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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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domingo, 11 de janeiro de 2009

Israel x Gaza x Oriente Médio (91) .... "A opinião mundial não nos salvará"

FSP

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"A opinião mundial não nos salvará"

DANIEL FINKELSTEIN


Era estritamente proibido ter um caderno em Belsen, mas minha tia Ruth tinha um, mesmo assim. Apenas uma pequena agenda de bolso -do tipo que vem com um daqueles lápis minúsculos. E nele, no outono de 1944, ela anotou que Anne Frank e sua irmã, Margot, amiga de colégio de Ruth, tinham chegado ao campo de concentração.


Minha mãe e minha tia estavam olhando através da cerca do campo quando as irmãs Frank chegaram. Mamãe se recorda bem, porque elas ficaram emocionadas ao ver garotas que conheciam de tempos passados em Amsterdã. Elas tinham brincado juntas nas mesmas ruas, frequentado as mesmas escolas, e Ruth e Margot tinham tido aulas de hebraico juntas. Certa vez, as duas tinham sido chamadas para atuar como damas de honra, quando um casamento judaico foi realizado na sinagoga em segredo, durante a hora da aula delas.


Mas Ruth e Margot não cresceram juntas. Isso porque, enquanto Ruth e minha mãe viveram, Margot e Anne nunca deixaram Belsen. Elas morreram de tifo. Estou contando essa história porque quero que você entenda Israel. Não que concorde com tudo o que Israel faz, nem que mantenha silêncio quando tem vontade de protestar contra seus atos, nem tampouco que tome seu partido sempre -apenas que compreenda Israel.


Há duas coisas nessa história que ajudam a nos dar insights. A primeira é que todas essas coisas -as câmaras de gás, os campos de concentração, a tentativa de varrer os judeus da face da terra- não são história antiga nem fábula. Elas aconteceram com pessoas reais e aconteceram durante nosso tempo de vida. Anne e Margot Frank eram apenas crianças para minha tia e minha mãe -não eram ícones nem símbolos de nada. A segunda coisa é que hoje a opinião mundial chora por Anne Frank. Mas a opinião mundial não a salvou.


Ideia de um jornalista

A origem do Estado de Israel não está na religião ou no nacionalismo; está na experiência de opressão e assassinato, no medo da aniquilação total e na conclusão amarga de que não foi possível confiar na opinião mundial para proteger judeus. Israel foi ideia de um jornalista. Theodor Herzl era o correspondente em Paris da Neue Freie Press quando testemunhou manifestações antissemitas violentas contra o capitão do Exército Alfred Dreyfus, judeu, que tinha sido falsamente acusado de espionagem. Na época, Herzl integrava o pequeno grupo de jornalistas que, em 1895, assistiu à famosa cerimônia de degradação em que Dreyfus teve seus galões de oficial retirados.


Essa experiência levou Herzl a perder sua fé na assimilação. Ele se convenceu de que os judeus só poderiam viver em segurança se tivessem seu próprio país. Herzl tornou-se o primeiro líder do sionismo moderno. Muitos judeus resistiram a sua conclusão durante muitos anos. Meu avô estava entre eles. Mas a experiência de judeus de todo o mundo na primeira metade do século 20 -não apenas na Europa, mas também no Oriente Médio- acabou confirmando a visão de Herzl.


Assim, quando se pede a Israel que respeite a opinião mundial e confie na comunidade internacional, não se está compreendendo o ponto fundamental. A própria ideia de Israel é uma rejeição dessa opção. Israel só existe porque os judeus não se sentem seguros como tutelados da opinião mundial. O sionismo, essa palavra tão vilipendiada, é fundamentado na determinação de que, em última análise, os judeus vão de alguma maneira defender-se da destruição. Se bastasse a opinião pública, não haveria Israel.


A pobreza, a morte e o desespero entre os palestinos na faixa de Gaza me leva às lágrimas. Como poderia deixar de fazê-lo? Quem é capaz de ver imagens de crianças numa zona de guerra ou numa rua de favela e não se sentir revoltado, perplexo e impelido a protestar? E o que é tão chocante é que isso é tão desnecessário. Pois pode haver paz e prosperidade em troca do menor dos preços.


Basta os palestinos dizerem que vão deixar Israel existir em paz. Eles só precisam dizer essa coisa minúscula, e dizê-la com sinceridade, para que praticamente não exista nada que eles não possam ter.
Mas eles se negam a dizê-la. E se negam a levá-la em conta.


Porque eles não querem os judeus. Inúmeras vezes, e ainda outras inúmeras vezes, foi feita aos palestinos a oferta de um Estado-nação numa Palestina dividida. E inúmeras vezes eles rejeitaram a oferta, pois sempre tem sido mais importante para eles expulsar os judeus que ter um Estado palestino.


Às vezes é difícil evitar a impressão de que Hamas e Hizbollah não querem matar judeus por odiar Israel. Eles odeiam Israel porque querem matar os judeus.


Lições da experiência

Não pode haver paz enquanto isso não mudar. Pois Israel não vai confiar em gestos internacionais e garantias dadas da boca para fora para sua defesa. Em seu próprio cerne, não o fará. Israel entregará suas armas quando os judeus estiverem em segurança, mas não o fará enquanto não o estiverem.


E, se você refletir sobre a questão, a experiência mais recente não confirma isso? Assim como a experiência confirmou a posição de Herzl? Um ano atrás, enquanto estava de férias, conheci um professor e comecei a bater papo com ele sobre Israel. O professor era um homem simpático, e tudo o que queria era que os combates terminassem e que fosse posto fim ao sofrimento das crianças. Ele me fez uma pergunta.


Por que, perguntou, Israel não se oferece a devolver a Cisjordânia e a faixa de Gaza? Por que simplesmente não deixa os palestinos terem um Estado ali? Se os palestinos rejeitassem a oferta, disse ele, então pelo menos a opinião liberal ficaria do lado de Israel e se disporia a ajudá-lo.


Então expliquei com paciência àquele homem bondoso que, em Camp David, em 2000, Israel tinha feito precisamente essa oferta e que ela tinha sido rejeitada incondicionalmente por Iasser Arafat -nem sequer tinha sido usada como base para negociações.


Eu disse a ele que Israel não estava mais na faixa de Gaza, tendo se retirado unilateralmente e levado seus colonos junto. Os palestinos tinham reagido a esse movimento com bombas suicidas e foguetes.


Mas o professor, com toda sua compaixão, nem sequer tinha conhecimento disso. E a opinião liberal? Infelizmente, a fé de meu novo amigo nela era infundada. Ela se voltou fortemente contra Israel. Israel já cometeu muitos erros. Agiu agressivamente demais em algumas ocasiões e foi demasiado defensivo em outras. O país nem sempre respeitou como deveria os direitos humanos de seus inimigos. Que país exposto a tal ameaça teria evitado qualquer erro?


Mas, sabe de uma coisa? Enquanto o Irã obtém uma arma nuclear e, com isso, o potencial de desencadear outro Holocausto contra os judeus, e a opinião mundial não faz nada, não estou tão certo de que os equívocos da opinião mundial sejam assim tão preferíveis aos de Israel.


DANIEL FINKELSTEIN é editor e colunista no jornal londrino "The Times", onde este texto foi originalmente publicado.


A guerra contra os judeus

ROBERT KURZ

ESPECIAL PARA A FOLHA


As reações políticas à guerra em Gaza mostram que o número de amigos de Israel diminui com o aumento da precariedade da sua situação militar. Ocorre um deslocamento tectônico na relação de forças. Desde sempre o Oriente Médio foi palco não de conflitos limitados entre interesses regionais, mas de um conflito vicário, isto é, de um conflito entre atores substitutos, paradigmático e com forte carga ideológica.


Na época da Guerra Fria, o conflito entre Israel e a Palestina era visto como paradigma da oposição entre um imperialismo ocidental liderado pelos EUA e um campo "anti-imperialista", cuja liderança era disputada pela União Soviética e a China.


A propaganda de ambos os lados ignorou aqui o duplo caráter do Estado israelense -por um lado um país moderno convencional no âmbito do mercado mundial, por outro uma resposta dos judeus à ideologia da marginalização eliminadora do antissemitismo europeu e, sobretudo, alemão.


Subsumia-se Israel a uma constelação da política mundial, que nunca explicou cabalmente o país. Depois do colapso do socialismo de Estado e dos "movimentos nacionais de libertação", que tinham formulado um programa de "desenvolvimento recuperador" com base no mercado mundial, a natureza do conflito vicário sofreu uma modificação fundamental.


No Oriente Médio e além das suas fronteiras, o lugar dos regimes desenvolvimentistas laicos foi ocupado pelo assim chamado islamismo, que se revela apenas na aparência como movimento tradicionalista de cunho religioso. Na realidade, ele é uma ideologia culturalista pós-moderna da crise de uma parte das elites há muito tempo ocidentalizadas nos países islâmicos, que representam o potencial autoritário da pós-modernidade e absorveram o antissemitismo europeu, não-islâmico na íntegra. Nessa região, os segmentos do capital que fracassaram no mercado mundial declararam a guerra aos judeus como combate paradigmático à dominação ocidental. Inversamente, o imperialismo da crise ocidental, encabeçado pelos EUA, transformou o islamismo no novo inimigo principal depois de tê-lo aleitado e abastecido com armas antes, durante a Guerra Fria.


Penúria ideológica

Essa nova constelação levou a confusões ideológicas de grau imprevisto. Nas regiões de crise, o neoliberalismo parecia identificar-se com a guerra da ordem mundial capitalista contra os "Estados em desagregação"; no Oriente Médio, parecia identificar-se com Israel. Desde então, correntes neofascistas do mundo inteiro andam de mãos dadas com a "luta de resistência" islâmica de viés antissemita, embora ao mesmo tempo aticem sentimentos racistas contra migrantes dos países islâmicos.


Segmentos expressivos da esquerda global também passaram a transferir sem qualquer cerimônia a glorificação do velho "anti-imperialismo" aos movimentos e regimes islâmicos. Isso só pode ser caracterizado como penúria ideológica, pois o islamismo é contra tudo o que a esquerda defendeu na sua história: pune o homossexualismo com a pena capital e trata as mulheres como seres de segunda categoria.


A responsabilidade por isso também não deve ser atribuída a nenhuma religião tradicional, mas a uma militância de tinturas culturalistas do patriarcado capitalista, hoje em crise, que se dá a conhecer de outro modo também no Ocidente. A nada santa aliança entre o caudilhismo "socialista" de um Hugo Chávez e o islamismo representa apenas a ratificação dessa decadência ideológica no plano da política mundial, destituída de qualquer perspectiva emancipadora.


Desde a recente quebra financeira, sem precedentes na história, a constelação global está dando uma volta a mais.


Agora fica claro que o colapso do socialismo de Estado e dos regimes desenvolvimentistas nacionais foi apenas o prenúncio de uma grande crise do mercado mundial. O neoliberalismo está falido e a guerra da ordem mundial capitalista não mais pode ser financiada. Nessa situação evidencia-se que Israel sempre foi apenas um peão no tabuleiro de xadrez do imperialismo da crise global.


A própria administração Bush no fim passou a considerar inofensivo o programa iraniano de armamento nuclear. Os interesses dos EUA e de Israel se dissociam. Obama não dispõe mais de uma margem de atuação político-militar. A guerra islâmica contra os judeus é aceita como inevitável. Por isso os lançamentos de foguetes do Hamas sobre a população civil israelense se afiguram inessenciais.


A opinião pública global caracteriza o contra-ataque israelense majoritariamente como "desproporcional".


Os palestinos em Gaza são percebidos como vítimas juntamente com o Hamas, como se esse regime não se tivesse imposto em uma sangrenta guerra civil contra o grupo laico Fatah.


Assim a propaganda islâmica do massacre da população civil cai em terra fértil. Com efeito, o Hamas transforma, exatamente como o Hizbollah libanês em 2006, a população em refém, ao transformar mesquitas em depósitos de armamentos e permitir que seus quadros armados atirem de escolas ou hospitais. A opinião pública mundial ignora isso, pois já reconheceu o Hamas como "poder de garantia da ordem" em meio à crise social.


Por isso o pragmatismo capitalista se volta, conforme se pode observar até na imprensa burguesa de orientação liberal, cada vez mais contra a autodefesa israelense. Aqui reside, de resto, o segredo da virada neoestatista em meio à queda da economia global: as massas depauperadas devem ser pacificadas com meios autoritários, e para tanto serve agora até o islamismo, ainda mais se ele logra legitimar-se formalmente como democracia. Mesmo uma esquerda, que não tem mais um objetivo socialista e se jacta da pós-moderna "perda de todas as certezas", corre o risco de identificar-se com a administração autoritária da crise e aceitar como inevitável a guerra islâmica contra os judeus, como se ela fosse um mero flanqueamento ideológico.


O conflito vicário alcançou uma dimensão social no plano global. Contra o "mainstream" ideológico, faz-se mister constatar que o aniquilamento do Hamas e do Hizbollah é condição elementar não apenas de uma paz capitalista precária na Palestina, mas também de uma melhoria das condições sociais.


Se as perspectivas para tanto são ruins, são boas para a desagregação da sociedade mundial na barbarização.


ROBERT KURZ é sociólogo alemão, autor de "O Colapso da Modernização" (Paz e Terra).


Na TV / CNN: Pluralidade marca cobertura: DE NOVA YORK: São 2h nos EUA. A CNN reporta ao vivo de Israel. De Jerusalém, Christiane Amanpour, a principal correspondente da rede, fala sobre foguetes lançados do Líbano contra Israel. "Há muita solidariedade no Líbano ao sofrimento dos palestinos", diz. As imagens preferidas -feitas por TVs árabes- são de palestinos feridos, crianças chorando e ambulâncias.
São 23h. Anderson Cooper, queridinho do canal, também está em Israel. Em Sderot, cidade que mais sofre com o lançamento de foguetes de Gaza, dá detalhes sobre essas armas. Um vídeo mostra israelenses fugindo para abrigos.

A CNN balança entre os dois lados do conflito - e é firme em ambos. O esforço não é pelo apartidarismo, mas pela pluralidade de vozes. (ANDREA MURTA)


Fox News: Para canal, Israel é "o lado certo": DE NOVA YORK: "A questão não é mostrar os dois lados, mas sim o lado certo", diz na Fox News o comentarista Steve Emerson. A resposta do âncora noturno Sean Hannity deixa poucas dúvidas sobre o lado certo: "Quantos foguetes o Hamas precisa lançar contra Israel para que o mundo entenda quem é a vítima?".

O programa de Hannity é abertamente opinativo, mas mesmo no noticiário o tom pró-Israel é mais carregado do que os momentos mais parciais das concorrentes MSNBC e CNN. Um exemplo veio na terça, quando ambas abraçaram o relato da ONU, negando a presença de militantes na escola onde 43 palestinos morreram. Já nos boletins da Fox News, nada de números ou perfis. "O ataque matou dezenas de palestinos, "inclusive" civis". (AM)


BBC: TV britânica prioriza política: DE LONDRES: Mais de dez dias depois do início da ofensiva militar israelense em Gaza e ainda bloqueada do lado de fora, a BBC se esforçava por manter o foco no conflito. Seus correspondentes se revezam na "fronteira Israel-Gaza", relatando sempre "as colunas de fumaça" e o "som dos bombardeios".

As imagens mostram palestinas desesperadas, ambulâncias, feridos, mas pouco sangue. A BBC mira o noticiário na diplomacia e ataca o governo israelense. Jeremy Bowen, editor de Oriente Médio, lembra que a mídia está impedida por Israel de entrar em Gaza. Com o passar dos dias, o cansaço é visível: na quarta, Gaza dividia seu tempo com a saída do capitão e do técnico da seleção inglesa de críquete e com trens atrasados. (PEDRO DIAS LEITE)


Al Jazeera: Rede explora imagens fortes: DE LONDRES: O corpo de uma criança, com o que parecem ser dois tiros no peito, toma a tela por alguns segundos, para o pai desesperado perguntar: "É assim que vocês ganham votos, matando crianças?". Com quatro correspondentes fixos na faixa de Gaza desde antes da ofensiva militar israelense, a rede de TV árabe Al Jazeera tem mostrado ao mundo imagens que não chegam às telas das outras emissoras no Ocidente.

Ao contrário da versão em árabe da emissora, criticada por ser pró-Hamas, a versão em inglês se esforça pela imparcialidade: um âncora chegou a bater boca com um porta-voz do Hamas, que se esquivava da promessa de não lançar foguetes durante as três horas de cessar-fogo para a entrada de ajuda humanitária. (PDL)


FSP online

G1

Esporte Espetacular

  • Esporte pede a paz na Faixa de Gaza: O mundo vê com muita tristeza a guerra entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza. O judeu Marcelinho, da seleção de vôlei, e a corredora nascida na Palestina, Reem Kamel, pedem a paz na região.

Em Cima da Hora

Jornal Nacional

  • Cessar-fogo é ignorado em Gaza: Israel e Hamas continuam os ataques e ignoram o pedido de trégua da ONU. Cada vez mais protestos surgem ao redor do mundo pedidno paz na Faixa de Gaza.

Veja mais:


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