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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sábado, 3 de janeiro de 2009

Israel x Gaza x Oriente Médio (31) .... E a guerra chega ao oitavo dia...Até qdo?

O Globo, mundo, páginas 22 e 23, em 03/01/2009.


Página 22

Uma guerra também cibernética

Israelenses e palestinos usam a internet como instrumento de propaganda

Sabrina Valle


Além de terra, água e mar, a guerra na Faixa de Gaza se transpôs também para a internet, com israelenses e palestinos usando chats, blogs e sites de compartilhamento de vídeos como ferramentas de propaganda.

As Forças Armadas de Israel criaram uma página no YouTube em que postam imagens de operações, como o momento exato em que mísseis são disparados, na visão de quem está no controle da mira. Já o Hamas, que teve seus vídeos censurados no YouTube — o grupo é considerado terrorista por EUA, União Européia e Israel — começou a usar o site alternativo AqsaTube, em árabe.


— Esse conflito não vai ser decidido no campo de batalha, mas no front da mídia — diz Gabriel Weimann, professor de comunicações da Universidade de Haifa.


— Ambos os lados sabem que serão forçados a ceder de alguma forma. Esta não é apenas troca de fogo, mas também de mensagens e imagens.


No AqsaTube, entre os vídeos mais assistidos está uma espécie de novela mexicana, só que árabe e com temática de guerra. As cenas fictícias mostram uma bela e recatada enfermeira dando de comer a um ferido num hospital, ou um rapaz aprumado tentando estancar o sangue no peito ferido de uma jovem numa caverna.


Já do lado de Israel, até ontem havia pelo menos 22 vídeos no YouTube postados pelo Exército, exibidos mais de 600.000 vezes desde que a página foi criada, na segunda-feira passada, dois dias depois do início dos conflitos. Entre os mais vistos, imagens aéreas em preto-e-branco mostram soldados israelenses acertando a mira em prédios do governo do Hamas. Noutro, é possível ver os integrantes do Hamas abastecendo de mísseis um carro que em segundos sumiria atrás de uma enorme nuvem de fumaça.


Apesar de mostrar o momento da morte dos radicais, as imagens são exibidas por Israel como prova de que a operação é cirurgicamente voltada a terroristas e não civis — muito embora entre os feridos estejam mais de 400 mulheres e crianças.


Segundo um porta-voz do Exército israelense, o YouTube é uma tentativa de atingir o maior número possível de pessoas. Para chegar também aos mais jovens, o consulado de Israel em Nova York apostou no Twitter (uma rede online de mensagens curtas trocadas via celular) e já conseguiu cerca de três mil seguidores.


Página 23

Hillary no papel de mediadora

Aliada de Israel, próxima secretária de Estado tem sobrenome como arma

Mark Landler Do New York Times


WASHINGTON. Quando Hillary Clinton concorreu a uma vaga no Senado no estado de Nova York, há nove anos, ela tentou persuadir desconfiados eleitores judeus que apoiava Israel, depois de um incidente no qual ela permaneceu ao lado da mulher de Yasser Arafat enquanto ela fazia um explosivo discurso contra Israel.

Agora, tendo assegurado sua posição como uma amiga de Israel, Hillary tem que mostrar para um novo público que também pode ser uma mediadora no seu futuro papel como secretária de Estado, no qual seu primeiro desafio pode muito bem ser a violência em Gaza. Dada a atribulada história dela nas questões árabe-israelenses, esta pode ser uma tarefa difícil.


Ela tem pontos fortes, que incluem seu conhecimento da região e o histórico de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, na relação entre árabes e israelenses. Mas Hillary terá que provar aos palestinos que também pode ser uma mediadora, trabalhando com o Egito e outros países árabes, e pressionando Israel quando necessário.


— Ela terá que demonstrar sua independência em relação a Israel — disse Aaron Miller, um analista do Centro Internacional de Acadêmicos Woodrow Wilson. — Inevitavelmente haverá divergências entre nossos interesses (dos EUA) e os interesses deles.


A corda bamba diplomática ficou evidente este semana. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, condenou o Hamas por disparar foguetes contra o sul de Israel, ao mesmo tempo em que, de forma privada, exortava Israel a concordar com um cessar-fogo.


Hillary não fez qualquer comentário sobre a violência atual. Mas, como senadora, condenou ataques de foguetes do Hamas em maio de 2007.


— Mantenho-me ao lado do povo de Israel, e mantenho meu compromisso inabalável com o bem-estar e a sobrevivência de Israel.


Num discurso para um grupo de lobby israelense, logo após perder as prévias do Partido Democrata para Barack Obama, Hillary disse que o próximo presidente deve evitar negociações diretas com o Hamas porque é uma organização terrorista, equipada pelo Irã, que quer destruir Israel.


Antes, ela declarara que os EUA poderiam “apagar” o Irã se o país atacasse Israel com armas nucleares.


Especialistas acreditam que seu apoio a Israel é sincero, apesar de também ser politicamente inteligente fazer isso em Nova York. Mas quando era primeira-dama, Hillary se aproximou dos palestinos pelo menos duas vezes. Em 1998, disse a um grupo de adolescentes israelenses e árabes que a criação de um Estado palestino era “importante para o objetivo maior que é conseguir a paz no Oriente Médio”.


A Casa Branca repudiou o comentário, dizendo que não se tratava de uma política do governo. Hoje, a solução de dois Estados é uma parte central do plano de paz americano.


Ex-presidente Clinton é respeitado por árabes e israelenses Em novembro de 1999, quando era candidata ao Senado, ela visitou a cidade cisjordana de Ramallah. Numa cerimônia com funcionários da área de saúde, a primeira-dama não reagiu quando Suha Arafat acusou forças israelenses de usar “gases tóxicos” contra os palestinos, provocando câncer.


Após o discurso, Hillary deu um beijo em Suha, um gesto que irritou grupos judeus. Ela se defendeu, afirmando que a tradução fora incompleta.


Hoje, seu histórico parece positivo para muitos. Alguns palestinos dizem que ela esteve à frente de seu tempo ao pedir um Estado palestino. O casamento com Clinton também é um trunfo.


Apesar de os esforços do ex-presidente terem falhado, especialistas dizem que gente dos dois lados concede a ele o crédito de ter tentado uma solução por mais tempo e com mais afinco do que outros presidentes.

— As pessoas não a vêem como uma senadora de Nova York muito próximo de Israel — disse Ziad Asali, de um grupo árabe-americano que defende um Estado palestino.


— Ela é vista como uma Clinton.


Globo online

G1

Estadão

FSP

Dirigente da Universidade Islâmica de Gaza, bombardeada por Israel, nega que a instituição produza armas

Ataque "foi um crime inaceitável", diz Kamalain Shaath, para quem uma nova trégua em condições injustas não dará certo


DO ENVIADO A JERUSALÉM

Um dos ataques mais polêmicos da operação israelense contra o grupo fundamentalista Hamas foi o que atingiu a Universidade Islâmica de Gaza, na terça-feira. Israel afirmou que o campus era uma alvo legítimo, já que em seus laboratórios eram fabricadas armas para uso terrorista. Para muitos no mundo árabe, e mesmo fora dele, porém, ao atingir uma instituição acadêmica, Israel rompeu os limites da ética e invadiu o terreno dos crimes de guerra. Fundada em 1978, nove anos antes do surgimento do Hamas, a universidade é considerada há muito tempo um bastião ideológico do movimento islâmico em Gaza, enquanto mantém atividades acadêmicas seculares, com cursos de informática, arte e engenharia. Em entrevista à Folha por telefone, o presidente da universidade, Kamalain Shaath, negou com veemência as afirmações israelenses. Engenheiro com doutorado na universidade britânica de Leeds, Shaath não é ligado ao Hamas, mas prevê que o grupo sairá fortalecido politicamente do devastador ataque israelense.

FOLHA - Os laboratórios da Universidade Islâmica de Gaza produziam armas?

KAMALAIN SHAATH - É uma mentira absurda e desafio Israel a provar isso. Foi um crime inaceitável contra uma instituição acadêmica. Temos 20 mil estudantes no campus, seria impossível esconder uma fábrica de armas.

FOLHA - Quais foram as consequências do bombardeio?

SHAATH - Dois prédios da universidade foram totalmente destruídos, entre eles os que abrigavam os laboratórios de ciência. Meu escritório sofreu danos, mas escapou. Nossa universidade é como qualquer outra. Só parte dos professores e estudantes é religiosa.

FOLHA - Como foi a semana em Gaza?

SHAATH - A vida parou. Há centenas de prédios destruídos. Parte da população está sem água, eletricidade e gás.

FOLHA - Depois de tantos foguetes disparados de Gaza contra Israel, o sr. não esperava uma retaliação?

SHAATH - É claro que havia a expectativa de que haveria problemas, mas ninguém esperava esse nível de destruição. Os bombardeios não pouparam ministérios, mesquitas e o Parlamento. Não esperávamos esse nível de brutalidade. Talvez a proximidade das eleições [em Israel] a explique.

FOLHA - A população não culpa o Hamas?

SHAATH - A sensação geral é de ódio contra Israel. Por isso a maioria apoia a posição do Hamas de só aceitar uma trégua em melhores condições, principalmente a abertura das fronteiras. A trégua que vigorou por seis meses [rompida pelo Hamas] não nos ajudou em nada. Os suprimentos estavam muito restritos, a escassez era geral. Vou dar um exemplo: na universidade dois prédios estão inacabados há dois anos por falta de cimento. Por isso, uma nova trégua em condições injustas não vai durar muito.

FOLHA - Israel afirma que deu uma chance para que Gaza prosperasse ao se retirar do território, mas que o Hamas preferiu transformá-lo em base de terrorismo.

SHAATH - Israel nunca deu nenhuma chance para que o governo do Hamas desse certo. O grupo foi eleito democraticamente, mas jamais teve condições de governar. Para que reconhecer Israel? O Fatah fez isso e não nos levou a nada. Tudo o que feito nesse período aumentou a pressão sobre o Hamas, que ficou encurralado.

FOLHA - Se ocorresse eleições palestinas hoje, quem venceria?

SHAATH - Não só em Gaza, mas também na Cisjordânia, não tenho dúvidas de que o Hamas. Quando a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), lutava contra Israel, era o grupo mais popular. Mas ele se aliou ao inimigo, e as pessoas mudaram de lado. Estou convencido de que hoje a maioria não quer um processo de paz com os israelenses. O que as pessoas querem é ter uma vida decente, e isso as negociações de paz não trouxeram. (MARCELO NINIO)

TOBIAS BUCK

DO "FINANCIAL TIMES"


Os líderes encarregados de dirigir o assalto israelense a Gaza travam uma batalha em duas frentes. Uma delas fica ao sul do país, onde caças fustigam Gaza. A outra percorre o gabinete israelense, onde eles tentam extrair a máxima vantagem política do conflito antes da eleição geral de 10 de fevereiro.


As disputas internas são exacerbadas pela química péssima entre o premiê, Ehud Olmert, o ministro da Defesa, Ehud Barak, e a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni.


Barak, líder do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, e Livni, líder do partido centrista Kadima, disputam a preferência de quase o mesmo grupo de eleitores na eleição.


Suas desavenças giram em torno de como pôr fim ao conflito. "Temos duas posições. Uma delas pede a "dissuasão pura" -ou seja, que devemos golpear o Hamas até atingirmos um número suficiente de alvos, e então devemos parar e avisar o Hamas que, se ele não parar de disparar foguetes, vamos retornar e golpeá-lo ainda mais duro", explicou um alto funcionário israelense.


Segundo ele, "a segunda ideia é não pararmos até algum tipo de acordo que conte com apoio internacional e garanta monitoramento ou outras garantias para reduzir os ataques do Hamas". "Tzipi Livni é a favor da dissuasão pura. Ehud Barak defende a abordagem internacional", acrescentou.


O premiê, que vai se afastar do poder após a eleição para combater acusações de corrupção, pode não ter nada a ganhar em termos eleitorais. Mas nutre pouco afeto por seus dois ministros mais importantes, que o pressionaram pela renúncia.


Shlomo Avineri, professor de ciência política na Universidade Hebraica, acredita que as disputas vão ser vistas como de monta menor, comparadas às manobras políticas quando os canhões silenciarem. "Qualquer sucesso na guerra -seja o que for que isso significa- vai fortalecer o Kadima e os trabalhistas, e tanto Barak quando Livni vão tentar garantir que esse sucesso seja atribuído a eles."


Se a guerra for vista como fracasso, porém, os dois competirão para eximir-se de culpa, prevê Avineri. Isso deixaria o ex-premiê Byniamin Netanyahu, líder do partido Likud, de direita, como o grande vencedor político da guerra contra Gaza.

FSP online

Aurora

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