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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 9 de maio de 2009

Israel substitui Saddam por Ahmadinejad como inimigo útil

O Globo, Mundo, pág.35, em 09/05/2009.


Viagem de saias justas e kefiah


Na Jordânia, Bento XVI manifesta respeito ao Islã e tenta driblar pressões políticas


Renata Malkes Especial para O GLOBO


JERUSALÉM. O Papa Bento XVI começou ontem em Amã a sua peregrinação pela Terra Santa, tentando driblar pressões políticas e apostando no caráter espiritual da viagem. O Pontífice foi recebido pelo rei Abdullah II e pela rainha Rania e, em seu primeiro discurso, manifestou seu respeito pelo Islã e disse esperar a melhora das relações da Santa Sé com os muçulmanos.


Bento XVI pediu ainda o diálogo entre cristãos, muçulmanos e judeus para a paz.


O Papa vai visitar lugares sagrados do cristianismo e realizar missas para a minoria cristã do país — 3% dos 5,8 milhões de jordanianos — antes de seguir segundafeira para Israel e Cisjordânia. Analistas acreditam que o Papa alemão terá de driblar as pressões de israelenses e palestinos, sobretudo após a polêmica envolvendo um bispo que negou o Holocausto e declarações controversas sobre Maomé.


— Minha visita à Jordânia me dá a oportunidade de mostrar meus mais profundos respeitos pela comunidade muçulmana — disse o Papa, que elogiou o país por permitir a liberdade de culto e os esforços na mediação no conflito palestino-israelense e recebeu uma kefiah, o tradicional lenço árabe, na Igreja Nossa Senhora da Paz.


Nas mesquitas, líderes religiosos pediram nos sermões que os fiéis respeitassem os cristãos durante a visita de Bento XVI. Havia temores de que membros da Irmandade Muçulmana boicotassem o Papa, que despertou a fúria dos muçulmanos em 2006, ao fazer um discurso em que citava trechos de um texto medieval classificando Maomé e seus ensinamentos de “malignos e desumanos”. Apesar de garantir que as palavras não refletem sua opinião, o Papa é criticado por não ter feito um pedido público de desculpas.


Na segunda-feira, Bento XVI segue para Israel e Cisjordânia. A comitiva deve aterrissar sob os olhares pouco simpáticos de israelenses e palestinos. Além da polêmica envolvendo o bispo inglês Richard Williamson, o Papa, que integrou a Juventude Hitlerista, desagrada aos israelenses.


— É diferente da visita de João Paulo II, em 2000, ápice das boas relações. O caso do bispo teve impacto negativo. A aceitação vai depender dos discursos e, sem dúvida, será interessante vê-lo no Memorial do Holocausto — diz o historiador Amnon Ramon, da Universidade Hebraica.


Os dois rabinos-chefes de Israel, Shlomo Amar e Yona Metzger, devem boicotar o encontro com o Papa. Procurado pelo GLOBO, o rabino de Tzfat, Shmuel Eliahu, disse não ver necessidade no encontro: — Não sei por que devemos nos esforçar para honrá-lo. Não vimos o Vaticano nos respeitar em Durban. Todos os diplomatas retiraram-se quando o presidente do Irã fez seu discurso, mas representantes do Vaticano permaneceram — disse, referindo-se à conferência da ONU sobre o racismo, em que Mahmoud Ahmadinejad acusou Israel de ser um país racista.


O roteiro foi mudado por pressões israelenses pelo menos duas vezes, evitando uma cidade árabe e uma missa junto ao muro que separa a Cisjordânia.


— Não somos uma força política, mas uma força espiritual que pode contribuir (para a paz) — frisou o Papa.



FSP (09/05/20009)




Convém a Netanyahu retratar o Irã como grande perigo à existência israelense, mas incluí-lo no pacote da questão palestina só atrapalharia as duas soluções


ADRIAN HAMILTON

DO "INDEPENDENT"


COMENTA-SE ÀS vezes que, se o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não existisse, os israelenses teriam que inventá-lo. Que prova melhor é preciso da ameaça grave que o país enfrenta do que um homem que afirma que o Estado de Israel deveria ser extirpado do mapa do Oriente Médio?


Israel é obcecado pelo Irã. Basta conversar com qualquer israelense, ouvir qualquer discurso de um político israelense ou estudar a política de segurança que está sendo desenvolvida pelo novo governo de Binyamin Netanyahu: o Irã está sempre presente.


Uma ameaça crescente que intimida o país com a possibilidade de um ataque nuclear e incentiva o Hamas e o Hizbollah, que agem com sua procuração, a perseguir o Estado judaico.


A razão dessa obsessão é evidente. Embora o Irã possa não ameaçar Israel diretamente com uma invasão armada, seu desenvolvimento nuclear desafia a segurança de Israel, como única potência atômica na região. Some-se a isso o apoio dado ao Hamas e ao Hizbollah, e fica fácil ver por que o Irã pode ser visto como motivo principal dos temores israelenses.


Por mais reais que possam ser esses temores, também é fato que convém a Israel retratar o Irã como grande perigo a sua existência. Com a queda de Saddam Hussein, Israel passou a precisar de um rival suficientemente temível para justificar suas armas nucleares secretas e a alegação de que a segurança precisa necessariamente se impor a outras considerações na relação com seus vizinhos.


Mais ainda agora, que os EUA avançam para tratativas diretas com o Irã e pressionam o novo governo israelense a iniciar conversações substantivas com os palestinos.


"Grande barganha"

De fato, na visita que fez a Washington nesta semana, o presidente israelense, Shimon Peres, utilizou o Irã muito especificamente para fazer frente a essas pressões. Sim, disse Peres, preparando o caminho para a visita de Netanyahu ainda neste mês, vamos falar com os palestinos, mas vocês, em troca, terão que neutralizar o Irã. Como "grande barganha", é uma política inteligente.


Como maneira de realmente avançar, o presidente Obama erraria se sequer a levasse em conta. Embrulhar o Irã e a Palestina num único pacote, dessa maneira, apenas tornaria muito bem difícil solucionar qualquer um dos problemas.


O Irã pode, de fato, representar um problema para a segurança regional. Mesmo que desconfiemos que possa ter a pior das intenções ao desenvolver sua tecnologia nuclear -e Teerã nega veementemente qualquer intenção de produzir armas nucleares-, o Irã parece ser movido muito mais pelo medo de ataque militar dos americanos e de ser cercado por países árabes sunitas hostis George W. Bush deu ao país persa motivos de sobra para preocupar-se mais com esses dois pontos do que por qualquer ambição de atacar Israel.


Ahmadinejad certamente acha útil intensificar a retórica antissionista como maneira de anunciar as credenciais islâmicas do Irã no mundo árabe. O Irã também acha útil ajudar a financiar e armar movimentos radicais na região, em parte pela mesma razão.


Mas Israel não é sua preocupação ou seu alvo principal atualmente. Nem nunca o foi, nem mesmo sob o aiatolá Ruhollah Khomeini (1900-1989). Acusar o Hamas e o Hizbollah de serem meros agentes que atuam com procuração de Teerã é sinal de incompreensão total da natureza desses grupos e de criação de uma desculpa conveniente para não chegar a um acordo com eles.


Rota de colisão

Se Obama e o Ocidente quiserem dialogar com o Irã, terão que fazê-lo nos termos deste. Complicar a questão, levando em conta as exigências de Israel, será contraproducente. No momento, EUA e Israel se encontram em rota de colisão.


Netanyahu recuou do conceito de uma solução de dois Estados e não sinaliza mudança de rumo na expansão de assentamentos ou outras questões controversas. O governo Obama, por outro lado, insiste em que Israel deve parar com a ampliação dos assentamentos e iniciar diálogo com vistas à criação de um Estado palestino separado.


Em discurso no Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos, Shimon Peres não sugeriu que o governo Netanyahu esteja preparado para fazer quaisquer concessões importantes aos palestinos. Como não houve nada no discurso do vice-presidente Joe Biden perante a mesma audiência que indicasse que o governo americano esteja preparado para recuar na exigência do fim dos assentamentos e da solução de dois Estados. Incluir o Irã nesta mistura não vai ajudar.


Isso apenas confunde a questão, beneficiando Netanyahu. Se a proliferação nuclear no Oriente Médio é realmente a preocupação primordial de Israel, talvez o país devesse pautar-se pelo exemplo de Obama e oferecer-se a colocar em discussão seu próprio arsenal nuclear. Se o fizesse, a bola seria devolvida para o campo do Irã.



FSP online (09/05/2009)


IHU (09/05/2009)


Zero Hora (09/05/2009)

  • Papa chega a Amã com discurso conciliatório (página 33): No primeiro dia de sua viagem ao Oriente Médio, o papa Bento XVI propôs ontem uma participação maior da Igreja Católica na mediação do processo de paz entre palestinos e israelenses. Ele afirmou que gostaria de se engajar em um “diálogo trilateral’’ com judeus e muçulmanos.


Estadão (09/05/2009)


JB (0905/2009)


Correio Braziliense (09/05/2009)


Reinaldo Azevedo (09/05/2009)


Gazeta do Povo (08/05/2009)


Deutsche Welle (08/05/2009)


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