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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quarta-feira, 3 de março de 2010

Em um gesto para os palestinos, Lula vai passar noite em Belém

Os artigos sobre Estudos Judaicos e Israel sempre atualizados você encontra aqui.



O Globo (03/03/2010)


FSP (03/03/2010)


Em um gesto para os palestinos, Lula vai passar noite em Belém

Presidente faz visita a Oriente Médio em meio a crescentes tensões na região


MARCELO NINIO

DE JERUSALÉM


O programa da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste mês a Israel e aos territórios palestinos ainda não foi divulgado, mas um gesto carregado de significado político já está definido: ele irá passar uma noite em Belém.


O pernoite na cidade onde nasceu Jesus, segundo a tradição cristã, é um claro sinal de apoio à ANP (Autoridade Nacional Palestina), que controla Belém. Em geral, o protocolo seguido por líderes estrangeiros é visitar Ramallah, sede da ANP, e dormir em Jerusalém.


O presidente Lula, que desembarca em Israel no próximo dia 14, chega num momento de crescentes tensões entre Israel e seus vizinhos, a começar pelos palestinos. O processo de paz do qual o Itamaraty manifestou interesse em participar torna-se uma possibilidade cada vez mais remota.


Paradas há mais de um ano, as negociações entre palestinos estão em ponto morto desde que o primeiro-ministro direitista Binyamin Netanyahu assumiu o governo israelense no início de 2009. Israel acusa os palestinos de impor precondições para reabrir o diálogo, e os EUA de Barack Obama não conseguem quebrar o gelo entre as duas partes.


Atritos
Diante do impasse, circula entre os palestinos a ameaça de uma terceira intifada (rebelião), em meio a uma sucessão de atritos. Um deles é a desapropriação e a demolição de casas em Jerusalém Oriental, que os palestinos querem como a capital de seu Estado -já para os israelenses, a cidade deve permanecer indivisível e sob controle judaico.


Ontem, o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, revelou o plano de construir um parque turístico perto das muralhas da cidade velha, o que implicaria a destruição de 20 casas de palestinos. Barkat alega que as construções são irregulares e que o turismo gerado pelo parque também beneficiará os moradores árabes do bairro.


Pouco antes do anúncio, o premiê Netanyahu pediu a Barkat que tente uma solução negociada com os moradores antes de implementar o projeto, o que deve adiar as demolições por um tempo. Mas os palestinos alertaram que haverá uma conflagração se o plano do prefeito for executado.


Além disso, a decisão do governo de Israel de incluir dois santuários religiosos situados em territórios palestinos em seu patrimônio histórico esquentou os ânimos, deflagrando uma série de confrontos na volátil cidade de Hebron, onde está o Túmulo dos Patriarcas. O outro santuário, o Túmulo de Raquel, fica em Belém, onde o presidente Lula passará a noite do dia 16. O gesto faz parte da preocupação da diplomacia brasileira de manter o equilíbrio entre Israel e os palestinos, dando tempo igual para as duas visitas. Em seguida, Lula ficará um dia na Jordânia.



Julia E. Sweig: O significado da visita de Hillary ao Brasil


EM SUA campanha para a Presidência, a senadora Hillary Rodham Clinton mal falou uma palavra sobre o Brasil. Como secretária de Estado, porém, ela reconhece o Brasil como o país mais poderoso da América do Sul e uma potência global em ascensão. A visita dela pode abrir caminho para a chegada do presidente Obama, mais tarde neste ano.


Embora ainda seja cedo para avaliar, a viagem de Clinton parece refletir uma vontade política de fazer do relacionamento com o Brasil uma prioridade estratégica da política externa dos Estados Unidos.


Clinton compreende que os Estados Unidos precisam se adaptar a um mundo multipolar, cooperando com potências como China, Rússia e Índia.


Mas em 2009 sua diplomacia com o Brasil foi prejudicada por disputas em torno de Honduras, bases militares na Colômbia, política interna e tensões ligadas ao Irã.


Tendo começado com tal atraso, a impressão que se tem é a de que a visita da secretária de Estado é permeada de urgência: os EUA estão perdendo terreno, à medida que a América Latina cria mais uma organização regional que os exclui. Além disso, a atenção do Brasil não vai tardar a voltar-se para dentro, quando sua campanha presidencial começar para valer.


Visitar o Brasil talvez seja o passo mais fácil. Os Estados Unidos têm pouco espaço para manter seu foco de atenção sobre o Brasil. A agenda interna de Obama vem sendo consumida pelas questões do desemprego, da reforma da saúde, da infraestrutura e da solvência fiscal. No campo externo, a principal atenção vai continuar sendo Afeganistão, Paquistão, Irã, Iraque e China.


É possível que falte incentivo ao Brasil para investir no relacionamento com os EUA tanto quanto a secretária Clinton possa desejar. Também focado em grande medida em questões internas, o Brasil sobreviveu à crise financeira global, vem construindo uma classe média crescente, reduzindo a pobreza e a desigualdade e consolidando a democracia. Hoje a corrupção, a criminalidade, a violência e as drogas são as questões prioritárias na agenda de seu eleitorado.


No plano internacional, os últimos sete anos impeliram o Brasil para o palco global. Os EUA representam apenas uma parte da agenda global brasileira: a ênfase dada pelo Brasil à multipolaridade e ao multilateralismo parte da premissa do declínio da influência norte-americana.


Em vista de sua insistência histórica a respeito da autonomia em relação às potências maiores, dificilmente se poderia esperar que o Brasil hoje subordinasse seus interesses aos dos Estados Unidos. Apesar disso, para os americanos, o etos brasileiro de autonomia em matéria de política externa às vezes aparenta ser uma tentativa deliberada de frustrar a diplomacia norte-americana. Tais percepções equivocadas correm o risco de funcionar como obstáculos no caminho das boas intenções.


Outro impedimento potencial é o fato de que os EUA ainda agem como potência imperial. Quando Hillary Clinton fala em "parceria", será que os brasileiros pensam que o que ela realmente quer dizer é deferência para com os interesses dos EUA?


Para tratar de problemas da agenda bilateral, regional e global, Clinton terá que penetrar o ceticismo de Brasília em relação ao compromisso de Washington com uma troca real de mão dupla. O Brasil terá que dar a ela o benefício da dúvida e expor com clareza o que quer dos Estados Unidos, aproveitando a visita e o que virá depois dela para avaliar bem o que a administração Obama quer do Brasil e o que será capaz de produzir.


Em termos bilaterais, a agenda será dominada por tarifas, impostos, comércio, incluindo até mesmo questões de gênero e raça. O Haiti virá à tona para ilustrar o talento dos dois países mais do que disputas em torno da Colômbia ou de Honduras. A secretária de Estado ouvirá a visão que o Brasil tem da região andina e sua visão para a integração sul-americana.


Talvez ela explique o ritmo glacial da política de Washington para Cuba. As discussões sobre mudanças climáticas e finanças globais vão avançar. Mas é o Irã que provavelmente ocupará o grosso do tempo.


Hoje em dia dura em relação a essa questão, a secretária Clinton insiste que as potências emergentes devem unir-se à pressão norte-americana e europeia exercida sobre o Irã, enquanto o governo Lula, depois do Iraque, vê as sanções como caminho que conduzirá ao uso de força militar.


Por mais que se possa repudiar o abraço público dado pelo presidente Lula em Ahmadinejad, o líder que nega a existência do Holocausto, o canal de comunicação que Brasília possui com uma Teerã cada vez mais caótica e imprevisível não deve ser desprezado ou visto simplesmente como tomada de posição antiamericana.


A visita de Clinton não vai resultar na intimidade de um "relacionamento especial" nem mesmo no abraço incômodo que Washington com frequência dá a seus melhores amigos na região. Mas, se a secretária deixar o país com uma apreciação da singularidade do Brasil -e os brasileiros apreciam plenamente a singularidade dos Estados Unidos-, é possível que comece a emergir uma forma de parceria que seja produtiva.


JULIA E. SWEIG é membro sênior do Conselho de Relações Exteriores, sediado em Nova York, onde dirige o Programa América Latina e o Programa Global Brasil.



FSP online (03/03/2010)


Estadão (03/03/2010)


JB (03/03/2010)


CB (03/03/2010)


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Uol Internacional / Mídia Global (03/03/2010)


Aurora Digital (03/03/2010)


Zwinglius Redivivus – Dr. Jim West (03/03/2010)


Paraná online (02/03/2010)


BBC Brasil (02/03/2010)


Deutsche Welle (02/03/2010)


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