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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

Israel x Gaza x Oriente Médio (193) .... Oriente Médio: deixa para depois

JB, Internacional, p.25 (25/01/2009)


NOVA AMÉRICA


Oriente Médio: deixa para depois


A questão mais importante para Obama nos primeiros 100 dias é a crise econômica


Osmar Freitas Jr

CORRESPONDENTE EM NOVA YORK


Em diplomacia, o simbolismo de um gesto é ferramenta fundamental de trabalho. Expressões singulares aproximam ou afastam interlocutores. Assim, ao optar pela imobilidade e poucas palavras durante a invasão de Gaza por tropas israe lenses, Barack Obama deu impressão de omissão. Justificou-se, na época, afirmando que os EUA têm um único presidente a cada momento. Ele era presidente eleito, e o cargo estava ocupado por George Bush. Mas nas duas primeiras horas de trabalho no Salão Oval, o empossado 44º líder americano mudou de atitude. Suas primeiras chamadas pelo telefone foram para mandatários do Oriente Médio envolvidos na questão palestina. Em seguida, anunciou a escolha de um nome para ocupar a pasta de enviado especial para a região. Trata-se do ex-senador democrata George Mitchell, em cujo currículo está o sucesso de um acordo de paz entre rivais na Irlanda do Norte. Manifestava, assim, a volta do engajamento ativo de seu governo na arena judaico-palestina.


Entre gesto e ação, sabe-se, pode estar fincada grande distância. Analistas políticos americanos arriscam dizer que o foco do presidente não está no Oriente Médio. A questão palestina estaria sendo vista de binóculos, e a aproximação física do governo será lenta e gradual. ­


- A questão mais importante diante de Obama é a crise econômica da nação. A disputa entre Israel e os palestinos não é tópico que um presidente americano intervenha sem experimentar dores ­ diz George Friedman, do Stratfor, instituto não partidário de inteligência geopolítica. ­ Certamente, Obama vai lutar para não ser forçado a mediar o conflito israelense-palestino nos 100 primeiros dias. Ele vai remeter o obrigatório enviado especial ao Oriente Médio, que vai dedicar tempo com os protagonistas, fazer os discursos de praxe, e extrair concessões inócuas dos envolvidos. Este enviado estabelecerá um tipo de cometimento cínico, que não levará a lugar nenhum a princípio.


O pessimismo do analista se baseia nas ocorrências do passado e nas possibilidades futuras. Em 10 de fevereiro, Israel elegerá um novo premier. As pesquisas dão vantagem para o candidato conservador do Likud, Benjamin Netanyahu. Caso isso se confirme, espera-se linha mais dura do governo israelense, com o prosseguimento do assentamento de colonos em território ocupado, e total recusa de negociações com o movimento Hamas.


- Não adianta agora tentar estabelecer compromissos entre palestinos e judeus. Qualquer negociação de acordos mais duradouros, vai depender da política a ser estabelecida pelo novo governo de Israel ­ diz Amr El Ebrashi, professor da Universidade do Cairo.


Apesar disso, as mediações multinacionais continuam. O presidente francês Nicolas Sarkozy ofereceu-se como interlocutor com a liderança do Hamas. A idéia é trazer o grupo que governa Gaza para a mesa de negociações, sem obrigar contatos diretos entre eles, Israel ou EUA. Ao mesmo tempo, o ditador do Egito, Hosni Mubarak, trabalha pela colaboração entre o Fatah, facção do presidente Mahmoud Abbas, e seus rivais do Hamas. Do sucesso da empreitada depende o frágil cessar-fogo estabelecido depois da invasão em Gaza. Obama torce por isso para, pelo menos, ganhar tempo.


Países islâmicos se mostram mais dispostos a aceitar Israel

A estratégia de longo prazo do governo Obama para os palestinos passa necessariamente por Damasco e Teerã. Ao estabelecer novamente negociações diretas com a Síria e o Irã, os Estados Unidos vão procurar mudar a dinâmica do jogo no Oriente Médio. A secretária de Estado, Hillary Clinton, em sua sabatina de confirmação no Congresso, disse claramente que seguiria este caminho apontado pelo presidente ainda em campanha. E nesta jornada, ela contará com a companhia de vários países do mundo árabe, preocupados com a influência iraniana e de grupos radicais religiosos na região. Da Arábia Saudita, passando pelo Egito, Turquia, Qatar, Marrocos, até a Líbia, existe disposição para a aceitação do Estado de Israel e o estabelecimento de relações diplomáticas normais, caso haja um acordo permanente que acomode as aspirações palestinas.


A Síria já vinha negociando secretamente com Israel até o fim do ano passado. O governo Bush participava timidamente desta iniciativa. Nos planos da nova direção do departamento de Estado estariam conversas diretas com o governo de Bashar Al-Asad, em Damasco. Os pontos altos seriam: normalização de relações diplomáticas, com a retirada do país da lista negra de aliados de terroristas, incentivos econômicos, e pressões para que Israel devolva a posse das Colinas de Golã. Este último ponto se complicaria muito, caso Benjamin Netanyahu se eleja primeiro-ministro israelense. Na barganha entra o compromisso sírio de interrupção de ajuda militar e monetária a grupos como o Hamas e o Hezbollah. E ainda: a busca de acomodamento da situação política no Líbano, com cessação de interferências nos assuntos daquele país. Isso significaria também ajustes para a pacificação do Hezbollah.


Para Teerã já se fala na abertura de um escritório de representação dos Estados Unidos naquela cidade, nos moldes do que se tem agora em Havana. Seria uma demonstração de boa vontade americana. Mas as negociações envolvem obstáculo de ultrapassagem difícil: a questão nuclear. Espera-se neste quesito a participação da Rússia, China e União Européia, numa tentativa de impedir que o Irã use a tecnologia atômica para construir um arsenal. Oferece-se em troca, o fim das sanções econômicas impostas pela ONU, a aceitação do país na Organização Mundial do Comércio, ajudas econômicas, tecnológicas e culturais, com o restabelecimento de relações diplomáticas normais com o Ocidente. Os iranianos, além de renunciar o uso de energia nuclear para fins bélicos, terá de deixar de armar e financiar grupos radicais, e não tentar ingerências em governos como o do Iraque e do Líbano.


Correio Braziliense (25/01/2009)


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