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Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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terça-feira, 17 de junho de 2008

Para professor Shaul Mishal, cessar-fogo em Gaza depende de ajuda internacional

FERNANDA BARBOSA
Colaboração para a Folha Online, em 17/06/2008.

O sucesso do cessar-fogo acordado nesta terça-feira entre Israel e o grupo extremista islâmico Hamas depende da ajuda do Egito e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Mahmoud Abbas, na opinião de Shaul Mishal, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Tel Aviv.

"Há profundas diferenças e suspeitas entre eles [Israel e o Hamas]. Qualquer coisa pode minar o cessar-fogo, a não ser que haja mais partes para ajudar a manter o acordo, como o Egito, a Arábia Saudita ou a União Européia", disse o especialista em entrevista dada por telefone de Tel Aviv à Folha Online.

Para o analista, a trégua "abre as portas para uma negociação maior de fronteiras com os árabes", mas o conflito ainda está "muito longe de terminar".

Sobre a negociação para a entrega de Gilad Shalit --mantido em cativeiro pelo Hamas há dois anos-- o professor diz acreditar que as chances de troca de prisioneiros -que poderia resultar na libertação do soldado israelense--serão bem maiores "se o cessar-fogo for mantido pelos próximos seis meses".

Na entrevista, Mishal afirmou ainda que a fronteira de Rafah deve ser reaberta "gradualmente" para o envio de suprimentos para a faixa de Gaza, mas que a entrada de ajuda humanitária aos palestinos não deverá ser barrada por Israel.

Leia a íntegra da entrevista dada por Mishal:

Folha Online - O cessar-fogo durará os seis meses previstos pelo Hamas?
Shaul Mishal - Isso dependerá do envolvimento de mais atores entre Israel e o lado palestino. Há profundas diferenças e sérias suspeitas entre eles. Qualquer coisa pode minar o cessar-fogo, a não ser que haja mais partes para ajudar a manter o acordo, como por exemplo o Egito, a Arábia ou a União Européia (UE).
O segundo elemento que pode ajudar a manter o cessar-fogo é a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e o seu líder, o presidente Abbas. Essas partes vão prover algum apoio e, talvez, melhores chances de que o cessar-fogo seja mantido por algum tempo.

Folha Online - Qual deve ser o principal papel de Abbas nessa questão?
Shaul Mishal - O papel dele é ajudar a situação indiretamente. Ele está ansioso para conseguir algum apoio e a legitimidade dos palestinos. Ele não foi capaz de entregar nada que prometeu em seu mandato, principalmente sobre o processo político com Israel. Então, as pessoas estão desapontadas, e essa seria uma maneira de melhorar a sua posição com a população palestina, provendo apoio para o cessar-fogo e permitindo que o Hamas abra um diálogo com Israel.

Folha Online- O senhor acha que o Hamas irá libertar em breve Gilad Shalit?
Shaul Mishal - Muitas dessas questões complicadas têm algum entendimento silencioso. Há algumas intenções implícitas dos dois lados que talvez possam estender o cessar-fogo. A questão número um para Israel é a respeito de seu prisioneiro Gilad Shalit. Mas a questão não será tão fácil se o preço for alto para o ponto de vista israelense, principalmente em relação à opinião pública, pois os palestinos estão insistindo em ter 450 prisioneiros libertados.
Para os israelenses, isso seria difícil de apresentar [para a opinião pública], pois eles [os prisioneiros palestinos] estiveram envolvidos em atividades muito sangrentas. Se o acordo for mantido, a chance de uma troca de prisioneiros dentro de alguns meses aumenta. Mas ela está ligada à opinião pública de Israel e à manutenção do cessar-fogo.

Folha Online - Em sua opinião, Israel irá reabrir a fronteira de Rafah?

Shaul Mishal -Elas serão reabertas gradualmente. Se a situação continuar de acordo com o que Israel acredita que ela deva ser, elas [as fronteiras] serão abertas passo a passo. Claro que, para os palestinos, essa é uma questão central: abrir Rafah para levar aos habitantes de Gaza todos os itens que eles precisam. Mas eu não acredito que isso irá ocorrer imediatamente.

E, claro, essa questão pode causar desentendimentos para o acordo, pois o que ocorrer de cada lado pode ser interpretado de formas diferentes, gerando diferentes significados para o cessar-fogo e para os acordos. Mas, como eu disse, acredito que precisamos de ajuda de outras partes, já que não há o mínimo de confiança entre os dois lados envolvidos.


Folha Online - O envio de suprimentos será normalizado?

Shaul Mishal - Provavelmente a abertura irá melhorar e prover melhores condições de vida para os palestinos. Eu também não acredito que Israel irá parar de enviar ajuda humanitária. Mas a questão é como eles irão agir entre os desentendimentos das duas partes [Israel e Hamas].


Folha Online - Qual será o principal benefício do cessar-fogo aos palestinos?

Shaul Mishal - Ele pode aumentar a esperança para um maior diálogo entre os habitantes de Gaza, controlados pelo Hamas, e o povo palestino da Cisjordânia. Isso irá melhorar todas as opções da região, talvez criando melhores situações para conseguir um acordo, não baseado somente em negociações bilaterais, mas na velha Iniciativa Árabe de Paz de 2002 [aprovada em Beirute pela Liga Árabe, que reafirmou a "opção estratégica dos países árabes em manter a paz em conformidade com a legalidade internacional"]. Eu acho que essa é a iniciativa mais importante. Esse acordo menor entre os israelenses e os palestinos deve impulsionar em um maior entendimento entre Israel e todos os árabes.


Folha Online - O cessar-fogo pode ser considerado um passo para uma negociação de paz?

Shaul Mishal - Sim. Mas isso depende do que acontecer nas primeiras semanas [da trégua]. Quero dizer, deve haver o mínimo confronto entre as duas partes. E, até então, isso não nunca existiu. O cessar-fogo é a chance de haver resoluções de fronteiras entre Israel e os vizinhos árabes.


Folha Online - O senhor vê a possibilidade do fim do conflito?

Shaul Mishal - Eu não acredito que isso ocorrerá tão rápido. Mas a questão não é terminar o conflito, e sim diminuir os desentendimentos entre os lados para permitir condições mínimas de diálogo. Mas eu não acredito que isso [o cessar-fogo] será a solução final.

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