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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Allan Turnowski: Quando todos vão à guerra


Os artigos sobre Israel sempre atualizados você encontra aqui.



Destaque


O Globo, Segundo Caderno, pág.8, em 10/08/2009.


Generosidade para além dos muros de Israel

Homenageado em mostra no Rio, cineasta diz que israelenses e palestinos perderam chances de chegar à paz


ENTREVISTA Amos Gitai


Aplaudido de pé por alguns e vaiado ferozmente por outros por suas reflexões políticas explosivas, Amos Gitai, mito supremo do cinema israelense, ganha de presente dos cariocas por seus 35 anos de carreira uma mostra que revisita polêmicas éticas e estéticas urdidas em curtas e longasmetragens. Amanhã, às 17h, o documentário “Are da morte” (“Zirat Ha’Rezach”), lançado por Gitai em 1996, inaugura a mostra “O cinema além muros”, que fica em cartaz até o dia 23 na Caixa Cultural. A retrospectiva aproxima a obra do maior cineasta de Israel à de outro ícone audiovisual do Oriente Médio: o iraniano Abbas Kiarostami. Em entrevista por telefone ao GLOBO, Gitai, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes com “Kadosh” (1999), “Kippur” (2000), “Kedma” (2002) e “Free zone” (2005), expressou orgulho ao dividir uma retrospectiva com o diretor de “Gosto de cereja” (1995), de quem é entusiasta. Carinhoso em relação ao Brasil, preservando predileção por Glauber Rocha — “Considero ‘A idade da terra’ uma das experiências mais selvagens de liberdade nas telas”, diz —, Gitai apresenta nesta conversa reflexões áridas sobre o conflito entre seus conterrâneos e os palestinos.


Rodrigo Fonseca


O GLOBO: Seu primeiro trabalho como cineasta, o filme “Ahare”, está completando 35 anos. Diante de toda a experiência e de todos os prêmios que acumulou desde então, como o senhor avalia o seu papel na história do cinema israelense?

AMOS GITAI: Ao longo de 35 anos, eu fui aprendendo novos processos técnicos que me permitem buscar algo novo. Mas a polêmica e a repulsa que meu ponto de vista sobre Israel por vezes gera ainda me servem de inspiração. Eu não sou um cineasta de berço. Venho da arquitetura, um ofício no qual o aprendizado em relação à geografia que nos cerca é perpétuo.

Levo para o cinema o desejo de aprender que a arquitetura me deu, sem me dobrar diante do que reclamam de mim.


A mostra “O cinema além muros” vai exibir trabalhos raros de sua filmografia, como “Wadi” (1981) e “Uma casa em Jerusalém” (1998). Esses filmes ainda racham opiniões em Israel?

GITAI: Preservo minhas raízes éticas mesmo diante de rejeições alheias. Acredito que tenho o direito de expressar o que penso, independentemente do que isso provoque. Mas não sou o único a dividir opiniões.


Se vocês percorrerem a trajetória integral do Cinema Novo brasileiro vão perceber que seus realizadores ora filmaram com absoluto realismo, ora na base plena do delírio.


Alguns gostaram dessa variação. Outros reagiram a ela com incômodo. Isso é normal em qualquer cinematografia que tenha diretores com uma visão própria do que é a arte de filmar. Cinema para mim é um diário onde eu relato a história do meu país. Cada filme é uma página a mais nessas memórias que registro.


Esse exercício o aproxima de Abbas Kiarostami, diretor iraniano cujos filmes dividem a mostra da Caixa Cultural com o senhor?

GITAI: Gosto muito de Kiarostami, porque sempre que se volta para a área rural do Irã, ele busca fragmentos de realidade para construir uma linguagem.


E são sempre fragmentos personalizados em indivíduos.


Kiarostami é um diretor que imerge na realidade sem rejeitar a busca por uma expressão formal nova. Nesse ponto, ele e eu nos encontramos no mesmo tronco de cineastas, embora nossos objetos se diferenciem. Dispensamos fórmulas, dispensamos o recurso da animação. Aprendi isso com diretores que admiro, como Rossellini e Fassbinder, artistas que pegam as camadas do processo histórico como ponto de partida para a construção da narrativa.


Mas o processo histórico do qual o senhor parte é particularmente violento. Como essa violência vira linguagem?

GITAI: Sou israelense. Sou parte de um grupo, os judeus, que vive sob a sombra perene do deslocamento forçado. Ao longo dos séculos, diferentes nações eliminaram a concentração judaica na Europa. E isso é mais antigo do que o Holocausto e prosseguiu depois dele.


Nossa diáspora começou bem antes do Holocausto e não parou.


Em Israel, existem comunidades que precisam se unir para sobreviver para além de um sentimento de comunhão referente a laços mais ancestrais.


No Oriente Médio, em qualquer país, é o fardo do passado que lapida o futuro, não o presente.


É por isso que eu filmo. Filmo porque o cinema me oferece a possibilidade de flagrar, a partir da câmera, como o passado talha os passos que vamos seguir, inclusive os passos políticos.


E como o senhor encara a posição palestina diante desse jugo do passado?

GITAI: Sou um israelense que deseja a paz, assim como existem numerosos palestinos desejando a harmonia. O problema na questão entre nossas culturas é que ambos os lados perderam oportunidades cruciais para resolver suas diferenças.


Quando aparece uma liderança palestina moderada, vem uma representação israelense intransigente. Isso levou nossa relação e mesmo nosso conflito a um desgaste. Sabe onde esse desgaste transparece? Na visão de que estamos em negociação. Povos em crise não negociam. Negociar é um verbo que se aplica ao comércio.


Negociar é um verbo que alguém que fabrica sapatos usa em relação a alguém que deseja comprar um calçado. A palavra precisa que falta entre nós é generosidade. Generosidade é essencial à vida.


A mídia favorece essa medida da generosidade?

GITAI: Tanto israelenses quanto palestinos tentaram converter a mídia a seu favor. Mas a mídia é traiçoeira e intoxicou os dois lados. Ela transformou um convívio tenso em uma novela, um folhetim.


Seus últimos filmes, como “Mais tarde compreenderás” e “La guerre des fils de la lumière contre les fils des ténèbres”, que estreia agora no Festival de Locarno, na Suíça, trouxeram a diva francesa Jeanne Moreau no elenco.


Qual é a sua relação com a estrela de “Jules et Jim”?

GITAI: Fiz vários filmes a partir do olhar de mulheres. Com uma grandeza à altura de Marlene Dietrich, Jeanne é uma mulher curiosa. Eu quero compartilhar sua curiosidade com a plateia a partir de meus filmes.


Quando o senhor pretende visitar o Brasil?

GITAI: Talvez eu vá para a Mostra de Cinema São Paulo, onde já estive algumas vezes.


Ilda (Santiago), a diretora do Festival do Rio, tem reclamado que eu tenho negligenciado vocês, os cariocas. Talvez seja a hora de visitar o Rio.



FSP (10/08/2009)


Allan Turnowski: Quando todos vão à guerra


Solicitamos aos sociólogos que nos incluam na luta de classes por uma sociedade mais justa e respeitadora dos direitos humanos


EM MEADOS do ano retrasado, estive em Israel com uma comitiva da área de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro para conhecer e viabilizar a compra de veículos blindados de categoria leve, escudos e coletes à prova de bala para serem utilizados pelas polícias Civil e Militar do nosso Estado.


Trata-se de equipamentos de ponta, de uma empresa com orçamento anual de US$ 600 milhões, utilizados por diversas polícias do mundo, entre elas de Suécia, Alemanha e Israel.


Muitas dessas polícias atuam em países onde não há a realidade de confrontos do Rio de Janeiro, mas que adquiriram esses equipamentos para proteção de seus policiais e redução de distúrbios urbanos.


Durante as várias horas de conversas e negociações para eventual aquisição dos veículos blindados, solicitamos algumas adaptações nos equipamentos com a finalidade de adequá-los à realidade carioca, com foco na relação custo/benefício, especialmente no que tange ao valor de manutenção dos equipamentos.


Assim, pedimos a supressão de alguns itens de segurança, menos utilizados em nossa realidade cotidiana, como sistema antiminas terrestres e equipamento contra armas químicas.


Por fim, pedimos a diminuição do tamanho do vidro dianteiro, pois, em caso de dano, sua troca seria financeiramente mais em conta, apesar da perda da visibilidade do motorista.


Era preocupação da cúpula da segurança a integridade física dos seus policiais. No entanto, naquele momento, o foco das discussões era o custo do equipamento.


A diretora-executiva da empresa dos blindados, incomodada com a perda de visibilidade do motorista, interrompeu nossa argumentação e nos disse, em inglês: "Senhores, aqui em Israel, nossa preocupação principal é com a integridade física do nosso policial.


Quando nossos filhos vão defender nosso país, temos de trazê-los de volta para casa, vivos e saudáveis, mesmo que tenhamos de pagar mais por isso".


Naquele momento, tive dois pensamentos. O primeiro, de vergonha, pela percepção dos israelenses sobre a maneira que tratamos nossos policiais. Em seguida, de reflexão, quando percebi a real diferença entre as culturas de países tão distintos.


Em Israel, todos são obrigados a servir o Exército, sejam ricos, sejam pobres. Logo, o filho do banqueiro, do empresário, do professor e do lixeiro vão à guerra, onde todos se nivelam, pois os tiros e as bombas do inimigo não sabem distinguir diferentes camadas sociais.


No Brasil, a realidade é outra. O concurso para as polícias ainda não atrai o interesse de membros de determinadas classes sociais formadoras de opinião. Portanto, os membros dessas camadas mais influentes da sociedade não estão nas trincheiras dessa luta diária travada pelos nossos valentes policiais para a manutenção da ordem pública e a defesa de toda a sociedade.


Como consequência, essas classes não veem o policial como um integrante de sua casta, mas apenas um número na estatística de violência de nossa cidade. Por essa razão, não se preocupam se esses policiais voltarão vivos ou mortos dessa batalha. Preocupam-se apenas com as suas próprias batalhas.


O único caminho a ser seguido é melhorar a qualidade do serviço prestado, buscar reconhecimento profissional e, por conseguinte, melhores salários, o que nos levará a um melhor processo de seleção, que atingirá todas as camadas sociais e aí, então, a integração com toda a sociedade.


Enquanto isso, solicitamos aos nobres sociólogos que nos incluam em sua luta de classes por uma sociedade mais justa e respeitadora dos direitos humanos. Detalhe: não conseguimos importar os blindados.


ALLAN TURNOWSKI, 39, bacharel em direito, com especialização em gerenciamento de incidentes críticos do programa de assistência antiterrorista da Academia de Policia da Louisiana (EUA), é delegado e chefe da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.



FSP online (10/08/2009)


Estadão (10/08/2009)


Zero Hora (10/08/2009)

  • Irã varia táticas para perseguir a imprensa (página 24)
  • Nahum Sirotsky: Ventos quentes do Norte e do Sul (página 24): O calor está infernal. Ventos esquentam o norte de Israel na fronteira com o país do Partido de Deus, Hezbollah e o Sul onde fica Gaza, faixa de 400 quilômetros quadrados dominada pelo Movimento Palestino de Resistência Islâmica, Hamas. O Egito desfez uma célula que preparava o assassinato do embaixador israelense no Cairo. Não identificou o grupo responsável. Há grupos extremistas egípcios como a Fraternidade Muçulmana, que deu origem a todos os demais. >>> Leia mais, clique aqui.


Aurora (10/08/2009)


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