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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Israel x Gaza x Oriente Médio (46) ....A batalha da desinformação

O Globo, Mundo, página 21, em 05/01/2009.


A culpa e os delicados pedidos de moderação

John McCarthy


A invasão de Gaza por Israel ocorre na sequência de uma pesada campanha aérea — justificada como uma retaliação pelos foguetes do Hamas lançados no sul de Israel. Cada foguete ou morteiro disparado da Faixa de Gaza é reportado pela imprensa internacional e, no momento em que escrevo, mais de 400 foram contabilizados durante a semana.


Detalhes dos ataques israelenses são bem mais difíceis de encontrar, mas, segundo o relatório semanal da Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, a Força Aérea Israelense teria lançado 400 bombas. Não ao longo dos últimos sete dias, mas nos primeiros minutos de sua operação em Gaza. Essas e centenas de outras bombas já mataram mais de 400 palestinos. Os foguetes do Hamas causaram somente quatro mortes.


Os israelenses esperam que seu governo puna os ataques e, com eleições marcadas para dentro de um mês, os políticos estão ansiosos para se mostrarem prontos a fazer qualquer coisa para proteger seu povo. Ehud Barak, o ministro da Defesa do governo de coalizão, viu a sua aprovação, bem como a do Partido Trabalhista que lidera, subir nas pesquisas de opinião como resultado direto da campanha contra o Hamas, chamada por ele de “uma guerra até o mais amargo fim”.


Ainda assim, depois de uma semana de ataques aéreos, o Hamas continua lançando foguetes — e com alcance cada vez maior. Parece inevitável que a campanha militar avance, causando mais e mais mortes de civis, até que a pressão internacional por uma trégua se torne forte o suficiente para promover um cessar-fogo.

Embora a resposta desproporcional já tenha provocado diversos pedidos de moderação por parte de vários organismos internacionais, o governo israelense continua a se retratar como uma vítima passiva sob ameaça. Ehud Barak descreveu Israel como “uma vila no meio da selva” e um local civilizado cercado de hordas de selvagens.


Eu já encontrei diversos israelenses que se veem exatamente assim, convencidos de que o resto do mundo não entende seu sofrimento e de que a única coisa importante é deter os foguetes do Hamas. O relatório da ONU da próxima semana deve apontar que, por conta do bloqueio imposto por Israel, alimentos, medicamentos, água e combustível estão tão limitados que Gaza se encontra à beira de um desastre humanitário. Mas a chanceler de Israel, Tzipi Livni, nega tal problema e divulga a amplamente aceita teoria de que o sofrimento das pessoas que vivem em Gaza é consequência de sua tolerância à liderança do Hamas.


Essa intransigência é tão surpreendente? Israel vem ignorando, impunemente, inúmeras resoluções da ONU sobre o retorno de refugiados palestinos, sobre o fim da ocupação na Cisjordânia e sobre o fato de encorajar seu próprio povo a se instalar nos territórios ocupados, entre outras.


E por que não há real pressão para que as cumpra? O fato é que Israel detém a mais poderosa influência psicológica sobre o imaginário coletivo mundial que carrega a culpa pelo Holocausto. Isso significa que, embora o mundo possa, esporadicamente, fazer críticas a Israel, ninguém ousa ir muito além, talvez por medo de ser acusado de anti-semitismo ou de estar, de certa forma, atacando um povo que historicamente já sofreu tanto. A tragédia é que, agora, um outro povo, os palestinos, está sofrendo por causa da hesitação do mundo em ofender Israel.


Quantas vezes mais o mundo pedirá com delicadeza para que “sejam mais moderados” enquanto as telas de nossas televisões continuam mostrando civis encolhidos sob ataques aéreos e hospitais incapazes de tratar os feridos? Sim, o Hamas deve interromper seus ataques. Mas, sobretudo, é hora de Israel ser cobrado para que reconheça o desejo da comunidade internacional.


JOHN McCARTHY, sequestrado no Líbano em 1986 e mantido em cativeiro por cinco anos pelo grupo Jihad Islâmica, escreveu este artigo para o “Independent”.


O Globo, Mundo, página 22, em 05/01/2009.


O risco de repetir erros da invasão do Líbano

Em 2006, ataque por terra ao Hezbollah trouxe grandes baixas e enorme desgaste político ao governo

Sudarsan Raghavan e Griff Witte Do Washington Post


JERUSALÉM. Nos primeiros dias da batalha de Israel contra o Hamas, o conflito foi travado no ar, com os jatos israelenses visando alvos em Gaza, e o Hamas lançando foguetes não governados, na esperança de que atingissem cidades israelenses a até quarenta quilômetros de distância.


No sábado, Israel mudou sua estratégia, trazendo a guerra até as portas do Hamas com a invasão por terra da Faixa de Gaza. Ao fazê-lo, os líderes israelenses correm o risco de repetir a desastrosa experiência da guerra no Líbano, em 2006, quando sofreram inúmeras baixas no combate terrestre com o Hezbollah, e pagar um alto preço político nas eleições marcadas para menos de dois meses.


O objetivo do Hamas no conflito, dizem especialistas, não é uma vitória militar, mas um ganho psicológico, semelhante ao que o Hezbollah conseguiu depois da guerra, legitimando sua presença no Líbano e no mundo árabe.


Para especialistas, dilemas são os mesmos, mas piores Nos últimos quatro anos, Israel procurou bloquear as mais devastadoras ações palestinas: os bombardeios suicidas e os ataques curtos, em estilo guerrilha. Esse tipo de ação foi bem sucedido durante a segunda intifada, no começo da década, causando a morte de diversos israelenses, mas ele é muito mais difícil de ser colocado em prática hoje.


Israel construiu cercas e muros em torno da Faixa de Gaza e na maior parte da Cisjordânia.


Com isso, reduziu drasticamente a movimentação nesses lugares, impedindo que a maioria dos cerca de 1,5 milhão de habitantes de Gaza deixassem aquele estreito território costeiro.


Israel retirou suas tropas e colonos de assentamentos de Gaza em 2005 e, desde então, o Hamas passou a se utilizar quase que exclusivamente de foguetes para atacar Israel. Ao mesmo tempo, Israel aumentou significativamente seu poderio aéreo.


O resultado foi uma redução nas baixas, já que a ação passou a acontecer nos céus em vez da terra. Em 2002, no auge da segunda intifada, mais de mil palestinos foram mortos, contra 400 israelenses. Nos primeiros dias do atual conflito, 500 palestinos foram mortos, contra quatro israelenses.


Não houve baixas entre os militares israelenses que participaram das ações aéreas.


Em 2006, o Hezbollah lutou contra Israel em uma guerra que durou 33 dias. Os objetivos militares de Israel naquele conflito eram acabar com os ataques com mísseis do Hezbollah ao norte do país e resgatar dois soldados que foram tomados como reféns após uma incursão na fronteira.


Mas os ataques aéreos não foram suficiente, já que o Hezbollah continuou a lançar mísseis.


Israel então lançou uma grande incursão terrestre. No total, 120 soldados de Israel morreram, além de 43 civis e mais de 1.100 libaneses.


No final do conflito, o mundo muçulmano saudou o Hezbollah, que hoje controla parcialmente o governo local, como vitorioso. Em Israel, a reação ao conflito com o Líbano foi negativa. O ministro da Defesa caiu e por pouco o mesmo não aconteceu com primeiro ministro Ehud Olmert.


Hoje, monitores internacionais mantêm a paz no sul do Líbano, e o Hezbollah parou de lançar mísseis em Israel.

Mas acredita-se que a milícia conseguiu recuperar sua força militar, contando agora com uma artilharia ainda mais pesada do que a anterior.


— Os dilemas são os mesmos do Líbano, só que piores — disse Gershom Gorenberg, um escritor israelenses, especializado nos conflitos com os palestinos. — Estamos lidando com um adversário que não é um Estado e é radical. O que torna as coisas piores agora é que nenhum órgão internacional vai querer interferir e controlar a situação.


O Globo, Mundo, página 22, em 05/01/2009.


A batalha da desinformação

Jornalistas cobrem de longe; soldados têm celulares confiscados

Renata Malkes Especial para O GLOBO


KFAR AZA, Israel. Centenas de jornalistas do mundo todo passam os dias correndo entre um hotel transformado em quartel-general da imprensa na cidade de Ashkelon e a fronteira, tentando vencer uma guerra de desinformação. Além da impossibilidade de entrar na Faixa de Gaza, os repórteres têm de lidar ainda com as constantes especulações e a falta de números exatos sobre a ofensiva, nos dois lados. A região em torno da fronteira virou área militar fechada e os jornalistas se limitam a checar por telefone os últimos acontecimentos no front. Temendo o vazamento de informações, o Exército confiscou ontem os telefones celulares de todos os soldados que entraram na Faixa de Gaza, numa tentativa de bloquear a comunicação entre os oficiais, a imprensa e até mesmo parentes.


— Há uma mudança radical no trato militar com a imprensa. Durante a guerra do Líbano, em 2006, podíamos chegar a qualquer lugar, conversar com os reservistas e até mesmo entrar nos tanques durante baterias de disparos. Agora vivemos uma guerra que não podemos ver, apenas ouvir. Os relatos vêm através da assessoria de imprensa do Exército, das TVs árabes e agências de notícias dentro de Gaza — lamentou o repórter Yoav Limor, do Canal 1.


Depois de conseguir na Justiça o direito de permitir a entrada de jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza há três dias, a associação de correspondentes estrangeiros decidiu fazer um sorteio para que dez jornalistas tenham acesso à região. Os que entrarem terão que gerar material para um pool, perdendo a exclusividade.

— É uma guerra de dois lados. São duas histórias diferentes que precisam ser contadas e Israel precisa entender isso — disse uma das correspondentes da agência Associated Press.


O Globo, Mundo, página 22, em 05/01/2009.


Em guerra contra judeus e palestinos

Ismail Haniyeh está cada vez mais isolado


Desde a morte de Nizar Rayan no bombardeio da última quinta-feira, Ismail Haniyeh é a mais alta figura política do Hamas em Gaza, primeiro-ministro de facto. Apontado como um dos menos radicais da facção islâmica, o líder se encontra numa posição extremamente difícil, isolado entre os extremistas de seu próprio partido, entre os palestinos, sobretudo os do Fatah, e, claro, por Israel e Estados Unidos.


Enquanto Rayan sempre foi visto como uma figura mais militarista, fortemente associada aos elementos mais radicais do Hamas, Haniyeh é apontado como mais pragmático. Embora tenha sido co-responsável pela conduta do grupo nos últimos turbulentos anos, inclusive pelos homens-bomba ao longo dos anos 90 e na segunda intifada, ele, regularmente, busca acordos de cessar-fogo, e poucas vezes defendeu o aumento uso de força para angariar votos.


Mas agora ele é uma figura extremamente visada. Para Israel, ele simboliza o inimigo a ser tratado com crueldade na guerra.


Ele tem que lidar com as reclamações dos moradores de Gaza sobre o governo do Hamas — acusado de não ter trazido muitos benefícios para o povo, exceto, talvez, um pouco mais de ordem interna. E, dentro do Hamas, a tendência mais política do que militar que ele representa se encontra, atualmente, eclipsada. É como parte dessa herança que Haniyeh se encontra emparedado entre os linhas-dura de seu próprio lado.


Do ponto de vista dos palestinos, a situação de Haniyeh também não é nada boa, sobretudo agora que o seu governo estaria ordenando a prisão de vários membros do Fatah, temendo que eles aproveitem a atual operação israelense para retomarem o controle de Gaza, segundo reportagem do “Jerusalem Post”.


De acordo com o jornal, milicianos do Hamas estariam atacando vários ativistas do Fatah desde o início das operações. Segundo eles, pelo menos 75 militantes levaram tiros nas pernas ou tiveram suas mãos quebradas.

— O Hamas está muito nervoso porque sente que seu fim está próximo — afirmou um líder do Fatah em entrevista ao jornal. — Eles deflagraram uma campanha brutal contra os membros do Fatah na Faixa de Gaza.


De acordo com a reportagem, o Hamas teria executado mais de 35 palestinos suspeitos de colaborar com Israel e mantidos em instalações de segurança em Gaza. O jornal sustenta ainda que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, estaria instruindo homens do Fatah em Gaza a minar as ações do Hamas.


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