Tel Aviv e de uma biblioteca musical histórica em Haifa. A busca em outros arquivos musicais está apenas começando.

A polícia apontou como suspeito um arquiteto de Haifa de 60 anos que há vários anos vem visitando os arquivos da nação, alegando ser um músico amigável fazendo pesquisa pessoal. Ele colocava os documentos entre seus papéis e os vendia abertamente no eBay, provavelmente, por centenas de milhares de dólares no total.

"Estamos falando sobre a história musical do país, que este sujeito vinha minando. Ele não roubou uma biblioteca simplesmente, mas seu país", diz Bill Ecker, corretor de Nova York que, sem saber, comprou do suspeito uma carta roubada de 1879 e ajudou a polícia israelense a prendê-lo.O caso ocorreu em uma época especialmente desagradável para Biblioteca Nacional, repositório da maior coleção do mundo de manuscritos judeus e hebraicos. Ela foi acusada por anos pela imprensa israelense e um comitê internacional de especialistas de não proteger adequadamente a herança do país, por causa de seus telhados com goteiras, orçamentos insuficientes, espaço de armazenagem superlotado e tecnologia antiquada.

Agora parece que a falta de segurança será acrescentada à lista, enquanto a biblioteca espera reinventar-se. Inclusive, ela vem tentando adquirir uma série de importantes coleções, inclusive o que resta dos papéis de Franz Kafka em Tel Aviv.

"Isso é muito difícil porque acabamos de começar o processo de planejamento de construção de uma nova Biblioteca Nacional de alta tecnologia, ultramoderna" disse o diretor-geral da biblioteca, Shmuel Har Noy, quando perguntado sobre os documentos desaparecidos.

O suspeito no caso, Meir Bizanski, não cooperou com a polícia, que invadiu sua casa encontrou centenas de itens que as bibliotecas e a orquestra dizem pertencer-lhes, de acordo com o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld. Grande parte do material estava em um depósito atrás da casa, arrumada em caixas por assuntos e em prateleiras, contaram alguns que participaram da busca.Bizanski foi preso e depois transferido para prisão domiciliar. Agora, enquanto os detetives reúnem suas acusações -eBay diz que vai cooperar- ele está livre, sob condição de não deixar o país nem contatar arquivos musicais.

Por telefone, Bizanski recusou um pedido de entrevista. Seu advogado respondeu com uma curta declaração por correio eletrônico dizendo que Bizanski é um colecionador que freqüentemente visitava bibliotecas e arquivos e não havia cometido nenhum crime, e que a polícia não compreendia os colecionadores. O advogado, Gadi Tal, acrescentou por telefone que Bizanksi havia comprado tudo legalmente.

Os arquivistas da Biblioteca Nacional e da Filarmônica disseram que nunca venderam nenhum dos itens. Em teoria, Bizanski poderia ter sido vítima de um ladrão de quem teria comprado os documentos. No entanto, quando pediam as notas de compra dos bens, Tal recusou-se a responder.O caso começou com Jude Lubrano, que, junto com seu marido, Paul, dirige um antiquário musical em sua casa em Long Island há trinta anos. Lubrano disse que comprou quatro documentos desse homem por US$ 5.000 (cerca de R$ 8.000).

Quando os documentos chegaram, ela verificou em livros de referência e encontrou uma fotografia de um deles, um manuscrito de três páginas assinado por Arthur Honegger, compositor suíço francês do século 20. O livro dizia que o manuscrito pertencia a uma coleção oficial em Israel. Foi aí que ela telefonou à Flam.

Lubrano escreveu a Bizanski, dizendo a ele que havia vendido bens roubados e que queria seu dinheiro de volta.

"Se essas cifras foram roubadas, eventualmente posso ter problemas. Então lhe peço que os devolva", escreveu. Ele enviou o dinheiro de volta. Lubrano devolveu o manuscrito à biblioteca.Flam, que trabalha no departamento de música da Biblioteca Nacional há 14 anos, tem um orçamento minúsculo e pouca ajuda. Mesmo assim vem organizando os arquivos e ficou devastada com o roubo. Ela disse que Bizanski havia visitado a instituição várias vezes por mês. Entretanto, ele de fato pensava em dinheiro porque só pegava coisas autografadas, as quais poderiam vender facilmente, disse ela.

Agora ela se preocupa que todo o sistema de pesquisa terá que ser ajustado para levar em conta a possibilidade de roubo. O arquivista da Filarmônica israelense também reconheceu Bizanski de suas muitas visitas.

Har Noy, o diretor da Biblioteca Nacional, admitiu que sua instituição, que até 1º de agosto era conhecida como Biblioteca Nacional e Universitária Judaica, há muito tem sido uma espécie de filho postiço entre os arquivos nacionais, porque era parcialmente administrada pela Universidade Hebraica e nunca teve status ou um orçamento como a Biblioteca do Congresso.

De fato, em 1998, um grupo de especialistas internacionais liderado pelo bibliotecário do congresso, James H. Billington, advertiu Israel que a biblioteca estava desorganizada e que, na ausência de mudanças substanciais, "Israel teria uma Biblioteca Nacional apenas no nome".

O Parlamento levou uma década para agir, mas em novembro último aprovou uma lei estabelecendo a Biblioteca Nacional de Israel, o novo nome da instituição, e garantindo um período de transição de três anos para sair da administração universitária.

Har Noy disse que, com os documentos de Einstein, Ben-Gurion e outros, a Biblioteca Nacional tinha grandes ambições e propósitos. "Este roubo foi horrível", disse ele. "Mas aprendemos com o que aconteceu e faremos melhor. Israel merece uma verdadeira Biblioteca Nacional e a terá."

Tradução: Deborah Weinberg

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